Mostrando postagens com marcador juiz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador juiz. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Morro e não vejo tudo: Juiz ensina homem a mentir para uma mulher quando estiver com outra

Morro e não vejo tudo: Juiz ensina homem a mentir para uma mulher quando estiver com outra


Um homem que se relaciona com duas mulheres tem de aprender a mentir para evitar litígios na Justiça. É fácil. Se ele receber a ligação de uma enquanto está com a outra, basta dizer que está na pescaria com os amigos. "Evita briga, litígio, quiproquó e não tem importância nenhuma. Isso não é crime. Pode passar depois lá no "Traíras" e comprar uns lambarizinhos congelados, daqueles de rabinhos vermelhos, e depois no ABC, comprar umas latinhas de Skol e levar para a outra. Ela vai acreditar que ele estava mesmo na pescaria. Trouxe até peixe. Além disso, ainda sobraram algumas latinhas de cerveja da pescaria...".
Quem ensina como um homem deve enganar uma mulher para evitar litígios desnecessários no Judiciário é o juiz Carlos Roberto Loiola, do 3º Juizado Especial de Divinópolis, de Minas Gerais. Ele analisou um processo de danos morais envolvendo duas mulheres que se relacionam com o mesmo rapaz, todo “saidinho” e metido a “rei da cocada preta”, como disse na sentença.
Para o juiz, decisão judicial é "um trem que todo cabra tem que entender". Na sentença, ele explicou com simplicidade a história do triângulo amoroso e como poderia ter sido o desfecho sem passar pelo Judiciário se o homem fosse um pouco mais astuto.
De acordo com a sentença, uma mulher procurou a Justiça para reclamar por ter levado uma surra da "outra", “com puxão de cabelo e unhada e tudo o mais que a gente pode imaginar de briga de mulher briguenta, dentro de sua própria casa, invadida por ela só porque ela estava com o "Nilson, no bem bom, fato que desagradou a agressora. Quer seus danos morais e não tem conversa de conciliação. Chega de perda de tempo”.
Mas a outra, “esperta, veio acompanhada de advogada porque percebeu que a coisa não está boa para ela não. E a Doutora advogada já despejou uma preliminar de inépcia de inicial e citou muita doutrina e jurisprudência para demonstrar que no mérito a autora não tem razão, porque houve agressões recíprocas”, relatou o juiz na sentença.
Segundo ele, o rapaz que chegou à audiência todo “tranquilo, se sentindo o rei da cocada, mais desejado que bombom de brigadeiro em festa de criança", poderia ter evitado que as duas mulheres com quem se relaciona, fossem parar na Justiça. Para o juiz, o rapaz poderia ter evitado toda a confusão. Mas “nem prá dizer que estava numa pescaria com os amigos! Foi logo entregando que estava com a rival. Êta sujeito despreocupado! Também, tão disputado que é pelas duas moças, que nem se lembrou de contar uma mentirinha dessas que a gente sabe que os outros contam nessas horas só prá enganar as namoradas. Talvez porque hoje isso nem mais seja preciso, como era no meu tempo de pescarias. Novas Leis de mercado."
De acordo com o processo, o rapaz afirmou: “Eu sou solteiro, gosto das duas, tenho um caso com as duas, mas não quero compromisso com nenhuma delas não senhor". Depois de ouvir o rapaz, o juiz achou que ele “estava tão soltinho na audiência, com a disputa das duas, que só faltou perguntar: '-tô certo ou errado?'."
O homem disputado pelas duas figurou no processo apenas como testemunha, já que foi de suas namoradas que exigiu indenização da “outra”. Após todo esse quiprocó, o juiz bem que ia fixar o valor da indenização em R$ 4 mil. Porém, na audiência, a autora da ação chamou a ré de "esse trem". O juiz não tolerou. Decidiu fixar a indenização em R$ 3 mil, considerando que "ela também não é santa não, deve ter retrucado as agressões".

No Conjur

quarta-feira, 28 de março de 2012

Olha que bacana: Sexo e raça podem virar critério de desempate para escolha de juiz na Inglaterra

Olha que bacana: Sexo e raça podem virar critério de desempate para escolha de juiz na Inglaterra

