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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sexo e as negas: onde a Globo quer chegar?

Sexo e as negas: onde a Globo quer chegar?

Juntos por Outro Futuro

*Por Tati Ribeiro e Maria Luiza
A Rede Globo é conhecida pela forma como retrata os negros em suas tramas: as mulheres normalmente são empregadas domésticas (e, sempre que possível, personagens cômicas ou sensuais) e os homens normalmente tem aquele esteriótipo de malandro. Quando não é isso, trata-se de uma pessoa que batalhou muito na vida para chegar onde chegou, e que luta contra as adversidades. Nunca um personagem como os outros, nunca “normal”.
Mas, dessa vez, a emissora resolveu ir mais longe: criar uma série em que mulheres negras, com empregos de baixa renda (uma camareira, uma cozinheira, uma operária e uma costureira),  que vão fazer uma versão de subúrbio da conhecida série “Sex and The City”. O fato de se ambientalizar uma série que era com mulheres bem sucedidas na favela, não é um problema. Mas a insistência da Globo em ligar mulheres negras aos empregos de baixa renda e, mais, à hipersexualização é o que traz tanto espanto.
O retrato da mulher negra é criado a partir das imagens veiculadas nas novelas, séries, filmes e até nos romances literários. As personagens da série, que serão retratadas de acordo com as suas vidas sexuais, se assemelham à vida da personagem Rita Baiana de O Cortiço, de Aloísio de Azevedo. Rita, é uma “típica” brasileira, negra, periférica, “da cor do pecado”, presente nas fantasias sexuais dos personagens masculinos e … Só. Somente isso. A retratação de Rita é a caracterização da sua vida sexual, e de como ela se utiliza de seu corpo sensual para se dar bem na vida. A série “O sexo e as negas” não parece fugir muito desse roteiro.  Não há o menor problema em relatar a vida sexual de uma determinada personagem, por que a final isso faz parte das atividades desenvolvidas pela raça humana. O problema está em ressaltar somente isso, como caracterização determinante, de um grupo seleto de pessoas que já carrega esse estigma de objeto sexual. Por que não então, “O sexo e as brancas”? Por que, mais uma vez, as mulheres negras serão retratadas com a sua sexualidade aflorada e nada mais, como se não houvesse mais nada para se dizer sobre essas mulheres?
Não podemos esquecer: apesar da população negra e parda ser 50% da população brasileira, ainda somos ligados não apenas à pobreza, mas à prostituição e a todo tipo de violência que se pode imaginar. Então, é um desserviço o que a Globo faz pela população negra do Brasil: nos liga cada vez mais ao que se considera “aceitável”. Foram poucas as exceções na história da emissora, e essa não parece ser uma delas.
Seria tranquilamente aceitável que quatro negras protagonizassem uma série como essa se vivêssemos em um mundo sem preconceito. Se as mulheres negras brasileiras já não fossem constantemente relacionadas com a hipersexualização, com a mulata do samba e tudo aquilo que a gente sabe. E já podemos imaginar o quanto essa série deve já colocar, em primeiro plano, imagens em um sambão, em que todo tipo de fantasia que a classe média e alta brasileira tem sobre a favela vem a tona.
Esperamos estar erradas. Queremos que essa seja uma série para quebrar tabus e mostrar a mulher negra de um prisma diferente: do prisma em que ela é uma mulher como todas as outras. Mas, hoje, não é isso que parece para nós. Nunca quisemos tanto ser surpreendidas.
*Tati Ribeiro, militante do Juntos! Negros e Negras e do Grupo de Trabalho Estadual de São Paulo. Maria Luiza Perroni, militante do Juntos! Negros e Negras e do Juntos! USP.

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Vem aí na Globo: mais uma série para colocar as negras em seu devido lugar

Vem aí na Globo: mais uma série para colocar as negras em seu devido lugar

por : 

O elenco da nova série
O elenco da nova série

A Rede Globo vai lançar mais um produto para reforçar os estereótipos que associam os negros à pobreza. Escrita por Miguel Falabella e prevista para estrear em setembro, a série “Sexo & as Negas” será uma versão de “Sex & the City” ambientada no bairro de Cordovil, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
No lugar das mulheres profissionalmente bem sucedidas da série original, a versão brasileira terá uma camareira, uma cozinheira, uma operária e uma costureira.
O título de gosto duvidoso entrega um detalhe: as quatro protagonistas são negras. A série vai seguir a tendência cristalizada na mídia brasileira de associar a população negra à pobreza, à favela, ao samba etc.
Não vejo problemas na ideia de Falabella ambientar a história em um “subúrbio”, assim como caráter não se mede pela profissão exercida. O que me incomoda é a insistência em estereotipar a população negra, principalmente do sexo feminino, ignorando que há negras de classe média, com nível universitário e ocupando posições de destaque.
Negras que consomem cosméticos badalados, compram automóveis, casa própria e até os tais sapatos Manolo Blahnik, objeto de desejo de Carrie Bradshaw, a personagem principal de “Sex & The City”. Elas ainda são minoria em relação à população branca, mas numerosas o suficiente para merecer um tratamento mais igualitário dos meios de comunicação.
Embora sejam mais de 50% da população brasileira, negros e pardos são minoria entre os personagens da teledramaturgia e da publicidade. Tanto que estrangeiros menos informados, influenciados pelas telenovelas exportadas mundo afora, ficam surpresos quando descobrem que o Brasil é o segundo país mais negro do mundo.
Os escassos papéis com atores ou atrizes negros são destinados, em sua maioria, a personagens de menor importância na trama ou com uma condição social mais baixa. Na publicidade, então, parece que negros não consomem manteiga, cerveja, não compram automóveis, usam serviços bancários ou de telefonia.
A fala recente da filósofa e ativista americana Angela Davis resume o quadro: “Sempre assisto TV no Brasil para ver como o país se representa e a TV brasileira nunca permitiu que se pensasse que a população é majoritariamente negra”.
Pelo que os roteiristas da Globo estão produzindo, a opinião de Angela não será diferente na próxima vez em que ela visitar o Brasil e aproveitar para zapear a TV.


Marcos SacramentoSobre o Autor
Marcos Sacramento, capixaba de Vitória, é jornalista. Goleiro mediano no tempo da faculdade, só piorou desde então. Orgulha-se de não saber bater pandeiro nem palmas para programas de TV ruins.
DCM

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Ô falta de uma pia cheia de louça suja pra lavar: Pastor processa Globo por causa de beijo gay em "Amor à Vida"

Ô falta de uma pia cheia de louça suja pra lavar: Pastor processa Globo por causa de beijo gay em "Amor à Vida"

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O beijo gay entre Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Matheus Solano) no último capítulo de “Amor à Vida” não agradou às lideranças evangélicas.

