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terça-feira, 5 de junho de 2012

Jovens voltam a fazer história

Jovens voltam a fazer história



Mário Augusto Jakobskind


Em meio a crise que assola a Europa, da Grécia a Espanha, passando por Portugal e Irlanda, os jovens, também no continente americano, saem as ruas para manifestar o desagrado com a austeridade pregada por governos de seus paises.
Até a mídia de mercado teve de se curvar diante da realidade, ou seja, noticiar as movimentações que se espalham pelo mundo. Jovens no Canadá, na Espanha,  nos Estados Unidos e no Chile estão dando o recado, apesar da (não) resposta dos respectivos governos, que reprimem com violência os manifestantes.
O Chile, no continente latinoamericano, vale um capítulo a parte. Da ditadura à democracia formal que desembocou na Concertación e mais recentemente em Sebastian Piñera, o Chile até hoje vem sendo considerado pelos defensores do neoliberalismo como um exemplo a ser seguido. Fernando Henrique Cardoso que o diga.
Mas quando eles apresentam as análises sobre o país andino omitem o principal, ou seja, quem detém o poder econômico. Omitem também as condições de vida em que se encontra a maioria dos chilenos.
Pouco se noticia aqui no Brasil que a distribuição de riqueza contempla cinco grupos econômicos, sendo um deles o dos Piñeras, que tem como  integrante um adepto da ditadura de Pinochet, hoje na Presidência da República.
Segundo dados oficiais, as cinco famílias detêm 50 bilhões de dólares das riquezas chilenas, o equivalente a  20% do produto interno bruto. .
Tanto Piñera como os anteriores governos da Concertación administraram o  Chile sempre de forma a não contrariar os interesses dos cinco, Sebastian Piñera nem se fala. Na prática legisla até em causa própria.
Nestas circunstâncias, os jovens, que por sinal nem eram nascidos na época da ditadura que Piñera apoiou e participou, saem as ruas para dizer basta. Motivos não faltam, como, por exemplo, exigir que o ensino não continue sendo na base dos shopings centers que se transformaram  os estabelecimentos de ensino no Chile.
Para se ter uma ideia de como anda o setor educacional, vale uma comparação. No ano passado, a indústria mineira, portanto os barões do setor, obtiveram benefício de 35 bilhões de dólares, o que, segundo o economista Marcel Claude, representa três vezes mais o orçamento na área educacional e ainda 12 vezes mais do que os subsídios para o setor de moradia.
E aí, diante dos protestos que se irradiaram para vários setores sociais, Piñera decidiu conceder migalhas para o setor educacional e assim sucessivamente. Os jovens recusaram a oferta que o governo Piñera imaginava seria acatado.
Trocando em miúdos, o que acontece no Chile com seus desequilibrios cada vez mais acentuados e políticas econômicas que contemplam os ricos, vem desde a época da ditadura. Deram uma maquiada, até porque a ditadura ao estilo sangrento como no período Pinochet ficou superada para o capital.
Em essência, os benefícios econômicos do setor continuaram como antes. Os defensores do modelo, de Fernando Henrique Cardoso a colunistas de sempre, apresentavam (continuam a apresentar) como justificativa para o apoio o falso argumento de que os gigantescos complexos econômicos eram responsáveis por empregos. Mentira, porque esses gigantes oferecem a nível nacional apenas 20% dos empregos. A maioria, aí sim,  da oferta vem da pequena e média empresa. 
E como se tudo isso não bastasse, vale assinalar também que os lucros dos cinco grandes no Chile se devem sobretudo ao arrocho salarial.
Guardando-se as especificidades de cada país, as políticas de austeridades defendidas pelo Fundo Monetário Internacional estão sendo aplicadas não só no Chile como em países da Europa onde, sob o pretexto de sair da crise, o capital financeiro é contemplado em detrimento dos assalariados. Angela Merckel que o diga.
Por falar em jovens, os destas bandas estdão dando o ar de sua graça. Os integrantes do Levante Popular da Juventude, como os chillenos, não eram nascidos na época da ditadura, mas isso não impede de hoje sairem as ruas e promoverem o esculacho na porta da residência de torturadores e assassinos da época da ditadura ainda vivos. Muitos vizinhos que desconheciam o fato ficaram sabendo.
No mais, os jornalistas autores do livro reportagem Memórias de uma guerra suja garantem que conhecem pelo menos mais seis delegados do gênero Claudio Guerra, de quem colheram o depoimento, Ou seja, Marcelo Netto e Rogério Medeiros garantem que outros agentes do Estado terrorista de pós-64 poderão fazer revelações importantes para a Comissão da Verdade, ajudando assim o Brasiol passar a limpo uma página infeliz de sua história.
Em suma: quando os jovens se manfestam é sinal que o país está vivo, Felizmente a paz dos cemitérios propugnada pelos que tomaram o poder a força em abril de 64 não tem mais guarita aqui e nos demais países do Cone Sul.

