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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Caso New Hit: 2 garotas estupradas por 8 homens e o silêncio na mídia

Caso New Hit: 2 garotas estupradas por 8 homens e o silêncio na mídia

Jarid Arraes em Mídia 
A grande mídia televisiva tem um modus operandis bastante perverso quando se trata de promover sensacionalismo; por isso, nem sempre essa é a melhor forma de ficar a par das últimas notícias. Enquanto todo o foco das atenções é direcionado para casos das regiões Sudeste e Sul, temas e situações extremamente pertinentes para o povo brasileiro são deixados de lado.
Shows da banda New Hit se multiplicaram, enquanto vítimas precisam de proteção policial (Divulgação)
Um exemplo dessa seletividade excludente é o caso das duas adolescentes que foram estupradas pelos 8 integrantes da banda New Hit, em Ruy Barbosa, Bahia. Há mais de um ano os estupradores permanecem impunes, mesmo após todo tipo de averiguação e análises de DNA, que atestam que o sêmen encontrado nas vítimas pertence a seis deles e comprovam a participação dos outros dois. As meninas de 16 anos, que entraram no ônibus do grupo para pedir autógrafos, foram estupradas em turnos enquanto um PM estava do lado de fora do ônibus e garantia que ninguém interrompesse. Como se não bastasse esse cenário, que já é um horror para qualquer mulher, os membros da banda ainda criaram uma nova música com uma letra intimidadora e as garotas passaram a receber ameaças de morte.
Enquanto as duas garotas precisaram recorrer a proteção policial para terem um pouco de segurança, os shows da banda New Hit se multiplicaram. Vários grupos feministas em todo o país, como por exemplo o Núcleo Negra Zeferina, sempre presente nos protestos e campanhas de conscientização, pressionaram casas de eventos a cancelarem contratos com a banda. Mas apesar de todos os esforços, desde o registro da ocorrência há mais de um ano, o julgamento já foi adiado duas vezes. Na última terça-feira o julgamento teve início e a defesa dos músicos foi novamente vitoriosa em adiá-lo para os dias 17, 18 e 19 desse mês. Mesmo com todo esse infindável drama e dificuldade judicial, e apesar do nível hediondo do crime, a grande mídia continua não dando atenção para o caso.
Quando o assunto é estupro, a cobertura jornalística é bastante uniforme: há muitas insinuações a respeito do caráter das mulheres estupradas, sempre abordando o tema como se tudo não passasse de fantasia e invenção da vítima, sem qualquer compromisso em facilitar um debate sério e efetivo sobre o problema. Há muita misoginia em nossa cultura e, ao contrário do que o senso comum prega, o jornalismo não é uma entidade imparcial e imune aos valores culturais da sociedade. Portanto, jornalistas também reproduzem e naturalizam idéias e atitudes machistas. É muito difícil encontrar profissionais empáticos no meio jornalista e os crimes sexuais são sempre encarados com muita naturalidade.
Meninas teriam entrado em ônibus da banda New Hit para pedir autógrafos (Divulgação)
Mesmo que a mídia pareça repudiar tão veementemente casos de abuso sexual contra menores de idade, não há real esforço em levar o crime da banda New Hit ao conhecimento da população. É notável que as vítimas não são da elite do sudeste, mas sim garotas simples do interior da Bahia, no Nordeste do Brasil, e não há glamour em armar um sensacionalismo ao redor do caso. Não é absurdo perceber o elitismo midiático, que se junta à misoginia para omitir crimes de forma assustadora e quase inacreditável.
É muito preocupante pensar que um estupro coletivo de duas garotas menores de idade, cometido por oito homens e com a ajuda de um Policial Militar, não cause choque. Os estupradores continuam livres, fazendo shows em ambientes lotados de outras adolescentes, e ninguém parece se perturbar com a possibilidade de mais moças serem estupradas. Não é preciso ser grande entendedor da Lei para concluir que homens que estupram seguidamente duas adolescentes são um grupo perigoso que precisa ser detido. Mas a realidade é que quando as vítimas tomam coragem para denunciar seus agressores, além de desacreditadas, precisam lidar com a omissão da justiça.
Apesar da grande responsabilidade que a mídia tem por essa falta de atenção ao crime, não seria correto achar que o problema é culpa exclusiva dos jornalistas. A reprodução da misoginia e do ódio ao feminino, visualizando mulheres sempre como “piriguetes”, “vadias” e “estupráveis”, não é exclusividade dos meios midiáticos. Esses valores são uma parte vergonhosa, mas inegável da cultura brasileira. Os pensamentos de que algumas mulheres valem mais que outras, que certos tipos de roupa provocam estupro e que a culpa pelo estupro é da vítima são as causas desse tipo de quadro assustador.
Não adianta considerar o caso das garotas de Ruy Barbosa como algo isolado. O estupro é uma ocorrência social profundamente enraizada em nossa cultura. Não é verdade que todos estupradores são sociopatas que atacam desconhecidas em becos escuros: pelo contrário, denúncias mostram que a maioria dos estupradores são pessoas comuns, como pais, tios, irmãos, namorados, amigos… e músicos. Os integrantes da New Hit são considerados homens comuns, mas são admirados, e a intensidade do crime cometido é severamente reduzida ou até mesmo ignorada.
É preciso falar mais sobre os estupradores da banda New Hit em apoio as duas vítimas, para gerar mais pressão popular e para que o crime jamais seja esquecido. Façamos o julgamento ocorrer o quanto antes e com justiça, em solidariedade às garotas e às milhares de mulheres que são estupradas todos os dias em situações comuns. Enquanto mulheres forem encaradas como presas sexuais, sem o direito de dizer não, a impunidade permanecerá em casos de estupro. Somente ao levantarmos a voz será possível alguma transformação relevante em nossa sociedade.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

ONU prova que a mídia é contra a democracia e a liberdade de expressão

ONU prova que a mídia é contra a democracia e a liberdade de expressão

O Ornitorrinco

Este vídeo mostra o que se esconde por trás dos ataques sistemáticos da mídia brasileira contra a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner.