O pastor baiano e deputado estadual Sargento Isidório entrou com um processo contra a Rede Globo nesta terça (04) na Assembleia Legislativa da Bahia, repudiando a exibição do beijo, além de dizer que a emissora carioca agride à “família brasileira”.

No documento, o pastor fala que a Globo exibe insistentes “cenas de sexo, beijos entre homossexuais, traições conjugais, homicídios, tentativas de homicídios, assédio moral, humilhação, dentre muitas outras, de maneira tendenciosa, atentam contra os bons costumes, com a finalidade de promiscuir e assim destruir as famílias tradicionais cristãs“. Segundo o pastor, isso é um grave atentado ao pudor aos que assistem a Globo.


“Venho demonstrar, em nome das Famílias Cristãs do nosso Estado e de nossa Nação, meu repúdio a cenas que estimulam, de maneira acintosa, a violência, e buscam destruir conceitos éticos, morais e religiosos das famílias brasileiras e da sociedade”, disse Isidório em comunicado em seu Facebook.
Nas redes sociais, muitas pessoas concordaram com o pastor, já outras disseram que ele está sendo homofóbico e que devia usar seu mandato para coisas úteis.

A Globo ainda não se pronunciou sobre o caso, até porque ainda não recebeu qualquer tipo de notificação.


terça-feira, 9 de julho de 2013

Por que a Globo simboliza os podres da mídia brasileira?

Por que a Globo simboliza os podres da mídia brasileira?

Concentração, manipulação, promiscuidade política e corrupção são problemas comuns ao conjunto das empresas que controlam a comunicação de massa no país. E as Organizações Globo são seu maior símbolo

por Intervozes - Carta Capital

Globo
Manifestante exibe camiseta durante protesto contra a Rede Globo
Nesta quinta-feira, 11 de julho, uma mobilização convocada por mais de 80 organizações, movimentos sociais e centrais sindicais tomará novamente as ruas do Brasil pedindo transformações em nosso país. Ao lado de temas como a destinação de 10% do PIB para a edução, melhoria no SUS e garantia de investimentos na saúde, transporte público de qualidade, redução da jornada de trabalho para 40 horas e defesa da reforma agrária, a democratização da mídia também será uma reivindicação central dos manifestantes. Em várias capitais, os protestos terminarão em frente à sede da TV Globo, repetindo e reforçando atos que aconteceram em todo o país na última semana (página do protesto que acontecerá em São Paulo).
Mas por que a Globo como alvo, se a crítica cada vez maior da população acerca do papel dos meios de comunicação de massa aponta para problemas comuns ao conjunto das grandes empresas que controlam a maioria do que se lê, assiste e ouve no Brasil? Porque a Globo é um símbolo. É parte desse problema e uma de suas principais causas. Vale enumerar:
ConcentraçãoO cenário na televisão brasileira é de quase monopólio – algo proibido pela Constituição Federal, mas nunca garantido na prática. Na TV aberta, a Globo controla 73% das verbas publicitárias, embora tenha 43% da audiência. No mercado de TV por assinatura, a Globosat participa de 38 canais e tem poder de veto na definição dos canais da NET e da SKY, que juntas controlam 80% do conjunto de assinantes. Em grandes cidades como o Rio de Janeiro, o grupo controla os principais jornais, TVs e rádios, situação que seria proibida nos Estados Unidos e em vários países da Europa, onde há regulação democrática da mídia anticoncentração.
Promiscuidade política
Várias emissoras afiliadas da Globo pelo Brasil são controladas por políticos envolvidos em inúmeros escândalos: no Maranhão, a família Sarney controla a TV Mirante; em Alagoas, Fernando Collor controla a Gazeta; entre outros. É importante lembrar que a Constituição Federal também proíbe, em seu artigo 54, que políticos detentores de cargos eletivos controlem concessionárias de serviço público. Historicamente, as Organizações Globo construíram seu poder econômico e político a partir de estreitos laços com a ditadura militar, que lhe garantiu o acesso a toda a estrutura da Telebrás e a expansão nacional do seu sinal.
Manipulação
A emissora opera politicamente, direcionando o noticiário jornalístico a partir de suas opiniões conservadoras e buscando definir a agenda pública do país a partir de entrevistados que têm visões alinhadas. A mudança que vimos recentemente na abordagem da cobertura dos protestos simboliza bem a transição entre a deslegitimação e a tentativa de cooptação das ruas a partir de sua própria pauta. Momentos grosseiros de manipulação, como a cobertura das Diretas Já ou a edição do debate entre Collor e Lula, que favoreceu a eleição do primeiro, ainda existem, mas perdem espaço para uma manipulação mais sutil, sofisticada e cotidiana – muitas vezes imperceptível para grande parte da população.
CorrupçãoA recente denúncia de uma operação fraudulenta da Globo para sonegar impostos na compra dos direitos de exibição da Copa do Mundo de 2002 – sobre a qual a população ainda aguarda explicações – não é o primeiro caso de corrupção na história da empresa. Seu crescimento na década de 1960 se deu a partir de um acordo técnico ilegal com o grupo Time-Life, que mereceu uma CPI no Congresso Nacional, mas foi abafado. Além disso, a Globo – como outras emissoras – vende espaços editoriais para divulgação de filmes e artistas, numa conhecida prática de grilagem eletrônica, que termina por absorver recursos públicos incentivados do cinema nacional.
Por estes e outros motivos a Globo simboliza os podres da mídia brasileira. Por este e outros motivos, a democracia brasileira só será consolidada quando os meios de comunicação de massa forem também democratizados; quando os princípios previstos na Constituição para a comunicação social saírem do papel e quando a liberdade de expressão for um direito garantido a todos e todas.

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Fuzil: no centro da cidade não, mas na favela sim?!

Fuzil: no centro da cidade não, mas na favela sim?!

