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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Ô falta de uma pia cheia de louça suja pra lavar: Pastor processa Globo por causa de beijo gay em "Amor à Vida"

Ô falta de uma pia cheia de louça suja pra lavar: Pastor processa Globo por causa de beijo gay em "Amor à Vida"

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O beijo gay entre Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Matheus Solano) no último capítulo de “Amor à Vida” não agradou às lideranças evangélicas.

O pastor baiano e deputado estadual Sargento Isidório entrou com um processo contra a Rede Globo nesta terça (04) na Assembleia Legislativa da Bahia, repudiando a exibição do beijo, além de dizer que a emissora carioca agride à “família brasileira”.

No documento, o pastor fala que a Globo exibe insistentes “cenas de sexo, beijos entre homossexuais, traições conjugais, homicídios, tentativas de homicídios, assédio moral, humilhação, dentre muitas outras, de maneira tendenciosa, atentam contra os bons costumes, com a finalidade de promiscuir e assim destruir as famílias tradicionais cristãs“. Segundo o pastor, isso é um grave atentado ao pudor aos que assistem a Globo.


“Venho demonstrar, em nome das Famílias Cristãs do nosso Estado e de nossa Nação, meu repúdio a cenas que estimulam, de maneira acintosa, a violência, e buscam destruir conceitos éticos, morais e religiosos das famílias brasileiras e da sociedade”, disse Isidório em comunicado em seu Facebook.
Nas redes sociais, muitas pessoas concordaram com o pastor, já outras disseram que ele está sendo homofóbico e que devia usar seu mandato para coisas úteis.

A Globo ainda não se pronunciou sobre o caso, até porque ainda não recebeu qualquer tipo de notificação.


sábado, 18 de maio de 2013

Não sabe o que é assédio moral seguido de estupro? Na novela você vê!

Não sabe o que é assédio moral seguido de estupro? Na novela você vê!

É entretenimento, né? Tá! 

Que fogo! Tito agarra empregada à força, mas ela cede, e os dois se pegam bonito 

Assanhado, o patrão cai em cima mais uma vez!
Fogoso, Tito investe em Sheila (Foto: Sangue Bom / TV Globo)
Fogoso, Tito investe em Sheila (Foto: Sangue Bom / TV Globo)

Tito (Romulo Neto) não sossega o facho nem em casa! Fogoso que só, ele mais uma vez dá em cima de Sheila, a empregada de sua casa. Agarrando a gata, ele chega junto cheio de amor para dar. E receber também! "Diz que me ama!", pede. Chama os bombeiros!

Os dois se atracam (Foto: Sangue Bom / TV Globo)
Os dois se atracam (Foto: Sangue Bom / TV Globo)

Sem saída, Sheila acaba cedendo. "Eu te amo...", diz. Safado, Tito quer mais. "Continua! Só para se eu mandar!", ordena o chefino, e ela obedece na hora, já toda envolvida. "Eu te amo, Tito! Amo! Te adoro!", continua ela, e os dois se pegam. Que fogo é esse!
Fique ligado! A cena vai ao ar na sexta-feira, 17 de maio.

sábado, 16 de junho de 2012

Quanto a Globo esta faturando em cima dessa afirmação mentirosa para promover sua novela?

Quanto a Globo esta faturando em cima dessa afirmação mentirosa para promover sua novela?



De Helio Junior no Facebook


A Rede Globo de televisão mais uma vez reitera sua verdadeira vocação quanto ao sensacionalismo e espírito tendencioso com a qual tratou o assunto de D Lourdes e de Emilio Maron. Buscando nada mais que vender seu produto Gabriela, sua audiência e seus anunciantes. Quanto a Globo esta faturando em cima dessa afirmação mentirosa para promover sua novela. 

Interessante a postura do jornalista e da emissora em afirmar que meus avos eram sim os personagens do livro reiterada por um garoto que não conheceu, conviveu ou participou do seio da família afim de promover seu pequeno negocio.

Como já disse antes, o script se repete, e as entrevistas solicitadas sempre com o quibe ao final, pouco criativo. A Emissora com todo o seu poderio de por e derrubar governos, de investigar fatos vai a essa altura dizer que não houve como fazê-lo, ou faltou material suficiente para mostrar que Lourdes não era Gabriela ... outra piada seria mais convincente.

Todas as vezes que nos procuraram para matérias sempre nos mostramos dispostos a colaborar desde que com garantias para que pudéssemos falar a historia toda, sem edições ou enfoque tendencioso, como a que acabamos de ver. Mas a emissora se recusa em dar tais garantias, talvez a verdade simples das coisas não renda o que esperam, o lucro. O interesse mesmo e o clima circense carnavalesco da coisa.

