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terça-feira, 11 de junho de 2013

Dignidade e coerência não é para todos, Padilha!: Prostitutas exigem que Ministério da Saúde tire campanha do ar

Dignidade e coerência não é para todos, Padilha!: Prostitutas exigem que Ministério da Saúde tire campanha do ar 

É para quem luta pelos seus direitos e pela felicidade, e não para ter votos em eleição, ministro!


Peça da campanha do Ministério da Saúde que foi retirada do ar
Foto: Reprodução

Participantes de oficina de criação criticam "radical mudança" na ação em notificação extrajudicial ao ministro

Beijo na Rua

Prostitutas que participaram da elaboração da campanha de prevenção de Aids lançada, vetada e depois modificada pelo governo federal enviam notificação extrajudicial ao Ministério da Saúde, nesta quarta-feira, revogando a autorização de uso de imagem e exigindo a imediata suspensão das peças em que aparecem.

Elas alegam “radical mudança” na campanha original, que deixou de privilegiar “o enfrentamento do estigma e preconceitos como estratégia de prevenção às DST e Aids” para focar-se apenas no incentivo ao uso da camisinha, tornando-se “higienizada e descontextualizada”

“A proposta era reafirmar o entendimento, já consolidado técnica e politicamente, de que, para além das questões e informações biomédicas, o gozo de direitos básicos, autoestima e cidadania constitui condição imprescindível para a promoção da saúde, especialmente em grupos considerados sob maior vulnerabilidade social em razão do estigma, preconceito e discriminação social”, diz a notificação, elaborada pelo assessor jurídico da Rede Brasileira de Prostitutas, Roberto Chateaubriand Domingues.

O governo retirou do ar peças que tratam de felicidade (“sou feliz sendo prostituta”, por Nilce Machado), de cidadania (“o sonho maior é que a sociedade nos veja como cidadãs, com Nanci Feijó) e da luta contra a violência (“não aceitar as pessoas da forma que elas são é uma violência”, de Jesus), deixando apenas as que associam prevenção com camisinha.

Batalha “Passei uma semana sem batalhar, para poder participar dessa oficina, pensando em construir algo novo que contribuísse para todas nós, e hoje me envergonho com o resultado”, desabafa Maria Luzanira da Silva, uma das signatárias da notificação.

Coordenadora geral da Associação de Prostitutas da Paraíba (Apros-PB), de João Pessoa, onde foi realizado em março o evento de criação da campanha, Luzarina faz questão de afirmar: “Sou uma puta cidadã e tenho o direito de expressar meus sentimentos. Sou feliz sendo prostituta”.

Aparecida Viera, da Associação de Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), conta que autorizou a campanha “com as colegas de trabalho que estavam na oficina” e não o uso de imagens escolhidas “em leilão”. E decreta: “Quero a retirada da minha foto dessa campanha preconceituosa”.

Ativista da associação maranhense de prostitutas (Aprosma), Jesus considera que “as prostitutas não têm motivo para ter vergonha de nada, pois estamos mostrando a nossa cara”, e que os representantes do governo é que deveriam “ter vergonha” com a mudança da campanha. “Já sabemos comer com nossas mãos. Este povo quer brincar conosco, vamos dar para eles nossas respostas”, disse.

Outra participante da oficina, Nanci Feijó acha que, além de “tirar do ar esta campanha que o ministério relançou”, as prostitutas não deveriam sequer voltar a atuar em parceira com o governo. Ainda “muito revoltada”, a militante da Associação Pernambucana de Profissionais do Sexo (APPS) já fez circular nas redes sociais uma peça em que aparece ao lado da frase que se tornou sucesso nacional: “Sou feliz sendo prostituta”.

