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domingo, 26 de maio de 2013

Lindíssima: Depois de polêmica, vencedora do Miss Bahia 2013 é universitária, negra e de Salvador


Lindíssima: Depois de polêmica, vencedora do Miss Bahia 2013 é universitária, negra e de Salvador

Eleita entre 30 candidatas, quase todas loiras, a vencedora vai agora disputar o miss Brasil no dia 28 de setembro, em Minas Gerais
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Estudante de Psicologia, 22 anos, 1,73m, negra. Priscila Cidreira, representante do bairro da Santa Cruz, em Salvador, foi coroada neste sábado (25) como a mulher mais bonita do estado, em evento realizado no Hotel Sheraton, na capital baiana. Eleita entre 30 candidatas, a vencedora vai agora disputar o miss Brasil no dia 28 de setembro, em Minas Gerais. O segundo lugar ficou com a Miss Luis Eduardo Magalhães, e o terceiro com a Miss Itabuna.

A jovem chamou atenção por ser uma das duas únicas candidatas negras do concurso. O grande número de mulheres loiras disputando como Miss Bahia gerou polêmica na internet, com protestos pelas redes sociais, por não representar o perfil da população baiana.
Torcedora do Vitória e fã de Jorge Vercilo, a nova miss Bahia declarou ao concurso que tem como grande sonho viajar pelo mundo. Mostrou também ter sintonia com suas origens, destacando, entre as personalidades que admira, duas negras: a ex-Miss Universo angolana Leila Lopes e a primeira-dama americana, Michelle Obama.

Os jurados responsáveis pela escolha foram o produtor de moda e beauty artist Doda Guedes, a Miss Bahia 2011 Gabriella Rocha, a empresária Josinha Pacheco, a gerente de marketing do Salvador Shopping Karina Dourado, a baiana Miss Universo 1968 Martha Vasconcellos, o cirurgião plástico Rômulo Romano e o apresentador e deputado estadual Uziel Bueno. 

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ações contra preconceito incentivam população a se declarar negra ou parda

Ações contra preconceito incentivam população a se declarar negra ou parda

No Censo de 2010, 55,9% dos entrevistados do DF se declararam pretos ou pardos, um crescimento expressivo em relação à pesquisa de 2000. Segundo especialistas, não houve redução no número de brancos, mas as ações afirmativas têm provocado mudanças

Helena Mader

O preconceito racial é um mal ainda enraizado no Distrito Federal, mas a sociedade brasiliense deu passos importantes rumo à igualdade na última década. Em 2000, quase metade dos moradores da capital se declararam brancos durante o Censo, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, 49,1% dos entrevistados afirmaram ter a pele branca — entre eles, muitos negros constrangidos de declarar a própria cor. No último levantamento, feito em 2010, esse número caiu expressivamente. No ano passado, a realidade se inverteu: 55,9% dos candangos se declararam negros — pretos ou pardos — e apenas 42% dos brasilienses disseram aos pesquisadores que se viam como brancos.

Os números revelam mudanças significativas na sociedade. Para especialistas, a redução do percentual não representa uma queda no contigente de brancos em Brasília. Na realidade, parte dos pretos e pardos, que no passado se declaravam brancos, passaram a se identificar de outra forma para os pesquisadores do IBGE. As políticas afirmativas e as mudanças culturais estimularam essa alteração na identidade dos brasilienses. A mesma tendência foi observada nos dados consolidados do país e de vários estados brasileiros.

O total de negros na população supera em 15 pontos percentuais a quantidade de pessoas que afirmaram ser brancas. Mas a realidade dos pretos e pardos ainda é mais difícil do que a do resto da população. Os brancos ganham muito mais do que os negros, que se concentram principalmente nas cidades mais pobres do Distrito Federal. No Brasil, o rendimento médio mensal das pessoas brancas alcançou R$ 1,5 mil, enquanto o dos cidadãos pretos e pardos foi quase a metade: R$ 833 para os negros e R$ 844 para os pardos.


