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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sexo em nome da fé


Sexo em nome da fé

Por Luciano Martins Costa - Observatório da Imprensa


O deputado e pastor Marco Feliciano, que se tornou uma celebridade ao levar para o Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados suas ideias arcaicas sobre direitos de minorias, volta ao noticiário por conta de suas relações com outro religioso, Marcos Pereira da Silva, que acaba de ir para a cadeia.
O pastor Marcos Pereira da Silva é presidente da igreja denominada Assembleia de Deus dos Últimos Dias, com sede no Rio de Janeiro. Pesam contra ele denúncias de associação com traficantes de drogas, homicídios e violência sexual contra seguidoras de sua organização. Os jornais divergem quanto ao número de mulheres que teriam sido estupradas pelo sacerdote. Segundo o Estado de S.Paulo, ele teria abusado de seis fiéis, usando a alegação de que elas estariam possuídas pelo diabo e que o ato sexual as libertaria. Na versão da Folha de S. Paulo, foram quatro as vítimas e, segundo o Globo, os depoimentos colhidos em um ano de investigações identificam pelo menos 26 casos.
O acusado se tornou conhecido por negociar o fim de rebeliões em presídios e libertar reféns de traficantes, impedindo suas execuções, mas, segundo a polícia, ele na verdade era uma espécie de líder espiritual de traficantes e outros bandidos, aos quais era associado, e esses episódios eram simulações combinadas com os criminosos.
O conjunto das reportagens compõe um roteiro escabroso de exploração da fé, abusos, manipulação de consciências, homicídios, lavagem de dinheiro e roubo puro e simples. Embora seja um caso extremo de delinquência associada à religiosidade, a carreira do pastor Marcos Pereira da Silva deveria inspirar um esforço de investigação jornalística em torno do fenômeno das seitas que proliferam por todo o país e avançam sobre o campo político.
As relações entre Pereira da Silva e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados merecem uma atenção maior do que a mera reprodução de declarações que tem marcado a ação da imprensa. Uma das pistas a serem seguidas é a da lavagem de dinheiro: o pastor é acusado de receber comissão de traficantes para dissimular a receita do crime por meio da venda de CDs e DVDs de evangelização. Além disso, sua ascendência sobre chefes do crime organizado o coloca como um dos líderes da onda de ataques que aterrorizaram o Rio em 2006 e 2010, como reação contra o programa de ocupação de favelas pela chamadas unidades de polícia pacificadora.
Considerar que o deputado Feliciano ignorava tal folha corrida seria chamá-lo de alienado – coisa que ele, definitivamente, não é.
O estelionato da fé
O inquérito contém preciosidades, como a descrição de orgias que teriam sido promovidas pelo dublê de líder religioso e chefe de quadrilha em um apartamento na Avenida Atlântica, registrado em nome da igreja e avaliado em R$ 8 milhões: segundo testemunhas, o pastor teria o hábito de realizar encontros que incluíam relações homossexuais de homens e mulheres. Também há referências a troca de favores com políticos e autoridades policiais, o que indica a extensão da influência do personagem, e que pode ser medida pelo empenho do deputado Feliciano em defender o acusado.
A imprensa precisa esclarecer essa relação suspeita.
Preso, o pastor Marcos Pereira da Silva tem sua vida vasculhada pelos jornais, que fazem descrições espantosas sobre sua longa carreira de abusos. No entanto, o noticiário ainda se limita ao relato puro e simples dos crimes de que ele é acusado, quando o episódio deveria levar a imprensa a analisar com mais profundidade o fenômeno de entidades supostamente religiosas que são, na verdade, organizações criminosas.
Não importa se a delinquência se limita ao estelionato mais primário em nome de angústias espirituais ou se chega ao estágio sofisticado de criminalidade que é atribuído ao líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias. No livro intitulado Mídia e poder simbólico, o jornalista e cientista social Luís Mauro Sá Martino já tratou com detalhes a questão do mercantilismo no campo religioso.
O caso do pastor Pereira da Silva abre uma oportunidade para a imprensa investigar a verdadeira natureza de organizações que colocam no poder político figuras como o deputado Marco Feliciano, capaz de transformar um órgão do porte da Comissão de Direitos Humanos da Câmara em um circo místico de crendices e preconceitos. Pode-se ir um pouco além, analisando-se, por exemplo, como a sociedade contemporânea ainda se mantém vulnerável à penetração de arcaísmos e mistificações, que contaminam as instituições da República, e de que modo tais manifestações de irracionalidade atrapalham o desenvolvimento do país.
Mas isso seria esperar demais. Desmascarar outros falsos religiosos associados ao crime já seria um bom começo.

