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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Vai vendo: Presidiários evangélicos leiloam travestis em troca de favores em presídio de Cuiabá

Vai vendo: Presidiários evangélicos leiloam travestis em troca de favores em presídio de Cuiabá

Presidiários evangélicos leiloam travestis em troca de favores em presídio de Cuiabá

Depois do caso de espancamento ocorrido em dezembro de 2011 a um homossexual , presos da “ala evangélica” do Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), antigo Carumbé, são acusados de leiloar travestis em troca de favores.
De acordo com a denúncia feita pelo presidente da ONG Livremente, Clóvis Arantes, à Rádio CBN Cuiabá, os presos evangélicos usavam os travestis como moeda de troca dentro do centro prisional. Segundo Arantes, a cada favor que os outros presos faziam para a ala evangélica, um travesti era leiloado para ser sexualmente molestado pelos demais presos.
De acordo com o PnB online, a diretoria do Centro de Ressocialização de Cuiabá interviu no caso, criando, como forma de coibir a ação dos presos ditos evangélicos, uma ala específica para acomodar os presos que se assumem como homossexuais. Denominado de Ala Arco Íris, o espaço criado no CRC abriga atualmente 8 presos.
O presidente da ONG, que tem como objetivo trabalhar para que os demais presídios de Mato Grosso adotem a criação de uma ala específica para homossexuais, conta que visitou a Ala Arco Íris e que esse é um meio de evitar que esses presos sofram abusos. “Agora elas podem usar brincos, deixar o cabelo comprido e estão trabalhando na Ala Arco Íris”, afirmou Arantes, que disse ainda que outra luta que está sendo travada pela ONG Livremente é que  os travestis sejam tratados pelo seu “nome social”.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Travestis e transexuais debatem saúde e educação na UFMG

Travestis e transexuais debatem saúde e educação na UFMG


O cartunista Laerte Coutinho fará palestra no domingo, dia 6 (Foto: Divulgação)O cartunista Laerte Coutinho fará palestra no
domingo, dia 6 (Foto: Divulgação)
O dia 17 de maio é reconhecido internacionalmente como o Dia de Combate à Homofobia. Em Belo Horizonte, as discussões sobre o tema têm início com o 7º Encontro de Travestis e Transexuais da Região Sudeste, que ocorre entre 6 e 9 de maio, no Campus Pampulha da UFMG.

Com o tema “Gêneros, sexualidades e conhecimentos nas políticas públicas de saúde e educação", o Encontro traz palestras, mesas redondas e oficinas com grandes nomes da Academia, do Movimento Social e do Poder Público. Laerte Coutinho, cartunista, fará palestra no domingo, dia 6. A palestra e os demais eventos do domingo são abertos ao público (ver programação completa no site).

“Travestis e transexuais ainda são invisíveis no Brasil. A ideia de promover os encontros na região sudeste nasceu em 2005 para trazer de maneira clara para a sociedade nossas reivindicações, mostrar que existimos e que temos direitos”, explica Liliane Anderson, uma das coordenadoras do evento e educadora social do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG (NUH/UFMG).

Simultaneamente ao 7º Encontro Sudeste, ocorrerá, pela primeira vez no Brasil, o Encontro Nacional da Rede Trans Educ, que trará para a UFMG educadoras travestis e transexuais de todo o país. Na pauta de discussão, a atividade docente e diversidade sexual.

O evento encerra-se no dia 9, quarta feira, com uma visita ao Instituto Inhotim, em Brumadinho, na região metropolitana de BH. O passeio, além do caráter cultural, pretende conferir visibilidade a travestis e transexuais nos diversos contextos urbanos e de lazer. O 7º Encontro é organizado pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG (NUH/UFMG) em conjunto com o Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade de Colatina (GOLD-Colatina/ES) e o Núcleo Trans do Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual (CELLOS-Trans).