Redes de Desenvolvimento da Maré

Foto: Rosilene Miliotti
Foto: Rosilene Miliotti

Por Eliana Sousa Silva (Diretora da Redes da Maré e da Divisão de Integração Universidade Comunidade PR-5 – UFRJ)
“Fuzil deve ser utilizado em guerra, em operações policiais em comunidades e favelas. Não é uma arma para se utilizar em área urbana”.  Rodrigo Pimentel.
O comentário acima destacado é do consultor de segurança pública Rodrigo Pimentel no telejornal RJ TV 1ª edição de 18/06. Ele foi feito de forma natural, racional e equilibrada e é feito ao analisar a imagem de um policial militar com uma metralhadora atirando para o alto, mas na direção de manifestantes que praticavam ações violentas em frente à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele ressalta o despreparo do profissional da segurança pública, chamando a atenção para o fato de que “o tiro, do mesmo jeito que vai para o alto, desce e pode atingir de maneira letal qualquer pessoa.”
A observação do atual comentarista da área da segurança pública da Rede Globo é extremamente pedagógico, pois demonstra de forma cabal o pensamento de parte significativa da nossa sociedade, com ênfase para os governantes, sobre como as políticas públicas são idealizadas e efetivadas a partir de uma visão hierarquizada da cidade e dos cidadãos. No caso da reportagem, a afirmação de que a metralhadora não poderia ser utilizada numa cena urbana de protestos,  mas na favela ou em situação de guerra, ilustra como o valor a vida na nossa cidade  vai depender do território ou das pessoas das quais estamos falando. Afinal, o que define a diferença fundamental para o uso do Fuzil, quando estamos falando de cidadãos da mesma cidade – e, ressalte-se, no caso das favelas, temos cidadãos que não têm garantido o direito elementar no campo de segurança pública.
É triste precisar afirmar algo tão óbvio: que não se justifica em passeatas ou nas favelas a utilização de armas pesadas, tampouco as violências policiais características das últimas manifestações pelo país a fora, e historicamente nas favelas. Porém, indago, quando foi diferente disso? Qual foi o momento da nossa história política em que tivemos atitudes dos poderes estatais de respeito e reconhecimento do direito da população se manifestar? Quando os mecanismos e meios democráticos foram legitimados por quem governa em nosso país? Quando e como somos estimulados no cotidiano a exercer o nosso direito de participação?
Rodrigo Pimentel entrou aos 18 anos para a polícia militar do Rio de Janeiro. Trabalhou como capitão do Batalhão de Operações Especiais, BOPE, durante 5 anos e ganhou notoriedade pela participação no  documentário “Notícias de uma Guerra Particular” e outros filmes vinculados à favela e aos grupos criminosos. Deixou a polícia para se dedicar ao trabalho profissional de analista da segurança pública, o que se tornou possível pela trajetória que teve como profissional desse campo. E, em particular, pela crítica profunda, no citado documentário de João Moreira Salles, à estratégia policial utilizada nas favelas contra o tráfico de drogas.
O que estarrece e não pode deixar de ser pontuado quando ouvimos o discurso do comentarista, é o fato de serem as opiniões/análises desse profissional consideradas um bom parâmetro para se entender o que acontece na segurança pública do Rio de Janeiro.  É a partir de visões como a apresentada por Rodrigo Pimentel que se sedimentam juízos perversos e estereotipados sobre as favelas e quem ali reside.
Quando realizei pesquisa de doutorado em 2009 no campo da segurança pública, tive como motivação entender as práticas dos policiais militares nas favelas, especificamente na Maré. As questões ali propostas, e várias ainda me acompanham,  se relacionam de maneira direta com a fala do citado comentarista.  O meu intuito e desejo como alguém que cresceu e se socializou na favela era o de construir um quadro interpretativo das práticas cotidianas presentes na Maré, em especial as violentas, que permitisse ir além das representações hegemônicas no mundo social carioca e brasileiro sobre a violência estabelecida nas favelas do Rio de Janeiro.  Dessas, duas estão diretamente relacionadas com a fala de Pimentel: “quais seriam as representações, valores, princípios e regras que têm orientado as práticas dos profissionais da segurança pública, quando se trata do trabalho junto às populações mais pobres da cidade do Rio de Janeiro?” e “as experiências e representações dominantes nas organizações do Estado, na mídia, na população em geral, estão centradas na idéia de que a única possibilidade de enfrentamento dos grupos criminosos passa, necessariamente, por uma opção sustentada em práticas também violentas?”
A fala aparentemente equilibrada daquele comentarista é simplesmente a expressão de uma lógica perversa, violenta e irracional disseminada na sociedade e nas forças do Estado, que enxergam a sociedade civil e as populações das favelas como “problemas” a serem eliminados e não como sujeitos de direitos que devem ser reconhecidos e respeitados.

Assista o vídeo em que Rodrigo Pimentel fala sobre o uso de fuzis:

sábado, 18 de maio de 2013

Não sabe o que é assédio moral seguido de estupro? Na novela você vê!

Não sabe o que é assédio moral seguido de estupro? Na novela você vê!

É entretenimento, né? Tá! 

Que fogo! Tito agarra empregada à força, mas ela cede, e os dois se pegam bonito 

Assanhado, o patrão cai em cima mais uma vez!
Fogoso, Tito investe em Sheila (Foto: Sangue Bom / TV Globo)
Fogoso, Tito investe em Sheila (Foto: Sangue Bom / TV Globo)

Tito (Romulo Neto) não sossega o facho nem em casa! Fogoso que só, ele mais uma vez dá em cima de Sheila, a empregada de sua casa. Agarrando a gata, ele chega junto cheio de amor para dar. E receber também! "Diz que me ama!", pede. Chama os bombeiros!

Os dois se atracam (Foto: Sangue Bom / TV Globo)
Os dois se atracam (Foto: Sangue Bom / TV Globo)

Sem saída, Sheila acaba cedendo. "Eu te amo...", diz. Safado, Tito quer mais. "Continua! Só para se eu mandar!", ordena o chefino, e ela obedece na hora, já toda envolvida. "Eu te amo, Tito! Amo! Te adoro!", continua ela, e os dois se pegam. Que fogo é esse!
Fique ligado! A cena vai ao ar na sexta-feira, 17 de maio.

