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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Priorizar a qualidade da educação, pra que?: Quando o que importa é só o lucro

Priorizar a qualidade da educação, pra que?: Quando o que importa é só o lucro  

Quando o que importa é só o lucro  

Instituições deixam de priorizar a qualidade da educação superior e investem na modernização de suas estruturas como forma de atrair mais alunos e obter lucros 

Aline Scarso e Michelle Amaral - Brasil de Fato
Alunos passam pelas catracas da Universidade Nove de Julho (Uninove),
em São Paulo - Fotos: Rodrigo Alves

Parecem shoppings. Prédios suntuosos, fachadas espelhadas e imponentes. Centros de convivência que oferecem desde livrarias até salões de cabeleireiros. Grandes praças de alimentação. Este é o cenário encontrado em boa parte das maiores universidades particulares do país, que cada dia mais preocupam-se com o embelezamento de suas estruturas como forma de atrair mais alunos. Estes, por sua vez, são tratados como clientes, que contratam um serviço e têm a obrigação de pagar por ele. Caso contrário, são impedidos de terem acesso ao ensino e às dependências das instituições.               
“Não é espaço público, é privado. Colocam catracas e só entra quem é estudante e estudante pagante. Aquele que não paga tem a credencial bloqueada até regularizar o pagamento”, conta Donizete Sanches, aluno do curso de Ciências Sociais da Universidade Nove de Julho (Uninove), em São Paulo. Ele mesmo já passou por esse constrangimento quando atrasou o pagamento da rematrícula, por dificuldades financeiras devido ao desemprego. “Cheguei atrasado e não consegui entrar para assistir às aulas”, conta o aluno, que só teve acesso à universidade após emitir um cheque como garantia do pagamento da parcela.             
Especialistas avaliam que essa é uma tendência no ensino superior privado do país, justamente pelo fato de essas instituições terem assumido o papel de empresas prestadoras de serviços. “E, como empresas, pensam prioritariamente nos lucros e na concorrência com as demais instituições”, pontua o Coletivo Saída de Emergência, que reúne estudantes de universidade privadas do Piauí para a construção da Comissão Estadual da Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre (Anel).    
Crescimento desenfreado
Rondon de Castro, secretário do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), explica que o impulso para que as universidades privadas tivessem o caráter comercial foi dado pelo próprio governo federal. Na década de 1990, o Brasil concedeu a elas vantagens fiscais para que deixassem de serem geridas por fundações e se transformassem em empresas. Foi então nessa década, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que houve o pontapé inicial para o crescimento desse tipo de instituição. Isto porque o governo brasileiro precisava cumprir as metas estabelecidas pelo Banco Mundial para que o país recebesse ajuda financeira. “O Brasil concordou com o Banco Mundial em cumprir metas de adaptação ao mercado internacional e as universidades eram um dos pontos fixos. Nós concordamos em transformar as universidades, justamente, em casas de formação de mão de obra”, afirma Castro. Nos oito anos de governo FHC, o número de instituições privadas de ensino superior dobrou, passando de 684, em 1995, para 1.442, em 2002.            
Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), lembra ainda que o aumento das universidades particulares só foi possível devido ao projeto neoliberal em curso no país, que criou o ambiente propício para a proliferação destas instituições. A partir daí, segundo ele, “houve uma expansão desenfreada, sem qualquer controle de qualidade e de função social das universidades privadas”.             
Os governos seguintes mantiveram a expansão. Atualmente, das 2.365 instituições de ensino superior, 2.081 são particulares e apenas 284 são públicas, conforme dados do Censo da Educação Superior 2011, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeirado (Inep) do Ministério da Educação (MEC). Dos mais de 30 mil cursos oferecidos no ano passado, 20,5 mil foram abertos pelas particulares. Além disso, 73,7% dos alunos matriculados em 2011 no ensino superior brasileiro estão no setor privado.                
As universidades particulares contam, ainda, com isenções fiscais por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni) que, desde 2005, somam mais de R$ 3 bilhões. Além disso, as instituições têm garantido o ingresso de estudantes que não poderiam pagar imediatamente pelas mensalidades através do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Atualmente, mais de 500 mil universitários estudam por intermédio do Fies. 
Estudantes reclamam que prédios se assemelham mais a um shopping
do que a uma unidade de ensino
Segundo o Coletivo Saída de Emergência da Anel, “aplicar essa política de privatização da educação se tornou bastante cômodo para o governo, uma vez que cabe a ele apenas depositar dinheiro público no setor privado, sem se responsabilizar pelo seu bom funcionamento”.             
Uma reportagem da revista inglesa The Economist, divulgada em setembro deste ano, afirma que nenhuma das instituições particulares de ensino superior do Brasil “tem o prestígio ou os recursos das melhores universidades públicas” e “algumas são pouco mais que fábricas de diplomas de qualidade duvidosa”.     
Fábricas de diploma
Segundo dados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2011, os piores desempenhos foram registrados em universidades e faculdades particulares. Em todo o país, menos de 2% conseguiram a nota máxima. Para Walcyr de Oliveira Barros, diretor do Andes, isto se deve ao fato de as universidades particulares se dedicarem cada vez menos à pesquisa e à extensão. Ele explica que, por estarem de forma essencial envolvidas com atendimento ao mercado, essas instituições passaram a ser locais de certificação apenas. “Tanto que, de uma forma geral, em torno de 90% da pesquisa produzida no país é feita basicamente nas instituições públicas”, pontua.         
As particulares, por sua vez, utilizam justamente do discurso de inserção no mercado de trabalho como a principal forma de atestar a sua excelência e atrair mais alunos. “O ensino superior particular investe na qualidade das instituições e de seus cursos oferecendo a oportunidade aos seus egressos de ocuparem a maioria dos quadros de funcionários das maiores organizações”, afirma Sólon H. Caldas, diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). Segundo ele, o aumento dessas instituições “é uma tendência que deverá permanecer, haja visto a necessidade de mão de obra para atender as demandas de crescimento do país”.     
Acessibilidade Denis Nunes, formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes (UMC), conta que a necessidade de ingresso ao mercado de trabalho foi um dos elementos fundamentais em sua escolha de universidade. Somado a isso, também está o deficiente ensino recebido na escola pública nos níveis fundamental e médio. “Era fora da minha realidade pensar que um dia conseguiria entrar numa universidade pública. Além disso, com o imediatismo para a decisão do meu futuro, não queria fazer cursinho para me igualar ao aluno que estudou durante toda a vida em escola particular”, relata.               
Em 2011, as universidades particulares absorveram mais de 1 milhão de estudantes provenientes da rede pública, enquanto nas universidades públicas ingressaram aproximadamente 500 mil. O maior ingresso desses estudantes no ensino privado se justifica pela facilidade de acesso a essas instituições, que não têm vestibulares concorridos como as públicas. “Se não tenho condições de pagar um ensino básico de qualidade, as chances de eu conseguir uma vaga em uma universidade pública são extremamente reduzidas”, afirma Henrique Godoy, que se formou em História na Uninove. Para ele, existe uma inversão de papéis na educação superior brasileira, “onde a universidade pública serve as classes mais favorecidas, e a maioria das universidades particulares acaba sendo a única opção para as classes mais baixas”.               
Em defesa do governo, o MEC afirma que está trabalhando para melhorar o acesso também às universidades públicas. “Apesar do forte crescimento da rede privada na década passada, por meio da política de expansão das universidades e institutos federais o Ministério da Educação tem atuado para fortalecer o acesso ao ensino superior também nas instituições públicas”, informou através de sua assessoria de imprensa. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

