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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Professor: Na USP, droga só é ilícita quando convém reprimir

Professor: Na USP, droga só é ilícita quando convém reprimir


Dayanne Sousa


Os alunos que ocupam um dos prédios da administração em protesto contra a presença da Polícia Militar na Universidade de São Paulo vêm ganhando apoio de docentes. O protesto começou no último dia 27 quando três estudantes eram detidos por fumar maconha. O professor da Faculdade de Direito, Jorge Luiz Souto Maior, avalia que questão das drogas vem servindo de pano de fundo para a repressão na Universidade e ataca: "Vira ilícito na hora que convém".
Especialista em Direito do Trabalho, Souto Maior se uniu a membros da Associação dos Docentes da USP (Adusp) e da faculdade ocupada - a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Gumanas - e pede que seja repensado convênio que permite a presença de policiais no campus. Ele conversou com Terra Magazine depois de publicar artigo no site do Diretório Central dos Estudantes.
- É preciso discutir a origem dessa determinação de ter a polícia no campus. O problema não é segurança. Por trás da busca da segurança tem mais coisas - diz. Ele critica a política do reitor João Grandino Rodas, a quem acusa de usar a polícia para reprimir movimentos sociais e reivindicações de estudantes e funcionários.
Leia a entrevista.
O senhor avalia que é legítima essa revindicação de tirar a polícia do campus?
É preciso discutir a origem dessa determinação de ter a polícia no campus. O problema não é segurança. Por trás da busca da segurança tem mais coisas.
O senhor quer dizer que há repressão?
Sim, diante do histórico do reitor João Grandino Rodas. Em 2007, ele colocou a Polícia Militar dentro da faculdade de direito para tirar os movimentos sociais dali de dentro. Ele já usou a polícia para afastar uma greve de servidores no campus. Nesse contexto, a questão da segurança é só um mote.
O que provocou o início desse movimento foi a detenção de estudantes que usavam maconha. O governador Geraldo Alckmin disse que "ninguém está acima da lei". A questão das drogas deve ser tratada de uma forma diferente na Universidade?
Não, não deve haver nenhum tratamento diferente do ponto de vista legal. Não se pode dizer que fora da Universidade é uma coisa e dentro é outra. Não foi isso que levou os alunos a esse ato. Se você descontextualizar, vai dizer: "eles não querem que pessoas que estão cometendo um ato ilícito sejam presas". O problema é que isso é o estopim de uma gama enorme de insatisfação. As pessoas já estão satisfeitas com a situação e, diante de um fato isolado, resolveram se manifestar por conta da opressão que vêm sentindo. O estopim foi gerado por uma coisa pequena, mas que reflete algo muito maior.
O reitor não sinalizou que deve negociar com os alunos, mas a diretoria da faculdade ocupada, sim. A expectativa é positiva?
Sim, a expectativa é boa. Acho que vai prevalecer o bom senso, como deve ser dentro de uma Universidade. Não há possibilidade de uma posição radical ser posta. A questão da segurança vai ter que ser discutida e a qualidade da preservação da segurança sem ser opressora é outro ponto. A forma de fazer isso é fruto do debate.
Na USP sempre houve uma discussão forte sobre a dificuldade de se ter uma política coerente com relação às drogas. Todo mundo sabe que existe, mas quando algum usuário incomoda chamam a polícia. Será que é possível acabar com essa dubiedade?
Vira ilícito na hora que convém. Mas é muito difícil. Por isso acho que a soma de inteligências para resolver esses problemas sem preconceitos é a única solução. Pessoalmente, não visualizo uma saída, só sei que a solução de repressão adotada no momento é a pior possível.

No JB

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Se a moda pega, em breve estarão exigindo exame para saber se o candidato em concurso público fuma, bebe, come sal, gordura animal, açúca

Se a moda pega, em breve estarão exigindo exame para saber se o candidato em concurso público fuma, bebe, come sal, gordura animal, açúcar...


Pela segunda vez - na primeira, em 2010, recuou - o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul coloca como "etapa obrigatória e eliminatória" num concurso de professor, o exame que supostamente vai detectar se o candidato é usuário de maconha e/ou cocaína. Parte do princípio que o viciado é um doente e o Estado só vai contratar quem estiver física e mentalmente são.