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domingo, 15 de abril de 2012

Nem todo mundo quer transar

Foto: Jezebel/Dmitry Melnikov/Shutterstock


Nem todo mundo quer transar

Por Rachel Rabbit White


Sexo. Está em toda parte – outdoors, revistas e enredos de filmes. Mesmo assim, tem muita gente que prefere pensar em outra coisa que não a própria genitália. Na maior parte do tempo, inclusive! Então por que não se fala do quanto não queremos fazer sexo? Admita: às vezes – talvez até com bastante frequência – você não está a fim.
Num artigo para a revista The Atlantic, a jornalista Rachel Hills se debruça sobre o tema da assexualidade. Estima-se que 1% da população seja assexual, ou seja, não têm interesse em fazer sexo, e sentem pouca ou nenhuma atração sexual. A assexualidade, além de ser uma orientação sexual, tornou-se também um movimento. O artigo trata de David Jay, que não inventou a assexualidade, mas que de certa forma acabou se tornando o líder do movimento.
A jornalista escreve:
“Jay lançou em 2001 a Rede de Visibilidade e Educação sobre a Assexualidade (Asexual Visibility and Education Network, AVEN, em inglês), uma comunidade online dedicada a aumentar a conscientização acerca da assexualidade e apoiar pessoas que se identifiquem como assexuais. Ele tinha 18 anos e estava no primeiro ano da faculdade quando criou a organização. ‘Eu tinha passado os quatro últimos anos lutando para perceber que eu era normal, e não queria que outras pessoas assexuais tivessem de perceber a mesma coisa’, ele diz. ‘O site logo se tornou um lugar de união e libertação, primeiro para alguns, e depois para dezenas de milhares de pessoas que se sentiam alienadas do conteúdo sexual que permeia a nossa cultura’”.
Acho ainda mais interessantes os “graysexuals” [pessoas que não se definem como assexuais ou sexuais, encaixando-se num “zona cinzenta”, ou “gray”, em inglês], sobre os quais se fala bem menos. Eles são como borboletas, voando ora para o lado dos assexuais, ora para o das pessoas sexuais. Eles são tipo os bissexuais do movimento assexual.
Entrevistei alguns “graysexuals” no ano passado, para uma matéria para o site The Frisky. Falamos sobre como a cultura feminista e sexualizada não representou uma melhora na vida sexual. Pessoas sexuais não necessariamente gostam e aprovam o uso do sexo na mídia. Uma vez que a sexualidade é baseada em ideias como “sexo é bom e natural”, ficar vendo imagens sexuais pode levar à glamourização de algo que, vamos e venhamos, não é assim tão glamouroso.
“Dizem que temos de ser senhores de nosso desejo; eu digo que temos de ser senhores de nossa falta de desejo”, disse Belinda, que se identifica como “graysexual”. Elizabeth, outra “graysexual”, concorda: “A ideia de que sexo é natural e bonito, e de que todo mundo deveria querer transar, é limitada. Sexo nem sempre é bonito – às vezes é – mas também pode ser horrível”.
Se juntarmos esses aforismos sobre o sexo com uma cultura de massa que glorifica o ato sexual (mas não educa a respeito), isso resulta numa histeria em torno do assunto: há pressão para que sejamos sexuais – ou abertos a fazer sexo – o tempo todo, e isso limita tanto quanto não saber se expressar sexualmente ou querer reabilitar uma palavra como “vadia”.
Com David Jay indo a vários talk shows e até sendo tema de um documentário, intitulado “(A)sexual”, parece que o discurso sobre o assunto está começando a mudar. Já vemos alguns educadores se distanciando de uma educação “pró-sexo” e indo em direção a algo mais abrangente.
A jornalista Rachel Hills parece estar notando isso também, mas faz questão de ser realista:
“Numa entrevista para o The Guardian, Jay sugeriu que o movimento assexual pode estar passando por uma ‘terceira fase’: da conscientização e mobilização para a expansão do que geralmente concebemos como desejo sexual ou vida sexual ‘normais’. No entanto, a enxurrada de comentários pejorativos e céticos que surge sempre que esse assunto aparece na mídia deixa claro que ainda não se alcançou um debate de alto nível”. Hills acusa pessoas como o jornalista Dan Savage de estimular o preconceito à assexualidade – ele aparece no documentário “(A)sexual” como um tipo de advogado do diabo. Nele, Savage declara que, quando uma pessoa não quer fazer sexo, é porque deve estar reprimindo alguma coisa.
Jay ressalta com frequência em suas entrevistas que as pessoas acham a assexualidade estranha porque tratam intimidade e sexo como sinônimos. Ele diz que “na nossa cultura, sexo e intimidade vêm sempre juntos. Quando eu digo ‘não tenho desejo de fazer sexo’, eles acham que é o mesmo que dizer ‘não tenho desejo por intimidade’, o que soa muito estranho. O desejo de se conectar a alguém é uma parte muito importante do que nos faz humanos, e é difícil imaginar alguém que não queira isso. Mas o sexo em si é só uma atividade física, e é fácil pensar que existam pessoas que não gostam tanto disso se tirarmos todo o simbolismo da equação”.
Um debate abrangente do que é sexo serve para entendermos o que ele é de fato (não só pênis na vagina, mas parte do corpo + parte do corpo = prazer). No entanto, se nós também ampliarmos nossa compreensão do que é intimidade – não a definindo apenas como sinônimo de sexo, mas também outras coisas – talvez se desenhe um novo cenário, em que percebamos que não precisamos necessariamente transar quando queremos intimidade. Pode ser que nesse cenário sejam permitidas mais áreas cinzentas em relação a como compreendemos o desejo sexual.
Tradução: Patricia Fincatti
Foto: Jezebel/Dmitry Melnikov/Shutterstock