Infelizmente Marta Almeida, depois dessa matéria do GR, a entrevista de minha mãe ao programa Ana Maria Braga na próxima semana esta cancelada, não recebemos uma carta de garantia do diretor do programa se comprometendo a por no ar a integra de sua entrevista.

Jose Raimundo, que ao falar com nossa representante jurídica afirmou que não falaria de Dona Lourdes, apresentaria fotos ou faria a tal afirmação tendenciosa, vemos agora que tudo não passou de uma falta de palavra. Entendemos então que o material para o programa matutino será tratado da mesma forma tendenciosa.

Quem sabe quando eu escrever o livro de um personagem retirante, filho de família pobre, que se torna contador de historias e enredos pitorescos na primeira metade do seculo XX isso sirva para fazer alguém achar graça e fazer chacota.





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terça-feira, 18 de outubro de 2011

O fim de “Morde e Assopra” e o mundo imaginário dos juristas

O fim de “Morde e Assopra” e o mundo imaginário dos juristas






Dia desses, navegando sem muito rumo na Internet, deparei-me com a notícia de que um novo mundo, com dinossauros e tudo, teria sido descoberto no interior do planeta terra. Segundo o relato, exploradores de caverna, em busca do fóssil da cabeça de um dinossauro, teriam encontrado este mundo fantástico após caírem em um lago profundo no interior de uma caverna.
Os noveleiros e noveleiras de plantão já sabem que este fato aconteceu no último capítulo da novela “Morde e Assopra”, da Rede Globo. Na pobre ficção global, os personagens encontraram a cabeça do dinossauro e, de quebra, a heroína reencontrou os pais, isolados neste mundo fantástico há muitos anos, e ainda trouxeram para a superfície uma mochila carregada de diamantes.
A ficção é pobre e sem o menor sentido. Apesar de localizado no centro da terra, no lugar encontrado existia luz e plantas. Como assim? De onde vem esta luz? Como ocorre a fotossíntese sem o sol? E o oxigênio, como era renovado? Ora bolas, em novela nada disso interessa e o telespectador se satisfaz com o final feliz e já dorme pensando na próxima novela. Muita parecida, aliás, com o enredo “daquela” outra novela que nem lembramos mais o nome.
Este mundo absurdo, desprovido de qualquer sentido real, no interior do planeta e distante, portanto, da vida nua, da poluição, da pobreza, da marginalidade e da violência urbana, lembrando Warat, fica parecendo aquelas fotografias de casamento em que os recém casados posam diante de um belo painel ou os bolos de casamento feitos de papelão nas cerimônias de casamento em Cuba. Em ambos os cenários, tal qual no mundo fantástico de “Morde e Assopra”, todos sabem que a paisagem por trás dos recém casados não é real e que o bolo é de papelão e serve apenas para compor a fotografia do casamento. Verdadeiros ou não, para a posteridade, no entanto, vão figurar como se fossem reais. Nossos olhares e mentes, como inebriados, serão absorvidos pela ilusão e o que era mentira torna-se verdade. Assim, de fato, os recém casados posaram diante de um palácio real e o bolo de casamento estava uma delícia.
Mas o que tem a ver os juristas com o final da novela e com as ilusões fotográficas? Será o mundo dos juristas também irreal e suas paisagens e autos de processos se comparam à suntuosidade dos plenários de tribunais e bolos de papelão? Enfim, os juristas vivem, ou não, uma grande ilusão? Encontrarão, um dia, a paz perpétua, ou melhor, sua cabeça de dinossauro?
Roberto Aguiar, professor da UNB, elencou as situações que caracterizariam o “Imaginário dos Juristas”:
1) O mundo harmônico – os juristas vivem um paradoxo: seu cotidiano está marcado pelo contraditório, mas sua ideologia conservadora está sempre reafirmando a harmonia do mundo;
2) A vontade e o livre arbítrio – este entendimento arranca o direito e os sujeitos da sociedade real e os joga num limbo incolor dos ritos, prazos e medidas, expressão única do direito para quem o entende como lei estatal;
3) O Estado perene e benfazejo – como o direito só existe como expressão estatal, ele não existiu antes da emergência do estado;
4) A coação está nas sanções – os juristas não sabem que a sociedade concreta pode sancionar o ser dos sujeitos por via dos conteúdos das normas, que são frutos das hegemonias advindas das correlações de força reais;
5) A indissolubilidade entre direito e Estado – os juristas só entendem como direito aquele citado pelo Estado;
6) O sujeito de direitos: uma abstração – o sujeito de direito passa a ser o autor, réu, impetrante, indiciado, impugnado, mas nunca gente ou ser humano concreto;
7) Os autos: quintessência do mundo – o que não está nos autos não está no mundo (harmônico e coordenado pelo Estado);