'Oh neguinho, cala a boca': Professor discrimina aluno

'Oh neguinho, cala a boca': Professor de filosofia discrimina aluno 

Tem que ser mesmo denunciado

Portal Geledés

racismo de professor em df

Um jovem de 17 anos do segundo ano do ensino médio do Centro Educacional IV, em Sobradinho II, região administrativa do DF acusa o professor de filosofia de racismo.
— Em tom alto ele gritou lá na frente: "Oh neguinho, cala a boca". Aí eu falei que ele me dava aula há dois anos e que sabia muito bem o meu nome. Aí ele falou que tinha esquecido o meu nome, mas a chamada estava na frente dele.
O estudante registrou um boletim de ocorrência na delegacia da cidade. O professor vai responder por injúria racial.
— Estou me sentindo humilhado, porque ele falou uma coisa dessas em uma sala de mais de 30 alunos. E justamente um dia depois do Dia da Consciência Negra.
De acordo com o coordenador pedagógico da escola, o professor pediu desculpas ao aluno, em público, ainda na sala de aula. Além disso, disse que o conselho escolar puniu o professor com uma advertência por escrito. A família do estudante também vai ser chamada para conversar sobre o assunto.
De acordo com Secretaria de Segurança Pública, entre janeiro de 2010 e junho de 2012, 120 ocorrências de crimes relacionados ao preconceito foram registradas no Distrito Federal. Somente neste ano, foram 35 casos. A maior parte, no plano piloto (19).
Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, a Secretaria da Igualdade Racial do DF lançou o disque-racismo. A partir do ano que vem, todo morador do Distrito Federal vai poder fazer as denúncias por telefone e acompanhar o andamento de cada uma delas.


