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terça-feira, 16 de abril de 2013

Cultura e religião não podem justificar preconceito contra gays, diz secretário-geral da ONU

Perfeito: Cultura e religião não podem justificar preconceito contra gays, diz secretário-geral da ONU

Portal EBC


O secretário-geral das Nações Unidas fez uma promessa aos LGBTs: “estou com vocês. Vou denunciar os ataques contra vocês” (UN News Centre/CC)
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, denunciu nesta segunda-feira (15) o preconceito e discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LGBT). O representante máximo do organismo internacional alertou que religião, cultura e tradições não “devem nunca ser uma justificativa para excluir deles os direitos básicos”.

“Os governos têm como dever legal proteger a todos”, disse Ban em uma mensagem gravada e exibida em vídeo na Conferência dos Direitos Humanos, Orientação Sexuai e Identidade de Gênero, que acontece em Oslo (Noruega).
Na oportunidade, Ban rechaçou qualquer tipo de agressão, prisão e assassinato dos LGBTs. “”Alguns evocam cultura, tradição e religião para justificar seus pensamentos”, apontou.

O secretário-geral criticou o fato de  tais argumentos [cultura, religião e tradição] também serem usados para justificar a escravidão, o casamento de crianças, a mutilação genital feminina. “Eu respeito a cultura, a tradição e a religião – mas elas não podem ser usadas para a negação dos direitos básicos”, aduziu.

“Este é um dos maiores desafios dos nossos tempos”, disse Ban ao contar que vários países ainda teimam em reconhecer a  “injustiça da violência homofóbica e da discriminação”.

Na mensagem, Ban foi ainda mais enfático na luta pelos direitos LGBTs. “A minha promessa para as lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros da família humana é esse: Eu estou com vocês. Eu prometo que enquanto secretário-geral vou denunciar os ataques contra vocês. Vou pressionar os líderes com o objetivo de termos progressos nessa área”, finalizou.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A influência gay modificou a cultura masculina para melhorImpacto da cultura gay no mundo masculino: Vivam os homens suaves

Impacto da cultura gay no mundo masculino: Vivam os homens suaves

Ivan Martins

A influência gay modificou a cultura masculina para melhor

As conversas masculinas raramente são generosas quando se trata dos gays. O comentário mais benigno que eu escuto desde criança é que os gays são legais porque deixam mais mulheres para o resto de nós. Apesar desse clichê, e de tantos outros igualmente bobos, minha impressão é que a influência gay no mundo masculino tem sido enorme nas últimas décadas. Enorme, subestimada e positiva.  

Desde o seu surgimento, nos anos 60, o movimento gay ajudou a redefinir a maneira como os homens agem e pensam a respeito de si mesmos. A existência pública de homens gays ampliou radicalmente o repertório masculino, arejando e diversificando a ideia de masculinidade. Antes da influência gay, o comportamento masculino estava confinado até a página 10 do livro de conduta. Quando os gays emergiram socialmente, eles ampliaram o livro até a página 100. Foi um movimento libertador para todo mundo, que ajudou a melhorar inclusive a vida dos casais, tornando-a menos estereotipada. 
Vamos por partes, para que eu me explique. 
O primeiro impacto óbvio da cultura gay no mundo masculino aconteceu no universo da aparência. Desde os anos 60, os homens se aproximaram dramaticamente das mulheres na maneira de se relacionar com a moda e com o corpo. Dêem uma olhada nas ruas: a garotada está cada vez mais andrógina, confundido os códigos masculinos e femininos. Você olha o garoto, ou a garota, e demora alguns segundos para definir o gênero daquela figura ambígua. E às vezes nem consegue. Essa ambiguidade é um dos resultados radicais da influência gay na aparência masculina. Mas não é o único. Perdeu-se no tempo a reação aos primeiros modismos trazidos pelos anos 60. Aqui no Brasil eram considerados “coisa de viado”. A marchinha de carnaval “Cabeleira do Zezé”, composta em 1963, ilustra bem a reação aos cabelos compridos, que voltavam a ser usados pelos homens desde o século XIX. “Será que ele é?”, perguntava a letra da marchinha.  
O resultado disso tudo é que você olha na rua e não distingue mais o gay do não gay. Além de se vestir de forma parecida, homens gays e heteros estão igualmente malhados, bem definidos, de corpo cuidado. A vaidade que antes era feminina e depois virou gay agora é descaradamente masculina. Há caras perfeitamente macho que depilam o peito, tiram a sobrancelha, cuidam das unhas, fazem mecha nos cabelos. São os metrosexuais, que viraram referência para homens de todas as idades. Um cidadão dos anos 50 que desembarcasse subitamente na Avenida Paulista acharia que metade dos homens se parece com mulher. Do ponto de vista dele, seríamos todos um pouco Laertes. 
No comportamento a mudança foi na mesma direção. O mundo masculino ficou gay. Os homens falam, andam e dançam de uma forma que seria inaceitável nos anos 50. A tendência geral é de feminização. Os heterossexuais ficaram mais suaves nos seus modos. Ou mais estridentes. Mais delicados, certamente, de um jeito que nossos pais e avós estranhariam. É comum que homens nascidos nos anos 60 conversem com caras 20 ou 30 anos mais novos e tenham a impressão de que eles são gays – pelo jeito de falar, pela linguagem corporal, por causa da atitude. A mudança de códigos foi muito rápida e muito profunda. A agressividade e a grosseria, que anos atrás eram a marca registrada de certa masculinidade, caíram em desuso. São mal vistas. Viraram quase um sinônimo de escrotidão. Há nisso uma influência benéfica da cultura gay. Ela modificou e amoleceu a cultura masculina, da mesma forma que o Gilberto Freyre diz que o Brasil fez com a cultura portuguesa – para melhor. 