Para entender o jogo da mídia contra o que chamam de "kirchnerismo" é importante contextualizar a situação. Antes, vamos usar uma analogia metafórica.

Você mora numa grande cidade em que três padarias controlam a qualidade, a variedade e o preço dos pães que você consome. E uma antiquada lei diz que só os políticos podem liberar concessões para novas padarias. E a maioria dos políticos (responsáveis pela tal lei) são donos das padarias; ou amigos destes; ou representantes dos mesmos. Daí, um governante assume a responsabilidade para criar uma nova lei que visa quebrar o cartel, dificultar o monopólio e facilitar o surgimento de novas padarias. O que faz o sindicato dos donos das padarias? Começa a espalhar panfletos dizendo que o governante quer controlar a produção de pães na cidade e ameaça a sua liberdade de escolher o pão que você vai comer. Agora, imagine se, em vez de mandar imprimir panfletos, os donos das padarias fossem donos de todos os meios de comunicação (jornal, rádio, tv etc) disponíveis. E tente imaginar se, em vez de pãezinhos, os produtos em questão fossem as notícias que influenciam a vida todos na cidade. Uma vez exposta esta metáfora, vamos conhecer um pouco a história da imprensa na Argentina para entender o que isto tem a ver com o Brasil.

Na Argentina, a grande mídia privada era tradicionalmente "chapa-branca", principalmente a partir de 1978 - quando o ditador Rafael Videla praticou de forma criminosa a expropriação da empresa Papel Prensa, que detinha o monopólio da produção de papel no pais. Videla cedeu a Papel Prensa para três grupos: Clarin, La Nacion e La Razion (Hoje com prevalência do Clarin e o La Nacion). A contrapartida para tal "caridade" era clara: os grupos teriam que ter um "objetivo comum", ou seja, dar vazão ao "projeto" de um governo ditatorial, corrupto, violento e entreguista. Com tal golpe, os grupos empresariais passaram a controlar toda a imprensa escrita e adquiriu um poder extraordinário, cartelizando o setor e esmagando a concorrência. Inclusive, correm hoje na justiça da Argentina processos que cuidam de julgar graves acusações de crimes - seqüestros, assassinatos etc - cometidos por conta do golpe na Papel Prensa.

Ante o nebuloso passado, não é difícil entender o porquê de os grupos Clarin e La Nacion terem assumido, até o governo Duahlde (antecessor de Nestor Kirchner), uma postura "chapa-branca". Pois qualquer governante que ousasse pôr a mão no vespeiro da sórdida história por trás dos poderosos barões da mídia, obviamente perderia a "simpatia" dos mesmos. Foi o que fez Nestor Kirchner. Sua sucessora, Cristina Kirchner, foi mais além: deu amplo apoio à reformulação das antiquadas leis das comunicações que davam suporte às injustiças; ao monopólio. É a chamada Ley de Médios - uma revolução na democratização das comunicações -, reverenciada pela maioria dos jornalistas argentinos e que o relator da ONU para a liberdade de expressão, Frank La Rue, definiu como "a mais avançada legislação em favor da liberdade de expressão da América Latina e um exemplo para o mundo". Assim, é tremenda má-fé dizer que Cristina Kirchner estaria cerceando a liberdade de imprensa porque a grande mídia faz oposição ao governo dela. Porque se você raciocinar bem, para o "kirchnerismo" seria muito mais cômodo deixar tudo como está: a grande imprensa elogiando o governo de um lado e a histórica injustiça assombrando de outro lado, com a prevalência do jornalismo chapa-branca monopolizando as verbas publicitárias e sufocando a maioria representada pelos milhares de outros periódicos "não-alinhados" à oligarquia; as rádios não-comerciais etc.

No Brasil, após sistemáticas críticas dos organismos internacionais contra as capengas leis das telecomunicações (permitindo, por exemplo, o clientelismo na distribuição das concessões de rádios e tevês), em 1998 o governo de FHC resolveu fazer uma reformulação meia-boca na legislação. Mas cerca de 70% dos parlamentares que formularam e aprovaram tal legislação eram donos de rádios e tevês ou estavam a serviço destes, ou seja, criou-se uma lei que veio muito mais para restringir do que democratizar o setor. Em suma: criaram uma nova lei que ainda traz graves reflexos dos tempos da ditadura. A nova lei em estudo no Congresso Nacional visa acabar com as vergonhosas barreiras para a distribuição de concessões de rádios e TVs e coibir o monopólio nas comunicações. Mas o jogo é duríssimo. Para barrar tal lei, a chamada "grande mídia" brasileira bolou um fantasma chamado "ameaça contra liberdade de imprensa" na imagem da "ditatorial" presidenta da Argentina e quase todos os dias martela tal "ameaça" nos seus noticiosos.




