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domingo, 1 de julho de 2012

Mais de 50% dos entrevistados não soube apontar nenhuma área que Kassab atua melhor

Mais de 50% dos entrevistados não soube apontar nenhuma área que Kassab atua melhor


Note, no gráfico abaixo, que, em quase tudo, os governos Erundina e Marta tem os menores índices.


Datafolha revela os 11 principais problemas da cidade para eleitores


Há 23 anos o transporte público e a violência são as principais queixas dos eleitores paulistanos. Seis prefeitos depois, de diferentes partidos, ambas continuam sem solução e atualmente estão, ao lado do sistema de saúde, no topo da lista de problemas.

A qualidade do atendimento em postos e hospitais públicos é hoje o maior motivo de insatisfação na capital. A área é apontada como o principal problema da rede de serviços municipais por 26% dos eleitores, segundo pesquisa Datafolha.

As entrevistas ocorreram nos dias 13 e 14 de junho com 1.077 pessoas. Foram ouvidos homens e mulheres de todas as regiões da cidade, com mais de 16 anos e que votam aqui.
"As respostas são espontâneas", explica o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino. "Isso mostra como a percepção de piora na saúde aumentou muito de 2008 para cá."

"A avaliação é significativa porque ela é constante", diz Paulino. "E, no caso da segurança, desde 2007 ela fica nesse mesmo patamar. O medo acaba sendo uma marca da cidade." O resultado, acrescenta, não costuma sofrer influência de ondas de crime, como a recente série de arrastões a restaurantes e condomínios.

Se por um lado as três áreas concentram a preocupação de mais da metade do eleitorado, questões tradicionais também aparecem, como educação, enchente e trânsito.
Juca Varella - 27.mar.2012/Folhapress
Vale do Anhangabaú alagado, em março, após enxurrada vinda da avenida Nove de Julho, na região central
Vale do Anhangabaú alagado, em março, após enxurrada vinda da avenida Nove de Julho, na região central
Na mesma pesquisa, o Datafolha perguntou aos entrevistados em qual área Gilberto Kassab (PSD) está se saindo melhor. Metade não soube apontar nenhuma. "É uma evidência de que a população está reprovando a gestão atual", afirma Paulino.

Na última quinta-feira, o prefeito fez o penúltimo balanço do seu programa de metas, instituído em 2009 para melhorar a infraestrutura da cidade e a vida dos moradores.

Com mais seis meses de mandato, 84 dos 223 objetivos foram concluídos, 138 estão em andamento e um deles, a transferência de verbas para o Rodoanel, não será cumprido. 

"Existe bastante entusiasmo pelos resultados apresentados", comemorou Kassab na ocasião.

A cinco dias do início da campanha, a sãopaulo mostra quais são os 11 principais problemas da cidade e apresenta soluções, apontadas por 40 especialistas entrevistados.

Falta de investimento e de vontade política são os motivos da permanência das mesmas reclamações por tantos anos. Sem essas duas iniciativas, nada mudará. "A trajetória não é fácil: precisa de recursos e de estrutura", diz Paulo Puccini, especialista em saúde pública.

Nas ruas, faltam recursos para destravar o nó da mobilidade. "Deixamos o problema acontecer e ficamos esperando uma solução mágica", afirma o professor Jaime Waisman, da Politécnica da USP.

A origem das falhas é antiga e revela a falta de planejamento. "Como crescemos demais e a infraestrutura não acompanhou, temos deficiência de segurança pública assim como de mobilidade", avalia o sociólogo Marcelo Batista Nery, do Núcleo de Estudos da Violência da USP.

O que fazer para mudar? Atitude política, diz o arquiteto Jaime Lerner. "Quando você melhora a qualidade de vida da população, o custo político vale a pena."

Confira os principais problemas e as soluções apontadas por especialistas:
COLABOROU REGIANE TEIXEIRA


Folha de  São Paulo

terça-feira, 17 de abril de 2012

A ciência prova que mulheres com mais de 30 anos são melhores do que todo mundo

Foto: Jezebel

A ciência prova que mulheres com mais de 30 anos são melhores do que todo mundo

Por Erin Gloria Ryan


Uma pesquisa com 60.000 voluntários de 200 países leva a crer que, em geral, as mulheres tendem a ter mais princípios morais do que os homens, e essa moralidade começa a subir quando as mulheres chegam aos 30. Então, mulheres de 30 e mais velhas sentem-se livres para dar um tempo naquela coisa de se sentirem pressionadas para casar e se reproduzir e serem perfeitas no trabalho e terem um corpinho de 22 anos e um rosto tão jovem que parece um enxerto feito com o bumbum de um bebê. Elas podem dar um tapinha nas próprias costas. Jogo ganho. A batalha dos sexos acabou. 