Essas mudanças, evidentemente, chegaram ao campo dos sentimentos e da intimidade. 
Os homens agora choram sem vergonha nenhuma. Confessam seus sentimentos de um jeito até embaraçoso. Eles ficaram frágeis. As mulheres dizem, ironicamente, que estão com saudades daqueles tipos sisudos e caladões, de sentimentos inescrutáveis. Eles sumiram. Agora os homens são sensíveis. Falam pelos cotovelos e estão cheios de dúvidas e temores. Muitos dão excelentes donos de casa, tremendos pais, cozinheiros de primeira linha - e ainda são ótimos companheiros para fofocar e assistir à novela. Umas moças, enfim, mas com quem as mulheres podem transar gostosamente, uma vez que eles têm uma relação melhor com a própria cabeça e o próprio corpo. Aquele outro tipo, o macho à la Clint Eastwood, estava sufocando seus sentimentos mais viscerais, tinha coisas demais a reter e a esconder. Além de falhar na cama nas horas mais inesperadas, ele era uma panela de pressão pronta a explodir. Ou a ter um AVC ou um enfarte aos 40 anos. 

Aliás, eu acho que a importância do movimento gay vai além das questões pessoais. Ou de casais. Quando um sujeito ou uma mulher lutam pelo direito de fazer sexo com quem desejar – e de andar na rua vestido como quiser, abraçado a quem achar melhor – ele e ela estão lutando, intrinsecamente, pelo direito de todos serem o que são. Os ganhos pessoais e íntimos de alguns se traduz em ganho público para a comunidade inteira. Quando um grupo socialmente discriminado é reconhecido em seus direitos, quando ele ganha espaço para expressar seus gostos e sentimentos (desde que isso não aconteça em prejuízo dos outros), a sociedade inteira se torna um pouco mais livre. Há uma lógica inexorável de contágio que começa com a liberdade do indivíduo, avança para o seu grupo e se espalha para a sociedade toda – e para o mundo. Quando os sinos tocam de júbilo, eles também tocam por todos nós. Gays e não gays. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Pastor que dizia "curar" gays é preso acusado de abusar sexualmente de dois garotos

 Pastor que dizia "curar" gays é preso acusado de abusar sexualmente de dois garotos

Pastor que dizia "curar" gays é preso acusado de abusar sexualmente de dois garotos
Um pastor que trabalhava para "curar" as pessoas da homossexualidade foi preso sob a acusação de abusar sexualmente de dois garotos durante um período de dois anos em Minneapolis, nos Estados Unidos.
O Reverendo Ryan J. Muelhauser, da Igreja Lakeside Christian, foi preso por oito acusações de conduta sexual criminosa.  Muelhauser era ligado ao OutPost Ministry, um ministério anti-gay.
"O grande desejo do Pai para ajudar aqueles que lutam contra as atrações pelo mesmo sexo o motivou a enviar o Seu Filho unigênito. Jesus é o caminho da salvação da escravidão do pecado", diz um dos textos no site do ministério.

De acordo com uma das vítimas, o pastor dizia que iria abençoá-lo colocando seus órgãos genitais para fora da roupa. Muelhauser pedia então que ele se masturbasse na frente dele enquanto o tocava. Os encontros ocorreram por quase dois anos.
"Não há nada mais predatório do que tomar dois indivíduos cuja fé e cuja confiança são colocadas em seu líder espiritual e depois abusar delas em nome do Senhor", disse o procurador Stacy St. George, durante a audiência do pastor no tribunal de Isanti County.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quando penso que já vi tudo...:Evangélico diz que gays são culpados pelo furacão Sandy

Quando penso que já vi tudo...: Evangélico diz que gays são culpados pelo furacão Sandy

Nossos Tons
De acordo com o pastor evangélico americano, John McTernan, os gays são responsáveis ​​pelo furacão Sandy, a supertempestade que chegou à costa leste americana por volta das 20h da segunda-feira, com ventos de cerca de 129 quilômetros por hora. Ah, além dos homossexuais, o presidente Barack Obama e candidato Mitt Romney também são culpados, porque "os dois candidatos são pró-homossexuais e estão por trás da agenda homossexual". 

Em seu blog , o pastor descreveu o Sandy, como "o furacão mais poderoso da história." Mas, em vez de explicar os padrões climáticos que o levaram a esta conclusão, ele preferiu apontar o dedo para Barack Obama por este "ser pró-gay" e "estar 100% por trás da Irmandade Muçulmana, que jurou destruir Israel e tomar Jerusalém."

Para McTernan, a América promove a homossexualidade com eventos como o "Gay Pride Day", "Gay Awareness Month" (Junho), "Gay day at Disney land"  e eventos como o "Southern Decadence" em Nova Orleans. Há também clubes gays no ensino médio e faculdades. Os partidos políticos estão cedendo aos homossexuais por conta dos seus votos. 

"A Bíblia nos adverte que Deus julga uma nação que caminha nestas ordenanças. Quando a atitude corporativa de uma nação é amigável para com a homossexualidade, então neste momento ela está cheia de iniquidade.", disse o pastor.