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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Jornais repetem discurso pejorativo sobre professores

Jornais repetem discurso pejorativo sobre professores

por João Ortega, da Agência USP

e7 Jornais repetem discurso pejorativo sobre professores
Imprensa ignora problemas na preparação do professor e só fala em exclusão do cargo. Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Valores reproduzidos constantemente na imprensa sobre professores, principalmente da rede pública de ensino, denigrem a imagem desses profissionais. Ao criticar a educação do Brasil, os veículos de comunicação não levam a discussão para as razões do ensino ter se tornado tão precário. Ao invés disso, criticam a atuação dos responsáveis pelo ensino, apontando para sua substituição por profissionais melhores, e não pela melhor formação dos que já estão lá. Esse fenômeno foi percebido por pesquisa da Faculdade de Educação (FE) da USP, em revisão de diversas notícias sobre o assunto.
A jornalista Katia Zanvettor Ferreira, autora do estudo Quando o professor é notícia? Imagens de professor e imagens do jornalismo, analisou notícias de diversos jornais impressos do Estado de São Paulo, entre 2007 e 2011, e percebeu que estes veículos tendem a dar fórmulas para resolver o problema da educação. Dessa forma, tratam a questão de maneira simplória e evitam reflexão e confronto de opiniões. “É a saída reacionária da própria imprensa que direciona o debate da sociedade”, explica. “Minimiza o jogo democrático.”
Katia ressalta que paira sobre os textos dos grandes jornais uma identificação imaginária na temática do professor, ou seja, quem escreve toma o que em seu imaginário é uma verdade como sendo uma “verdade absoluta”. Assim, a tendência é que os textos procurem confirmar aquilo que os escritores acreditam e consideram verdade, sem abertura para posições divergentes. Aparecem nas matérias, dessa forma, uma repetição dos mesmos discursos.
Técnicas
Existem algumas formas de fazer jornalismo que se repetiram nos textos analisados no estudo, e contribuem para a visão prejudicial do professor. A utilização do especialista sobre educação como fonte absoluta é uma delas. A prática de um jornalismo investigativo, com entrevistas em profundidade, levantamento de dados e pesquisas buscando discutir as questões tratadas no texto são práticas cada vez mais raras na grande imprensa. Os jornalistas fazem perguntas superficiais apenas para confirmar aquilo que pressupõem e buscam conseguir falas de entendidos no assunto que justifiquem o seu próprio discurso.
Ainda em relação a entrevistas, nos textos utilizados pela pesquisa, não foi encontrado um princípio básico do jornalismo: buscar todos os lados da notícia. Os veículos de comunicação só apresentam o lado que concorda com a visão prejudicial do professor, sem falar com este ou com outro especialista que o vê de uma forma diferente.
Bandeiras históricas de movimentos sociais são utilizadas para comprovar a tese do veículo. Por exemplo, é quase um consenso entre o povo brasileiro que os salários de professores devem ser aumentados. Entretanto, os jornalistas colocam esse argumento em seus textos de forma excludente: os professores que trabalham hoje nas instituições públicas seriam mal preparados e, portanto, deveriam ser substituídos. Os substitutos, por serem mais competentes, deveriam ser melhor remunerados. Assim, no discurso jornalístico o movimento é de exclusão daqueles que estão no cargo agora, o que cria o reforço de um estereótipo do professor ruim.
O preconceito, segundo Katia, também faz parte das matérias jornalísticas que deturpam a imagem do professor. Ele, entretanto, disfarça-se num raciocínio que aparenta ser lógico. “Dizem que os professores vêm de classes populares e, portanto, são despreparados”. Não são apontados os problemas da preparação, apenas relacionam a incompetência com a origem social.
Pesquisa
A ideia para o estudo formou-se enquanto a jornalista analisava programas de utilizações de jornais no ensino em escolas. Durante esse trabalho, ela revisou diversos jornais, e acabou lendo muitas notícias relacionadas à educação. Então, percebeu nelas a presença dessa visão prejudicial sobre os professores. Não havia grande preocupação com a cobertura da educação e pouco interesse em assuntos particularmente importantes sobre situação dos profissionais do ensino, como greves. A pesquisa é a tese de doutorado da autora, na linha de pesquisa Linguagem e Educação da FE, e foi orientada pelo professor Aleksandar Jovanovic.
* Publicado originalmente no site Agência USP.

Envolverde

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Eu posso pressionar, mas você não pode

Eu posso pressionar, mas você não pode


Ministros do Supremo não têm de se preocupar em ser aplaudidos ou vaiados nas ruas