O estudo da moralidade, que é completamente rígido e conclusivo e de forma nenhuma sujeito ao viés da seleção, foi conduzido pelo professor Roger Steare, que estava interessado em observar como as atitudes morais evoluem com a idade. Ele descobriu que conforme as pessoas envelhecem, elas se tornam menos obedientes, porém mais aptas a usar a razão, até que esse poder atinja seu pico, no início dos 60 anos. Depois disso, a idiotice mal-humorada se instala, e os velhinhos ficam livres para usar qualquer coisa, conjuntos de moletom com desenhos de gatinhos ou cintos de caubói com fivelas enormes. É o desejo de seus corações.
Steare também descobriu que os homens tendem a ser muito mais babacas que as mulheres, uma vez que homens tomam decisões baseados em seus interesses imediatos e as mulheres tendem a considerar os sentimentos das outras pessoas antes de agir.Então, enquanto uma mulher pode hesitar em comer o restinho do sorvete no freezer, um homem pode não ter escrúpulos em relação a comer metade de um pote de Haagen Dazs ou, melhor ainda, a deixar uma colher de sorvete só para devolver o negócio ao freezer e não precisar caminhar até o lixo. Quem manda no mundo? Garotos. Porque eles estão dispostos a serem malvados.
Essa análise está longe de ser perfeita: apenas avalia como as pessoas respondem a perguntas sobre sua moralidade, e não a moralidade em si. Então, de fato, as mulheres pensam que têm mais princípios que os homens, ou as mulheres sentem que precisam responder a questões anônimas na internet como se tivessem mais princípios que os homens porque elas foram ensinadas a serem legais e a se sacrificarem e a serem matronas em vez de correrem atrás das coisas? E há também o fato de que a definição de moralidade não está definida. Algumas filosofias não apontam a abnegação e o altruísmo como traços “morais”. Ao contrário, acreditam que a humanidade está no seu melhor momento quando todos estão operando a toda velocidade, como um protagonista criado por Ayn Rand.
Independentemente da confiabilidade da pesquisa ou de suas implicações no longo prazo, no mínimo,estudos como esse tentam estabelecer de forma conclusiva se garotas dominam e garotos babam. Tenha certeza de que marcou bem essa diferença. Você pode dizer algo como “Oi, moço. Vejo que você é um homem. Você sabia que eu sou moralmente melhor que você?”. Se você não se sente confortável com uma aproximação tão direta, considere ter uma cópia deste post, ou esfaquear os caras na virilha enquanto grita “PERDEDOR DE MORALIDADE!”. As pessoas vão sacar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