sábado, 30 de março de 2013

Azenha: Globo e governo Dilma parecem estar perto da vitória

Azenha: Globo e governo Dilma parecem estar perto da vitória

por Renato Rovai 

Azenha anunciou que vai fechar o Viomundo depois de perder ação na justiça movida pela Globo. É uma notícia-bomba. Uma derrota parcial da luta pela democratização no país. E quando alguém perde, outro alguém ganha. Os vencedores são os grandes grupos econômicos de comunicação, mas também uma boa parte do governo que anda mais preocupada com negócios do que em construir políticas públicas que modifiquem a imensa concentração deste segmento.
No momento, estou em Tunis, na Túnisia, cobrindo o Fórum Social Mundial. Antes de vir pra cá estive em Brasília. Conversei com muita gente. E confirmei o que já imaginava. Primeiro, que o governo Dilma não vai mexer no que considera um vespeiro, a regulamentação da comunicação. Segundo, que o ministro Paulo Bernardo deixou de ser apenas uma adversário desta tese. Passou a se um inimigo. E mais do que isso, agora instrumentaliza nossa luta para conquistar ainda mais poder.
Bernardo hoje é o homem dos grandes grupos de comunicação no PT. É o sujeito que livra as teles e a Globo dos “monstros” que querem a regulamentação e a democratização. E o que fazemos, no fundo, o ajuda a ampliar seu poder. Foi neste contexto que seu secretário-executivo, Cezar Alvares, teria dito a frase de que o governo Dilma não faria a regulamentação das comunicações. Aquilo não foi um deslize. Foi a assinatura de um contrato público com o povo da radiodifusão. Foi a Carta ao Povo Brasileiro de Dilma com esses setores. Eles queriam um sinal claro. Bernardo deu.
Mas não é só isso. Paulo Bernardo (e não só ele) também tem se referido a blogueiros como vagabundos e pilantras. E completa a frase com “e o governo ainda sustenta essa gente…”. Convenhamos, isso é bobagem. O que não é bobagem é que ele tem feito pressão pessoal para que ninguém mais apoie os poucos veículos que ainda recebem alguma verba publicitária. (Aliás, se você quer saber o tamanho deste apoio, leia este artigo do Miguel do Rosário.)
Nos Correios, por exemplo, a ordem é clara. Se algum centavo for destinado a esse “povo”, cabeças rolarão. Procure algo dos Correios em qualquer veículo da mídia alternativa ou livre. Mas também procure na Veja, na Globo, na Folha e no Estadão…
Azenha não está anunciando o fechamento do seu blogue por causa da Secom e do Paulo Bernardo. Mas também não está fazendo isso só por causa da Globo. Se a gente tivesse nesta luta pela democratização da mídia, mas não se sentisse sendo usado, talvez ele não tivesse tomado esta atitude.
Espero que ela ainda reflita e que um movimento cidadão o anime a seguir em frente. Azenha nunca teve um centavo de recurso público no seu blogue. E desde que o conheço nunca se mostrou interessado neste tipo de financiamento. Mas ele sonhou junto com muitos de nós que teríamos condição de melhorar a correlação de forças da comunicação no Brasil. Imaginou que tínhamos aliados. E ouviu, como eu, discursos de muitos se comprometendo com a causa.
E com o tempo passando, foi percebendo que só estávamos sendo usados. É este o exato sentimento: usados. E talvez essa sua decisão seja um sinal para um movimento que pode se tornar bastante importante. O Azenha não pode ficar sozinho nisso. É hora de refletir.

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domingo, 24 de fevereiro de 2013

A louca cavalgada da Globo contra os venezuelanos

 A louca cavalgada da Globo contra os venezuelanos

Diário do Centro do Mundo

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Noto, nas redes sociais, revolta contra a maneira como a Globo vem cobrindo o caso Chávez.
Estaria havendo um golpe na Venezuela, segundo a Globo.
Não existe razão para surpresa. Inimaginável seria a Globo apoiar qualquer tipo de causa popular. Acaba de sair uma pesquisa segundo a qual quase 70% dos venezuelanos aprovam a postergação do juramento de Chávez, e mais de 60% estão satisfeitos com o grau de informação oficial sobre seu estado clínico.
Mas esse tipo de coisa você não saberá em nenhum veículo da Globo, e muito menos em seus colunistas.
Chávez e Globo têm um história de beligerância explícita. Ambos defendem interesses antagônicos com paixão, com ênfase, com clareza.
Se estivéssemos na França de 1789, a Globo defenderia a Bastilha e Chávez seria um jacobino. Em vez de recitar Bolívar, ele repetiria Rousseau.
Chávez cometeu um crime mortal para a Globo: não renovou a concessão de uma emissora que tramara sua queda. Veja: um grupo empresarial usara algo que ganhara do Estado — a concessão para um canal de tevê — para tentar derrubar o presidente que o povo elegera. Chávez fez o que tinha que fazer. E o que ele fez é o maior pesadelo das Organizações Globo: a ruptura da concessão.
Há uma cena clássica que registra a hostilidade entre Chávez e a Globo. Foi, felizmente, registrada pelas câmaras. É um documento histórico. Você pode vê-la no pé deste artigo.
Chávez está dando uma coletiva, e um repórter ganha a palavra para uma pergunta. É um brasileiro, e trabalha na Globo. Fala num espanhol decente, e depois de se apresentar interroga Chávez sobre supostas agressões à liberdade de expressão.
Toca, especificamente, numa multa aplicada a um jornalista pela justiça venezuelana.
Chávez ouve pacientemente. No meio da longa questão, ele indaga se o jornalista já concluiu a pergunta. E depois diz: “Sei que você veio aqui com uma missão e, se não a cumprir, vai ser demitido. Não adianta eu sugerir a você que visite determinados lugares ou fale com certas pessoas, porque você vai ter que fazer o que esperam que você faça.”
Quem conhece os bastidores do jornalismo sabe que quando um repórter da Globo, vai para a Venezuela a pauta já está pronta. É só preencher os brancos. Não existe uma genuína investigação. A condenação da reportagem já está estabelecida antes que a pauta seja passada ao repórter.
Lamento se isso desilude os ingênuos que acreditam em objetividade jornalística brasileira, mas a vida é o que é. Na BBC, o repórter poderia de fato narrar o que viu. Na Globo, vai confirmar o que o seu chefe lhe disse. É uma viagem, a rigor, inútil: serve apenas para chancelar, aspas, a paulada que será dada.
“Como cidadão latino-americano, você é bem-vindo”, diz Chávez ao repórter da Globo. “Como representante da Globo, não.”
Chávez lembrou coisas óbvias: o quanto a Globo esteve envolvida em coisas nocivas ao povo brasileiro, como a derrubada de João Goulart e a instalação de uma ditadura militar em 1964.
Essa ditadura, patrocinada pela Globo, tornou o Brasil um dos campeões mundiais em iniquidade social. Conquistas trabalhistas foram pilhadas, como a estabilidade no emprego, e os trabalhadores ficaram impedidos de reagir porque foi proibida pelos ditadores sua única arma – a greve.
Não vou falar na destruição do ensino público de qualidade pela ditadura, uma obra que ceifou uma das mais eficientes escadas de mobilidade social. Também não vou falar nas torturas e assassinatos dos que se insurgiram contra o golpe.
Chávez, na coletiva, acusou a Globo de servir aos interesses americanos.
Aí tenho para mim que ele errou parcialmente.
A Globo, ao longo de sua história, colocou sempre à frente não os interesses americanos – mas os seus próprios, confundidos, na retórica, com o interesse público, aspas.
Tem sido bem sucedida nisso.
O Brasil tem milhões de favelados, milhões de pessoas atiradas na pobreza porque lhes foi negado ensino digno, milhões de crianças nascidas e crescidas sem coisas como água encanada.
Mas a família Marinho, antes com Roberto Marinho e agora com seus três filhos, está no topo da lista de bilionários do Brasil.
Roberto Marinho se dizia “condenado ao sucesso”. O que ele não disse é que para que isso ocorresse uma quantidade vergonhosa de brasileiros seria condenada à miséria.