Pressões e contrapressões são inevitáveis em uma sociedade democrática. E é mais do que natural que seja assim. Cada classe, cada grupo, cada corporação, cada indivíduo quer defender seus interesses e para isso se mobiliza e pressiona os que decidem. É uma bobagem dizer que não negocia sob pressão, pois é sob pressão que se negocia.
Há pressões mais fortes, outras mais leves. Há pressões que são feitas com legitimidade, há outras ilegítimas. Falamos de pressões em que não há uso da força bruta, nem chantagens ou ameaças, mas da exercida por palavras e ações que não representam uma violação da lei e das boas normas da convivência democrática. A repressão às pressões violentas que violam a lei também tem de se colocar nos marcos da legislação e da tolerância democrática.
Era engraçado ver alguns jornais e revistas denunciando e criticando pressões que estariam sendo feitas para que o Supremo Tribunal Federal adiasse o julgamento do “mensalão” para depois das eleições. Engraçado porque os mesmos jornais e revistas faziam enorme pressão pelo julgamento imediato e ainda fazem pressão para que o ministro revisor, Ricardo Lewandowsky, apresente logo seu relatório.
Caso típico de dois pesos, duas medidas. Eu posso pressionar, você não pode. Pressão pela condenação dos réus, pode. Pressão pela absolvição, não pode. Defender o julgamento no período eleitoral é legítimo. Defender que seja logo depois, como se dois meses fizessem grande diferença para a Justiça depois de uma espera de sete anos, é ilegítimo.
Tirando a hipocrisia da dupla moral e dos que acham que podem fazer o que outros não podem, nada há demais nas pressões e é assim que a democracia funciona. O que não pode haver, por parte de juízes, é submissão às pressões, venham de um lado ou de outro. Os ministros do Supremo Tribunal Federal são vitalícios, não podem ser removidos de suas funções, justamente para resistirem às pressões dos poderosos e estarem imunes a ações do Executivo e do Legislativo. Do mesmo modo, têm de resistir às pressões da imprensa, ou de grupos organizados, ou de qualquer pessoa, e decidir de acordo com as provas e sua convicção jurídica.
Ministros do Supremo, ou qualquer juiz – até mesmo os de futebol – não têm de se preocupar em ser aplaudidos ou vaiados nas ruas, se as pessoas olham para eles com admiração ou desprezo. Não são políticos, não disputam cargos eletivos. Têm é de proferir sentenças e votos baseados em argumentos jurídicos, e não porque há um clamor, verdadeiro, supervalorizado ou inventado, em determinado sentido. Todos sabem que juízes de futebol que favorecem seus times do coração ou que aceitam a pressão de cartolas ou de torcidas são maus juízes. Na linguagem popular, são ladrões.
Boa parte da imprensa já julgou e condenou os réus do “mensalão”, em conjunto, e quer que o Supremo ratifique integralmente sua decisão. Está no seu papel, embora muitas vezes os fundamentos do jornalismo sejam substituídos pelas posições político-ideológicas. O papel dos ministros é ignorar essas e quaisquer outras pressões, de qualquer lado, e fazer um julgamento correto e justo. E, de preferência, falar menos sobre o assunto antes de proferirem seus votos.

No Brasil247

segunda-feira, 23 de abril de 2012

É só a oposição que quer a CPI do Cachoeira? Mídia passa para a população que sim

É só a oposição que quer a CPI do Cachoeira? Mídia passa para a população que sim 

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Na Istoé
Na Veja
No O Globo

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Mídia, Demóstenes & Cachoeira: A nova temporada de caça


Mídia, Demóstenes & Cachoeira: A nova temporada de caça 


Por Luciano Martins Costa



Começa a se aquecer mais uma temporada de notícias no departamento em que a imprensa brasileira parece mais vivaz: o dos escândalos. Nos jornais de sexta-feira (20/4), as manchetes já nascem com o propósito de desacreditar os personagens que assumem o papel do “bem”. Nas páginas internas, estendem-se os relatos sobre detalhes do esquema revelado, desta vez centralizado por um representante do negócio das máquinas viciadas de apostas.
O primeiro olhar dá ao leitor a sensação de que, desta vez, os jornais estão dispostos a destrinchar o enredo e expor ao julgamento informal e institucional os culpados e seus crimes.
No Estado de S. Paulo, a manchete informa que a Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar as ligações de políticos e empresas com o contraventor Carlos Cachoeira foi criada, mas a bancada governista ainda não havia definido quem seria o relator.
Sabe o leitor que da disposição do relator sai a peça mais ou menos condenatória ao final da CPI. O jornal insinua que o cuidado na escolha desse personagem se deve a uma preocupação com a seletividade dos dados que serão oficialmente incluídos no documento final. Então, na abertura do processo o jornal já planta a hipótese de que, seja qual for o resultado da investigação, haverá suspeitas sobre os investigadores.
Como funciona
O Globotambém noticia a abertura da CPI, mas avança em novas denúncias envolvendo o governador de Goiás, Marconi Perillo, em relações mais íntimas com Cachoeira, tendo contratado para seu governo uma cunhada do contraventor.
Também estende a malha de corrupção até a capital de Minas Gerais, afirmando que o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, contratou a empresa Delta – apontada como beneficiária de licitações fraudadas com o objetivo de lavar dinheiro da corrupção – para uma obra orçada em R$ 170 milhões, ainda antes de ser oficializado o consórcio a ser contratado.
Nesta fase do escândalo, a tática da imprensa parece ser disparar na direção de todas as sombras. AFolha de S.Paulo, porém, avançou uns passos na estratégia de noticiar a iniciativa do Congresso de investigar as acusações, mas ao mesmo tempo criar no público a convicção de que o resultado ficará aquém das expectativas.
A tática consiste em observar, na manchete, que entre os 32 membros da Comissão Parlamentar de Inquérito indicados por seus respectivos partidos, nada menos do que 17 têm pendências com a Justiça. A informação é relevante e cria realmente uma dúvida fundamentada sobre as verdadeiras intenções dos criadores da CPI.
O jornal paulista cita, entre esses personagens de antigos escândalos de corrupção, os senadores Fernando Collor, que sofreu processo de impeachment quando presidente da República, Romero Jucá, alvo de processo criminal, e Cássio Cunha Lima, condenado por crime eleitoral e que só escapou da inelegibilidade pela nova Lei da Ficha Limpa quando o Supremo Tribunal Federal adiou a aplicação da nova norma.
Folha de S.Paulo também apresenta, em suas páginas internas, um infográfico de página inteira, fartamente ilustrado, que “explica” o funcionamento do esquema, conforme os dados já disponíveis e publicados pelos jornais.
Dois olhares sobre a notícia
Do ponto de vista de uma leitura superficial, a coleção de reportagens seria suficiente para criar a convicção de que a imprensa está cumprindo bravamente seu papel.
Embora ainda não tenham aparecido os resultados de uma investigação jornalística, pode-se dizer que o leitor mais ou menos atento já tem uma noção bastante clara de como funciona a transferências de dinheiro dos cofres públicos para bolsos privados por meio do esquema aparentemente organizado pelo contraventor Carlos Cachoeira e o senador goiano Demóstenes Torres.
Também deve se consolidar no leitor a sensação de que tal esquema, por suas características primárias, revela a fragilidade dos sistemas de controle do Estado.
Aqui começa uma leitura subliminar que deve merecer a atenção do observador. Se os próprios investigadores são suspeitos, por já haverem ocupado em algum momento o banco que agora é esquentado pelo senador Demóstenes Torres, quem assegura o equilíbrio e a lisura do julgamento?
Sem deixar de considerar que a imprensa cumpre com empenho seu papel de fiscalizar os poderes institucionais, é preciso atentar para o direcionamento de reportagens e artigos que, muito além de apontar culpados, se concentram em demonizar e marginalizar o próprio Estado.
Portanto, é preciso acompanhar a cobertura do presente escândalo com dois olhares: aquele olhar sobre os fatos objetivos, compostos pelos indícios que revelam as culpabilidades, e o olhar sobre intenções subjetivas, de ordem ideológica, que procuram consolidar na sociedade a sensação de que a instituição pública não funciona – mesmo quando se sabe que o ato de corromper quase sempre nasce na iniciativa privada.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O repórter que não gosta de ouvir - Como a mídia estimula a xenofobia