8) Liberdade é dominação – minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro. Esquecem, no entanto, que os espaços, vontades e liberdades são desiguais
9) Entre a pureza e a ignorância – normativismo kelseniano e deslavado senso-comum, que não é universal e nem comum a todos;
10) Neutralidade e assepsia – o direito e sua doutrina são neutros e assépticos;
11) A história: uma invenção dos filósofos – a história dos homens como instituidora  do real é um problema para os filósofos, e não para os homens práticos e realistas que labutam na justiça;
12) A transparência padronização da linguagem – os juristas trabalham com uma linguagem padronizada, onde não há lugar para o estranhamento;
13) A sociedade: um problema não jurídico – sociedade é coisa para sociólogos, para políticos, e não para juristas que trabalham no mundo limpo e são das normas;
14) Os poderes: uma questão interna – os poderes, para os juristas, só são aqueles previstos pelo ordenamento;
15) A técnica contra a crítica – jurista estão se tornando técnicos na manipulação das normas postas. Outros poderes são solenemente ignorados;
16) produzir juridicamente: doutrina, norma e repetição – em cada ramo do direito existem meia dúzia de iluminados que são incansavelmente citados para respaldar os argumentos esposados pelo autor do trabalho. Aliás, entre os juristas há uma rede de citações recíprocas... Cada editora tem seu jurista de plantão... Não há direito para os juristas. O que existe são leis. Logo, nossas faculdades não são de direito, são escolas técnicas de leis. Isto significa que está na hora de criarmos cursos jurídicos no Brasil. [1]
Este texto é de 1993,  mas continua atualíssimo e a meu ver caberia apenas adaptá-lo aos avanços da tecnologia. Coisas do tipo: copiar e colar; milhares de petições, contratos e sentenças em “pendrives”; cumprimentos de metas pelos juízes determinadas pelo CNJ; a prevalência da técnica e da eficiência em detrimento do fim, ou seja, da realização da justiça etc.
Querem mais confusão e realidade em lugar de um parque de dinossauros no interior da terra, painéis para fotos de casamento e bolos de papelão? Então, vamos lá!
Em “A Rua Grita Dionísio”, Warat desafia nossa capacidade de pensar o Direito com esta provocação: “O Estado de Direito também é um Estado de Exceção”. Como assim, Warat? Você está louco? Não, Warat não está louco. Loucos, na verdade, somos nós.
Toda decisão é um estado de exceção produzido em nome do Estado de Direito, que é também um estado de exceção. O Direito é um estado de exceção com relação ao conflito entre as pessoas. Quando aquele que decide é um terceiro distante do conflito, que decide porque é um órgão do Estado que tem a possibilidade delegada de exercer a o monopólio da coerção devida, estamos diante de um órgão executor de um Estado de exceção camuflado. O louco é que nenhum operador do Direito vê esse Estado de exceção. Conseguem ver outras coisas muito próximas a um delírio de grandeza. Inclusive muitos vão ficar profundamente indignados ao lerem isso. Para todos eles, para a grande maioria dos operadores tradicionais, eu serei, sem nenhuma dúvida, o único delirante. [2]
Por fim, enquanto nos imaginamos protegidos por um Estado de Direito, o mundo vive o seu próprio Estado de Exceção: em meio a ganância do capital, da pobreza, da fome, da violência e da desigualdade social, os jovens ocupam as praças e marcham por todos os tipos de desejos, prazeres, direitos e democracia real. Alheios à isto, os juristas continuam preparando, como se isso fosse a Justiça, os painéis para as fotos de casamento e confeccionando bolos de papelão para ornamentarem as mesas festivas de cerimônias de casamento. Como coadjuvantes deste imaginário, as“escolas técnicas de leis”, que se autodenominam Faculdades de Direito (respeitando raras exceções), continuam formando os técnicos que irão colaborar na composição da cena e também posarem como figurantes na fotografia. 
E assim, enquanto segue a vida nua, “Morde e Assopra” termina com muitos casamentos e bebês. Não precisa lamentar. Na próxima segunda-feira vem mais uma novela e nosso imaginário, de juristas ou não, será, mais uma vez, densamente povoado e continuaremos incansáveis na busca da paz perpétua, a cabeça do dinossauro.
Imitando a última tela: FIM.
Pera aí!! Antes de desligar a TV: e quais são os caminhos vislumbrados??
... Este bem que poderia ser o tema e o enredo da próxima novela, né?

* Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD), em 18.10.2011.



[1] Aguiar, Roberto. O Imaginário dos juristas. In Revista de Direito Alternativo. Vol 2. São Paulo: Editora Acadêmica, 1993, p. 19 a 26.
[2] Warat, Luis Alberto. A rua grita Dionísio. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2010, p. 83.