No Gay1

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Culto evangélico em boate de travestis: Pregando entre plumas e strass

Culto evangélico em boate de travestis: Pregando entre plumas e strass

Carol Pires



A pastora Mabel Gebel abre o culto evangélico no Moulin Bleu (Foto: Divulgação)
Na avenida Corrientes, entre letreiros em neon, fotos de mulheres semi-nuas nas propagandas dos musicais em cartaz, bares e livrarias que viram a noite, está o teatro Moulin Bleu. A entrada é uma pequena porta na esquina da rua Rodriguez Peña onde um senhor anuncia que é de graça a entrada nas segundas-feiras à noite. É um teatro? Não, é um culto evangélico. Ou melhor: um show de talentos evangélico.
O teatro fica no segundo andar do prédio. A meia luz, famílias inteiras, prostitutas e travestis aguardam enquanto crianças e garçons circulam pelos corredores. Durante toda a noite é possível comprar vinho, cerveja e whisky e pedir uma pizza. Uma ajudante passa distribuindo folhetos entre as mesas com as informações sobre o culto, que é chamado "Predicando entre Plumas y Strass".
O culto no Moulin Bleu começou há seis anos com o pastor Diego Gebel. Ele morreu em maio do ano passado, aos 47 anos, depois de ter uma parada respiratória enquanto se recuperava de um cateterismo. Quem assumiu a condução do culto foi a viúva dele, Mabel.
É Mabel Gebel, cabelos loiríssimos, vestido preto e capa cintilante, quem abre o culto, às 22h. Ela explica o conceito da noite para os estreantes: Deus ama a todos sem distinção e por isso ela discorda dos evangélicos que têm preconceito contra travestis, prostitutas e homossexuais. No "Predicando entre Plumas y Strass", entra quem quer, se apresenta quem quer.
Mariana A, uma travesti de vestido longo, entra em seguida para fazer um show caribenho acompanhada de dois dançarinos de short curto e sem camisa. Ao longo da apresentação, o vestido é arrancado e ela fica com a bunda à mostra. Os seios em algum momento também vem à público.

A travesti Mariana A, que durante o show deixa seios e bunda à mostra (Foto: Divulgação)
Uma senhora ao meu lado, chamada Juana, contou que assiste ao culto toda semana há seis meses, desde que precisou fazer uma cirurgia no joelho e veio morar em Buenos Aires com o filho mais novo. Ele trabalha como ator, visita hospitais infantis da cidade fazendo apresentações circenses e nas segundas-feiras se apresenta no Moulin Bleu.
A noite segue com uma das filhas da pastora cantando uma música evangélica e outra filha fazendo um esquete de humor com um homem que, na verdade, era o porteiro do começo da noite. Mariana A. e outra travesti mais velha, loira, são as que mais fazem apresentações, quase sempre começando deslumbrantes e terminando semi-nuas. Entre um e outro, entra a pastora Mabel para pregar. No discurso mais longo da noite ela contou a história de Davi e Golias. Depois anunciou que mais tarde iria levar a palavra do senhor a um cabaré.
Duas horas depois, o show chegando ao final, chega a vez do filho da Juana. Ele entra no palco fantasiado de Evita Perón, vestido longo, maquiagem pesada e peruca loira. Com caras e bocas, cantou "Don't cry for me, Argentina". Juana não chorou, mas ficou emocionada.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Transexuais e travestis terão direito de usar nome social em órgãos do MEC

Transexuais e travestis terão direito de usar nome social em órgãos do MEC


Acapa
Transexuais e travestis terão direito de usar nome social em órgãos do MEC
Foi publicada nesta segunda-feira (21) no Diário Oficial da União uma portaria do Ministério da Educação que garante aos servidores públicos transexuais e travestis o direito de usarem o nome social em procedimentos oficiais da pasta.

A portaria inclui servidores públicos diretamente ligados ao MEC e aos que trabalham nas autarquias atreladas ao ministério, como o Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais (Inep), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), além de universidades, institutos e escolas federais.