A antropóloga Natália Maria já fez pesquisas em que pessoas negras se declararam brancas: 'A resposta é menos consciente do que deveria ser' (Carlos Vieira/CB/D.A Press)
A antropóloga Natália Maria já fez pesquisas em que pessoas negras se declararam brancas: "A resposta é menos consciente do que deveria ser"


Em Brasília, a desigualdade é também geográfica. No Lago Sul, bairro com a maior renda per capita da cidade, 78,6% dos moradores afirmaram ao IBGE ser brancos. No Recanto das Emas e em Santa Maria, duas das regiões que concentram a maior parte dos brasilienses carentes, apenas 31% dos habitantes fizeram a mesma declaração. Nessas duas regiões de baixa renda, mais de 65% dos moradores disseram ser pretos ou pardos.

Ações afirmativas
A antropóloga Natália Maria Alves Machado, 24 anos, conhece de perto o motivo das distorções registradas nos últimos censos. Ativista do movimento negro, ela é integrante do Nosso Coletivo Negro e da Rede Mocambos. Como pesquisadora, já aplicou questionários e viu pessoas pretas se declarando brancas ou pardas. “O racismo ainda persiste, especialmente em situações que dependem do olhar externo, como o mercado de trabalho ou as abordagens policiais. A resposta nesses questionários ainda é menos consciente do que deveria ser”, conta Natália.

Para a antropóloga, as ações afirmativas tiveram papel fundamental na transformação da sociedade e refletiram nos números apurados pelo IBGE. “Hoje, há um respaldo simbólico. As pessoas se sentem mais à vontade para se declararem como negras. A cor da pele significa muito, representa um lastro étnico e cultural que interfere nos rumos da pessoa no mundo”, explica Natália. Mas, para ela, ainda é preciso avançar muito. “O principal, a partir de agora, é a manutenção e a ampliação das ações afirmativas, como a inclusão no ensino superior e na pesquisa”, finaliza a antropóloga, que fez parte da primeira turma que ingressou na Universidade de Brasília pelo sistema de cotas para negros, em 2004.

Entre todas as políticas afirmativas criadas na última década, o programa de inclusão nas universidades é apontado como uma das mais importantes e efetivas. Como o rendimento entre os pretos e pardos ainda é muito inferior, o melhor caminho para mudar essa realidade é a educação, especialmente com o aumento de negros no ensino superior, afirmam especialistas.

O professor da Universidade de Brasília Nelson Inocêncio, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da instituição, vê resultados positivos na luta por igualdade racial. Ele cita a eleição de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, como um exemplo das mudanças e defende a ampliação de políticas afirmativas. “É necessário entender que toda sociedade que se constitui de maneira desigual tem que ter política diferenciada”, justifica Nelson Inocêncio.

Ele explica que as mais efetivas ações para reduzir o preconceito no país começaram a ser implantadas depois da Conferência de Durban contra o racismo, realizada há 10 anos. “A declaração de Durban, da qual o Brasil foi signatário, representou o primeiro compromisso de combate ao racismo. Ali, começamos a desenvolver algumas ações importantes”, lembra o especialista. “Mas não bastam leis e ações, a sociedade tem que estar convencida de que não temos outra saída, de que precisamos de políticas afirmativas. O grande desafio é superar o mito da democracia racial. As relações entre brancos e negros sempre foram tensas e não podemos falar em democracia sem superarmos o racismo”, finalizou Nelson.

Mudanças
Ativista do movimento negro e dona do primeiro salão especializado em penteados étnicos, Graça dos Santos acompanhou de perto essas mudanças na sociedade. Há 20 anos, ela lembra, ninguém ousava ostentar um penteado estilo black power. “O cabelo tinha que ser esticado, sem nenhuma ondulação sequer. Mas, com o tempo, as pessoas se sentiram à vontade para se afirmar negras e, hoje, a maioria não nega mais a identidade, usando cabelos com tranças ou dreads, por exemplo”, comenta Graça.

Mas a empresária e ativista lamenta que o racismo ainda seja forte no Brasil e no Distrito Federal. Ela também luta por mais igualdade entre negros e brancos. “A maioria dos pobres e analfabetos é negra. Não houve políticas para atender a esse segmento da população. Investimentos em educação e ações afirmativas são as saídas para mudar essa realidade”, defende Graça.