Ele também afirmou que Mitt Romney é "pró-homossexual" (essa é novidade para nós!): "Mitt Romney" é um grande apoiador pró-homossexual, ele vai manter a aceitação da homossexualidade no exército, ele quer homossexuais nos escoteiros. Ele e os Homossexuais querem mais abertura no Partido Republicano".

McTernan já havia culpado os homossexuais pelo furacão Isaac, que atingiu o Estado americano da Louisiana e Nova Orleans em agosto desse ano.

Bom, dá para ver o nível de loucura dessa criatura. Mas o que mais impressiona é saber que muita gente acredita e segue esse tipo de maluco. Aliás, McTernan não chega a ser uma exceção, pelo contrário, basta dar uma olhada aqui.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

15 tipos de preconceituoso

15 tipos de preconceituoso

No BloGay


Aqui está o começo da série de tipos de preconceituosos que rolou nas redes sociais faz algum tempo. É de autoria desconhecida até onde consegui constatar, mas feita para gente nada anônima, aliás, muitas são conhecidas nossas, às vezes estão ao nosso lado, às vezes em nós mesmos.


1) O preconceituoso perplexo
“Ele é gay? Nossa, mas parece tão normal…”


2) O preconceituoso justo
“Ele é gay, mas é uma ótima pessoa.”


3) O preconceituoso bonzinho
“Tenho vários amigos gays, adoro todos. Eles são tão divertidos! Só não acho que eles devam ter os mesmos direitos que os casais normais. Aí já é exagero”.


4) O preconceituoso sem preconceito
“Eu não tenho nenhum preconceito. O problema são as OUTRAS pessoas. O quê ELAS vão pensar se eu tiver um amigo gay?”


5) O preconceituoso confiante
“Jamais vou ter um filho gay, sei muito bem como criar uma criança.”


6) O preconceituoso covarde
“Eu juro que não tenho nada contra. Mas que essa gente não é normal, não é.”


7) O preconceituoso assumido
“Não gosto de gays mesmo, e daí?”


8 ) O preconceituoso com senso crítico
“Eu não concordo com o estilo de vida dos gays, mas acho totalmente errado ficar discriminando.”


9) O preonceituoso pacífico
“Não aprovo o comportamento dos gays, mas sou contra qualquer tipo de violência.”


10) O preconceituoso confuso
“Eu não sei onde a gente vai parar com essa corrupção, com a violência, com todas essas guerras. E agora, mais essa, homem querendo casar com homem!”


11) O preconceituoso indignado
“Agora pode tudo, pode matar, pode estuprar, pode usar drogas, pode ser gay, e todo mundo tem que achar normal.”


12) O preconceituoso distraído
“Não convivo com gays. Aliás, nunca conheci um gay pessoalmente.”


13) O preconceituoso compreensivo
“Eu respeito, com certeza. Hoje em dia tem tanta coisa pior que isso!”


14) O preconceituoso realista
“Eu acho que tem que ter beijo gay na novela. A novela tem que mostrar a realidade, mesmo que ela seja ruim.”


15) O preconceituoso moralista
“Não podemos aceitar esses gays como algo normal. Temos que resguardar a moral e os bons costumes.”
Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) (Divulgação)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Grã-Bretanha condena três muçulmanos por pregar ódio contra gays

Grã-Bretanha condena três muçulmanos por pregar ódio contra gays


A Justiça britânica condenou nesta sexta-feira três muçulmanos por incitar o ódio aos homossexuais, ao distribuir um folheto pregando a pena de morte aos gays em uma mesquita da cidade de Derby, no ano de 2010.


Ihjaz Ali, Kabir Ahmed, e Razwan Javed. PA
Ihjaz Ali, Kabir Ahmed e Razwan Javed pregaram a pena de morte para "livrar" a sociedade dos gays



Ihjaz Ali, de 42 anos, Kabir Ahmed, de 28 e Razwan Javed, de 27, também distribuiram o material em caixas postais da cidade.

 A condenação, cuja pena só será anunciada no próximo dia 10 de fevereiro, é a primeira baseada em uma lei anti-homofobia que entrou em vigor em 2010.
Os folhetos mostravam um manequim enforcado e traziam orações islâmicas.
No folheto, os três religiosos defendiam que a pena de morte era a única forma de livrar a sociedade da homossexualidade.
Os réus justificaram a ação no tribunal como um ato público contra a parada gay da cidade.
Os três homens disseram que sua intenção não era ameaçar ninguém, mas disseminar a visão do Islã sobre a homossexualidade.
O folheto dizia ainda que a palavra gay era o acrônimo de God Abhor You (em inglês, Deus abomina você).

Medo

Um dos depoentes do caso, que é homossexual, disse no tribunal que recebeu os folhetos ofensivos duas vezes em sua caixa postal.
Ele disse ter se sentido "horrorizado" na primeira vez. Na segunda ocasião, chamou a polícia após ler a defesa da pena de morte para os gays no material.
"Eles me fizeram sentir horrorizado na minha própria casa. Às vezes eu penso se não vou encontrar uma carta bomba na minha caixa postal ou ser atacado na rua", disse.
Ben Summerskill, líder do grupo de direitos LGBT Stonewall, comemorou a condenação.
"Estamos satisfeitos ao ver estes extremistas condenados por distribuir folhetos ofensivos e incitadores que sugerem que os gays devem ser queimados ou apedrejados até a morte", disse.