O repórter que não gosta de ouvir - Como a mídia estimula a xenofobia

jplanyiPor José Paulo Lanyi
Como a mídia estimula a xenofobia
O imigrante africano insistia: "Existe racismo na Itália!" O repórter florentino anotava com ar de reprovação. O senegalês subia o tom: "A Itália é um país racista!" O jornalista meneava a cabeça para os lados e fazia cara de desagrado. "Como assim, racismo na Itália? Você diz que a Itália é um país racista.Por que você diz isso?", reagia o repórter, inconformado. O africano explicava. O seu interlocutor discordava com uma ênfase de chamar a atenção. De férias em Florença, eu mesmo presenciei esse diálogo no entardecer do dia 13 de dezembro.
Poucas horas antes, um maluco fascista matara e ferira imigrantes negros na cidade. Originário de Pistoia, o escritor Gianluca Casseri abrira fogo contra senegaleses que vendiam roupas e bolsas na Praça Dalmazia. Depois de acertar quatro deles, entrou no carro e foi para o Mercado de San Lorenzo, local em que trabalham muitos imigrantes. Lá, ele atirou em mais dois africanos. No total, seis pessoas foram atingidas. Dessas, duas morreram. Em seguida, Casseri se suicidou com um tiro na garganta.
Quando souberam dos crimes, dezenas de senegaleses saíram pelas ruas da cidade para protestar e foram agredidos pela polícia na Praça da República. "Em Florença nunca havia acontecido algo assim, tão grave. A polícia reagiu, foi com um aparato pesado", testemunhou a jornalista brasileira Kátia Lôbo Fiterman. "Os senegaleses estavam desarmados, desesperados, mas não eram violentos. Eles falam alto, gesticulam muito, são altos, fortes, e os italianos veem esse comportamento como agressivo, quando na verdade os africanos muitas vezes só estão conversando. Foi pancadaria mesmo, a polícia bateu, os africanos apanharam sem reagir", diz ela. "E nenhum jornal deu isso." Não é de se estranhar que não tenham dado, a julgar pela recusa acintosa daquele repórter de avaliar uma crítica que está longe de ser absurda, conhecendo-se minimamente a cultura e a história da Europa.
O repórter que não gosta de ouvir
A própria Fiterman sabe bem o que diz. Ela mora na Itália há vinte anos. Cidadã italiana com direito a voto ("E não votei no Berlusconi!"), trabalha há 12 com imigrantes na Caritas Diocesana de Florença. "Este é um momento intenso ante a comissão pelos refugiados políticos que chegam da Líbia e provenientes de muitas partes do mundo", diz ela. "Trabalhei e estou trabalhando como uma danada, junto aos meus colegas, para ver se conseguimos convencer quem não se quer convencer, a respeito desse inviolável direito de continuar existindo."
Anos antes, no Brasil, a jornalista produziu para o Jornal da Bahia e para o Folha Sete e colaborou com Gilberto Dimenstein na revista Sem Fronteiras, com a reportagem "Rua Madrasta", sobre a situação dos menores no Brasil. Na Itália, escreveu artigos sobre menores imigrantes e a respeito do embargo a Cuba, entre outros temas.
Conversei com a jornalista para tentar entender o que havia acontecido naqueles dias. Para começar, ela confirmou o que o entrevistado africano tentara, sem sucesso, explicar ao repórter que não gostava de ouvir: "De modo geral, o florentino é racista. Muitas vezes a gente tentou encontrar trabalho para imigrantes, e muita gente dizia: 'Sim, eu quero uma pessoa pra tomar conta da minha mãe, pode ser qualquer pessoa, mas não negro.' 'Por que negro não?', eu perguntava. 'Porque a pessoa tem pele escura, a gente tem medo da pele escura'." Talvez o repórter impaciente não se lembrasse de uma das explicações para essa "paúra" toda: "Na Itália, o bicho-papão dos contos infantis é o homem negro [l'uomo nero]", diz a brasileira.
Mídia "ajuda" a repressão
Parte dessa culpa, porém, pode ser atribuída à própria mídia, explica Fiterman. "O jornalismo italiano é bastante decadente porque os meios de comunicação, infelizmente, como nas ditaduras, estão concentrados nas mãos de pessoas com interesses econômicos internos, vedados aos estrangeiros. Isso complica a cabeça das pessoas, dos próprios jornalistas."
Para ela, outra razão é o vale-tudo na hora de contratar. "O jornalismo na Itália não tinha a obrigatoriedade de um curso de formação, muita gente que trabalha nos meios de comunicação tem uma formação em ciências humanas, mas muitos chegaram pelo clientelismo, 'o amigo do amigo', e isso empobrece as redações."
O pano de fundo para o tratamento da notícia seria político e ideológico. "Não se pode ir contra as tendências dos partidos sobre a repressão aos imigrantes. A tendência hoje é impedir o fluxo de pessoas, a costa da Itália é grande, é difícil controlar as fronteiras. A mídia 'ajuda' muito nesse sentido. Se um italiano atropela alguém, não é notícia. Se é um estrangeiro atropela, é notícia. No caso de um estupro ou de um homicídio normalmente não se publica o nome e o sobrenome de um acusado italiano. Se for um estrangeiro, não só se diz o nome, o sobrenome e o lugar onde nasceu, como se publica a foto dele", lamenta.
"Acerto de contas"
O preconceito sairia das ruas para as páginas de informação. Em Florença, imigrantes são chamados por muitos pela forma pejorativa "vu comprá". É que muitos deles, na Itália há pouco tempo, ao vender os seus produtos nas ruas não sabem como falar "vuole comprare?"["quer comprar?"]. Assim, acabam perguntando aos transeuntes: "Vu comprá?"
Fiterman chegou a ler uma explicação com esse termo para o atentado fascista daquela tarde de inverno. "Na internet deram esse fato como um acerto de contas entre 'vu comprá', eles colocaram as coisas em outro plano. Um acerto de contas significa que havia alguma pendência entre eles, o que não era verdade. Para quem escreve esse tipo de coisa, as pessoas que morreram não eram pessoas, mas 'vu comprá', elementos para se eliminar realmente."
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[José Paulo Lanyi é jornalista e escritor]