sexta-feira, 30 de março de 2012

Crise na Espanha: prostitutas se recusam a fazer sexo com banqueiros

Crise na Espanha: prostitutas se recusam a fazer sexo com banqueiros

Elas querem que os banqueiros abram linhas de crédito para famílias pobres ou empresas que estão próximas da falência

Um protesto inusitado chamou a atenção dos espanhóis essa semana. Prostitutas de luxo de Madri se recusam a fazer sexo com banqueiros, em protesto contra a crise financeira que atinge a Espanha. O desemprego no país já atinge 23% da população economicamente ativa.
Wikicommons
Para voltar a atender seus clientes banqueiros, as prostitutas exigem que os funcionários das instituições financeiras do país abram linhas de crédito para famílias pobres ou empresas que estão próximas da falência. A principal associação de prostituição da cidade afirmou ao tablóide inglês Daily Mail que só irá suspender a greve quando os banqueiros cumprirem “suas responsabilidades sociais”.

“Nós somos as únicas com capacidade real de pressionar o setor”, afirmou a associação, que comemora os resultados obtidos pela greve, iniciada terça-feira (27/03). Ainda de acordo com o tablóide, alguns clientes tentaram enganar as prostitutas alegando que eram arquitetos ou engenheiros, mas as tentativas foram em vão.

Uma prostituta que se identifica como AnaMG afirmou não acreditar que a greve irá durar muito. “Estamos em greve há três dias e eu não acho que eles aguentem muito tempo”, disse.

A Espanha é um dos países da União Europeia que mais sofrem com a crise econômica que tomou conta do continente nos últimos anos. A taxa de desemprego do país atinge os 23% e é a maior de todo o bloco. Nesta quinta-feira (29/03), trabalhadores de todo o país organizaram uma greve geral que durou 24 horas. A paralisação ocorreu em protesto aos cortes de gastos e à reforma trabalhista aprovada em fevereiro pelo governo do conservador Mariano Rajoy.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Olha que bacana: Sexo e raça podem virar critério de desempate para escolha de juiz na Inglaterra

Olha que bacana: Sexo e raça podem virar critério de desempate para escolha de juiz na Inglaterra