Na BBC Brasil

domingo, 1 de janeiro de 2012

Os gays e a bíblia



Os gays e a bíblia  


Frei Betto em seu blog


É no mínimo surpreendente constatar as pressões sobre o Senado para evitar a lei que criminaliza a homofobia. Sofrem de amnésia os que insistem em segregar, discriminar, satanizar e condenar os casais homoafetivos.
No tempo de Jesus, os segregados eram os pagãos, os doentes, os que exerciam determinadas atividades profissionais, como açougueiros e fiscais de renda. Com todos esses Jesus teve uma atitude inclusiva. Mais tarde, vitimizaram indígenas, negros, hereges e judeus. Hoje, homossexuais, muçulmanos e migrantes pobres (incluídas as “pessoas diferenciadas”...).
Relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais em mais de 80 nações. Em alguns países islâmicos elas são punidas com castigos físicos ou pena de morte (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Nigéria etc).
No 60º aniversário da Decclaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008, 27 países membros da União Europeia assinaram resolução à ONU pela “despenalização universal da homossexualidade”.
A Igreja Católica deu um pequeno passo adiante ao incluir no seu Catecismo a exigência de se evitar qualquer discriminação a homossexuais. No entanto, silenciam as autoridades eclesiásticas quando se trata de se pronunciar contra a homofobia. E, no entanto, se escutou sua discordância à decisão do STF ao aprovar o direito de união civil dos homoafetivos.
Ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hétero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina.
São alarmantes os índices de agressões e assassinatos de homossexuais no Brasil. A urgência de uma lei contra a homofobia não se justifica apenas pela violência física sofrida por travestis, transexuais, lésbicas etc. Mais grave é a violência simbólica, que instaura procedimento social e fomenta a cultura da satanização.
A Igreja Católica já não condena homossexuais, mas impede que eles manifestem o seu amor por pessoas do mesmo sexo. Ora, todo amor não decorre de Deus? Não diz a Carta de João (I,7) que “quem ama conhece a Deus” (observe que João não diz que quem conhece a Deus ama...).
Por que fingir ignorar que o amor exige união e querer que essa união permaneça à margem da lei? No matrimônio são os noivos os verdadeiros ministros. E não o padre, como muitos imaginam. Pode a teologia negar a essencial sacramentalidade da união de duas pessoas que se amam, ainda que do mesmo sexo?
Ora, direis ouvir a Bíblia! Sim, no contexto patriarcal em que foi escrita seria estranho aprovar o homossexualismo. Mas muitas passagens o subtendem, como o amor entre Davi por Jônatas (I Samuel 18), o centurião romano interessado na cura de seu servo (Lucas 7) e os “eunucos de nascença” (Mateus 19). E a tomar a Bíblia literalmente, teríamos que passar ao fio da espada todos que professam crenças diferentes da nossa e odiar pai e mãe para verdadeiramente seguir a Jesus.
Há que passar da hermenêutica singularizadora para a hermenêutica pluralizadora. Ontem, a Igreja Católica acusava os judeus de assassinos de Jesus; condenava ao limbo crianças mortas sem batismo; considerava legítima a escravidão e censurava o empréstimo a juros. Por que excluir casais homoafetivos de direitos civis e religiosos?
Pecado é aceitar os mecanismos de exclusão e selecionar seres humanos por fatores biológicos, raciais, étnicos ou sexuais. Todos são filhos amados por Deus. Todos têm como vocação essencial amar e ser amados. A lei é feita para a pessoa, insiste Jesus, e não a pessoa para a lei.


Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Curso básico sobre Os Direitos Gays. Se depois de ler você continuar acreditando nos Malafaias da vida procure ajuda.

Curso básico sobre Os Direitos Gays. Se depois de ler você continuar acreditando nos Malafaias da vida procure ajuda.