domingo, 30 de setembro de 2012

De olho no Globo

De olho no Globo

Rodolpho Motta Lima - Direto da Redação



Em dois dias da semana que se encerra,  quarta e quinta-feira,  26 e 27.09,  resolvi ficar de olho no Globo, quer dizer, ler com atenção o jornal “O Globo” , suas notícias daqui e do mundo , e,  paralelamente, exercitar um juízo crítico, dividindo agora minha opinião com os leitores. Os tópicos que selecionei continuam atuais e, evidentemente, traem o meu interesse direto nas matérias envolvidas. Outros olhos, com diferente visão do mundo, escolheriam outros destaques ou, quem sabe, analisariam os mesmos fatos de outro modo. Uma prova de que a ideologia não morreu.
SUPREMO SÓ TERÁ NOVO MINISTRO APÓS ELEIÇÕES (26.09) -   Essa foi a manchete do jornal, ao informar que a sabatina do novo ministro  indicado para o STF foi suspensa e só retornará após as eleições.
Comentário: Chega a ser acintosa a torcida para que o julgamento do mensalão se dê antes das eleições, o que parece comprovar os interesses políticos envolvidos. Essa preocupação oportunista  é incompatível com a democracia. É no mínimo discutível a marcação do feito para os dias que antecedem as eleições, em total contradição com a lei eleitoral do país, tão ciosa de coibir atos que configurem propaganda  fora dos ditames legais estabelecidos. Lembrando que o mensalão mineiro é anterior a esse, e que não foi ainda julgado, só resta concluir que o calendário do Supremo, intencionalmente ou não,  acabou por facilitar uma propaganda eleitoral subliminar. 
Em tempo: no dia 27.09, o jornal reproduz  bate-boca entre três magistrados do STF, que revela duas coisas: são humanos como quaisquer outros, nunca deuses; e  conseguem enxergar o mesmo fato de modo totalmente distinto, o que dá para pensar...
É PRIMAVERA (27.09) – Com foto ilustrativa, o jornal informa: “no lugar de flores, gelo e neve: cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul registraram ontem, no 4º. Dia da primavera, temperaturas abaixo de zero”.
Comentário: A primavera anda mesmo surpreendente e contraditória. Veja-se a “primavera árabe”, tão decantada no mundo ocidental. No mesmo dia 27, o “Globo” publica matéria sob o título “Em busca da liderança”, esclarecendo que o líder egípcio Mursi estreava na ONU com críticas aos EUA, em contraste com o tom brando do iraniano Ahmadinejad...     
DISTRIBUIÇÃO DE RENDA MELHORA , MAS PAÍS É O 12º MAIS DESIGUAL (26.09) -  A chamada, na página 26 do jornal, é complementada  com a informação, em caixa mais baixa , de que “em uma década, 21,8 milhões de brasileiros deixaram a pobreza”.
Comentário: Já falei aqui sobre a estratégia de usar-se o “mas” para desqualificar negativamente algo que é positivo. A construção do texto acima exemplifica isso. Acrescente-se que o dado que realmente deveria merecer a manchete – e na primeira página - vem em segundo plano: 21 milhões de brasileiros não são mais pobres, em decorrência de políticas de natureza social que os opositores neoliberais aos últimos governos não souberam ou não quiseram adotar.
Em tempo: Manchete do dia 27.09: “ Juros caem, mas calote não diminui”. Novamente o “mas”, conjunção predileta dos descomprometidos jornalistas globais... 
AINDA QUE TARDIA – Esse é o título que Miriam Leitão deu à sua coluna do dia 26, em que  comenta  decisão judicial para que , na certidão de óbito de Vladimir Herzog, deixe de constar a “mentirosa informação de suicídio”.
Comentário: É  muito positivo que  a jornalista – de quem normalmente discordo no plano ideológico  - tenha utilizado seu espaço, usualmente dedicado à Economia, para aplaudir e analisar com detalhes a decisão da justiça em  caso tão emblemático dos terrores da ditadura.
CÓDIGO FLORESTAL – SENADO APROVA TEXTO CRITICADO POR DILMA -  A notícia se complementa com a informação de que, em nome de se evitar “a insegurança jurídica no campo”, o Senado aprovou “sem tempo hábil para alterar o texto (...), em votação simbólica, a Medida Provisória do Código Florestal com as mudanças, inseridas durante a tramitação, que favorecem os ruralistas” .
Comentário:  É óbvio que, também aqui, joga-se com aspectos temporais para enganar o povo. Tudo foi armado e acertado para dar no que deu: a aprovação de uma lei que contraria os interesses nacionais de preservação ambiental , feita por uma espúria “bancada ruralista” fruto de estelionato eleitoral, porque não se apresenta como tal nas eleições e usa cargos representativos para trair o povo. Espera-se que Dilma vete alguma coisa.
DILMA VOTA OBAMA  (26.09)– Na coluna do Ancelmo Góis, esse é o título de matéria que esclarece que,  “se fosse cidadã americana, Dilma votaria  nele (Obama)”.
Comentário:  Só resta acrescentar as expressões “é óbvio” e “felizmente”, uma vez que seria inconcebível e absolutamente incoerente um hipotético voto da Presidenta – uma mulher de esquerda -  nos republicanos ultradireitistas, que representam, não apenas a volta do “ideário Bush”, mas um profundo retrocesso nos caminhos da sociedade americana. Obama, apesar de refém do pensamento belicista, é   caso típico de aplicação do ditado “dos males, o menor”.
FURDÚNCIO -  Na mesma coluna, mas no dia 27.09, o jornalista informa que Roberto e  Erasmo Carlos compuseram para uma próxima novela global  um funk chamado “Furdúncio” , que começa assim: “Quando ela chega é um furdúncio adoidado”.