Especialistas afirmam que uma das medidas mais urgentes para garantir a igualdade racial é a implantação da Lei Federal nº 10.639, de 2003. Essa legislação altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e torna obrigatório o ensino de história e cultura da África e das populações negras brasileiras nas escolas de ensino fundamental e médio de todo o país. No Distrito Federal, a lei ainda não é cumprida.

A secretária de Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal, Josefina Serra dos Santos, afirma que técnicos da pasta têm feito reuniões periódicas com representantes da Secretaria de Educação. A ideia é cumprir a Lei 10.369. “Brasília tem que ser referência na luta por igualdade racial. Ainda é difícil assumir que é negro no Brasil e somente com a educação será possível mudar essa realidade”, afirma Josefina. “A discriminação do dia a dia dói muito e acaba com a autoestima dos negros, por isso muitos preferem se declarar como brancos no questionário do IBGE. Mas a sociedade está mudando e acredito que o percentual de negros no próximo censo será ainda maior”, comenta Josefina.


Reconhecimento
A coleta de informações a respeito da cor e da raça dos entrevistados pelos recenceadores do IBGE tem como base a autodeclaração. Os pesquisadores não interferem no resultado, ou seja, são os participantes do censo que declaram ser pretos, pardos, brancos, amarelos, brancos ou indígenas.


Indígenas
O censo do IBGE mostrou que mais de 6 mil indígenas vivem hoje no Distrito Federal. Mesmo com um crescimento populacional de 25% no DF na última década, a quantidade de indígenas caiu tanto percentualmente quanto em valores absolutos. Em 2000, eles eram 7.154 e, em 2010, apenas 6.128
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No CorreioBraziliense

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Janaina de Melo, vencedora do O Aprendiz: Acho que é um exemplo para a raça negra. Eu tenho a cara do Brasil.

Janaina de Melo, vencedora do O Aprendiz: Acho que é um exemplo para a raça. Eu tenho a cara do Brasil



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A amazonense Janaina de Melo, de 28 anos, venceu o programa O Aprendiz, na madrugada desta quarta (21). Ela levou o prêmio de R$ 1,5 milhão. Além disso, também ganhou um quadro de US$ 50 mil do artista plástico brasileiro radicado nos Estados Unidos Romero Britto.
Emocionada, ela contou ao R7 o que pretende fazer com tanto dinheiro.
- Quero montar um negócio. Em 2012 ou 2013 vou abrir. Ainda não sei o que será, porque quero estudar muito o mercado antes.
Janaína, que morou nos Estados Unidos por oito anos, vai voltar para o Brasil.
- Sofria muito lá com a falta que sentia da minha família. Agora, isso não será problema.
Ela ainda ressaltou o fato de ser mulher e negra e vencer o reality empresarial.
Acho que é um exemplo para a raça negra. As negras não precisam sonhar em ser só dançarinas. Podem também ser empresárias, advogadas ou médicas se quiserem. Eu tenho a cara do Brasil.
Ela ainda destacou uma qualidade sua que ficou marcante no reality.
- Com humildade a gente sempre chega lá. Meu maior herói é Deus.
O programa começou com João Doria Jr. surgindo do meio da plateia de 1.600 pessoas, no auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina, em São Paulo, de onde a grande final foi transmitida ao vivo para todo o Brasil.
Doria celebrou o resultado final desta edição.
- Estou feliz porque todos os participantes saíram muito melhores do que entraram.
Carla Pernambuco, uma das conselheiras, que votou pela vitória de Janaina, ficou feliz com resultado.
- A Janaina chegou ao final com muita criatividade. Ela se sobressaiu sobre os outros.
Sobre a perdedora, Renata Tolentino, Carla disse que ela "foi a zebra dessa edição" e que não imaginava que ela conseguisse chegar até a final. Claudio Forner, o outro conselheiro, afirmou que o resultado "só confirmou o que aconteceu nos últimos três episódios, nos quais Janaína se destacou, enquanto que Renata se estagnou".
Fonte: R7