Em tempo: a idolatrada BBC cometeu uma tremenda gafe recentemente. Colcou no canal e no site uma imagem de 2003 correspondente ao Iraque como se fosse hoje na Síria. O autor da foto, o repórter fotográfico Di Lauro da agência de fotografías Getty Images  reconheceu o seu trabalho feito por ocasião da invasão e posterior ocupação do Iraque por forças militares estadunidenses.
A BBC teve de pedir desculpas pela mancada que talvez continuasse se o próprio autor da foto não reclamasse. Se tal fato aconteceu na BBC imaginem o que pode estar acontecendo em outros canais sem a credibilidade da emissora britânica.

No Direto da Direção
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terça-feira, 22 de maio de 2012

Reciprocidade neles!: Artista baiano é impedido de entrar na Espanha

Reciprocidade neles!: Artista baiano é impedido de entrar na Espanha


racismo-artista

Impedido pela imigração espanhola, em Madri, de fazer uma conexão para Milão (Itália), onde participaria da abertura de uma exposição de artes, o artista plástico baiano Menelaw Sete afirma que está programando um protesto na frente do Consulado da Espanha em Salvador. De acordo com ele, a intenção é reunir outros artistas na frente da sede da instituição, ainda esta semana, para manifestar contra a forma como ele e outros barrados em território espanhol têm sido tratados. "É uma humilhação", conta.
Menelaw Sete, de 47 anos, conhecido como Picasso baiano, era convidado da organização da exposição para a abertura do evento e, de lá, seguiria para Brissago, na Suíça, onde pintaria um painel, a convite do Centro Dannemann. Embarcou na noite de quinta-feira em voo direto de Salvador para Madri, de onde seguiria para a Itália, mas não pôde desembarcar, na manhã de sexta-feira. Ficou, junto com outras cerca de 40 pessoas, das quais quatro brasileiras, retido em uma área restrita do Aeroporto de Barajas até ser deportado, na manhã de sábado.
Segundo as autoridades espanholas, faltou a Menelaw o carimbo da polícia italiana na carta-convite apresentada por ele à imigração, assinada por seu empresário na Itália, Ezio Dellapiazza. O artista argumentou que, em 15 anos de viagens à Europa, sempre apresentou os mesmos documentos - e chegou a mostrar a autorização de entrada concedida, no mesmo aeroporto, no ano anterior, sem convencer os agentes de imigração.
Nas horas em que ficou retido, Menelaw retratou em desenhos, feitos com uma caneta esferográfica em um caderno, o sofrimento das pessoas que, como ele, não conseguiram entrar no país. Segundo ele, há sinais de racismo na "seleção" dos impedidos de ingressar na Espanha. "Não havia brancos, apenas mulatos e negros entre os barrados", afirma Menelaw.


Fonte: Dgabc

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Curso de prostituição promete "formação" em uma semana na Espanha

Curso de prostituição promete "formação" em uma semana na Espanha

Uma campanha publicitária em outdoors com os dizeres "Trabalhe já! Curso de prostituição profissional" tem causado dores de cabeça nas autoridades de Valência, no leste espanhol. Pelo preço de cem euros, uma empresa afirma ensinar desde "técnicas especiais" até a história da "profissão mais antiga do mundo". As informações são do jornal espanhol Las Províncias.

Reprodução
Segundo a empresa que organiza o curso, 95 pessoas já se interessaram em participar.
Um dos "professores", identificado apenas por Brandon, que afirma fazer programas desde os 18 anos, diz que, com esse curso, os profissionais do sexo estarão mais preparados.

"Para que, acima de tudo, saibam o que estão fazendo. A prostituição éum um trabalho como qualquer outro", defende Marlon.