domingo, 18 de dezembro de 2011

Federação Nacional dos Jornalistas condenou a partidarização da mídia: Que a mídia entenda que o silêncio é a maior censura

Federação Nacional dos Jornalistas condenou a partidarização da mídia: Que a mídia entenda que o silêncio é a maior censura








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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Setores conservadores se apropriam de forma oportunista e distorcida do debate sobre o combate à corrupção



Setores conservadores se apropriam de forma oportunista e distorcida do debate sobre o combate à corrupção

Por Lúcia Rodrigues na Caros Amigos


A corrupção virou tema recorrente nos noticiários da dita grande mídia nos últimos meses. Todos os veículos se esforçam para fazer crer que realmente combatem essa chaga que se espalhou pela sociedade e que são os verdadeiros paladinos da ética. Seria cômico se não fosse trágico. 

Assim como os corruptos e os corruptores, o quarto poder é uma das peças dessa engrenagem que movimentam a corrupção em nosso país. A corrupção é endêmica ao capitalismo, um não vive sem o outro. E como os donos da grande mídia não propõem uma ruptura com o sistema, conclui-se que o discurso propagandeado em defesa da ética é falso, oco, vazio. 

Por isso, o discurso dos comentaristas e o noticiário em geral têm sempre um enfoque moralista, conservador e não revela o que, de fato, está por trás e motiva a corrupção. 

Caros Amigos sai da vala comum e leva ao leitor uma visão que realmente explique qual é o elemento causal e irradiador da corrupção que se alastra na sociedade brasileira. Para isso, entrevistou o cientista político Francisco Fonseca, professor do curso de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, o juiz José Henrique Rodrigues Torres, presidente do Conselho Executivo da Associação dos Juízes para a Democracia (AJD), o historiador Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), e o dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, Valter Pomar. 

Qual deve ser a postura da esquerda em relação aos casos de corrupção no sistema capitalista? 

Francisco Fonseca - A esquerda necessita olhar o tema da corrupção sob dois ângulos: a luta pelo caráter republicano do Estado e ter clareza quanto à opacidade do Estado brasileiro, o que permite a apropriação dos recursos pelas diversas elites. Nesse sentido, a agenda da esquerda deve ser, ao meu ver: máxima transparência do Estado, por meios diversos, e apoio à participação da sociedade organizada no Estado. 