Vi no FB Rosana Fernandes Absalão  e no Maria Fro

sábado, 10 de dezembro de 2011

Venha ser cínico você também

Venha ser cínico você também



Estaríamos vivendo uma época de cinismo? Pesquisador afirma que sim e que a fronteira entre a tolerância e a intolerância é mais tênue do que imaginamos
Você pode reconhecer alguém ou mesmo se ver nessas aspas.
“Plena igualdade de direito, tanto pros homens quanto pra nós, mulheres, não tem que ter distinção. É, mas acho que o papel de chefe de casa ainda é do homem, é uma coisa de tradição…”.
“Gays? Não tenho nada contra, aliás, tenho até amigos gays. Nada contra mesmo, sei respeitar as diferenças, desde que não mexam comigo, não mexo com ninguém. Mas agora querer colocar beijo gay em novela e cartilha contra a homofobia nas escolas, aí já demais. Não precisa incentivar…”.
“A mulher deve se libertar sexualmente: nada de medo, garotas, vocês são donas dos seus desejos. Que? É… não, quer dizer, sim, sim, claro que eu quero me casar é com uma mulher direita, que seja correta”.
A necessidade do sistema em se legitimar tem revelado certas práticas sociais e discursos irônicos justamente em seus pressupostos legitimadores. Discursos como esses aí de cima rolam em qualquer boteco, roda de amigo ou mesa de jantar do país. E o diagnostico parece ser esse: há um cinismo movendo a sociedade.
“O cinismo é a marca de uma época em que os aspectos de nossa vida nos parecem desconectados, fragmentados. O cínico é aquele que desvincula discurso de prática. Quando vemos que o cinismo tem se generalizado, isso indica que vivemos cada vez mais a experiência dessa desvinculação”, aponta o pesquisador Paulo Gajanigo.
Quando se fala em sexualidade esse caminho – da tolerância à intolerância – é suave, quase sem nenhuma crise de consciência. Isso porque a tolerância finca uma estaca bem clara: “eu aceito o outro até certo ponto; passou da minha margem de conveniência, não”. Porque, claro, deve-se aceitar a homossexualidade, a luta contra o sexismo, direitos de travestis, transexuais e prostitutas, mas há UM LIMITE, bem fixado, em caixa-alta e que não se deve passar. Mas por quê?
Gajanigo tem uma  resposta. “Essa posição se contrapõe a uma ética de solidariedade. A tolerância não se guia pela compreensão do outro, por se colocar no lugar do outro, mas por meio de abstrata posição de respeito. Essa posição abstrata é insuficiente para um humanismo de fato, por ser um respeito formal, pode-se usar de formalidades para justificar que certo comportamento passou do tolerável. A ética é fruto da prática, é produto histórico da sociedade”.
Para ele, uma ética de fato solidária não brota de um ambiente que estimula a concorrência e discutir a intolerância implica em não ter medo de ligar essa discussão a outros aspectos da vida, como a forma de produção, o mundo do trabalho e o mercado.
Então, vamos lá.
Curto-circuito
Está tudo flexível. Relativo. O lance é anular paradoxos e contradições, amaciar conflitos. E nessa ótica de flexibilização rola um curto-circuito na passagem da essência para a aparência e vice-versa.
Em seus trabalhos, o filósofo esloveno Slavoj Zizek afirma que a identificação dos “sem-parte” como parte da sociedade, mesmo desprovidos de lugar verdadeiramente justo, é um gesto elementar da politização. Ao contrário, a identificação com o particular, característica de despolitização da economia, ajuda a perpetuar a condição de excluídos.
Assim, respeitamos o outro o concebendo como uma comunidade “autentica” fechada sobre si mesma, e a pessoa adepta do discurso da tolerância  mantém, pelo seu lado, uma distancia que torna possível a sua posição universal privilegiada. Tolerância, portanto, seria uma construção do capitalismo para reduzir os significados do plural ao simples e fundamental, apropriando de conceitos para esvazia-los de conteúdo, mapeando algumas tendências.
“Ao mesmo tempo em que temos cada vez mais instrumentos técnicos de participação, os espaços são cada vez mais controlados, assistidos. Pesquisas de opinião, que de um lado podem parecer formas do governo  se adequar ao que as pessoas querem, são meios de identificar tendências, antecipar respostas e assim aumentar a segurança dos governos em relação aos governados”, diz Gajanigo. E acrescenta: “o cinismo, como forma de desvincular discurso e prática, serve a uma democracia formal, pois fornece liberdade discursiva para articular divergências políticas e de modo de vida”.
Pergunto para ele se esse discurso cínico de tolerância pode agravar as formas de dominação.
“Não sei”, responde. “No âmbito discursivo, estabelece-se um cabo de força. De um lado, o oprimido encontrará mais legitimidade em reivindicar direitos, de outro, os opressores acabam por dominar o discurso da tolerância, de forma que podem usar o discurso do politicamente correto para despistar seu comportamento opressor”.
Sobre as fotos: No filme Dogville (2003, Lars von Trier), a protagonista (Nicole Kidman) é uma moça rica e que expressa tolerância frente aos moradores de uma vila. Injustiçada e violentada pelos moradores ela alterou seu comportamento da tolerancia à total intolerância quando os mafiosos liderados por seu pai aparecem para libertá-la. Uma ilustração do cinismo na sociedade?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O ator Caio Castro e a experiência do armário

O ator Caio Castro e a experiência do armário


O ator Caio Castro e a experiência do armário
A polemica de Caio Castro envolve toda uma questão que vai muito além do estar dentro ou fora do armário. Diz respeito a maneira como os sujeitos gays se portam em público. Existem milhares de homossexuais que estão fora do armário para seus familiares, amigos e colegas de trabalho. Porém, não trocam carícias em público, reprovam os outros homossexuais que o fazem, aceitam a matemática de que o afeto gay deve ser realizado apenas entre quatro paredes alegando o fator de que não é "seguro" trocar carinho em locais públicos. Não seria isso uma outra maneira de estar dentro do armário?

Quando afetos gays são realizados em espaços públicos, que culturalmente e até mesmo institucionalmente, são espaços reservados/ legalizados para o afeto heterossexual, ou seja, quando dois corpos do mesmo gênero resolvem romper com o armário do espaço público e assumir o seu afeto, um choque se constrói em torno dos corpos classificados enquanto heterossexuais, é como se os dois corpos iguais a se abraçar e a se beijar representassem uma ameaça as normas do "bem viver" dos heterossexuais.

Conhecemos o sair do armário em escala coletiva quando se da a realização de Paradas Gays ao redor do Brasil. No momento em que acontece a Parada Gay, muitos dos homossexuais que vivem no armário, seja totalmente ou parcialmente, se juntam ao corpo da manifestação e se beijam e trocam carícias em plena Avenida. Porém, é fato de que muitos que lá estão, após o termino do evento, voltam para dentro dos armários em seus variados tipo de ser e existir.