A medida poderá ser utilizada em identificação no crachá, endereço de email, lista de ramais, cadastros pessoais e no sistema de comunicação interna. No caso do crachá, o nome social será impresso na frente e o civil no verso.

A decisão prevê 90 dias para que o nome social passe a ser usado em todas as situações previstas.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Estatuto da Diversidade Sexual:a promessa de um outro Brasil



Estatuto da Diversidade Sexual:a promessa de um outro Brasil


Por Marta Cauduro Oppermann e Maria Berenice Dias no Sul21



O arrojado Estatuto da Diversidade Sexual promete revolucionar o Congresso Nacional.
Trata-se de um microssistema que visa a promover a inclusão de todos, sem distinção, combater a discriminação e a intolerância por orientação sexual ou por identidade de gênero, inclusive pela criminalização da homofobia.
A ideia não é nova. Em junho de 2008, a Presidência da República editou as Resoluções 56 e 60, convocando a Conferência Nacional GLBTT para elaborar o projeto de lei de um Estatuto da Cidadania.
Esse desafio foi abraçado pelos advogados de todo o Brasil, que, com o auxílio de diversos movimentos sociais, criaram 38 Comissões da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para tornar o sonho realidade.
A missão tomou um novo e importantíssimo alento no histórico dia 5 de maio de 2011, quando, por votação unânime, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, em uma decisão com eficácia contra todos e efeito vinculante.
Todos os esforços foram direcionados à conclusão deste anteprojeto, que foi desenhado a partir da concepção moderna de um microssistema, da mesma forma que outras legislações especiais, como o Código de Defesa do Consumidor, os Estatutos da Criança e do Adolescente, do Idoso e da Igualdade Racial, garantindo a igualdade por meio de um tratamento diferenciado.
Não é por outra razão que o Estatuto da Diversidade Sexual elenca princípios, normas de conteúdo material e processual, de natureza civil e penal, que consagram uma série de prerrogativas e direitos a homossexuais, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros e intersexuais.
Ninguém duvida que exista um direito subjetivo à livre orientação sexual e à identidade de gênero. Via de consequência, há o dever jurídico de esse direito ser reconhecido e respeitado.
No entanto, por se tratar de segmento alvo de perseguição religiosa e preconceito social, está sujeito à marginalização e à exclusão. E, como todos os segmentos sociais vulneráveis, merece regras protetivas diferenciadas.
Sabendo-se que é dever do Estado e da sociedade garantir a todos o pleno exercício da cidadania, da igualdade de oportunidades e do direito à participação na comunidade, o Estatuto da Diversidade Sexual impõe normas afirmativas, de inclusão.
O Estatuto também assegura o reconhecimento das uniões homoafetivas no âmbito do Direito das Famílias, das Sucessões, Previdenciário e Trabalhista.
Todas as pessoas têm direito à constituição da família e são livres para escolher o modelo de entidade familiar que lhes aprouver, independente de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Dessa forma, são assegurados os direitos ao casamento, à constituição de união estável e sua conversão em casamento, à escolha do regime de bens, ao divórcio, à filiação, à adoção e ao uso das práticas de reprodução assistida, à proteção contra a violência doméstica e familiar, à herança, à concorrência sucessória, ao direito real de habitação e todos os demais direitos assegurados à união heteroafetiva.
O Estatuto da Diversidade Sexual regulamenta o direito ao exercício da parentalidade, garantindo, dentre vários direitos, o acesso às técnicas de reprodução assistida, o uso de material genético, a habilitação, individual ou conjunta à adoção de crianças e adolescentes, a licença-natalidade pelo período de 15 dias a ambos os pais e, ainda, pelo período de 180 dias a qualquer deles.
Nos registros de nascimento e em todos os documentos identificatórios, tais como carteira de identidade, título de eleitor, passaporte, carteira de habilitação não haverá menção às expressões “pai e mãe”, que serão substituídos por “filiação”.
