Na Carta Capital




O Papa Bento XVI pediu neste sábado (20) a centenas de seminaristas que “não se deixem intimidar diante de um ambiente que pretende excluir Deus” e voltou a defender o celibato para os sacerdotes, durante una missa na catedral de Almudena de Madri.
“Não se deixem intimidar por um ambiente no qual se pretende excluir Deus e no qual o poder e o prazer são os principais critérios que regem a existência”, afirmou o Papa durante sua homilia ante 6.000 seminaristas.
O Papa, que chegou à catedral de Almudena depois de realizar a confissão de quatro peregrinos participantes na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), aproveitou sua homilia ante os seminaristas para voltar a defender o celibato.
Protesto contra o Papa
Nesta sexta-feira (19), milhares de manifestantes voltaram a protestar no centro de Madri, fortemente vigiados pela polícia, contra a visita do Papa à capital espanhola, pouco depois da Via Crúcis liderada por Bento XVI a poucos metros do local do protesto.
Os manifestantes eram em sua maioria ligados ao movimento dos “indignados”, nascido na Espanha em maio e tentavam chegar pelas ruas adjacentes ao local da procissão. No local esperavam muitos fiéis católicos, mas a polícia não deixou os manifestantes passarem.
Na quarta-feira, durante o primeiro protesto contra esta viagem do Papa, 4 mil pessoas participaram de ato convocado por associações laicas e de esquerda. O protesto registrou confrontos verbais entre “indignados” e os fiéis católicos, separados a todo momento pela polícia.
Informações da Agencia Francepress e do G1
Com todo respeito aos fiéis seguidores da Igreja Católica Apostólica Romana, entre os quais me incluo, mas não dá para ficar calado diante das últimas manifestações do papa Bento 16 sobre o que podemos ou não fazer nas nossas vidas. No meio do bestialógico publicado ou levado ao ar neste final de semana sobre as declarações dadas num livro-entrevista, como se alguém ainda estivesse interessado em ouvir o que pensa e diz este papa, salva-se a carta do leitor Renato Khair, publicada na Folha desta segunda-feira:
“Se o papa Bento 16 e a Igreja Católica são a favor ou contra o uso da camisinha (ou do aborto ou da união entre pessoas do mesmo sexo) é absolutamente irrelevante e não deveria fazer a menor diferença”.
É o mesmo que penso a respeito deste assunto, como se a palavra do papa continuasse sendo lei a ser obedecida cegamente por todos os católicos. Seus novos “mandamentos” sobre o uso da camisinha são de tal forma fora de tempo e de lugar, de propósito e de sentido, que o sumo pontífice mereceria uma advertência dos editorialistas do Estadão, como já aconteceu em outros tempos, quando a Igreja Católica defendia os perseguidos pelo regime militar.
Qual o efeito prático de tanto barulho em torno da manifestação papal sobre o uso de camisinhas? Vai mudar alguma coisa? Já posso imaginar os sindicatos de prostitutas em todo o mundo convocando assembléias extraordinárias. Gigolôs em polvorosa. Farmácias e camelôs providenciando reforço nos estoques de preservativos e indústrias comprando novos equipamentos para aumentar a produção.
Depois da sua extemporânea e infeliz intromissão na recente eleição presidencial brasileira, em que ressuscitou a questão do aborto, já estaria na hora de alguém mais próximo ao papa recomendar-lhe um bom repouso, antes de voltar a se manifestar sobre o uso de preservativos por prostitutas, o que obrigou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, a sair dos seus cuidados e vir a público no final de semana para “explicar” o que Bento 16 queria mesmo dizer.
“No raciocínio do papa, está claro que não se trata de uma mudança revolucionária”, mas de uma “visão compreensiva”, para levar uma humanidade “culturalmente muito pobre rumo a um exercício mais humano da sexualidade”, disse Lombardi, em nota distribuída pelo Vaticano. Ah, bom…
Sempre me pergunto o que padres, bispos e papas entendem deste assunto, já que estão condenados ao celibato eterno, a ponto de dar lições de moral a nós pecadores, ainda mais depois das reiteradas denúncias da prática de pedofilia envolvendo religiosos que agora vêm a público. Não seria mais razoável cuidar primeiro do seu próprio quintal?
No livro-entrevista publicado pelo jornalista alemão Peter Seewald, o papa disse que não ficou “totalmente surpreso” com os escândalos dos padres pedófilos, mas que a repercussão do caso provocou-lhe “um choque enorme”.
Menos mal que Bento 16, nesta mesma entrevista, tenha questionado a infabilidade papal _ “já que um pontífice também erra” _ como ele mesmo tem feito questão de provar desde que assumiu o trono de Pedro.
“Obviamente, o papa pode se equivocar. Ser papa não significa se considerar um soberano cheio de glória, mas alguém que dá testemunho do Cristo crucificado”, afirmou ainda o papa alemão. Aos 83 anos, ele admite que “as forças vão diminuindo”, o que sugere aplicar a ele o mesmo ”silêncio obsequioso” que recomendou ao frade franciscano Leonardo Boff, meu bom e velho amigo, antes de expulsá-lo da igreja.
Diante da contínua perda de fiéis para outras denominações religiosas, seria de bom senso recomendar ao chefe da Igreja Católica, que disse não pensar em renúncia, para ocupar seu tempo mais com o seu público interno para saber o que acontece nas sacristias e menos em dar lições de moral ao rebanho.
Como bem diz o leitor Renato Khair:
“É realmente espantoso que, em pleno século 21, milhões de pessoas ainda abram mão da sua liberdade de escolha, de sua racionalidade, de suas convicções íntimas e aceitem que alguma suposta autoridade (papa, igreja, presidente, general) lhes diga o que é certo ou errado e como devem viver as suas próprias vidas”
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Casais homossexuais se beijam em protesto, enquanto Bento XVI passa de papamóvel por ruas de Barcelona
Foto: AFP
Ao menos 100 ativistas gays e lésbicas se beijaram na passagem do papamóvel de Bento XVI pela praça da Catedral de Barcelona, quando o religioso seguia para o templo da Sagrada Família neste domingo na visita à Espanha.
Gays e lésbicas se colocaram em uma região da praça da Catedral que estava lotada de fiéis, que cantavam e davam vivas ao papa na saída do palácio episcopal onde ele passou a noite, depois de chegar de Santiago de Compostela, primeira etapa da viagem.
Jordi Petit, dirigente histórico do movimento homossexual da Catalunha, reclamou que há anos "a hierarquia eclesiástica ataca os direitos básicos humanos", como sua insistência em proibir o uso de preservativos.
Petit especificou que esta crítica é dirigida à cúpula da Igreja Católica, e não "aos cristãos de base que fazem um bom trabalho", e se pronunciou a favor de um estado laico em que "a política vá para um lado e a religião seja algo pessoal".
Os gays e lésbicas gritaram em coro palavras ao Papa, chamando-o de "pederasta" e frases como a "Igreja que ilumina é a que arde". Em contrapartida, jovens cristãos saíram em defesa, dizendo "aqui está a juventude do Papa".
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