A empresa responsável pelas classes garante que, ao final do curso, os formados terão "quase certeza" de obter um emprego, podendo até mesmo dar aulas na própria instituição. Segundo a companhia, o sucesso é garantido pois este é um trabalho onde "se consegue muito dinheiro rápido e fácil".
O curso, que só é permitido para maiores de 18 anos, tanto homens ou mulheres, é relâmpago: dura apenas uma semana, com duas horas diárias, e cada aluno pode montar sua grade de acordo com suas necessidades. A confidencialidade dos alunos, segundo a empresa, é garantida.
Na grade curricular constam desde aulas teóricas (história da prostituição na Espanha; no resto do mundo; a microeconomia do setor; legislação; obtenção de dinheiro e lucro gerado) como práticas, com matérias como Kama Sutra, posições convencionais, não convencionais, acessórios e fetiches.
A prostituição é legalizada na Espanha, mas a Generalidade (órgão equivalente ao governo estadual) valenciana pediu à promotoria local que inicie uma investigação para saber se a empresa cometeu um delito por incentivar a prostituição (o que é proibido). E pediram a retirada dos anúncios por "publicidade sexista".


No ÓperaMundi

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Perfeito, pau que bate em Chico bate em Francisco: Espanhóis que desembarcarem no Brasil a partir de hoje serão submetidos a uma série de exigências

Perfeito, "pau que bate em Chico bate em Francisco": Espanhóis que desembarcarem no Brasil a partir de hoje serão submetidos a uma série de exigências


Renata Giraldi

Brasília – Os espanhóis que desembarcarem a partir de hoje (2) no Brasil serão submetidos a uma série de exigências para conseguir a autorização de entrada. A decisão foi tomada pelo governo brasileiro como medida de reciprocidade ao tratamento dispensado aos brasileiros que tentam ingressar em território espanhol. As medidas são semelhantes às adotadas na Espanha em relação aos brasileiros que chegam ao país.
A iniciativa ocorre no momento em que brasileiros são impedidos de entrar na Espanha, caso não cumpram as exigências feitas pelas autoridades espanholas. Até agosto de 2011, 1.005 brasileiros foram barrados em aeroportos do país. A estimativa é que cerca de 158,7 mil brasileiros vivam em território espanhol. Na Europa, a comunidade brasileira é aproximadamente 900 mil.
O Ministério das Relações Exteriores nega que a adoção das exigências seja uma retaliação às humilhações sofridas por brasileiros na Espanha, que relatam casos de discriminação e preconceito, além de serem impedidos de se comunicar com autoridades do Brasil.
Pelas novas regras, os espanhóis que quiserem entrar no país terão de estar com o passaporte válido por, no mínimo, seis meses. Também serão exigidos os comprovantes de passagens de ida e volta (com data marcada).
O espanhol que for se hospedar em hotel deverá apresentar o documento de reserva. Caso venha a se hospedar em casa de amigos ou parentes, terá de mostrar uma carta-convite. O documento deve conter a assinatura do responsável pela residência na qual o espanhol ficará, autenticada em cartório, e um comprovante de residência dessa pessoa.
O último item se refere à renda mínima do espanhol que pretende visitar o Brasil. Ele deve comprovar que tem condições financeiras para arcar com até R$ 170 de despesas, por dia, em território brasileiro.
Em junho do ano passado, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, esteve no Congresso Nacional e mencionou as queixas dos brasileiros impedidos de entrar na Espanha. Patriota disse ter conversado com a chanceler espanhola, Trinidad Jiménez, lembrando que poderia ser adotado o chamado acordo de reciprocidade.
Edição: Graça Adjuto

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Quadrilha obrigava menores brasileiras a se prostituírem na Espanha


Quadrilha obrigava menores brasileiras a se prostituírem na Espanha


A polícia nacional da Espanha desmantelou uma quadrilha internacional de prostituição que mantinha menores brasileiras sob cárcere privado, segundo os investigadores.



A operação na cidade de Huelva (sul do país) terminou com 67 detidos, dos quais 52 eram mulheres forçadas a exercer a prostituição com ameaças de agressões físicas.
Segundo a Brigada de Imigração da Polícia, a quadrilha foi encontrada depois que uma das prostitutas tentou o suicídio bebendo água sanitária.
A vítima, que foi atendida pelos serviços públicos de saúde, denunciou o caso, indicando que havia menores retidas num bordel, cooptadas com falsas promessas de trabalho.