Comentário: Sem comentários...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O que o caso Marcos Valério conta sobre a mídia brasileira

O que o caso Marcos Valério conta sobre a mídia brasileira

Diário do Centro do Mundo


Marcos Valério
Na condição de jornalista independente e apartidário, pronto a reconhecer méritos e defeitos de FHC ou de Lula ou de quem mais for, não posso deixar de comentar o episódio Marcos Valério e Lula. Minha experiência em redação pode eventualmente ajudar o leitor a entender melhor o que vê publicado.
Na essência, este caso ajuda a entender uma coisa: por que o poder de influência da grande imprensa se esvaiu tanto nos últimos anos. Note: não faz tanto tempo assim, Roberto Marinho era tido como a pessoa mais poderosa do país, capaz de eleger ou não quem quisesse. Sucessivos presidentes machucavam as costas para se curvar a Roberto Marinho e obter seu apoio, tido como fundamental.
Pela terceira vez seguida, a Globo não foi capaz de eleger seu preferido para a eleição presidencial. Todo o empenho de jornalistas em postos importantes da casa – de Kamel a Merval, de Noblat a Míriam Leitão, de Bonner a Waack, isso para não falar de colunistas como Jabor e entrevistados frequentes como Demétrio Magnoli – foi insuficiente para convencer os eleitores a votarem como a Globo desejava que votassem.
Isso é um dado importante e objetivo: esforço não faltou. Faltou foi poder de persuasão. Faltou foi influência. Faltou foi um conjunto de argumentos que fizessem sentido. Não apenas para a Globo, evidentemente, mas para a grande imprensa como um todo.
Donos e editores já deveriam há muito tempo ter parado para tentar entender por que sua voz não está sendo ouvida. Você pode fingir que o problema está neles, nos eleitores. Ou pode enfrentar os fatos corajosamente e ver que correções pode fazer em sua trajetória. Alguém já disse e repito aqui: mais editores fazem mais estragos para a imprensa estabelecida do que a internet.
O casal Pedro Collor: onde as provas?
E então chegamos a Marcos Valério. A notícia que parece incendiar os comentaristas políticos é a seguinte: Marcos Valério afirma que Lula era o chefe do mensalão. Mais precisamente: Marcos Valérioteria afirmado.
Foi capa da Veja. Segundo Noblat, a Veja gravou uma fita com a acusação de Marcos Valério.
Vamos considerar o cenário mais favorável a quem é contra Lula: Marcos Valério de fato falou, e a fita existe.
Ainda assim: uma acusação de Marcos Valério tem valor de prova para que se publique e se repercuta com tanto calor? É legítimo publicar o que quer que Marcos Valério diga – sem evidências que as sustentem? Se as há, se existe algo além da palavra duvidosa ainda que gravada de Marcos Valério, retiro tudo o que disse acima sobre o episódio. (Leio agora que a revista decidiu não publicar a suposta fita.)
Em países em que a sociedade é mais avançada, você precisa muito mais do que as palavras de alguém para publicar acusações graves – ou terá que enfrentar a Justiça. Foi o caso célebre de Paulo Francis. Francis teve o azar de chamar diretores da Petrobras de corruptos em solo americano. Os acusados puderam processá-lo na Justiça americana. Onde as provas? Os amigos dizem que Francis morreu por conta do desgaste emocional deste caso, e acredito. Se o processo corresse na Justiça brasileira, não daria em nada, evidentemente.
Um dia o jornalismo brasileiro terá também que fazer uma autocrítica em relação ao caso Collor. Não que se tratasse de um caçador de marajás. Mas o que mais pesou em sua queda foram palavras – a famosa entrevista de Pedro Collor. Estava certo publicar o que Pedro Collor afirmara como se fosse verdade indiscutível?
Na época, quando conversava com outros jornalistas sobre a capa de Pedro Collor, a pergunta que eu fazia era a seguinte: imagine que o irmão do presidente americano bate na redação do New York Times e conta histórias horríveis. O Times publicaria?
O público não deve entender como alguém que segundo Pedro Collor cometeu tantos crimes acabou sendo absolvido pelo Supremo Tribunal Federal e está aí, militando na política. Não havia provas, segundo o STF. Mas então qual a sustentação da entrevista de Pedro Collor? Palavras? É pouco.
No presente caso, pelo pouco que li, vi a velha cena tão comum nos últimos dez anos. Uma acusação – ainda que partida de Marcos Valério, ainda que sem provas — vai tomando ares de extrema gravidade na grande imprensa. Alguém dá, e depois vem a repercussão previsível. Leio que Merval chegou a falar em cadeia.
O público não me parece tão convencido assim da importância do assunto. Observei que no site da Folha e do Estado o tema não é sequer o mais lido do dia. Ocupava, quando verifiquei, uma modesta quinta posição. Russomano – já nem lembro por que – despertava muito mais interesse no leitor.
O leitor não é bobo. Mas a mídia estabelecida o trata como se fosse, e sua perda de influência deriva, em grande parte, desse erro de avaliação.  Nos dezesseis anos que compreendem as gestões de FHC e Lula, o Brasil avançou consideravelmente. A grande imprensa, infelizmente, não conseguiu acompanhar este avanço.

sábado, 28 de julho de 2012

Por que a Globo preferiu pagar a usar imagens de graça da Record

Por que a Globo preferiu pagar a usar imagens de graça da Record







A briga pelos direitos de transmissão de imagens dos Jogos Olímpicos de Londres produziu uma situação aparentemente bizarra no Brasil. A Globo preferiu pagar a uma empresa estrangeira por imagens que poderia usar de graça, cedidas pela Record. É uma história complicada, que mostra o estado de animosidade entre as duas emissoras.
Dona dos direitos de transmissão da Olimpíada, a Record é obrigada a ceder gratuitamente um pacote diário para todas as concorrentes na TV aberta brasileira.
A emissora informou na semana passada as condições de uso deste material. Avisou que vai ceder diariamente seis minutos de imagens para serem usados em blocos de até três minutos em qualquer telejornal ou programa de cobertura nacional, num período de 24 horas.
A Record exige que as emissoras enviem uma fita e a retirem na emissora, diariamente, às 18h30, com as imagens. Não pode haver repetição ou replay das imagens exibidas em cada programa.
Segundo a Record, até 2008, em Pequim, quando a Globo detinha os direitos de transmissão dos Jogos, “as imagens só eram liberadas para exibição em blocos de dois minutos, em apenas três programas ao longo do dia”.
A Globo afirma que procurou a Record em abril, querendo saber quais seriam as condições de uso destas imagens e que, como não obteve resposta, procurou o COI (Comitê Olímpico Internacional) para saber se haveria alternativas na obtenção de imagens.
A emissora, então, comprou da OBS (Olympic Broadcast Services) um pacote pelo qual pode usar seis minutos de imagens em no máximo três programas jornalísticos regulares, podendo exibir até dois minutos em cada. Este pacote foi oferecido a empresas não detentoras de direitos dos Jogos por 6 mil libras (cerca de R$ 19 mil).
A OBS envia as imagens via satélite em boletins de 30 em 30 minutos. Não há restrição para replay e é possível usar uma mesma cena nas 48 horas seguintes.
O acerto com a OBS limita o uso das imagens a três telejornais (diferentemente da Record, que permite que elas sejam usadas até oito vezes no intervalo de 24 horas) e a dois minutos por programa (em vez de três, como oferece a concorrente), mas deixa a Globo com maior  oferta e agilidade.
Ao comprar este pacote, a Globo se comprometeu a sempre creditar as imagens ao detentor dos direitos no Brasil, a Record, mas não precisa mostrar a logomarca da concorrente, o que teria de fazer se utilizasse as imagens cedidas de graça.
As limitações estabelecidas pelo OBS são, de fato, exigências do COI, que a Globo, como qualquer outro não detentor de direitos, se comprometeu a aceitar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Para não falar de Londres, "Globo Esporte" cobre até campeonato de sumô