Há muitos que no dia seguinte vão ao trabalho, local onde ninguém sabe de sua homossexualidade. Ainda vivemos com pessoas (empurradas pelo sistema normativo do qual todos fazem parte) que vivem totalmente dentro do armário. Pergunta-se: até que ponto a saída do armário é uma experiência libertadora? Será que nos dias de hoje é possível falar de uma vida 100% fora do armário?

A fala de Caio Castro ("prefiro ter a fama de pegador do que de veado"), evidencia o armário institucional imposto pela indústria da cultura construída dentro do regime liberal. Até por que os atores galãs, classe onde Castro está alojado, são desencorajados a sair do armário, pelo menos para a imprensa e para o seu público - e aqui temos dois tipos de saída de armário - pelos autores de novelas e também por seus empresários.

O motivo já é um velho conhecido: depois que o astro galã revelar o seu verdadeiro sentimento desejante (o homossexual), provavelmente só vai interpretar gays e nunca mais será alçado à categoria de galã. Segundo os mecenas de produtos televisivos e cinematográficos, o mito do galã, este que move centenas de fãs, estará morto e não mais produzirá dividendo dentro da audiência.

Isso é reproduzido por vários setores da imprensa, estar fora do armário enquanto homem heterossexual e "pegador" acabam por alimentar ainda mais o desejo sexual platônico em torno do ator e assim fazer com que ele adquira mais fãs e consiga mais trabalhos na televisão e também no cinema.

Um ator como Caio Castro até pode sair em defesa dos direitos gays (aqui uma outra saída de armário, em outros tempos, o simples fato de defender direitos civis gays seria interpretado como característica de uma possível homossexualidade), atitude que o ator fez logo em seguida à polêmica sucedida à sua declaração. Ao dizer que tem vários amigos gays e que não tem preconceito, mas nunca assumir a sua homossexualidade, a não ser quando este estiver com mais de 50 anos e não for mais headliner de produções culturais, caso muito comum na indústria cultural.

Toda a polêmica gerada em torno da declaração do ator revela que ainda vivemos sob uma forte política do espaço público como local de vivência privilegiada da identidade heterossexual. Ainda vivemos uma época em que a saída do armário não se dá uma única vez, mas que ela é composta por várias etapas de saídas do armário no meio social. Na mesma semana em que Caio Castro deu sua declaração que incomodou a comunidade gay, outra figura também foi vítima da política do armário. Neste caso foi a presidente Dilma Rousseff (PT),desafiada pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) a sair do armário  e "assumir o seu amor pelos e com os homossexuais".

A postura de Bolsonaro nos remete à cultura mais obscurantista em torno da saída do armário, que já foi citada neste texto, aquela em que pessoas não homossexuais resolvem sair do armário e defender os direitos civis dos gays. Não foram poucas as pessoas que, indiretamente concordaram com Bolsonaro, e disseram que a presidente Dilma deveria sair do armário. O fato da presidente não corresponder aos símbolos dominantes da feminilidade, ou da mulher de "verdade" (delicada, passiva e casada), faz com que as pessoas desconfiem de sua orientação sexual e a incitem a sair do armário. Como se vê, a questão de estar dentro ou fora do armário vai muito além da política do assumir, ela está ligada a uma postura política e composta de várias fases e saídas repletas de preconceitos e estruturas opressivas que fazem com que muita gente, galã ou não, permaneça dentro do armário, seja ele qual for.

A filósofa norte-americana Eve Kosofsky Sedgwick (1950-2009) se debruçou sobre o tema ao escrever o clássico texto "A Epistemologia do Armário", onde a estudiosa do gênero estabelece que a saída de armário também se dá com as identidades ciganas, judias, indígenas e outras. Porém, cada uma com a sua especificidade social. 

Com esta afirmação entendemos que a questão de sair do armário e assumir publicamente uma identidade social não diz respeito única e exclusivamente à comunidade gay, ela perpassa vários setores da sociedade e é muito mais complexo do que supõe o senso comum.

sábado, 8 de outubro de 2011

"Luv MTV Gay" uma programação inteira voltada para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

"Luv MTV Gay"  uma programação inteira voltada para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.



No "Dia das Crianças", a MTV Brasil resolveu presentear os seus telespectadores com uma programação inteira voltada para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. O dia foi batizado de “MTV, Aloka!”.

A programação especial começa às 15h com o programa "Hora Extra", apresentado por Jana Rosa e Didi Ferreira. Ao vivo, os apresentadores irão conversar sobre assuntos ligados à homossexualidade e sobre artistas que saíram do armário.

Às 17h é a vez do "Acesso MTV Especial". Apresentado por Marimoon e Titi, as meninas dão continuidade ao tema e apresentão clipes de artistas que fazem sucesso entre a comunidade LGBT. Em seguida entra no ar o "Top 10", dedicado às divas.

Em um tom mais sério, o programa "Grampo MTV", apresentado por Cazé, fala sobre a homofobia e a decisão do Supremo Tribunal Federal, que legalizou as uniões estáveis homoafetivas. Depois é a vez do "Furo MTV", de Dani Calabresa e Bento Ribeiro, com as principais notícias LGBTs.

Para fechar a programação especial, vai ao ar às 22h30 o "Luv MTV Gay", programa de namoro que terá como alvo Marcio Motta, 27, que procura um namorado. Vale lembrar que a MTV Brasil foi o primeiro canal brasileiro a exibir ao vivo um beijo gay no programa "Fica Comigo", apresentado à época por Fernanda Lima.