Fonte: Surgiu 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Jornais repetem discurso pejorativo sobre professores

Jornais repetem discurso pejorativo sobre professores

por João Ortega, da Agência USP

e7 Jornais repetem discurso pejorativo sobre professores
Imprensa ignora problemas na preparação do professor e só fala em exclusão do cargo. Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Valores reproduzidos constantemente na imprensa sobre professores, principalmente da rede pública de ensino, denigrem a imagem desses profissionais. Ao criticar a educação do Brasil, os veículos de comunicação não levam a discussão para as razões do ensino ter se tornado tão precário. Ao invés disso, criticam a atuação dos responsáveis pelo ensino, apontando para sua substituição por profissionais melhores, e não pela melhor formação dos que já estão lá. Esse fenômeno foi percebido por pesquisa da Faculdade de Educação (FE) da USP, em revisão de diversas notícias sobre o assunto.
A jornalista Katia Zanvettor Ferreira, autora do estudo Quando o professor é notícia? Imagens de professor e imagens do jornalismo, analisou notícias de diversos jornais impressos do Estado de São Paulo, entre 2007 e 2011, e percebeu que estes veículos tendem a dar fórmulas para resolver o problema da educação. Dessa forma, tratam a questão de maneira simplória e evitam reflexão e confronto de opiniões. “É a saída reacionária da própria imprensa que direciona o debate da sociedade”, explica. “Minimiza o jogo democrático.”
Katia ressalta que paira sobre os textos dos grandes jornais uma identificação imaginária na temática do professor, ou seja, quem escreve toma o que em seu imaginário é uma verdade como sendo uma “verdade absoluta”. Assim, a tendência é que os textos procurem confirmar aquilo que os escritores acreditam e consideram verdade, sem abertura para posições divergentes. Aparecem nas matérias, dessa forma, uma repetição dos mesmos discursos.
Técnicas
Existem algumas formas de fazer jornalismo que se repetiram nos textos analisados no estudo, e contribuem para a visão prejudicial do professor. A utilização do especialista sobre educação como fonte absoluta é uma delas. A prática de um jornalismo investigativo, com entrevistas em profundidade, levantamento de dados e pesquisas buscando discutir as questões tratadas no texto são práticas cada vez mais raras na grande imprensa. Os jornalistas fazem perguntas superficiais apenas para confirmar aquilo que pressupõem e buscam conseguir falas de entendidos no assunto que justifiquem o seu próprio discurso.
Ainda em relação a entrevistas, nos textos utilizados pela pesquisa, não foi encontrado um princípio básico do jornalismo: buscar todos os lados da notícia. Os veículos de comunicação só apresentam o lado que concorda com a visão prejudicial do professor, sem falar com este ou com outro especialista que o vê de uma forma diferente.
Bandeiras históricas de movimentos sociais são utilizadas para comprovar a tese do veículo. Por exemplo, é quase um consenso entre o povo brasileiro que os salários de professores devem ser aumentados. Entretanto, os jornalistas colocam esse argumento em seus textos de forma excludente: os professores que trabalham hoje nas instituições públicas seriam mal preparados e, portanto, deveriam ser substituídos. Os substitutos, por serem mais competentes, deveriam ser melhor remunerados. Assim, no discurso jornalístico o movimento é de exclusão daqueles que estão no cargo agora, o que cria o reforço de um estereótipo do professor ruim.
O preconceito, segundo Katia, também faz parte das matérias jornalísticas que deturpam a imagem do professor. Ele, entretanto, disfarça-se num raciocínio que aparenta ser lógico. “Dizem que os professores vêm de classes populares e, portanto, são despreparados”. Não são apontados os problemas da preparação, apenas relacionam a incompetência com a origem social.
Pesquisa
A ideia para o estudo formou-se enquanto a jornalista analisava programas de utilizações de jornais no ensino em escolas. Durante esse trabalho, ela revisou diversos jornais, e acabou lendo muitas notícias relacionadas à educação. Então, percebeu nelas a presença dessa visão prejudicial sobre os professores. Não havia grande preocupação com a cobertura da educação e pouco interesse em assuntos particularmente importantes sobre situação dos profissionais do ensino, como greves. A pesquisa é a tese de doutorado da autora, na linha de pesquisa Linguagem e Educação da FE, e foi orientada pelo professor Aleksandar Jovanovic.
* Publicado originalmente no site Agência USP.