Por Aline Pinheiro


Proposta do governo britânico para aumentar a diversidade na Magistratura recebeu um apoio importante nessa terça-feira (28/3). O Comitê de Constituição da House of Lords (o Senado britânico) divulgou um relatório defendendo que o sexo e a raça dos candidatos a vaga de juiz sejam usados como critério de desempate. Atualmente, a cada 10 juízes britânicos, dois são mulheres e apenas um não é branco.
Em novembro passado, a sugestão foi apresentada pelo Ministério da Justiça britânico como uma maneira de acabar com o estereótipo do magistrado homem branco. A ideia é que, sempre que dois candidatos ficarem empatados na competição para a vaga de juiz, aquele que pertencer a um grupo menos representado na Magistratura ganha. Por exemplo, se um negro e um branco empatarem, o cargo é do negro, já que a maioria dos juízes são brancos.
Para o Comitê de Constituição da House of Lords, a proposta é boa. Ter magistrados de diferentes sexos e etnias aumentaria a confiança da população na Justiça. O grupo defendeu que o mérito continue sendo o único critério para a escolha dos juízes. Mas que, quando há dois candidatos que merecem igualmente o mesmo cargo, é razoável optar por aquele que faça parte de alguma minoria.
No relatório apresentado, os lords também ponderam que mérito não quer dizer apenas conhecimento técnico da lei e destaque na Advocacia (todo juiz precisa ter advogado antes de ingressar na Magistratura). “Há vários advogados com experiência limitada na Advocacia que dariam excelentes juízes.” Os parlamentares observaram que um candidato capaz de levar diferentes aspectos para uma discussão jurídica pode ser considerado mais merecedor do cargo do que muitos profissionais com anos de experiência.
O comitê também analisou de que maneira aumentar o número de mulheres na Magistratura e aplaudiu a proposta do governo de reduzir a carga horária dos juízes. Hoje, na primeira instância da Inglaterra e do País de Gales, os magistrados podem optar por trabalhar apenas meio período e receber proporcionalmente. Isso não é possível nos tribunais de segunda instância e nem nas cortes superiores. Ampliar essa possibilidade seria uma das maneiras de tornar a carreira na Magistratura mais atraente para as mulheres. A ideia já foi bem recebida pela Law Society of England and Wales.
O grupo de parlamentares rechaçou a criação de cotas no Judiciário. Depois de ouvir juízes, advogados e estudiosos, a conclusão dos lords foi a de que criar cotas poderia passar o recado errado de que o juiz negro não teria capacidade para chegar ao cargo se não fosse pelas cotas. O comitê também descartou por ora a ideia de sugerir metas para a comissão que escolhe os juízes atingir. Os parlamentares consideraram que as metas podem voltar a ser discutidas em cinco anos caso a diversidade da Justiça britânica não tenha aumentado consideravelmente.
Passos para a Magistratura
Desde 2006, o processo de seleção de juízes na Inglaterra e no País de Gales fica centralizado numa comissão criada especialmente para a função, a Judicial Appointments Commission. Até então, a escolha de quem ia ocupar o cargo funcionava mais na base do tapinha nas costas. Com a comissão, o processo seletivo ficou mais transparente e, de acordo com os advogados, mais competitivo. Hoje, há um exame escrito, seguido por uma série de avaliações orais e mesmo simulações de julgamentos. Os candidatos escolhidos são enviados pela comissão para aprovação do lord chancellor (o equivalente no Brasil ao secretário de Justiça), que pode recusar a escolha, embora isso não aconteça.
Para ser juiz na Inglaterra e no País de Gales, é preciso exercer a Advocacia por pelo menos cinco anos. Para os tribunais de segunda instância e superiores, o tempo mínimo de experiência aumenta. Na Suprema Corte, por exemplo, é preciso ter atuado nos tribunais como defensor por pelo menos 15 anos. Como a Suprema Corte exerce jurisdição também na Escócia e na Irlanda do Norte, as nomeações também precisam considerar o equilíbrio na formação para que tenha representantes de cada país do Reino Unido.
Ao analisar o processo de escolha de juízes, o Comitê de Justiça da House of Lords concluiu que o método atual é eficaz e suficientemente independente. O Congresso britânico não participa de nenhuma etapa dessa seleção. E, para os parlamentares, tem que continuar assim. Eles consideraram que criar sabatinas dos escolhidos levaria política para o processo seletivo, o que não é desejado. Ao Parlamento fica reservada apenas a função de cobrar satisfações dos lord chancellorpelas suas aprovações ou recusas dos candidatos escolhidos pela comissão.
Balanço das indicações feitas pela Judicial Appointments Commission mostra um equilíbrio na raça e sexo dos escolhidos. Desde que foi criada em 2006, a comissão já analisou mais de 2,5 mil candidatos ao posto de juiz. Desse total, 35% eram mulheres e 9% do grupo de minorias étnicas. Dos selecionados, 34% foram mulheres e 7%, minorias étnicas. Para o Comitê de Justiça, o sinal de que há poucas mulheres e pessoas não brancas se candidatando é evidente. Para aumentar a diversidade da Justiça, portanto, é necessário um estímulo maior para que as minorias se candidatem aos cargos.
O Comitê de Justiça também analisou a idade de aposentadoria dos magistrados. Até 1993, os juízes tinham que se aposentar com 75 anos. Em 1993, uma mudança legislativa diminuiu a idade da aposentadoria compulsória para os 70, mas só passou a valer para quem entrasse na Magistratura a partir de então. Hoje, o Judiciário britânico tem dois grupos: o daqueles que se tornaram juiz antes de 1993 e se aposentam com 75 anos e os que entram depois, que precisam largar o cargo ao completar 70 anos de idade.
Os lords consideraram que não há como se falar em uma idade única para a aposentadoria compulsória. Na avaliação deles, como as diferentes instâncias requerem diferentes níveis de experiência, é razoável criar limites diferentes. A sugestão apresentada foi a de que a idade de aposentadoria compulsória seja de 70 anos para a primeira e a segunda instâncias, mas de 75 anos na Corte de Apelo e na Suprema Corte.
O Judiciário inglês
A estimativa é de que a população da Inglaterra e do País de Gales seja atualmente formada por 51% de mulheres e 12% pretos, asiáticos e outras minorias étnicas (Bame, na sigla em inglês). De acordo com os dados apresentados pelo governo, até abril do ano passado, as mulheres ocupavam 22,3% dos cargos de juiz de primeira instância. Já o grupo Bame representava 5,1%. Há 10 anos, apenas 14,1% dos cargos na primeira instância eram ocupados por mulheres e 1,9% por minorias.
Na segunda instância e nas cortes superiores, atualmente, são 13,7% de mulheres e 3,1% de Bame. De acordo com pesquisa divulgada pelo governo britânico, assim como mulheres e integrantes de grupos de minorias étnicas consideram a sua condição uma desvantagem no mercado jurídico britânico, homens brancos se entendem um passo a frente na corrida simplesmente por serem do sexo masculino e brancos.
O déficit de mulheres pode ser mais bem identificado se o número de magistradas for comparado com o número de advogadas. Em julho de 2009, as mulheres ocupavam 43% do mercado da advocacia de base. Na de elite, que são os chamados barristers e são aqueles que atuam nas cortes superiores, 33% do mercado era formado por mulheres.
Os dados coletados pelo Ministério da Justiça britânico, no entanto, são falhos por alguns motivos. O primeiro é que não levam em consideração a população ativa. Por exemplo, do total da população feminina, quantas mulheres de fato trabalham. O segundo ponto é que a pesquisa é feita com base na autoclassificação de cada um. Quem circula um pouco por Londres encontra, por exemplo, filha de imigrantes de países caribenhos que, embora negra, se considere britânica e não relutaria em se autointitular no grupo dos brancos, já que só nesse existe a opção britânico.