Método

De acordo com nota pública, as menores foram aliciadas na Catalunha. Supostamente a quadrilha lhes ofereceu trabalhos bem remunerados durante os períodos de verão como garçonetes, relações públicas e dançarinas em bares do litoral espanhol.
Assim que fechavam o acordo, as menores eram avisadas de que tinham uma dívida pelos gastos administrativos dos tratos e deveriam pagar com serviços de prostituição.
Na batida no último final de semana no bordel de Huelva os detetives comprovaram que as mulheres viviam "em condições sub-humanas e as vítimas relataram que estavam submetidas a coações e ameaças à sua integridade física", diz a nota.
Segundo a polícia, as menores brasileiras estão sob a guarda dos serviços públicos e deverão viajar para o Brasil quando a justiça liberar sua documentação.
Os 15 detidos acusados de serem integrantes da quadrilha formada por brasileiros, romenos, espanhóis e nigerianos serão julgados por delitos de tráfico de seres humanos, exploração sexual, falsificação de documentos, imigração clandestina e corrupção de menores.
Eles podem pegar entre seis e 18 anos de cadeia cada um.


BBC

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Homens que valorizam o serviço das prostitutas é porque não têm que conquistar e tampouco conversar com elas depois"

"Homens que valorizam o serviço das prostitutas é porque não têm que conquistar e tampouco conversar com elas depois"

Anelise Infante

Um estudo realizado na Espanha sugere que homens usam mais prostituição porque, ao contrário das mulheres, 'sabem distinguir entre sexo e amor'.

Segundo a pesquisa de dois anos da Universidade de Vigo sobre o perfil dos homens que usam prostitutas, o que eles valorizam no serviço é não ter que conquistar a mulher, nem ter que conversar com ela depois.


Foto: PA
Homens querem prostitutas que sejam diferentes de suas mulheres e namoradas


Para a maioria dos entrevistados, seria uma sorte poder receber dinheiro por praticar sexo. Mais de 90% dos entrevistados consideram as relações sexuais pagas uma necessidade.

"Analisamos as mudanças sociais dos últimos 30 anos e vemos a substituição do modelo patriarcal, do pai protetor-provedor pela volta do modelo 'falocêntrico', o colecionador de mulheres", disse à BBC Brasil a socióloga Silvia Pérez Freire, uma das autoras do estudo.
"O que motiva (o homem) a consumir serviços de prostituição é o desejo de fortalecer seu papel dominante. Ele acaba identificando o hábito como uma necessidade social".
A maioria dos usuários, um total de 80%, tem entre 30 e 40 anos e declarou ter vida familiar estável (com esposa ou namorada). A maior parte dos homens diz escolher a que seja menos parecida com a sua própria mulher.
A prostituição é o terceiro negócio mais rentável do mundo, depois dos tráficos de armas e drogas, de acordo com estatísticas divulgadas pelas Nações Unidas.


Ato social

O levantamento também concluiu que muitos homens entendem que ir em grupos aos prostíbulos é um ato social tão normal quanto um jantar de negócios.
Por isso muitos pagam as prostitutas com cartões de crédito das empresas para as quais trabalham.
"Essa cumplicidade faz com que a prostituição seja um sexo cômodo. Ninguém questiona nada e existe um pacto implícito sobre o que é feito dentro de um bordel. O que é dali, fica ali. Isso é um grande atrativo para políticos e pessoas influentes", disse à BBC Brasil a socióloga Águeda Gómez Suarez, co-autora do estudo.
"Diria até que se não houvesse este componente de aceitação social unido à conivência de cargos importantes de políticos a policiais, não haveria tantos bordéis."