Envolverde

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O que me agonia são pais que defendem seus filhos a qualquer custo: Justiça do Rio condena pais a indenizarem professora da filha

O que me agonia são pais que defendem seus filhos a qualquer custo: Justiça do Rio condena pais a indenizarem professora da filha

Jornal do Brasil


Alex Ramos e Marília de Fátima da Conceição Soares foram condenados a indenizar a professora de sua filha em R$ 5 mil, por danos morais. A decisão é da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio.
A professora, responsável pelas disciplinas de produção textual e espanhol da Escola Rural São Vicente de Paula, localizada em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, relata que a filha dos réus, durante uma aula, tirou, sem a sua autorização, uma fotografia de suas nádegas e postou em um site de relacionamento com a descrição “televisão de 42 polegadas”, o que lhe causou vexame e humilhação, pois tomou ciência do fato através dos próprios alunos.
Os pais da menor alegaram que são zelosos e atentos com a conduta escolar da menina e que procuraram a professora, mesmo sob a negativa da filha de ter cometido o ato, para se desculparem. Afirmaram também que não há provas de que a fotografia foi tirada pelo aparelho celular da menor e que houve exagero da autora que poderia ter levado o caso para a direção da escola, pois se tratava de uma questão geral, visto que todos os alunos a difamaram.
De acordo com o relator do caso, desembargador José Carlos Varanda, “o fato viola o direito de imagem e trouxe constrangimentos para a autora onde leciona e os pais são responsáveis pelos atos dos filhos menores”.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Professora 'orienta' pais a dar cintadas em aluno

Professora 'orienta' pais a dar cintadas em aluno


SIMEI MORAIS
DO "AGORA"

Uma professora da escola municipal José de Anchieta, em Sumaré (a 118 km de São Paulo), mandou um bilhete aos pais de um aluno de 12 anos orientando-os a dar cintadas e varadas para educá-lo.

O bilhete, em papel timbrado da escola e escrito à mão, indica que os pais conversem com o garoto e, se isso não resolver, que partam para a agressão. "Se a conversa não resolver. Acho que umas cintada vai resolver (sic)", diz o recado, com erros de português.

Segundo os pais, o menino teve diagnóstico de dificuldade de aprendizagem há dois anos. Ele está na 5ª série e passa por acompanhamento psicológico.

Em outro trecho, a docente afirma: "Esqueça tudo o que esses psicólogos fajutos dizem e parta para as 'varadas'".

A família diz que o aluno sofreu bullying dos colegas após críticas da professora. Os pais teriam procurado a direção, mas não tiveram resposta.

A prefeitura afirma que o aluno continua a frequentar as aulas e que a família foi atendida pela equipe de orientação educacional da escola após a direção tomar conhecimento do bilhete.

Segundo a nota, a Secretaria Municipal da Educação está tomando medidas administrativas e pedagógicas.

A pasta "solicitou à direção que relate os fatos por meio de ofício para que as medidas cabíveis sejam tomadas", afirma o texto.

A secretaria informa ainda que a direção da escola não sabia do envio do bilhete, que, pelas regras, deveria ter passado pela orientação ou coordenação, antes de ser entregue aos pais. O nome da professora não foi divulgado.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Seu filho merece um não