Por Aline Pinheiro


Proposta do governo britânico para aumentar a diversidade na Magistratura recebeu um apoio importante nessa terça-feira (28/3). O Comitê de Constituição da House of Lords (o Senado britânico) divulgou um relatório defendendo que o sexo e a raça dos candidatos a vaga de juiz sejam usados como critério de desempate. Atualmente, a cada 10 juízes britânicos, dois são mulheres e apenas um não é branco.
Em novembro passado, a sugestão foi apresentada pelo Ministério da Justiça britânico como uma maneira de acabar com o estereótipo do magistrado homem branco. A ideia é que, sempre que dois candidatos ficarem empatados na competição para a vaga de juiz, aquele que pertencer a um grupo menos representado na Magistratura ganha. Por exemplo, se um negro e um branco empatarem, o cargo é do negro, já que a maioria dos juízes são brancos.
Para o Comitê de Constituição da House of Lords, a proposta é boa. Ter magistrados de diferentes sexos e etnias aumentaria a confiança da população na Justiça. O grupo defendeu que o mérito continue sendo o único critério para a escolha dos juízes. Mas que, quando há dois candidatos que merecem igualmente o mesmo cargo, é razoável optar por aquele que faça parte de alguma minoria.
No relatório apresentado, os lords também ponderam que mérito não quer dizer apenas conhecimento técnico da lei e destaque na Advocacia (todo juiz precisa ter advogado antes de ingressar na Magistratura). “Há vários advogados com experiência limitada na Advocacia que dariam excelentes juízes.” Os parlamentares observaram que um candidato capaz de levar diferentes aspectos para uma discussão jurídica pode ser considerado mais merecedor do cargo do que muitos profissionais com anos de experiência.
O comitê também analisou de que maneira aumentar o número de mulheres na Magistratura e aplaudiu a proposta do governo de reduzir a carga horária dos juízes. Hoje, na primeira instância da Inglaterra e do País de Gales, os magistrados podem optar por trabalhar apenas meio período e receber proporcionalmente. Isso não é possível nos tribunais de segunda instância e nem nas cortes superiores. Ampliar essa possibilidade seria uma das maneiras de tornar a carreira na Magistratura mais atraente para as mulheres. A ideia já foi bem recebida pela Law Society of England and Wales.
O grupo de parlamentares rechaçou a criação de cotas no Judiciário. Depois de ouvir juízes, advogados e estudiosos, a conclusão dos lords foi a de que criar cotas poderia passar o recado errado de que o juiz negro não teria capacidade para chegar ao cargo se não fosse pelas cotas. O comitê também descartou por ora a ideia de sugerir metas para a comissão que escolhe os juízes atingir. Os parlamentares consideraram que as metas podem voltar a ser discutidas em cinco anos caso a diversidade da Justiça britânica não tenha aumentado consideravelmente.
Passos para a Magistratura
Desde 2006, o processo de seleção de juízes na Inglaterra e no País de Gales fica centralizado numa comissão criada especialmente para a função, a Judicial Appointments Commission. Até então, a escolha de quem ia ocupar o cargo funcionava mais na base do tapinha nas costas. Com a comissão, o processo seletivo ficou mais transparente e, de acordo com os advogados, mais competitivo. Hoje, há um exame escrito, seguido por uma série de avaliações orais e mesmo simulações de julgamentos. Os candidatos escolhidos são enviados pela comissão para aprovação do lord chancellor (o equivalente no Brasil ao secretário de Justiça), que pode recusar a escolha, embora isso não aconteça.
Para ser juiz na Inglaterra e no País de Gales, é preciso exercer a Advocacia por pelo menos cinco anos. Para os tribunais de segunda instância e superiores, o tempo mínimo de experiência aumenta. Na Suprema Corte, por exemplo, é preciso ter atuado nos tribunais como defensor por pelo menos 15 anos. Como a Suprema Corte exerce jurisdição também na Escócia e na Irlanda do Norte, as nomeações também precisam considerar o equilíbrio na formação para que tenha representantes de cada país do Reino Unido.
Ao analisar o processo de escolha de juízes, o Comitê de Justiça da House of Lords concluiu que o método atual é eficaz e suficientemente independente. O Congresso britânico não participa de nenhuma etapa dessa seleção. E, para os parlamentares, tem que continuar assim. Eles consideraram que criar sabatinas dos escolhidos levaria política para o processo seletivo, o que não é desejado. Ao Parlamento fica reservada apenas a função de cobrar satisfações dos lord chancellorpelas suas aprovações ou recusas dos candidatos escolhidos pela comissão.
Balanço das indicações feitas pela Judicial Appointments Commission mostra um equilíbrio na raça e sexo dos escolhidos. Desde que foi criada em 2006, a comissão já analisou mais de 2,5 mil candidatos ao posto de juiz. Desse total, 35% eram mulheres e 9% do grupo de minorias étnicas. Dos selecionados, 34% foram mulheres e 7%, minorias étnicas. Para o Comitê de Justiça, o sinal de que há poucas mulheres e pessoas não brancas se candidatando é evidente. Para aumentar a diversidade da Justiça, portanto, é necessário um estímulo maior para que as minorias se candidatem aos cargos.
O Comitê de Justiça também analisou a idade de aposentadoria dos magistrados. Até 1993, os juízes tinham que se aposentar com 75 anos. Em 1993, uma mudança legislativa diminuiu a idade da aposentadoria compulsória para os 70, mas só passou a valer para quem entrasse na Magistratura a partir de então. Hoje, o Judiciário britânico tem dois grupos: o daqueles que se tornaram juiz antes de 1993 e se aposentam com 75 anos e os que entram depois, que precisam largar o cargo ao completar 70 anos de idade.
Os lords consideraram que não há como se falar em uma idade única para a aposentadoria compulsória. Na avaliação deles, como as diferentes instâncias requerem diferentes níveis de experiência, é razoável criar limites diferentes. A sugestão apresentada foi a de que a idade de aposentadoria compulsória seja de 70 anos para a primeira e a segunda instâncias, mas de 75 anos na Corte de Apelo e na Suprema Corte.
O Judiciário inglês
A estimativa é de que a população da Inglaterra e do País de Gales seja atualmente formada por 51% de mulheres e 12% pretos, asiáticos e outras minorias étnicas (Bame, na sigla em inglês). De acordo com os dados apresentados pelo governo, até abril do ano passado, as mulheres ocupavam 22,3% dos cargos de juiz de primeira instância. Já o grupo Bame representava 5,1%. Há 10 anos, apenas 14,1% dos cargos na primeira instância eram ocupados por mulheres e 1,9% por minorias.
Na segunda instância e nas cortes superiores, atualmente, são 13,7% de mulheres e 3,1% de Bame. De acordo com pesquisa divulgada pelo governo britânico, assim como mulheres e integrantes de grupos de minorias étnicas consideram a sua condição uma desvantagem no mercado jurídico britânico, homens brancos se entendem um passo a frente na corrida simplesmente por serem do sexo masculino e brancos.
O déficit de mulheres pode ser mais bem identificado se o número de magistradas for comparado com o número de advogadas. Em julho de 2009, as mulheres ocupavam 43% do mercado da advocacia de base. Na de elite, que são os chamados barristers e são aqueles que atuam nas cortes superiores, 33% do mercado era formado por mulheres.
Os dados coletados pelo Ministério da Justiça britânico, no entanto, são falhos por alguns motivos. O primeiro é que não levam em consideração a população ativa. Por exemplo, do total da população feminina, quantas mulheres de fato trabalham. O segundo ponto é que a pesquisa é feita com base na autoclassificação de cada um. Quem circula um pouco por Londres encontra, por exemplo, filha de imigrantes de países caribenhos que, embora negra, se considere britânica e não relutaria em se autointitular no grupo dos brancos, já que só nesse existe a opção britânico.