A autora da frase também faz questão de enviar a notificação exigindo que não seja utilizada qualquer imagem que tenha sido produzida durante a oficina. Nilce Machado, presidente do Núcleo de Estudos da Prostituição, o NEP de Porto Alegre, lembra que os vídeos da campanha (também censurados) foram exibidos em praça pública, ao final da oficina em João Pessoa, e “muito bem aceitos” por integrantes do governo municipal. “Como posso fazer campanha de prevenção sem falar na profissão?”, questiona.

Sobre a frase que escancarou a traição do governo a princípios da saúde pública, em troca de uma infeliz ambição eleitoreira, ela confirma quantas vezes for necessário: “Sou, sim, uma prostituta feliz e nem esse governo vai tirar a minha felicidade”.

Gabriela Leite, fundadora do movimento de prostitutas no Brasil nos anos 1980, está “orgulhosa das colegas que se indignaram com essa violenta intervenção do governo na campanha”. Para ela, essas reações “são também fruto de 30 anos de militância”. 


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quinta-feira, 6 de junho de 2013

O País das Putas Tristes

O País das Putas Tristes

Leandro Fortes no Facebook


Bastaram três dias de pressão da bancada evangélica para, finalmente, Alexandre Padilha demitir Dirceu Greco, diretor do Departamento de AIDS do Ministério da Saúde. 

Três dias. 

Greco caiu porque aprovou a veiculação de uma peça de combate ao preconceito com o slogan "Eu sou feliz sendo prostituta", para o Dia das Prostitutas, 2 de junho. Mas em um país supostamente laico e onde a prostituição não é crime, o exército de crentes e carolas que hoje manda nas grandes decisões nacionais se insurgiu contra a campanha, acionou seus lobistas de plantão e, outra vez, colocou o governo de joelhos.

Chegamos a um ponto em que nem um governo de origem (cada vez mais distante) progressista consegue empunhar essa bandeira essencial das liberdades individuais a partir de ações do Estado. No mar de insensatez em que navegamos, uma prostituta não pode se sentir feliz porque, simplesmente, há um consenso moral medieval estabelecido pela religião e por uma cultura machista predominantemente hipócrita.

Em março, o ministro Padilha já havia suspendido a distribuição do "kit gay", alcunha preconceituosa para revistas de histórias em quadrinhos elaboradas pelo Departamento de AIDS, com foco em adolescentes. O material havia sido elaborado em parceria com o Ministério da Educação, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Caiu por pressão da bancada evangélica.

Agora, calaram as putas, condenadas a serem tristes por decreto.

Feliz mesmo é Feliciano, que logo se apressou a cumprimentar o ministro, no Twitter, por mais essa vitória da moral e dos bons costumes.


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sexta-feira, 30 de março de 2012

Crise na Espanha: prostitutas se recusam a fazer sexo com banqueiros

Crise na Espanha: prostitutas se recusam a fazer sexo com banqueiros

Elas querem que os banqueiros abram linhas de crédito para famílias pobres ou empresas que estão próximas da falência

Um protesto inusitado chamou a atenção dos espanhóis essa semana. Prostitutas de luxo de Madri se recusam a fazer sexo com banqueiros, em protesto contra a crise financeira que atinge a Espanha. O desemprego no país já atinge 23% da população economicamente ativa.
Wikicommons
Para voltar a atender seus clientes banqueiros, as prostitutas exigem que os funcionários das instituições financeiras do país abram linhas de crédito para famílias pobres ou empresas que estão próximas da falência. A principal associação de prostituição da cidade afirmou ao tablóide inglês Daily Mail que só irá suspender a greve quando os banqueiros cumprirem “suas responsabilidades sociais”.

“Nós somos as únicas com capacidade real de pressionar o setor”, afirmou a associação, que comemora os resultados obtidos pela greve, iniciada terça-feira (27/03). Ainda de acordo com o tablóide, alguns clientes tentaram enganar as prostitutas alegando que eram arquitetos ou engenheiros, mas as tentativas foram em vão.