Seu filho merece um não



Bruno Astuto
Um adolescente que pode tudo: ficar na Internet o tempo que quiser, aparecer na sala com 15 tatuagens sem chocar ninguém, voltar para casa a hora que bem entende, dormir com a namorada, que vai acordar de camisolinha e te chamar de “tia” no café da manhã, e até fumar maconha, desde que seja em casa. Pobre dessa velha criança: contra que ela vai lutar, se tudo lhe foi permitido?
Se você acha normal uma menina de 12 anos usar um monte de pulseiras coloridas que, arrebentadas, a obrigam a dar um beijo ou transar, é bom parar de ler esta página. Porque é evidente que ela não tem discernimento algum sobre essa brincadeira inconsequente. E, se tiver, como vai dizer não ao coleguinha? Você se lembra bem de como era duro ser adolescente e ficar de fora da brincadeira da moda, arriscando ser tratada como lixo pela “turma”. Então é melhor mesmo generalizar e proibir essa infâmia.
Muitos pais, depois de ler vários manuais de bobagens, têm medo de dizer não aos filhos por medo de cercear sua individualidade e criar adultos reprimidos, como aprendeu a geração 70, filhos da ditadura e dos divãs dos psicanalistas. Diante do meu espanto com as paredes de sua sala de estar completamente imunda e pichada, uma conhecida disparou: “A Pituquinha é muito artística e a psicóloga disse que não deveríamos proibi-la de pintar nada para não inibir sua criatividade”. Será que a mãe de Monet o deixava pintar a sala de casa e não o obrigava a guardar direitinho os pincéis na caixa em que os encontrou?
Não que eu defenda os pais tiranos, longe de mim. Tem gente que flerta com a loucura ao proibir tudo: dormir na casa do amiguinho, usar um pé de tênis diferente do outro, ir para a matinê com todos os colegas. Mas é preciso saber dosar: não há o menor problema em querer conhecer os pais do amiguinho que vai hospedar seu filho, exigir que ele telefone de vez em quando, vesti-lo e penteá-lo apropriadamente para ir ao colégio (até porque, no futuro, seu chefe não gostará de vê-lo com um pé de cada cor), buscá-lo na matinê para ver que turma é aquela — e fuxicar sempre o Facebook dele, lógico.
E, se um dia, seu filho contestar uma regra imposta — e ele há de contestá-la, pode aguardar — para certas perguntas ainda não inventaram resposta melhor do que “não porque não; a casa é minha, que eu pago as conta e aqui mando eu”. Como era bom o tempo em que nossos pais gritavam para apagar as luzes porque eles não eram sócios da Light. Ou quando ameaçavam nos colocar para fora de casa se não chegássemos na hora determinada. No futuro, quando seu filho for confrontado a uma situação cuja solução depende de disciplina, você será lembrado não apenas pelo que lhe deu, mas pelo que lhe negou.
Uma criança familiarizada aos limites tem grandes chances de ser um adulto consciente de que o mundo não lhe deve nada; que é preciso correr atrás para conquistar aquilo que se deseja; que sua liberdade termina onde começa a do outro; e que o outro não é obrigado a ceder a seus caprichos e vontades.
Também saberá que ninguém é de ninguém; que as pessoas que entram em sua vida não fazem parte de uma corte pronta para servi-lo; que ele não tem controle sobre todas as coisas e sobre os sentimentos alheios; e que, por mais que seja traído ou enganado, não pode sair por aí fazendo — literalmente — picadinho de seres humanos. Está aí outra educação negligenciada, a emocional. Nesse mundo novo de relacionamentos frágeis, em que um casamento pode durar dez anos ou dez dias, em que se pede um divórcio como se vai à feira, uma criança deve também ser iniciada na arte do desapego afetivo, porque só quem recebeu muito não na vida é capaz desuperar uma desilusão amorosa e estar pronto para outra.
Na educação das crianças, é preciso bom senso, como em tudo na vida. E estabelecer regras claras, explicando por que os limites existem e, obviamente, punindo quando eles são rompidos. Porque a vida é duríssima e todo mundo um dia acaba pagando por suas faltas — menos os políticos, é claro.

Na Época
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sábado, 5 de maio de 2012

Educação: Como acabar com as “fábricas de desistentes”?

Educação: Como acabar com as “fábricas de desistentes”?

por Alexandre Sayad, do Portal Aprendiz


160539 Como acabar com as “fábricas de desistentes”?


O diplomata e escritor Joaquim Nabuco, no século 19, avisava que a escravidão penetraria, silenciosa, por muito tempo na sociedade brasileira e acabaria como uma “característica nacional”. Dito e feito.
No entanto,  discussão sobre o  sistema de cotas raciais ou sociais nas universidades públicas oculta uma situação bem mais profunda e complexa no cenário da educação brasileira.
Ser ou não constitucional, as ações afirmativas nunca foram unanimidade na opinião pública; isso desde os anos sessenta no governo Kennedy, nos Estados Unidos. O motivo é claríssimo a todos os lados que compõem o fervor dos debates: um sistema de cotas parte do direito de igualdade de acesso e tem o objetivo de corrigir provisoriamente uma distorção histórica (a falta desse acesso); uma realidade que levou anos para se consolidar – como previu Nabuco. É uma política que se almeja provisória.
Olhando com mais atenção, quem é o negro pobre que chega à universidade hoje?
É literalmente um sobrevivente. Alguém que persistiu e resistiu a todas as tentativas de o arrancarem à força  do sistema formal de ensino – antes da universidade.
Acredito e insisto que é nele, no ensino básico, bem antes da universidade, que reside a chave para a cadeia problemática para todo o acesso e manutenção da qualidade da educação nacional.
Parafraseando o educador norte-americano Geoffrey Canada, continuamos mantendo uma vergonhosa “fábrica de desistentes” em nossa educação pública. Os números estão na casa dos 30%, 40%. A universalização do ensino vira uma pífia lorota partidária perto dessa realidade.
Não há uma pesquisa que não aponte o desinteresse do estudante como fator preponderante da evasão, seguido da necessidade de se trabalhar. O crescimento do Brasil acompanhado de distribuição de renda, em médio prazo, resolve a última.
Mas se as políticas públicas não atentarem à educação artificial, irreal, feita “de isopor” que o currículo proporciona aos seus estudantes, não há crescimento econômico que irá solucionar esses índices.
Neste momento, no Brasil, que me desculpem os economistas, o que menos importa é a universidade. Um ensino básico com capacidade de reter o jovem é capaz , por si só, de formar seres humanos autônomos capazes de girar a economia, política e cultura do Brasil.  E de fazer com que negros, pobres e mulheres cheguem aos milhões à universidade sem a necessidade de cotas.
A maneira com que as políticas públicas se constroem acaba por impedir que o Estado multiplique as centenas de excelentes práticas educativas desenvolvidas por ONGs, comunidades, escolas e universidades. Há limitação em convênios, burocracia em excesso e vontade política em escassez para mudar.
Construir uma escola interessante que retenha o estudante não é perfume, mas necessidade de sobrevivência urgente.
Esse é daqueles problemas que se não dermos a devida atenção, seremos dragados por ele em curtíssimo prazo. E não haverá universidade ou cota que dê jeito nisso.