No Conjur

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Para a TV Globo, sexo sim, escândalo sim, discussão sobre limites éticos e legais no BBB não!

Para a TV Globo, sexo sim, escândalo sim, discussão sobre limites éticos e legais no BBB não!


por Jacira Melo


A decisão da TV Globo de expulsar do reality show o participante Daniel sob suspeita de ter abusado sexualmente da colega Monique, após a polêmica sobre estupro haver explodido nas redes sociais, é muito clara: a emissora reagiu em função da repercussão negativa e não em razão do estupro transmitido ao vivo via satélite. Não interessa à TV e nem à lógica do Big Brother Brasil um debate sobre ética no programa ou na TV.

Boninho, diretor do BBB, em um primeiro momento argumentou que “Daniel era vítima de racismo”, provavelmente em uma tentativa de duplicação do debate: estupro ou racismo? Após a intervenção da Polícia, que ameaçou tirar o programa do ar, Boninho mudou de estrategia e afirmou que Daniel "passou dos limites".

O apresentador Pedro Bial foi lacônico ao anunciar a expulsão do participante. 
Aliás, no episódio do BBB que alcançou o maior índice de audiência até hoje, Bial - por explícita conveniência - não detalhou para os telespectadores - e ao que tudo indica nem mesmo aos outros participantes - qual foi o motivo da eliminação de Daniel. Ao anunciar sua saída, alegou somente que Daniel havia "infringido as regras do programa".