60% dos brasileiros quer o fim da discriminação por orientação sexual

60% dos brasileiros quer o fim da discriminação por orientação sexual



Pesquisa realizada pelo instituto DataSenado teve mais de 20 mil participantes | Foto: Marcello Casal Jr./ABr
Rachel Duarte no Sul21
Mais de 60% dos brasileiros consultados em pesquisa feita pelo instituto DataSenado defendem o fim da discriminação por orientação sexual e identidade de gênero como um artigo constitucional. A pesquisa foi realizada pela internet, no site do Senado Federal e teve mais de 20 mil votos. A alteração na Constituição Federal poderá ocorrer, caso os senadores aprovem uma PEC de autoria da senadora Marta Suplicy (PT-SP).
O texto está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça e atende à sugestão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB, a desembargadora Maria Berenice Dias explica que a intenção foi partir da alteração constitucional, para futuramente alcançar a aprovação das demais PECs e PLs que tratam da garantia dos direitos dos homossexuais e criminalizam a homofobia no Brasil. “É uma medida que não criminaliza a homofobia, mas, deixará expresso na Constituição que é proibido a discriminação por orientação sexual. Esta não omissão da Constituição Federal tem efeito de moralizar o preconceito e diminuir a violência contra homossexuais”, acredita.
A senadora Marta Suplicy defendeu em entrevista à Rádio Senado nesta quarta-feira, 4, que a inclusão do fim da discriminação na Constituição Federal será mais um avanço para os gays, lésbicas, travestis e transexuais, enquanto não se aprova o PL 122  – que criminaliza a homofobia. “O judiciário deu um salto enorme com a sentença de casamentos civis para homossexuais e a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a união homoafetiva em 2011. No governo Lula também se avançou com a declaração conjunta de renda na Receita Federal. O Congresso é isso. Temos que tentar fazer o possível, já que nem sempre conseguimos o ótimo”, falou à rádio Senado nesta quarta-feira, 4.
Maria Berenice diz que além desta PEC, uma segunda foi proposta à senadora petista e trata da criação do Estatuto da Diversidade Sexual criado pela Ordem no ano passado. O Estatuto  impõe normas afirmativas, de inclusão dos homossexuais e também assegura o reconhecimento das uniões homoafetivas no âmbito do Direito das Famílias, das Sucessões, Previdenciário e Trabalhista.“É um conjunto de leis que garante benefícios para toda a sociedade, uma vez que a decisão do STF tem efeito vinculante e não se trata de uma lei”, defende.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Socióloga analisa impactos do Bolsa Família sobre as mulheres

Socióloga analisa impactos do Bolsa Família sobre as mulheres


Adria de Souza
Com o dinheiro na mão, mulheres beneficiárias do Bolsa Família reorganizam a vida e começam a se planejar, afirma pesquisadora da Unicamp | Foto: Adria de Souza/Prefeitura de Olinda
Igor Natusch no Sul21
Atualmente atendendo 12,5 milhões de famílias, o Bolsa Família ainda é alvo de críticas de vários setores, que vêem no programa um caráter assistencialista e que não prepara os beneficiados para a busca de modos próprios de sustento. Um estudo de Walquíria Domingues Leão Rego, professora do programa de pós-graduação em Sociologia da Unicamp, vai contra essa visão. Segundo a pesquisa, que já dura cinco anos, o dinheiro do Bolsa Família não apenas melhora a vida das famílias, como muda a percepção dessas pessoas sobre a sua própria vida, fator desencadeado pelo controle das mulheres sobre dinheiro do programa.
Walquíria Leão Rego fez a pesquisa por conta própria, sem apoio financeiro da Unicamp ou do governo federal. Financiou as viagens do próprio bolso, agendando as excursões em seus períodos de férias. A seu lado em parte da pesquisa, esteve o filósofo italiano Alessandro Pinzani, que leciona na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ainda não está definida a editora que publicará o trabalho, o primeiro a abordar de forma acadêmica os impactos do Bolsa Família sobre as mulheres de regiões de menor renda.
A ideia da pesquisa surgiu em 2005. “Eu tinha uma percepção de que a Bolsa Família provocaria impactos sobre a subjetividade das mulheres”, diz Walquíria. Para estudar a fundo a questão, a pesquisadora se dispôs a ouvir as mulheres das regiões mais pobres do Brasil. Visitou o sertão e o litoral de Alagoas, esteve nas periferias de São Luís e Recife e visitou o interior de Piauí e Maranhão. Foi também até o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e à Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Lugares, em sua maioria, onde impera o trabalho informal, já que as oportunidades de emprego são quase inexistentes e o Estado é pouco atuante. As viagens, que começaram em 2006, só foram encerradas em maio deste ano.
“É muito diferente ser pobre em algumas dessas regiões e ser pobre na periferia de São Paulo, onde bem ou mal existem alternativas. Essas regiões continuam sendo carentes de boas estradas, escolas, postos de saúde. A população é em sua maioria semianalfabeta, os níveis de escolaridade são baixíssimos e não existem opções de emprego. São situações que acentuam as dificuldades”, descreve a professora da Unicamp. “As mudanças são muito lentas, por estarmos tratando de questões enraizadas e reforçadas a séculos.”