José Henrique Rodrigues Torres – A corrupção tem sido encarada e enfrentada, atualmente, e há muito tempo, no Brasil e, especialmente, no contexto capitalista mundial, sob a égide do neoliberalismo, como um problema de desvio de condutas individuais. E a resposta a essas condutas desviantes, segundo esse discurso dominante, deve ser buscada no âmbito do direito, especialmente do direito penal. Esse é o discurso da direita. Um discurso sedutor, que tem encantado até mesmo a esquerda, que o reproduz. Assim, todas as soluções propostas, tanto pela direita como pela esquerda, são intrassistêmicas e fi cam reduzidas ao âmbito moralista individualizador. Seu objetivo, oculto pela direita e não percebido pela esquerda, é preservar o sistema e, especialmente, sob a ótica neoliberal, transferir o seu controle à iniciativa privada. O corrupto seria, então, um ser imoral ou até mesmo naturalmente amoral, mas o sistema é bom e deve ser preservado. E, como a corrupção seria algo intrínseco ao serviço público, corrupto por natureza, caberia aos setores privados assumir o controle. A direita e a esquerda, assumindo de forma paradoxal um discurso hegemônico, pregam, então, que a corrupção é fruto do desvio moral de condutas individuais e que a impunidade a alimenta. O corrupto é, assim, demonizado em sua individualidade moral e, obviamente, a punição seria a principal solução. Todavia, é preciso lembrar que o direito penal é um forte instrumento de sustentação da estrutura de poder e de controle social. Aliás, é a parte mais repressiva e violenta desse sistema de controle: criminaliza os marginalizados para mantê-los distantes do centro de poder e criminaliza as pessoas dos próprios setores hegemônicos para que sejam mantidos e reafi rmados no seu rol e não realizem condutas prejudiciais aos seus interesses. Tudo é feito, enfi m, com o objetivo de salvar o sistema político e econômico. E o direito penal, no seu processo seletivo de controle social, atinge, primacialmente, os vulneráveis, integrantes dos setores periféricos, ou seja, aqueles que não têm a proteção do sistema, que praticam crimes grotescos e que, por isso, são visibilizados e vulnerabilizados. Mas, há, ainda, aqueles que, posto que integrantes dos setores hegemônicos, praticam também crimes grotescos, o que também os visibiliza e vulnerabiliza. E, fi - nalmente, há aqueles que, por perderem a proteção do sistema, são atingidos também. Aí estão os corruptos. Tem razão Camões: “perdigão que perde a pena, não há mal que não lhe venha”. Enfim, o Sistema Penal, que é essencialmente simbólico e irracional, realiza, na sua atuação pragmática seletiva, um violento controle dos setores marginalizados, possibilita o incremento da faculdade sancionatória arbitrária dos agentes policiais, fomenta a imposição de penas e execuções sem processo e alimenta o conteúdo repressivo e punitivo de ações institucionais que se escondem nos oníricos encantamentos de discursos terapêuticos ou assistenciais. Portanto, é propositadamente falsa a afi rmação de que é possível acabar com a corrupção, adotando-se um sistema punitivo prevencionista, especial ou geral. 

Osvaldo Coggiola - Lutar contra o Estado burguês, cuja estrutura é inseparável da corrupção, assim como o crime é inseparável do capitalismo, sendo inclusive uma fonte de lucros para o capital (indústria do seguro, da segurança, etc.), como mostrou Karl Marx n´ ”O Capital”. Por um Estado-Comuna, pelo governo operário e camponês. Mostrar o vínculo entre corrupção, negócios, e acumulação capitalista. O problema é que 99% da esquerda renunciou a essa luta, porque renunciou à luta contra o Estado burguês, considerada “utópica”. 

Valter Pomar - Denunciar, combater os efeitos e eliminar as causas. Para o quê se faz necessário entender as raízes da corrupção. 


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Regulação da mídia terá de ocorrer, diz Franklin

Este assunto ainda vai dar pano prá manga,mas tem que se enfrentado.

A blogsfera deve acompanhar e divulgar todas as informações sobre este tema, pois se deixarmos para a mídia hegêmonica, seremos manipulados, como sempre.

Franklin Martins tem peito!


Regulação da mídia terá de ocorrer, diz Franklin


BRASÍLIA - Em tom beligerante, o ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo federal, Franklin Martins, afirmou ontem que a regulação do setor de mídias no Brasil vai ocorrer nem que para isso seja preciso enfrentar os adversários. "Nenhum grupo tem o poder de interditar a discussão. A discussão está na mesa. Terá de ser feita. Pode ser num clima de enfrentamento ou de entendimento."

A declaração do ministro foi feita na presença de autoridades estrangeiras da área, na abertura do seminário internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, organizado por ele. O ministro convidou autoridades de outros países para debater o tema entre ontem e hoje.

Ele quer entregar até o fim do ano um anteprojeto de regulação do setor à presidente eleita, Dilma Rousseff. A atuação do ministro tem sido vista por entidades da área, entre elas a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), como um movimento do atual governo para regular o conteúdo produzido pelos meios de comunicação, embora ele negue isso enfaticamente.

Em seu discurso, Franklin classificou de "fantasmas" as críticas que tem recebido. O maior "fantasma", segundo ele, é a tese de que o governo quer ameaçar a liberdade de imprensa ao levantar o debate sobre o tema. "Essa história de que a liberdade de imprensa está ameaçada é bobagem, fantasma, é um truque. Isso não está em jogo", disse.