A medida, considerada abusiva, "uma exigência invasiva e descabida" pelo Centro de Direitos Humanos, será denunciada no Ministério Público. Segundo o presidente do Centro, Paulo Ângelo de Souza, até mesmo quem estiver em fase de recuperação no tratamento contra o vício, será impedido de trabalhar. Já o professor Roberto Magno, presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado, acredita que o exame irá expor as pessoas. Ele pediu que a exigência fosse retirada do edital.
Mas André Luiz Godoy Lopes, diretor de seleção de pessoal da Secretaria de Administração, disse que a exigência do exame toxicológico existe em todos os concursos promovidos pelo Estado. E acrescenta: "a lei diz que o candidato deve comprovar boa saúde física e mental. E os últimos estudos da medicina comprovam que o dependente químico é um doente. Esse exame é justamente para identificar candidatos com esse problema", concluiu.

 
Se a moda pega, em breve estarão exigindo exame para saber se o candidato fuma, bebe, come sal, gordura animal, açúcar etc., produtos que viciam e causam dependência, além de, claro, prejudicar a saúde.

Avelino Ferreira

domingo, 18 de setembro de 2011

Cássia Kiss: Acho que todo mundo deveria tomar um chá ou fumar um baseado, pelo menos uma vez na vida

Cássia Kiss: Acho que todo mundo deveria tomar um chá ou fumar um baseado, pelo menos uma vez na vida

Por Guilherme Scarpa no odiaonline

 Ela garante que não tem nada a ver com numerologia a transformação de sua assinatura. “Não sou ligada nessas coisas. Quando era adolescente, gostava de astrologia, experimentações. Foi quando tomei chá de cogumelo, fumei maconha. Inclusive, acho que todo mundo deveria tomar um chá ou fumar um baseado, pelo menos uma vez na vida”, instiga Cássia Kis Magro, que retirou um ‘s’ do sobrenome — na verdade, o Kiss é que era uma invenção — e adotou mais um, o do marido, para viver Dulce, em ‘Morde & Assopra’. “Quis colocar o Magro porque amo, adoro a família do João (Baptista Magro)”, confessa.


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Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
Boa de conversa e, por vezes, surpreendente, a atriz não tem papas na língua para embarcar em qualquer assunto, do mais comum ao polêmico, como drogas e cirurgias plásticas — este último, ela abomina, por exemplo. “Eu acho que só mexeria no meu dedo mindinho”, diverte-se Cássia, de 53 anos, orgulhosa de suas marcas de expressão bem evidentes, embora se assuste com elas, às vezes. “Fico horrorizada comigo no vídeo”, dispara. E não é à toa. Para dar vida à simplérrima Dulce, a mãe sofredora da novela das 19h, ela não leva mais que 10 minutos para se preparar. “Só uso uma tinta nos dentes, para dar aquele aspecto de sujeira”, explica.
Mas ela faz questão de frisar que não tem nada em comum com a personagem, maltratada pelo filho, Guilherme (Klebber Toledo), na ficção — mesmo drama que Griselda (Lilia Cabral) vive com Antenor (Caio Castro) em ‘Fina Estampa’. “Eu queria ser humilde como a Dulce. Queria entrar dentro de um ‘humildificador’, sabe? Eu sou mãe chata muitas vezes. Espalho bilhetes pela casa, cobro se escovaram os dentes, se fizeram dever de casa. Acho que uma mãe tem que controlar de perto os filhos. Senão é um filho preso na cadeia, o outro drogado, sem limites, tudo porque eu não estava presente”, acredita ela, ainda chocada com a morte precoce de Amy Winehouse. “Ela não teve ninguém próximo que a amasse de verdade e segurasse a sua onda”, lamenta Cássia, com algum distanciamento.
Capricorniana, de elemento terra, a atriz confessa que sempre teve o controle nas mãos e os pés fincados na realidade. Apesar de já ter “experimentado de tudo”, como ela mesma diz, nunca perdeu a linha. “Sempre tive autocontrole, sabia até aonde podia ir. Saí de casa com 15 anos, fui hippie, cuidei de mim. Aliás, esse é meu verbo: cuidar”, entrega Cássia, que é contra a legalização da maconha. “Fumar faz mal. No caso da maconha, ainda queima a tua lâmpada. Mas uma só vez é outra história, não faz mal”, diz.