Estereótipos

A pesquisa, feita pelo grupo Estudos Feministas da Universidade, foi transformada no livroProstituição: clientes e outros homens, e tem três continuações previstas.
O estudo classificou os consumidores do sexo pago em quatro grupos básicos: o homo sexualis, o samaritano, o homo economicus e ohomo politicus.
O primeiro se valoriza pela quantidade de sexo que pratica e pelo número de mulheres. O segundo procura uma prostituta que o escute e seja mais vulnerável que ele, abrindo espaço até mesmo para uma relação sentimental com ela.
homo economicus busca emoções fortes e costumar misturar sexo com drogas. Já o homo politicus tem certo peso na consciência pelo que faz, mas não deixa de fazê-lo.
Os consumidores também classificaram as prostitutas em três categorias, que correspondem aos estereótipos mais requisitados: mulher fatal, mulher maternal e virgem.
A primeira, que corresponde a 70% da preferência dos homens, é alegre e está sempre disposta a realizar qualquer fantasia sexual. A maternal simula uma relação de casal mas, com a obrigação de consolar o homem pelos problemas que ele diz ter em casa.
Já a virgem é a confidente contratada até para relações sem sexo, onde o mais importante é ouvir e animar emocionalmente o cliente.
De acordo com o boletim da Associação de Proteção as Mulheres Prostituídas (Apramp), a Espanha lidera o ranking de consumo de prostituição na Europa: 39% dos homens já disseram usado pelo menos uma vez uma prostituta, seguida por Suíça, com 19%; Áustria, com 15% e Holanda, com 14%.
Anúncio de prostitutas em ônibus de Valencia, na Espanha.
A Espanha é o país europeu onde mais se consome prostituição
No relatório espanhol, os entrevistados responderam que são a favor de uma regulamentação do setor, mas apenas para que haja controle sanitário (a maioria requer realizar atos sexuais sem preservativos) e para que as prostitutas paguem impostos.
Segundo as estimativas oficiais, há cerca de 700 mil prostitutas na Espanha, a maioria imigrantes ilegais e com filhos.

Na BBC

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Indignados na Espanha: "Nenhuma família na rua!"

Indignados na Espanha: "Nenhuma família na rua!"

Anelise Infante na BBC Brasil

'Hotel do Povo' (Movimento M15 - Indignados)
Ativistas cobriram a fachada do prédio com faixas e cartazes
Um hotel de três estrelas em pleno centro de Madri foi transformado no "Hotel do Povo". O edifício, que estava abandonado e embargado judicialmente devido a dívidas, foi invadido por jovens manifestantes para servir de abrigo a famílias despejadas pela crise.
O nome "Hotel do Povo" foi escolhido por cerca de 200 jovens ativistas que decidiram ocupar o prédio no fim de outubro, afirmando que não tem sentido que os despejados estejam nas ruas, havendo prédios embargados vazios.


Os cinco andares com cafeteria, sala de jogos e duas varandas em uma das ruas mais comerciais da cidade estão completamente mobiliados. Apesar do abandono, contam com tapetes vermelhos, decoração e aparelhos de TV. A luz funciona, mas não há água.

'Indignados'

Depois de uma assembleia popular aberta a manifestantes nas redes sociais, os jovens autodenominados "Indignados" resolveram limpar o hotel e oferecer os quartos às famílias atingidas pela crise.
A primeira hóspede é uma mulher de 75 anos despejada na semana passada por não pagar as dívidas bancárias. Foi recebida com aplausos e um comitê de boas-vindas na entrada do Hotel Madri (nome original).
Ainda esta semana, mais 16 famílias deverão ser alojadas em dois andares que já foram limpos e condicionados para abrigar os despejados.
'Hotel do Povo' (Movimento M15 - Indignados)
Ativistas estão limpando quartos para abrigar mais gente
Segundo os ativistas, as tarefas de limpeza estão sendo feitas por voluntários que preparam 40 quartos para os próximos dias e já estão organizando a fila de espera para os futuros acolhidos. O objetivo é abrigar os despejados em pior situação social, mas de forma provisória.

Polícia

Os acolhidos não terão prazo para sair do hotel, mas sabem que só poderão permanecer ali até que encontrem outra moradia ou que a polícia intervenha.
Esta intervenção já aconteceu, mas por enquanto não serviu para retomar o controle do hotel.
Dois dias depois da invasão, o representante legal da imobiliária proprietária do imóvel tentou entrar no edifício com cinco policiais. Imediatamente os "Indignados"pediram ajuda nas redes sociais e conseguiram formar um bloqueio humano com centenas de manifestantes na entrada do edifício.
Com cartazes, faixas penduradas nas janelas e sacadas e gritos de "a nova casa do povo", "essa crise não pagamos nós" e o tradicional "o povo unido não será vencido", o protesto conseguiu obrigar a polícia a desistir.
O advogado do proprietário se conformou em deixar cartões com seus telefones para que os manifestantes o procurem para negociar.