Vi no EcoVerde

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Travestis e transexuais debatem saúde e educação na UFMG

Travestis e transexuais debatem saúde e educação na UFMG


O cartunista Laerte Coutinho fará palestra no domingo, dia 6 (Foto: Divulgação)O cartunista Laerte Coutinho fará palestra no
domingo, dia 6 (Foto: Divulgação)
O dia 17 de maio é reconhecido internacionalmente como o Dia de Combate à Homofobia. Em Belo Horizonte, as discussões sobre o tema têm início com o 7º Encontro de Travestis e Transexuais da Região Sudeste, que ocorre entre 6 e 9 de maio, no Campus Pampulha da UFMG.

Com o tema “Gêneros, sexualidades e conhecimentos nas políticas públicas de saúde e educação", o Encontro traz palestras, mesas redondas e oficinas com grandes nomes da Academia, do Movimento Social e do Poder Público. Laerte Coutinho, cartunista, fará palestra no domingo, dia 6. A palestra e os demais eventos do domingo são abertos ao público (ver programação completa no site).

“Travestis e transexuais ainda são invisíveis no Brasil. A ideia de promover os encontros na região sudeste nasceu em 2005 para trazer de maneira clara para a sociedade nossas reivindicações, mostrar que existimos e que temos direitos”, explica Liliane Anderson, uma das coordenadoras do evento e educadora social do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG (NUH/UFMG).

Simultaneamente ao 7º Encontro Sudeste, ocorrerá, pela primeira vez no Brasil, o Encontro Nacional da Rede Trans Educ, que trará para a UFMG educadoras travestis e transexuais de todo o país. Na pauta de discussão, a atividade docente e diversidade sexual.

O evento encerra-se no dia 9, quarta feira, com uma visita ao Instituto Inhotim, em Brumadinho, na região metropolitana de BH. O passeio, além do caráter cultural, pretende conferir visibilidade a travestis e transexuais nos diversos contextos urbanos e de lazer. O 7º Encontro é organizado pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG (NUH/UFMG) em conjunto com o Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade de Colatina (GOLD-Colatina/ES) e o Núcleo Trans do Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual (CELLOS-Trans).



No Gay1

sábado, 28 de abril de 2012

Que beleza: Governo de Minas manobra para não investir em saúde e educação

Que beleza: Governo de Minas manobra para não investir em saúde e educação

Ajustamento de Gestão estabelece escalonamento das aplicações até 2014


FOTO: PEDRO SILVEIRA - 3.12.2008
Ajuste. Governo Anastasia foi beneficiado pelo relator Mauri Torres, mais recente conselheiro eleito
O governo de Minas não pretende cumprir os índices mínimos constitucionais, de 25% da receita corrente líquida aplicados na educação e de 12% na saúde, até 2014. A aplicação da receita abaixo do mínimo determinado pela Constituição Federal recebeu aval do Tribunal de Contas do Estado (TCE) na última quarta-feira, por meio de Termo de Ajustamento de Gestão (TAG).

De acordo com o termo, proposto pelo o governo estadual e aprovado pelo TCE, a administração estadual vai cumprir metas escalonadas das receitas até conseguir alcançar o mínimo exigido pela Constituição, o que só deve acontecer em 2014.