Walquíria: "A vida delas mudou porque o universo de escolhas se amplia. E exercer o direito de escolha é uma questão fundamental para a democracia" | Foto: Unicamp
“Há um aprendizado”, diz professora da Unicamp
O principal impacto, de acordo com Walquíria Leão Rego, deve-se ao fato do Bolsa Família ser entregue em dinheiro, sem a intromissão de autoridades locais como prefeitos ou vereadores. “Se fosse uma cesta básica, aí sim teríamos espaço para o assistencialismo, porque não seria possível desenvolver certas capacidades e competências que o dinheiro, em sua função comunicativa e simbólica, acaba estimulando”, argumenta.
Ela exemplifica dizendo que várias mulheres consultadas admitiram que, no primeiro mês em que receberam o benefício, acabaram gastando todo o valor rapidamente. Em meses seguintes, porém, elas já conseguem organizar seus gastos de forma que o dinheiro recebido durasse até o começo do mês seguinte. “Há um aprendizado”, descreve a socióloga. “Essas pessoas vão aos poucos adquirindo a capacidade de programar a própria vida, além de adquirirem escolhas, como ter a opção de comer macarrão ou batata uma vez por semana, por exemplo. É algo pequeno, mas que se aplica a pessoas que não tinham nenhuma margem para escolher e agora estão desenvolvendo essa capacidade”.
Há efeitos evidentes, segundo a pesquisadora, também sobre a visão que essas mulheres fazem de si mesmas. “Elas passaram a ter crédito”, conta. “Fiz algumas entrevistas muito significativas, onde elas me falavam desse sentimento novo, de se tornar uma pessoa confiável. E elas se tornam pessoas muito mais cuidadosas, até porque passam a ter mais responsabilidades, perante a família e perante o Estado. Precisam apresentar a carteira de vacinação e os boletins escolares dos filhos para continuar recebendo”. Quase nenhuma delas dá o dinheiro para o marido, diz a professora, justamente pelo sentimento de responsabilidade que a obtenção dos recursos traz. “Algumas das entrevistadas disseram que não há futuro para elas, mas que querem usar o dinheiro para garantir um futuro para seus filhos”.
Walquíria explica que a renda do Bolsa Família estimulou o surgimento de pequenas fábricas familiares de alimentos, ou mesmo de confecções de pequeno porte. Na medida em que gerenciam esses recursos, as famílias se tornam capazes de melhorias em sua qualidade de vida, fazendo pequenos reparos em suas casas ou mesmo adquirindo eletrodomésticos e antenas parabólicas, mesmo que usadas. Algumas já estariam até demandando intervenções cirúrgicas para não ter mais filhos. “A vida delas mudou porque o universo de escolhas se amplia. E exercer o direito de escolha é uma questão fundamental para a democracia”.
A situação dos homens, no entanto, pode se tornar um fator de preocupação para o futuro próximo. “Eles estão abandonados”, adverte Walquíria. “São pobres, sem educação, não conseguem emprego e se sentem inferiorizados. Eles não são pequenos proprietários que possam usufruir do Pronaf. São pessoas esquecidas. Não há políticas para eles.” Para potencializar os efeitos do Bolsa Família sobre as populações carentes, segundo a socióloga, seria necessário um trabalho de valorização cultural e econômica dessas comunidades, além de investimentos em educação.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pesquisa: islamofobia se transmite pela TV