Para não falar de Londres, "Globo Esporte" cobre até campeonato de sumô

MAURICIO STYCER

Globo Esporte mostra matéria de sumô na edição exibida em São Paulo nesta terça-feira
Globo Esporte mostra matéria de sumô na edição exibida
em São Paulo nesta terça-feira
Alguém fez uma piada: “O ‘Globo Esporte’ vai falar de sumô, mas não de Jogos Olímpicos”. E não é que levaram a piada a sério? Foi na edição de hoje, véspera da estreia da seleção feminina de futebol e a três dias da abertura oficial da Olimpíada.

O corte do goleiro Rafael foi relatado brevemente em notícia lida por Tiago Leifert, mas a estreia da seleção masculina de futebol, daqui a dois dias, contra o Egito, foi ignorada. Sobre o jogo das mulheres, amanhã, contra Camarões, nenhuma palavra.
Em compensação, o noticiário esportivo da Globo em São Paulo apresentou com destaque o evento em que o zagueiro Paulo Andre, do Corinthians, apareceu como modelo de uma grife estrangeira.

Além do campeonato de sumô, cuja cobertura mereceu reportagem especial, o “Globo Esporte” também tratou com profundidade de uma aventura do repórter Leo Bianchi. Escalado para descer uma ladeira de skate, ele ficou com medo de se machucar e preferiu percorrer o caminho a pé. 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Globo mira Collor e pode acertar em Perillo

Globo mira Collor e pode acertar em Perillo


Conexão Brasília Maranhão

Boa parte do Brasil parou na noite deste domingo, 15 de julho, para ver a supostamente bombástica entrevista de Rosane Brandão Malta (ex-Rosane Collor) ao Fantástico, a “revista eletrônica” da Rede Globo.
Todos esperavam revelações “fortes” – prometidas nas chamadas do programa – da ex-primeira dama da República. Para usar uma metáfora gasta, a Globo prometeu a lua, mas entregou a seus telespectadores uma paisagem lunar: só crateras vazias e nenhuma substância consistente.
Os rituais de magia negra, a relação com PC Farias, as memórias sobre o processo de impeachment… tudo que Rosane falou e o Fantástico exibiu hoje já era de conhecimento até do reino mineral – expressão de Nelson Rodrigues, não de Mino Carta, como pensam alguns.
Nada, absolutamente nada se salva da entrevista, em termos de novidade. Em termos jornalísticos, a “reportagem” foi um fracasso total. É de se perguntar, aliás, qual o critério jornalístico que levou a Globo a produzir tal entrevista. Não há qualquer fato novo – poderia ser o livro de Rosane, mas não se sabe nada dele, tanto que foi citado apenas superficialmente* – que justifique toda a mobilização da maior emissora do Brasil para tal empreitada com tanto destaque.

Coube à simpática Renata Ceribelli fazer a “matéria” com Rosane Collor
O que justifica a reportagem, na verdade, não é nada mais do que a necessidade de atacar o agora inimigo Fernando Collor de Mello.
A eleição de Collor foi uma fraude. Não pelos votos em si, mas pelo candidato, que não passava de um produto midiático preparado e apoiado com todo o poder dos grandes meios de comunicação para ser o anti-Lula de 1989.
Agora, passados vinte anos, Collor deixou de ser aliado e passou a ser inimigo, por compor a base de apoio do governo petista. Para a Globo e para a Veja, a primeira que ungiu Collor como um verdadeiro Messias em 89, é o que basta para ele ser colocado na alça de mira.
Lamentável é ver que profissionais – vou poupá-los de citação nominal – tão respeitados na TV brasileira se prestem a cumprir um papel vexatório como o dessa “matéria”. Aliás, para fingir que o assunto se tratava mesmo de jornalismo, os apresentadores do Fantástico fizeram questão de informar que tentaram ouvir Collor durante toda a semana, mas o senador, que de besta não tem nada, se recusou a falar.
Ótimo seria se Collor publicasse um livro contando como atuavam os donos, diretores e lobbistas da Rede Globo durante o seu governo.
Para ver a entrevista completa, clique no link abaixo:

Marconi Perillo

O governador tucano de Goiás, que não tem nada a ver com a briga Globo x Collor, deve ter sentido muito incômodo com as referências tão detalhadas do processo que levou à deposição do então presidente.
O Fantástico mirou Collor, mas poderá acabar acertando Perillo, pois colocou em evidência denúncias que derrubaram o presidente e hoje acossam o tucano.
Perillo provavelmente se viu na “reportagem” quando esta falou da CPI que investigou Collor e descobriu cheques-fantasmas, esquemas de caixa 2, um tesoureiro de campanha influenciando no governo (no caso do tucano, este atende por Lúcio Fiúza Gouthier, que foi convocado à CPMI do Cachoeira, mas ficou calado).
A CPMI do Cachoeira está sendo tratada pelos grandes meios de comunicação como se fosse uma novela. Heróis, vilões, figuras exóticas, tramas urdidas nas sombras e outros ingredientes são utilizados para cobrir o cotidiano do órgão.
Para o azar de Perillo, a matéria do Fantástico faz a CPMI do Cachoeira parecer uma “Vale a pena ver de novo”, com o tucano no centro do trama.
*Via Twitter, a jornalista Leda Nagle comentou assim a “matéria” do Fantástico:
Já o humorista Maurício Meirelles, do CQC, foi mais irônico:

quarta-feira, 4 de julho de 2012

My Boy, antigo sonoplasta de Xuxa, tenta suicídio e culpa a Globo


My Boy, antigo sonoplasta de Xuxa, tenta suicídio e culpa a Globo


my boy reprod. 300x225 Antigo sonoplasta de Xuxa tenta se matar e culpa a Globo


My Boy, que ficou conhecido por ser o sonoplasta de Xuxa na Globo (e de Chacrinha, anteriormente), enviou uma comovente carta a diretores e funcionários da Globo avisando que tentaria se suicidar.
O título do e-mail é "Não suporto mais".
Ele culpou a emissora por estar com depressão, dizendo que foi abandonado depois que ficou mais velho.
Segundo uma pessoa próxima, o sonoplasta tomou chumbinho e está internado no hospital Rio Mar, no Rio de Janeiro, e está em coma induzido.
O blog está tentando conseguir mais detalhes sobre o assunto.
A Central Globo de Comunicação diz: "A TV Globo está acompanhando e dando a ele todo o apoio necessário, como faz com todos os funcionários. Ele estava em licença para tratamento psiquiátrico".
Leia abaixo a carta na íntegra:
Minha família; Meus amigos; Gostaria apenas de pedir desculpas não pela covardia, apenas por não suportar mais viver em crise financeira e com injustiça de uma Empresa da qual dediquei metade da minha vida: 31 anos de bons trabalhos realizados...
Hoje por um erro de alguns Diretores com mais de 66 e 75 anos de idade, eles estão afastando quem tem 60 anos de idade da empresa como se 60 anos um ser humano perdesse o conhecimento aprendido durante toda a sua vida profissional.
E como pode eles que já passam dos 60 e chegando a casso dos oitenta (80) podem dirigir esta empresa e chutar um profissional de qualquer maneira sem o mínimo de carinho e humanidade? Estou sofrendo há muito tempo e lutando contra uma forte depressão “criada Pela Globo Participação” Rede Globo - Rio e com muitos traumas de tratamento Psiquiatras, Psicológicos, Hepatite C e Problemas com a visão ".
Com todos os laudos na medicina do trabalho do Projac" onde a cada dia me sinto mais doente e menos forças para lutar sozinho sem que a Rede Globo se preocupe com a minha vida dedicada a ela estes anos todos.
"Pura Covardia, injustiça e falta de humanidade" Nunca foi este o desejo de quem criou a Rede Globo aos 61 anos de Idade ( Gênio e Humano Dr. Roberto Marinho). Se ele hoje estivesse vivo ou o Boni no seu lugar nada disso estaria acontecendo: PURA DESUMANIDADE.
Se era esta a intenção da Rede Globo me levar a loucura e ao suicídio, eles conseguiram; Perdi o controle sobre os meus atos de vida e prazer de ver a vida da maneira que deve ser vista, estou há mais de 03 (três) anos apenas representando um papel que hoje não tenho mais forças para interpretar.
Tenho sofrido sozinho para não preocupar minha família amigos porque todos hoje vivem com suas dificuldades. Apenas hoje estou muito solitário, sozinho e vivo como não estivesse vivendo.... Sei que tirar a vida é um preço muito alto, mais não terei mais telefones tocando me cobrando e tendo que buscar solução com advogados onde tudo é muito lento e durante a minha vida passei por várias injustiças e sempre suportei com dignidade, sei que vou pagar um preço muito alto por esta minha decisão.
Hoje; Perdi as forças coragem e deixo como responsável a Empresa pela qual dei a minha vida, criatividade, dignidade e uma postura profissional e não estou suportando representar que tudo está bem, quando a realidade é outra bem diferente. Peço apenas aqueles que gostam de mim de verdade, que pudessem me entender e apenas rezar muito pela evolução do meu espírito, sei que vou sofrer bastante até o dia do meu resgate espiritual se é que eu mereço!
Gente comecei trabalhar com 14 anos de idade, sofri muito e tudo que eu conseguia, era para fazer outras pessoas felizes pela minha ignorância total de uma criação que eu não tive, e por conta disso estas pessoas nunca deram o Real valor ao grande sacrifico do meu suor. Hoje não posso reclamar e apenas assumir para mim mesmo que FRACASSEI.
Gostaria de deixar aqui registrado que: " Eu nunca fui feliz na minha vida toda." Hoje estou doente da pior de todas as doenças; Depressão e falta de amor próprio. Me sinto há muito tempo, um morto vivo que apenas sorri e representa, mais quando chega em casa chora todasas suas lágrimas e não sabe o motivo, Isto não é viver.
Quando vocês estiveram lendo este e-mail saibam; O meu espírito já não esta mais entre nos, apenas uma matéria deitada em sua cama no apartamento que até hoje morei. A porta esta destrancada para não ter problemas. Não quero piedade, apenas compreensão pela minha atitude e não me julguem porque somente eu e Deus sabemos o quanto tenho sofrido... Um detalhe apenas....
O meu estado de espírito e prazer deixou de existir já há três anos que não consigo um respeito, carinho e dedicação da empresa que dei a minha vida e suor para que eu tivesse apenas o mínimo de paz e viver sem dívidas e dignidade pelos trabalhos dignos e honrados que sempre fiz com amor e carinho A Globo Participações Rede Globo - Rio, é a mulher da minha vida que eu nunca pensei em ter que me separar dela, mais tendo consciência que um dia teria que ceder o meu lugar para os mais novos e pelo lado humano tendo um tratamento digno de alguém que dedicou sua vida e honestidade com sua contribuição de 31 anos de trabalhos bem feitos e de sucessos," todos" tratado como ser humano porque esta era a vontade do seu criador Dr. Roberto Marinho..
Desculpe a minha solidão,tristeza, depressão apenas responsabilizo uma empresa que hoje apenas olha os interesses de seus Diretores e nos que fazemos, somos descartados como um sapato velho, não da para suportar.....É assim que se trata a sua prata da casa quando querem afastar? Mais deixo esta culpa da minha atitude a falta de atenção para empresa que me casei há 31 anos atrás e hoje esta me traindo. Espero pelo menos que a Globo - Rio possa da como último ato, tratamento fúnebre e uma cremação que seria justa como seu grande ato final a mim como pessoa. Que Deus Possa me perdoar em sua infinita misericórdia! Estou saindo da vida por falta de forças e ajuda. Adeus. Moacil Filgueira Pinto My Boy -
ADEUS, REZEM POR MIM! DESCULPEM A DOR É MINHA

Fabíola Reipert - R7