Na saúde, os índices de investimento serão de 9,68% da receita neste ano, 10,84% no ano que vem e, finalmente, os 12% exigidos por lei em 2014. Na área da educação, os índices ajustados são 22,82% para 2012, 23,91% para 2013 e 25% apenas daqui a dois anos.

Para o professor e especialista em direito constitucional e administrativo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) Fernando Horta Tavares, o acordo entre o Executivo mineiro e o TCE é irregular e, claramente, fere a Constituição.

"Estamos tratando de duas questões que mexem diretamente com a população mineira, que são a educação e a saúde, garantias básicas do Estado. Ao permitir que o governo espere até 2014 para cumprir com o que define a Constituição, o tribunal está infringindo uma lei", afirmou.

Como define a Constituição Federal em seu artigo 22, assim como a Lei de Responsabilidade Fiscal, Estados devem aplicar, no mínimo, "25% da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino".

Os investimentos em saúde são regulamentados pela Emenda 29 da Lei Complementar 141, de 16 de janeiro de 2012. Segundo a legislação, "Estados e o Distrito Federal aplicarão, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde, no mínimo, 12% da arrecadação dos impostos".

Para Tavares, o TAG seria "uma forma do governo empurrar com a barriga uma ordem constitucional que já não vem sendo cumprida há muitos anos pelos Estados". "Vejo que, mais uma vez, o Estado está arrumando um mecanismo de não cumprir a legislação, ainda mais com o aval de um tribunal fiscalizador", completou o advogado.

Parecer. No entendimento do TCE, no entanto, não há irregularidades no acordo. Aprovado por unanimidade, todos os conselheiros do órgão seguiram o relator Mauri Torres que, em seu parecer, afirmou que, como o TAG foi criado para que o tribunal possa ajustar "medidas para sanar irregularidades e suspender a punição nos casos em que não foi comprovada a má-fé e em que não houve desvio de recursos públicos", é correto haver uma adequação por meio de uma tabela de progressão.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Professora racista ofendeu mais de 15 alunos em escola de Guaramirim

Professora racista ofendeu mais de 15 alunos em escola de Guaramirim


racismo-em-guaramirimSegundo o aluno, a professora teria o chamado de macaco na frente dos colegas de sala. Outros 15 alunos da escola de Guaramirim, no interior de Santa Catarina, também teriam sido ofendidos pela docente.
A professora temporária de língua portuguesa da Escola de Educação Básica São Pedro, em Santa Catarina, é suspeita de racismo. Segundo o estudante de 14 anos, a docente o teria chamado de "macaco".
- Eu tava virado para trás conversando com o meu colega, quando ela mandou eu me virar para frente me chamou de macaco. Eu saí da sala e não voltei.
O pai do aluno registrou um boletim de ocorrência contra a educadora e um inquérito policial será aberto para investigar o caso. De acordo com o delegado Valter Santim Júnior, se o caso for confirmado, a pena é de até três anos.
- Esse crime tem a pena de um a três anos e multa. Pena máxima fixada então são três anos.
O estudante disse ainda que essa não é a primeira vez que a professora insulta os alunos
- Ela nos chama de pobres, mendigos. Coisas assim, para ofender.
Cerca de 15 alunos teriam presenciado a cena de racismo na sala de aula. O diretor da instituição, Joaquim Aguiar, diz que uma educadora como essas atitudes não pode estar em sala de aula.
- Eu penso como educador, e as atitudes que essa professora tomou durante o período que lecionou na minha escola e tenho certeza que nos outros lugares que passou, comprovam que ela não pode estar em sala de aula, trabalhando com crianças.
A professora pediu exoneração do cargo assim que a direção tomou conhecimento da situação. Agora, o caso também será encaminhado à promotoria pública.

Fonte: R7
No Portal Geledés

terça-feira, 20 de março de 2012

Orgulho de ser professora brasileira: Brasileiro é escolhido professor do ano nos EUA

Orgulho de ser professora brasileira: Brasileiro é escolhido professor do ano nos EUA



Alexandre Lopes com as crianças do programa de inclusão que criou na escola Carol City Elementary, em Miami. Foto de Carla Guarilha.
Um brasileiro está fazendo história nos EUA com um projeto de inclusão em escolas: Alexadre Lopes recebeu o prêmio de Melhor Professor do Ano de Miami-Dade.
Ele foi escolhido entre 24 mil professores de todas as escolas públicas do condado.  O processo de seleção é longo e incorpora diversos aspectos do professor, fora e dentro da sala de aula, desde o seu método de ensino à filosofia e politica educacional.
“É um orgulho, uma honra muito, muito grande deles terem escolhido neste país um brasileiro nascido e criado no Brasil”, diz ele.   “Foi um processo intenso de seleção.  “Não foi só pré-escola, não foi só no departamento de crianças especiais, não foi só entre os latinos.  Eu competi em termos de igualdade com todos os professores daqui”.
Lopes ganhou um Toyota novinho, US$5.500 e uma bolsa de estudos na Nova University – que ele abriu mão pois já está cursando o doutorado na Florida International University.