Passaram do limite a Rede Globo, Boninho e o participante Daniel. Infringiram a regra da ética. O diretor e a produção do BBB foram omissos, assistiram de camarote, na madrugada de sábado para domingo, ao desenrolar do que tudo indica ter sido um estupro transmitido ao vivo pela TV brasileira. Poderiam ter agido e impedido o suposto crime. Mas aquilo tudo – o estupro e a transmissão ao vivo aos espectadores pagantes - fazia parte da festa, do show. Tudo leva a crer que apostaram no escândalo, na polêmica, na dúvida sobre o caráter de Daniel, mas também de Monique. Apostaram que surgiriam os argumentos preconceituosos comuns nesse tipo de caso: "ela deu mole, facilitou, provocou". Afinal, os participantes sabem os riscos que correm pelo fato de o programa ser transmitido ao vivo.

A TV Globo parece ter entendido rapidamente os riscos que corre. A denúncia sobre o possível estupro explodiu primeiro nas redes sociais, pautando sites de notícias e blogs, que passaram a indicar links para o YouTube: estupro no BBB12. Em pouco tempo, o caso tornou-se o tema mais comentado na internet.

E o que era para ser uma festa no BBB e mais um escândalo de audiência saiu do controle. A edição do BBB de 2012 tem cinco patrocinadores - AmBev (Guaraná Antarctica), Fiat, Niely, Schincariol (Devassa) e Unilever (Omo) – que, segundo informações da imprensa, desembolsaram R$ 20,6 milhões cada um para terem suas marcas no programa, totalizando R$ 103 milhões. Sabe-se que a discussão sobre limites éticos e legais na produção de conteúdo e patrocínio de programas é uma questão que causa verdadeiro pânico na TV.

Pois esse episódio aponta para duas tendências do público: a primeira evidencia que o telespectador passou, com as tecnologias de comunicação, a ver TV e emitir sua opinião a partir de seu próprio juízo; a segunda tendência revela que a sociedade já identifica com mais clareza situações de violência contra a mulher e que a violação do corpo e da intimidade de uma mulher já é debatida como questão de direito e justiça.

São sinais claros de avanços na agenda de debates e da participação da cidadania. Falta agora que os veículos de mídia também aceitem participar desse debate sobre os limites éticos e legais de seus conteúdos e estratégias para conquistar audiências. Também faltam posições inequívocas das instituições democráticas do país sobre as consequências previstas para esse tipo de atitude de emissoras de TV, para que possam ser responsabilizadas editorialmente sobre os conteúdos transmitidos.



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Jacira Vieira de Melo
 - Graduada em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicações e Artes da USP e especialista em Comunicação Social e Política na perspectiva de gênero e raça. É diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão – Mídia e Direitos.
(11) 3262.2452 / 7618.9731 - jaciramelo@uol.com.br


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Matrículas já estão abertas: Escola oferece aula prática de sexo na Áustria

Matrículas já estão abertas: Escola oferece aula prática de sexo na Áustria

Escola oferece aula prática de sexo na Áustria

247 - Quem não sabe muito bem como "otimizar" a Hora H vai ter o maior prazer em ingressar na instituição educacional que vai abrir as portas na Áustria. The Austrian International School of Sex (Aisos) vai ministrar aulas práticas de sexo. A intenção é fazer austríacos e estrangeiros cada vez melhores amantes. "As pessoas gastam muito tempo e dinheiro treinando a mente, os músculos, o corpo. Mas não se esforçam o bastante para desenvolver habilidades de fazer amor", analisa a tântrica diretora, Ylva Maria Thompson, famosa atriz que apresentou um programa de auditório sobre sexo na Suécia nos anos 80 e 90.
De acordo com o vídeo que está circulando na internet, Ylva quer fazer do mundo um lugar melhor. Para isso, ela pretende formar amantes mais bem preparados. No repertório de conhecimentos, serão abordadas a história do sexo e a teoria sexual moderna.
Mas o que treme os alunos de desejo é a parte "hands-on" do curso. Um semestre de curso terá oito disciplinas - sendo três intensivas (ou intensas?). As aulas começam em janeiro de 2012, e uma turma já foi fechada.
Uma mansão do século 18 vai ser o cenário das classes - inclusive das ardentes. O casarão antigo - e borbulhando de vontades - fica a meia hora de Viena, capital austríaca. O semestre custa U$ 1,8 mil.
Assista ao vídeo, em inglês, com o convite de Ylva aos aspirantes a bons amantes mundo afora:
Para se inscrever nas aulas - se você tem desej... interesse em aprender mais sobre sexo, acesse o site do Aisos.