Vi no Gay1

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Ataques a gays são atos desesperados de gente doente, diz professora



Ataques a gays são atos desesperados de gente doente, diz professora


Ana Cláudia Barros no TerraMagazine



Especialista em questões de gênero, a escritora, terapeuta e professora universitária Edith Modesto interpreta os frequentes ataques a homossexuais como "atos desesperados de pessoas doentes". Na avaliação dela, casos como o do último fim de semana, quando um casal de gays foi agredido a socos e pontapés após sair de uma boate nas imediações da Avenida Paulista, em São Paulo, estão alicerçados numa espécie de reação à uma maior aceitação da diversidade sexual por parte da sociedade.
- O avanço que aparece na mídia trouxe consequências terríveis. A homofobia é uma doença. Eu tenho certeza. As pessoas homofóbicas quando percebem que está patente esse avanço, cometem atos desesperados. Matar uma pessoa com 20 facadas é um ato desesperado. Atentados físicos violentos em plena Avenida Paulista! São atos desesperados de pessoas doentes. Elas estão se vendo ameaçadas pelo avanço da aceitação social das diferenças. Quanto mais a aceitação social vai avançando, mais o ódio dessas pessoas com problemas vai ficando acirrado. É um ódio doentio.
No próximo domingo (9), Edith recebe, no Memorial da América Latina, o prêmioTese Destaque USP, na área linguística, letras e artes, por seu trabalho de doutorado Homossexualidade: Preconceito e Intolerância - Análise Semiótica de Depoimentos. Para a professora, que há 20 anos fundou o o Grupo de Pais de Homossexuais após a descoberta de que o filho era gay, o reconhecimento de uma tese que trata de um tema ainda demonizado sinaliza um avanço e uma mudança de mentalidade.
- Fiquei duplamente feliz justamente por isso. Primeiro, claro, porque não é fácil ganhar esse prêmio. Segundo, porque você está trabalhando com um assunto que não é bem vindo pela maioria. Quando se fala de homossexualidade, soltam-se os demônios. Os homossexuais são "safados", "sem vergonha", "pedófilos" e você está trabalhando com isso na academia. Ver o trabalho ser considerado o melhor na sua área tem um peso maior porque tem um peso político. De repente, houve a possibilidade de uma tese sobre homossexualidade ser escolhida a melhor. Quer dizer que houve um contexto que já permitiu isso. Então, se houve um contexto que permite uma tese que fala de preconceito e intolerância em relação a homossexuais ganhar um prêmio desse é sinal de que há uma mudança grande que foi feita.
Confira a entrevista.
Terra Magazine - Sua tese de doutorado Homossexualidade: Preconceito e Intolerância - Análise Semiótica de Depoimentos vai receber o Prêmio Tese Destaque USP. Como foi desenvolvido este trabalho? Quais as principais conclusões?
Edith Modesto -
 Eu falo sobre o preconceito e a intolerância em relação à homossexualidade e analisei semioticamente depoimentos de mães heterossexuais e jovens filhos homossexuais. 
Quanto às conclusões, são muitas.
Quais a senhora destacaria?
A mais importante é que está havendo uma mudança social, uma maior aceitação das diferenças, mas que o último reduto é a família. Então, na família não houve tantas mudanças ainda infelizmente.
O que a senhora está dizendo é que a o reduto familiar ainda é conservador, que ainda é impactante para os pais receberem a notícia de que os filhos são homossexuais.
Depois que fiz toda essa pesquisa, cheguei, simbolicamente falando, a três muros. Existem três muros. O primeiro é o social. O preconceito e a intolerância estão sendo desconstruídos, sem dúvida. Os resultados estão aí. Já há novelas com personagens gays, já teve beijo lésbico em novela, o assunto está sendo muito falado por todas as mídias. 