Lopes com seu novo Toyota. Foto de Carla Guarilha.
Mas para ele, o mais importante foi receber o troféu, que simboliza o reconhecimento do seu trabalho. E as homenagens não param. Hoje, Alexandre vai receber uma homenagem de Bárbara J. Jordan, representante de um dos condados de Miami-Dade.

Troféu de Melhor Professor do Ano. Cortesia Alexandre Lopes.

Alexandre Lopes na sala de aula. Foto de Carla Guarilha.
“Levou um bom tempo para conseguir o respeito pelo que eu faço, e acho que foi muito importante ganhar esse titulo, não só por mim mas, por todos os outros professores que trabalham na pré-escola”, diz Lopes emocionado.
Hoje aos 43 anos, o carioca é, agora, o porta-voz de educação de todo o condado de Miami-Dade. O próximo passo é o prêmio estadual com mais 71 concorrentes.  Se ganhar, entra como finalista ao prêmio nacional, que será anunciado no inicio de 2013.
Seu programa de inclusão é composto de dois grupos diários de 12 crianças, de 3 a 5 anos – um de manhã e outro no inicio da tarde. Em cada grupo, há oito que exibem desenvolvimento regular da idade e quatro com algum tipo de desordem que compromete o desenvolvimento, como, por exemplo, o autismo.
“As crianças com autismo estão integradas a um ambiente onde elas tem a capacidade de interagir socialmente com crianças fora do espectro autista”, diz ele. “É uma sala de aula normal, onde temos alunos com autismo e alunos sem autismo.  Não são diferenciados em absolutamente nada”.

Lopes com um dos alunos. Foto de Carla Guarilha.
Numa rotina extremamente bem estruturada, Lopes, apaixonado pela música – e um estudioso de piano desde cedo, usa a sonoridade e a melodia como técnicas de ensino – na comunicação, compreensão e aprendizado de palavras e respeito mútuo.
Na hora que entram na sala de aula, as crianças dão as mãos e formam uma roda, cantando, “we are glad you are here.  Hello to you and me” (“estamos felizes por estarem aqui. Olá para você e para mim”), fazendo com que todos se sintam bem-vindos e unidos.  Lopes usa tambores e canções para ensinar conceitos, como tolerância e o controle emocional: “When you are mad, take a deep breath and relax” (“quando está bravo, respira fundo e relaxa”).  (Veja vídeo no fim da coluna.)
“O que enfatizamos aqui, que de repente não é tão enfatizado em outras salas de aula, — mas que na minha opinião deveria ser enfatizado em todos os lugares — é o ensino da interação social: como lidar com uma pessoa, pegar sua atenção, olhar no olho daquela pessoa, chamá-la pelo nome”, diz o carioca, que atribui parte do seu sucesso ao fato de ser brasileiro – não só pela sua musicalidade mas pela forma que se relaciona com as pessoas.

Foto de Carla Guarilha.
“Eu acho que faço com que cada um se sinta especial, e isso é importante”, diz ele.  “Eu acho que o brasileiro tem isso, quando quer, de realmente mostrar ao mundo do que ele é capaz”.
Lopes nunca se imaginou trabalhando na área de educação.  Nascido e criado em Petrópolis, o carioca se formou em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhava em companhias aéreas.  Sempre gostou muito de viajar, e em 1995, se mudou para Miami.  Aqui, como comissário de bordo, na época pela United Airlines, fazia rotas para a América Latina e servia como intérprete de português e espanhol.  Com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, as companhias aéreas tiveram muitos problemas financeiros, e a United ofereceu um pacote de benefícios para quem se afastasse.  Lopes aceitou imediatamente, e retomou os estudos.  Validou em Miami seu diploma do Brasil e começou mestrado em “Educação Especial” na Universidade de Miami, com foco em crianças autistas, rumo a um trabalho sério que, está rendendo frutos.
DICA:  Alexandre adora correr ao ar livre e comer asinhas de frango no Wilton Wings   em Fort Lauderdale, favorito dos locais.  Telefone: 954-462-9696.  Endereço: 1428 NE 4 Ave., Fort Lauderdale, FL  33304.
Assista ao video de Alexandre Lopes com um de seus grupos de inclusão:
   

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