'Extrema esquerda'

Hotel Madri (Grupo Imobiliário Monteverde)
O Grupo Imobiliário Monteverde diz que os ativistas estão acumulando lixo na entrada do hotel
A Chefatura Superior da Polícia Nacional teve que responder a críticas feitas pelo governo regional de Madri, que acusou a polícia de estar sendo passiva mediante a invasão, que seria uma ação de um movimento de extrema-esquerda.
Segundo uma nota emitida pela polícia, a empresa proprietária do Hotel Madri fez uma queixa na delegacia pela invasão do imóvel, mas "a polícia não vai voltar a intervir enquanto não houver uma resolução judicial do caso".
O grupo Imobiliário Monteverde, dono do prédio, faliu em 2010, deixando dívidas com empregados e fornecedores equivalentes a R$ 400 milhões.
O processo está parado porque os proprietários do hotel não apresentaram propostas para saldar a dívida.
Segundo a polícia, os donos do imóvel podem pedir aos juízes o despejo dos invasores, mas primeiro tem que enfrentar suas próprias ações penais pelas dívidas do edifício.
Os ativistas madrilenhos já afirmaram que pretendem ampliar a ideia de invadir outros locais embargados pela Justiça para dar abrigo a mais famílias despejadas pela crise, estendendo a cadeia de hotéis do povo por todo o país.
A proposta já tem até um lema: "Nenhuma família na rua!"

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Violência doméstica: Se juiz proibiu, marido e mulher não podem reatar casamento na Espanha



Violência doméstica: Se juiz proibiu, marido e mulher não podem reatar casamento na Espanha


Na Espanha, a lei contra violência doméstica tem algumas peculiaridades. Funciona assim: Maria casa com João. Um belo dia, o João bate na Maria. O caso vai parar na Justiça e o juiz, entre outras penas, determina que João fique longe dela por um ano. A Maria, saudosa, resolve reatar o casamento com o João. Ele aceita e é punido por descumprir decisão judicial. Afinal, não pode se aproximar da Maria por pelo menos um ano.
O assunto virou tema de debate jurídico, nesta quinta-feira (15/9). O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que não há nada de errado na lei espanhola contra a violência doméstica. Para os julgadores, o juiz não está obrigado a aplicar a pena de acordo com a vontade da vítima e nem suspendê-la, caso a agredida mude de ideia.
A posição da corte europeia foi dada em resposta à consulta feita pela Justiça da Espanha. No país, em casos de violência doméstica, o juiz é obrigado a determinar que o condenado fique longe da vítima por um tempo a ser estabelecido. E esta pena, como qualquer outra decisão judicial, não pode ser desrespeitada nem por iniciativa da vítima.
Norma da União Europeia estabelece o direito de a vítima de um crime ser ouvida em juízo para apresentar a sua versão do fato. No entanto, isso não quer dizer que a vítima tem o direito de escolher qual a pena deve ser aplicada ao seu ofensor. O Tribunal de Justiça europeu observou que combater a violência doméstica é do interesse da sociedade no geral, e não apenas das vítimas.
Clique aqui para ler a decisão em inglês.

Conjur

sábado, 20 de agosto de 2011

Depois de protestos, Papa defende celibato e pede firmeza ante as pessoas que excluem Deus

Depois de protestos, Papa defende celibato e pede firmeza ante as pessoas que excluem Deus


O Papa Bento XVI pediu neste sábado (20) a centenas de seminaristas que “não se deixem intimidar diante de um ambiente que pretende excluir Deus” e voltou a defender o celibato para os sacerdotes, durante una missa na catedral de Almudena de Madri.

“Não se deixem intimidar por um ambiente no qual se pretende excluir Deus e no qual o poder e o prazer são os principais critérios que regem a existência”, afirmou o Papa durante sua homilia ante 6.000 seminaristas.

O Papa, que chegou à catedral de Almudena depois de realizar a confissão de quatro peregrinos participantes na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), aproveitou sua homilia ante os seminaristas para voltar a defender o celibato.

Protesto contra o Papa

Nesta sexta-feira (19), milhares de manifestantes voltaram a protestar no centro de Madri, fortemente vigiados pela polícia, contra a visita do Papa à capital espanhola, pouco depois da Via Crúcis liderada por Bento XVI a poucos metros do local do protesto.

Os manifestantes eram em sua maioria ligados ao movimento dos “indignados”, nascido na Espanha em maio e tentavam chegar pelas ruas adjacentes ao local da procissão. No local esperavam muitos fiéis católicos, mas a polícia não deixou os manifestantes passarem.

Na quarta-feira, durante o primeiro protesto contra esta viagem do Papa, 4 mil pessoas participaram de ato convocado por associações laicas e de esquerda. O protesto registrou confrontos verbais entre “indignados” e os fiéis católicos, separados a todo momento pela polícia.

Informações da Agencia Francepress e do G1