O segundo é o muro da escola. Este ainda está complicado. Você tem como exemplo o Kit anti-homofobia (do Ministério da Educação), que não foi aprovado. Quando vou fazer capacitação de professores, vejo a dificuldade que os profissionais têm. Não só por causa do preconceito internalizado e porque eles não têm conhecimento sobre o assunto, mas também porque não adianta nada o professor fazer algo que não envolva a comunidade. Se o professor falar de homossexualidade em sala de aula e o aluno contar em casa, no dia seguinte, pelo menos meia dúzia de mães estarão na diretoria. Mas existe um caminho que está sendo feito. Há escolas que ligam para mim, pedindo que eu faça a capacitação de professores, o que não ocorria há dez anos.
O terceiro é a família. Este mudou pouco.
O assunto ainda é tabu para as famílias...
É muito difícil para as famílias, porque o preconceito é internalizado em todos. Na família, entram também aquelas expectativas de ver a família aumentar, aquela característica humana de querer deixar alguma coisa. E tem também a vergonha do outro, que é muito forte. Tem ainda o sonho dos pais, que cai por terra. Na família, para falar a verdade, (o preconceito) diminuiu pouquíssimo.
Na sua pesquisa, a senhora identificou algum tipo de entrave para essa melhor aceitação por parte dos familiares de homossexuais. Por exemplo, a religião pode dificultar esse entendimento dos pais?
Sem dúvida. As famílias evangélicas têm mais dificuldade do que as outras. As famílias católicas fundamentalistas também têm dificuldades. Quanto mais fundamentalista a religião daquela família, mais dificuldade a família tem. A religião, sem dúvida, é um entrave. É o único que ficou patente na minha tese. A religião atrapalha. 
Agora, em relação a outros fatores que pesquisei, como classe social, nível cultural, não consegui resultados que tenham um valor na pesquisa. Há mães que não estudaram nada e têm muita dificuldade de aceitação. Assim como há mães com doutorado que têm mais dificuldade ainda. O nível cultural e o social não influenciam muito.
Quantas mães e filhos foram ouvidos durante a elaboração da sua tese?
Passaram pela minha ONG (Grupo de Pais de Homossexuais) milhares de pais e mães ao longo de 20 anos.
Essa tese de doutorado é resultado de uma pesquisa de 20 anos?
Sim. Na verdade, fiz uma ponte entre o social e a academia, que é algo que acho que está faltando. Os pesquisadores ficam muito isolados na academia. Fiz o caminho inverso. Comecei o trabalho de campo, há 20 anos, e aproveitei esse trabalho para fazer a minha pesquisa acadêmica para o doutoramento.
A senhora se refere ao Grupo de Pais de Homossexuais.
Sim. Comecei essa ONG há 20 anos. Usei toda essa experiência. Na verdade, na minha tese, estou usando depoimento de 10 anos, mas tenho 20 anos de experiência no trabalho de campo. 
Usei a teoria semiótica francesa, que tem um instrumental de análise muito bom, e usei este instrumental para trabalhar com todos esses depoimentos, que organizei de 2000 a 2010.
A senhora falou dos três muros: o social, a escola e a família. Disse que o preconceito está se desconstruindo na sociedade, que, de modo geral, tem se mostrado menos intolerante. Mas ao mesmo tempo que é possível identificar avanços, é possível também ver demonstrações explícitas de intolerância, como os ataques a homossexuais que vêm ocorrendo na região da Avenida Paulista, em São Paulo.
E o que tem a ver uma coisa com a outra? Então, o avanço que aparece na mídia trouxe consequências terríveis. A homofobia é uma doença. Eu tenho certeza. As pessoas homofóbicas quando percebem que está patente esse avanço, cometem atos desesperados. Matar uma pessoa com 20 facadas é um ato desesperado. Atentados físicos violentos em plena Avenida Paulista! São atos desesperados de pessoas doentes. Elas estão se vendo ameaçadas pelo avanço da aceitação social das diferenças. Quanto mais a aceitação social vai avançando, mais o ódio dessas pessoas com problemas vai ficando acirrado. É um ódio doentio.
Na avaliação da senhora, o discurso anti-homossexual que tem se propagado no meio político e religioso contribui para o aumento da intolerância, para o aumento dessas manifestações explícitas de ódio?
Principalmente das bancadas evangélicas, porque nós temos bancadas evangélicas muito poderosas que influenciam até nas atitudes do governo. O governo precisa de apoio para governar. Se a bancada evangélica fica tão poderosa, impede um governante de exercer o seu mandato. Ele fica intimidado.
Como é o trabalho que a senhora desenvolve na ONG? A senhora tem um filho homossexual...
Sim. Foi por isso que comecei esse trabalho. Hoje em dia, não tem mais a ver. Meu filho não tem perfil militante. Ele é professor da USP, cuida da vida dele. Tenho o maior orgulho.
Ao longo desses 20 anos de trabalho na ONG, a senhora notou pouca evolução no processo de aceitação da homossexualidade por parte dos pais...
Pouquíssima. É aquilo que falei, é o terceiro muro e é um muro de concreto. Neste ano, uma das nossas mães tentou o suicídio quando soube que o filho era gay. Há mães que ficam doentes. Essa semana, foi ao meu consultório uma mãe com o corpo todinho marcado, cheio de feridas. Somatizam, ficam doentes. É o preconceito internalizado. Vou te dar um exemplo que você vai entender, mas não vai conseguir explicar. Vamos imaginar que você esteja grávida. Você ainda não sabe se é menino ou menina. Você pensa o quê? É menino ou menina, tem saúde, é parecido com minha família, é parecido com a família do pai... Você pensa que há 10% de possibilidade de ser lésbica ou gay? Não pensa. Então está explicado. O preconceito está internalizado em nós. Para nós, ter um filho ou filha homossexual não é natural. Tanto é que a gente não pensa. Não foi naturalizada a possibilidade de se ter um filho gay. No entanto, todos nós temos essa possibilidade. Mas só os filhos dos outros podem ser homossexuais. Os nossos, não.
Para a senhora, o que significa o fato de uma tese sobre homossexualidade ganhar um prêmio acadêmico, justamente nesse contexto em que os casos de agressão a homossexuais têm acontecido com frequência? 
Fiquei duplamente feliz justamente por isso. Primeiro, claro, porque não é fácil ganhar esse prêmio. Segundo, porque você está trabalhando com um assunto que não é bem vindo pela maioria. Quando se fala de homossexualidade, soltam-se os demônios. Os homossexuais são "safados", "sem vergonha", "pedófilos" e você está trabalhando com isso na academia. Ver o trabalho ser considerado o melhor na sua área tem um peso maior porque tem um peso político. De repente, houve a possibilidade de uma tese sobre homossexualidade ser escolhida a melhor. Quer dizer que houve um contexto que já permitiu isso. Então, se houve um contexto que permite uma tese que fala de preconceito e intolerância em relação a homossexuais ganhar um prêmio desse é sinal de que há uma mudança grande que foi feita.