Pesquisa: islamofobia se transmite pela TV


Islamofobia se transmite pela TV 


Por Jim Lobe, no Envolverde/IPS



Dez anos depois dos atentados terroristas em Nova York e Washington, a maioria dos norte-americanos diz respeitar a diversidade e a liberdade de religião, embora nem sempre apliquem esses princípios ao Islã e aos imigrantes. Os meios de comunicação desempenham um papel fundamental em sua opinião. Uma pesquisa intitulada “O que significa ser norte-americano: atitudes e um cada vez mais diverso Estados Unidos dez anos depois do 11 de Setembro” concluiu que os telespectadores da rede de TV conservadora Fox News são muito menos tolerantes e mais desconfiados dos muçulmanos do que o público em geral.
O estudo também afirma que os autodeclarados simpatizantes do movimento ultradireitista Tea Party, em sua maioria do opositor Partido Republicano, são significativamente mais hostis com os imigrantes e seus filhos, bem como contrários a legalizar seu status. Os dois grupos tendem a crer que a discriminação contra os brancos na sociedade consiste em um grande problema, tanto quanto a discriminação contra negros e outras minorias, segundo o estudo, divulgado no dia 6 pela Brookings Institution e o Instituto Público de Pesquisa sobre Religião (PRRI).
A pesquisa – realizada por meio de entrevistas telefônicas, em inglês e espanhol, com 2.450 adultos durante a primeira metade de agosto – também concluiu que os consultados mais jovens, entre 18 e 29 anos, geralmente tendem a ter opiniões mais favoráveis sobre as minorias (inclusive os muçulmanos) do que os mais velhos, em parte devido a uma significativa maior interação em sua vida diária com pessoas de outras culturas. A maioria dos mais velhos (52%), por exemplo, responderam que o Islã estava “nas antípodas dos valores norte-americanos”, enquanto a maioria dos jovens (54%) discordou. Dos jovens, 64% disseram acreditar que os imigrantes fortalecem a sociedade norte-americana, e 51% dos adultos afirmaram que eles ameaçam os valores e costumes nacionais.
“A pesquisa revela que o país está em meio a uma discussão que já ocorreu uma ou outra vez sobre a diversidade e a imigração, e este debate tem hoje fortes dimensões partidárias e ideológicas, quando não era assim”, disse E. J. Dionne, pesquisador do Brookings e coautor doe estudo. “Os padrões por geração – os jovens em geral são mais favoráveis à imigração e à diversidade do que os mais velhos – sugerem que, no longo prazo, resolveremos esta discussão, como fizemos no passado, a favor da inclusão. Mas, no curto prazo, será um debate difícil e às vezes divisionário”, afirmou Dionne.
De fato, a pesquisa sugere que os Estados Unidos estão mais polarizados, especialmente entre partidos e gerações, do que estavam às vésperas dos atentados de 11 de setembro de 2001, que teriam incrementado a islamofobia e a hostilidade contra os imigrantes, especialmente entre os mais velhos e autodeclarados republicanos. Dez anos depois, “parecemos menos unidos como nação”, segundo o informe.
A vasta maioria dos consultados, segundo o trabalho, defendeu os princípios da tolerância religiosa do país. Quase nove em dez entrevistados (88%) disseram que os Estados Unidos estão baseados na ideia de liberdade de culto para todos, e 95% afirmaram aceitar que “todos os textos religiosos devem ser tratados com respeito, ainda que sem compartilhar as crenças que contêm”. No entanto, 47% concordam que os valores do Islã estão “nas antípodas dos valores norte-americanos” e 48% discordam.
O estudo encontrou significativas diferenças neste tema entre grupos políticos e demográficos. Embora uma maioria de autodeclarados simpatizantes do governante Partido Democrata, independentes e telespectadores da rede de TV CNN e da televisão pública discordem dessa afirmação, cerca de dois terços dos republicanos, seguidores do Tea Party e telespectadores da Fox News disseram concordar que os valores islâmicos estão distantes dos princípios norte-americanos.

Da mesma forma, enquanto 30% de todos os consultados (contra 23% em fevereiro) concordaram com a afirmação de que os “muçulmanos norte-americanos querem estabelecer a lei islâmica” no país – tema favorito dos islamofóbicos –, 45% de todos os entrevistados republicanos concordaram, como fizeram 54% dos simpatizantes do Tea Party e 52% dos telespectadores da Fox News. “Os canais de notícias têm um papel poderoso em influenciar as opiniões” sobre a fé islâmica, disse Daniel Cox, diretor do PRRI. “Os norte-americanos que dizem confiar na Fox News são mais inclinados a ter opiniões negativas sobre o Islã e os muçulmanos”.
A pesquisa também constatou um duplo discurso no público em geral na hora de avaliar a violência cometida por pessoas autodefinidas como cristãs ou muçulmanas. Mais de oito em cada dez (83%) disseram que os que se definem com cristãos e cometem atos de violência em nome da religião “não são realmente” representantes dessa fé. Entretanto, quando a mesma pergunta foi feita sobre o Islã, menos da metade (48%) disseram que os que cometiam violência não são realmente muçulmanos. O duplo discurso, no entanto, foi mais pronunciado entre republicanos e partidários do Tea Party (55%) do que entre democratas (40%) e independentes (39%).
* O blog de Jim Lobe sobre política externa dos Estados Unidos está em www.lobelog.com.


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