O Brasil reconhecerá os casamentos, as uniões civis e estáveis realizadas em países estrangeiros, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela lei do país onde celebrado o ato ou constituído o fato.
O Estatuto promove a vedação à ingerência estatal, familiar ou social na vida privada de cada cidadão, seja para coibir que alguém viva com plenitude suas relações afetivas e sexuais, seja para coibir pressões para que alguém revele, renuncie ou modifique a sua orientação sexual ou a identidade de gênero. No âmbito familiar, por exemplo, a expulsão de um filho menor de idade de casa em razão da sua orientação ou identidade gerará responsabilidade por abandono material e obrigação indenizatória aos responsáveis.
Transexuais, travestis, trangêneros e intersexuais terão assegurado o direito à livre expressão da sua identidade de gênero. Para tanto, será garantido o acesso a procedimentos médicos, cirúrgicos e psicológicos destinados à adequação do sexo morfológico à identidade de gênero.
Por exemplo, havendo indicação terapêutica por equipe médica e multidisciplinar, a adequação à identidade de gênero, por meio de técnicas não-cirúrgicas, como a hormonoterapia, poderá iniciar a partir dos 14 anos de idade.
Já a cirurgia de redesignação sexual somente será autorizada a partir dos 18 anos de idade, sendo vedada qualquer intervenção cirúrgica de caráter irreversível para a determinação de gênero em recém-nascidos e crianças diagnosticadas como intersexuais, sempre que não houver risco à própria vida.
O direito à retificação do nome e da identidade de sexual, independente de realização da cirurgia de transgenitalização, promete colocar fim às agruras e situações vexatórias que transexuais, travestis e intersexuais passam sempre que precisam apresentar documentos. Igualmente, nas escolas de ensino fundamental e médio, bem como nos cursos superiores, será assegurado, no ato da matrícula, o uso do nome social, que deverá constar em todos os registros acadêmicos.
Ninguém poderá ser discriminado ou ter direitos negados por sua identidade de gênero ou orientação sexual. Quem o fizer, cometerá crime de homofobia, cuja pena de reclusão será de 2 a 5 anos. Também serão punidos aqueles que praticarem condutas discriminatórias nas relações de trabalho ou de consumo. Deixar de contratar alguém ou dificultar a contratação por preconceito garantirá ao criminoso pena de reclusão de 1 a 3 anos.
A vedação ao preconceito também atingirá os meios de comunicação. Rádio, televisão, peças publicitárias, internet e redes sociais não poderão fazer qualquer referência de caráter discriminatório em face da orientação sexual ou identidade de gênero.
A fim de se assegurar um tratamento digno, igualitário e respeitoso, os serviços públicos e privados deverão capacitar seus funcionários, evitando, assim, qualquer manifestação de preconceito e discriminação sexual.
A administração pública deverá assegurar igualdade de oportunidades no mercado de trabalho a travestis e transexuais, transgêneros e intersexuais, criando campanhas para elevar a sua qualificação profissional.
E, como toda fonte de conhecimento tem por base a educação, os profissionais desta área deverão abordar as questões de gênero e sexualidade sob a ótica da diversidade sexual, fazendo uso de material didático e metodologias que proponham a eliminação da homofobia e do preconceito.
Estes são alguns dos direitos previstos no Estatuto da Diversidade Sexual, que promete alçar o Brasil a uma das maiores potências democráticas do mundo.
A luta por sua aprovação certamente não será fácil. Contudo, é chegada a hora de homossexuais, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros e intersexuais saírem da margem do sistema legislativo brasileiro. Não se justificam resistências à sua luta.
E, enquanto o Estatuto não é aprovado, cabe a cada cidadão fazer a sua parte para mudar o perverso tratamento discriminatório que atinge este segmento da sociedade, ainda refém do preconceito.