Uma prostituta que se identifica como AnaMG afirmou não acreditar que a greve irá durar muito. “Estamos em greve há três dias e eu não acho que eles aguentem muito tempo”, disse.

A Espanha é um dos países da União Europeia que mais sofrem com a crise econômica que tomou conta do continente nos últimos anos. A taxa de desemprego do país atinge os 23% e é a maior de todo o bloco. Nesta quinta-feira (29/03), trabalhadores de todo o país organizaram uma greve geral que durou 24 horas. A paralisação ocorreu em protesto aos cortes de gastos e à reforma trabalhista aprovada em fevereiro pelo governo do conservador Mariano Rajoy.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Se batem em “bichas” ou “mendigos”, a culpa pode ser sua

Se batem em “bichas” ou “mendigos”, a culpa pode ser sua

Leonardo Sakamoto



Enquanto isso, entre amigos da classe média…
- Uma puta! Alguém pega o extintor para jogar nessas vadias.
- Um índio! Alguém pega gasolina para a gente atear fogo nesses vagabundos.
- Um mendigo! Alguém pega um pau para a gente dar um cacete nesses sujos.
- Umas bichas! Alguém pega uma lâmpaga fluorescente para bater nessas aberrações.
Duas pessoas em situação de rua foram queimadas neste sábado (25) em Santa Maria, cidade-satélite do Distrito Federal. Um rapaz de 26 anos não resistiu às queimaduras de terceiro grau e morreu no dia seguinte. A outra vítima, um homem de 42 anos, está internado em estado grave.  Testemunhas afirmam ter visto um grupo de pessoas primeiro incendiando um sofá e depois queimando os dois enquanto dormiam, utilizando um líquido inflamável.
Bater em “puta” e “bicha” pode. Assim como em índio e “mendigo”. Lembram-se do pataxó Galdino, que morreu queimado por uma “brincadeira” de jovens da classe média brasiliense enquanto dormia em um ponto de ônibus em 1997? Ou a população de rua do Centro de São Paulo, que vira e mexe é morta a pauladas enquanto descansa? Até onde sabemos, apesar dos incendiários brasilienses terem sido presos, eles possuíam regalias, como sair da cadeia para passear. E na capital paulista, crimes contra populacão de rua tendem a ser punidos com a mesma celeridade que agressões contra indígenas no Mato Grosso do Sul.
Isso quando a culpa não recai sobre a própria vítima. “Afinal de contas, o que essa gente diferenciada estava fazendo fora do seu lugar? Os jovens agiram com violência desnecessária, mas o mendigo também pediu, né?”
Na prática, as pessoas envolvidas nesses casos apenas colocaram em prática o que devem ter ouvido a vida inteira: putas, bichas, índios e mendigos são a corja da sociedade e agem para corromper os nossos valores morais e tornar a vida dos cidadãos de bem um inferno. Seres descartáveis, que vivem na penumbra e nos ameaçam com sua existência, que não se encaixa nos padrões estabelecidos pelos homens de bem.
A sociedade tem uma parcela grande de culpa em atos como esse, da mesma forma que tem com os jovens que se tornam soldados do tráfico por falta de opções, fugindo da violência do Estado e do nosso desprezo. A culpa é deles. Mas também é nossa.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Quero que meu enterro seja repleto de prostitutas, diz Caco Barcellos


Quero que meu enterro seja repleto de prostitutas, diz Caco Barcellos

Quero que meu enterro seja repleto de prostitutas, diz Caco Barcellos
Caco Barcellos esbanja irreverência em entrevista à Rolling Stone. "Eu quero que meu enterro seja repleto de prostitutas, mendigos e craqueiros", brinca o jornalista.
Com quase 40 anos de profissão, ele, que já sentiu terremoto, relatou guerra e ficou sob a mira de fuzis, confessa ter medo da morte. "Não aceito. Acho um absurdo esse fim. Desaparecer... Não me conformo. A vida acaba, no fundo, ficando meio sem sentido".

No Extra