No Conjur

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Juiz condenado por bater na mulher perde o cargo



Juiz condenado por bater na mulher perde o cargo


Por Aline Pinheiro



Uma agressiva briga de casal pôs fim à carreira do juiz James Allen, que atuava na corte superior da Inglaterra. Ele foi expulso da magistratura depois de ter sido condenado por bater na sua mulher. Os dois, que continuam casados e morando juntos, ainda podem responder por mentir em juízo, já que tanto a mulher como James negaram a agressão.
A briga na casa de James e Melanie Allen começou por um motivo: fome. O marido de 61 anos queria comer, mas a mulher de 44 anos, em vez de preparar o jantar, conversava com a faxineira. Ela estaria consolando a sua funcionária, que havia descoberto que a mãe tinha câncer. O consolo durou tempo demais aos olhos famintos de James e, depois que a faxineira foi embora, começou a briga.
A partir daí, a história tem duas versões. A Polícia conta que foi chamada por uma terceira pessoa para impedir que James matasse a mulher. Os policiais que foram até a casa dos dois disseram que, ao chegar lá, Melanie estava com o rosto machucado, contou que o marido já tinha a agredido outras vezes e que iria se separar dele.
Na Justiça, a história contada pelo casal foi outra. Marido e mulher confirmaram um desentendimento mais acalorado, mas Melanie explicou que foi ela mesma que se bateu: deu três socos no rosto para impedir que o marido deixasse a casa. A versão dos Allen não convenceu. Em junho deste ano, ele foi condenado por violência doméstica. Os dois ainda devem ser investigados por mentir em juízo, após terem jurado falar a verdade. Um laudo médico seria a prova de que os machucados no rosto de Melanie não poderiam ter sido causados por ela própria.
Nesta semana, mais uma punição foi anunciada. James Allen foi expulso da magistratura. Ele, que é advogado de formação, ocupava uma das cadeiras na corte superior de Justiça da Inglaterra. Uma comissão ligada ao governo responsável por apurar reclamações contra juízes (Office for Judicial Complaints, em inglês) considerou que as atitudes de James prejudicam a imagem do Judiciário e, por isso, ele deve ser afastado da magistratura. A decisão foi chancelada pelo chefe de Justiça, Lord Judge, e pelo secretário da Justiça, Kenneth Clarke.

No Conjur