O ministro subiu o tom e afirmou que as reclamações são fruto de "fúrias mesquinhas". "Os fantasmas passeiam por aí arrastando correntes", ressaltou. "Os fantasmas, quando dominam nossas vidas, nos impedem de olhar de frente a realidade. Os fantasmas não podem comandar esse processo. Se comandarem, perderemos uma grande oportunidade."

Segundo ele, a intenção do governo é dar uma atenção especial ao setor de radiodifusão em detrimento da telecomunicação. "O governo federal tem consciência de que nesse processo de convergência de mídia é necessário dar proteção especial à radiodifusão", afirmou.

Ressalvas

O discurso de Franklin foi recebido com ressalvas pela Abert."Enxergamos de modo diferente. Não estamos vendo fantasmas. São coisas que estão acontecendo", disse Luis Roberto Antonik, diretor-geral da entidade, sobre os movimentos do governo de controle de conteúdo.

Segundo ele, é preciso discutir, entre outras coisas, a atividade jornalística na internet. Franklin aproveitou o evento para alfinetar a imprensa. "Não haverá qualquer tipo de restrição. Mas vamos com calma. Isso não significa que não pode ter regulação. Liberdade de imprensa não quer dizer que a imprensa não pode ser criticada, observada", afirmou o ministro. "Liberdade de imprensa quer dizer que a imprensa é livre, não necessariamente boa. A imprensa erra."

Políticos

Em entrevista coletiva após o discurso, Franklin defendeu um controle de conteúdo sobre temas ligados, segundo palavras dele, ao respeito à privacidade, a campanhas discriminatórias, cultura regional, entre outras coisas. "No mundo inteiro isso é feito", justificou. O ministro criticou ainda a propriedade de canais de televisão por políticos.

"Todos nós sabemos que deputados e senadores não podem ter televisão", observou, baseado no dispositivo da Constituição que proíbe que parlamentares mantenham concessões de comunicação. De acordo com Franklin, o setor virou "terra de ninguém" e os parlamentares usam "subterfúgios" para comandar emissoras. "A discussão foi sendo evitada e agora é oportunidade para que se discuta tudo isso", defendeu o ministro.




segunda-feira, 5 de abril de 2010

Contra factóides, trabalho de qualidade....

O jornal O Globo de hoje, criou um factóide.
O Azenha já havia respondido, com argumentos sólidos e provas concretas.
No blog brasilmobilizado, postagem de hoje destaca e rsponde ao factóide do O Globo.
Quem compara não tem dúvidas.
Assiste "Nova àfrica" na Tv.Brasil




por Luiz Carlos Azenha

O que podemos fazer diante dos factóides, das mentiras, da picaretagem do esgoto? Mostrar serviço.

É por isso que convido vocês a verem esta noite a revista Nova África, na TV Brasil, às 22 horas.

Vocês vão entender melhor porque uma TV pública de qualidade assusta tanto. Para além da inveja de quem não sabe fazer, o fato é que uma TV assim abre os olhos dos telespectadores para a realidade de que é possível fazer televisão que eduque, que suscite debate, que traga informação e que sirva também de entretenimento. Destruir a TV pública é, portanto, o objetivo daqueles que não querem nem mesmo que exista um parâmetro pelo qual o público possa medir a qualidade da programação das TVs comerciais.

Mais do que isso, destruir a produção independente é essencial para quem pretende ter controle absoluto e verticalizado do mercado: em uma ponta, da produção editorial; na outra, da disseminação do conteúdo. Os monopolistas buscam controle editorial que lhes aumente o poder de barganha diante da classe política e lhes dê controle sobre os preços e salários do setor.

No episódio desta noite, a equipe da Baboon vai até a Etiópia explicar como o cristianismo sobreviveu em uma região de muçulmanos. E visita uma incrível catedral de Lalibela, a cidade sagrada dos etíopes, toda escavada em um único bloco de pedra.

As imagens são de Henry Ajl, a reportagem de Aline Midlej, a produção de Tatiana Barbosa, o roteiro de Aldo Quiroga, a edição de Augusto Simões, a consultoria histórica de Conceição Oliveira, a narração de Sérgio Roberto Ribeiro, a mixagem de Rafael Gallo e a finalização gráfica de Fernando Clauzet.

Diante da grande demanda de professores por episódios da série para uso em sala-de-aula, a TV Brasil está preparando o lançamento da revista Nova África em dvd.

Friso, mais uma vez, que a Baboon Filmes ganhou uma concorrência pública para fazer a série e que minha relação com a produtora é de assalariado, ainda que a turma do esgoto fale em cifras milionárias com o único intuito de confundir e destruir. Prefiro mostrar serviço.

terça-feira, 30 de março de 2010

Lula, Galileu e a elite que não digeriu o sapo barbudo



Eu cresci numa época em que era muito difícil perceber onde estava a direita brasileira. Tirando os personagens folclóricos, todo mundo se dizia centro-esquerda. Vejam vocês, até o PSDB tinha esta “Social-Democracia” no nome.

Tudo se diluía na “geléia” da modernidade. Os tempos eram outros, “a história tinha terminado”, na frase célebre daquele tal Francis Fukuyama, a quem a história, felizmente, já esqueceu.

Vivíamos o mundo do neoliberalismo. Defender a importância do Estado era antiquado, “jurássico”.

Não havia mais diferença entre nacional ou estrangeiro, público ou privado, e a palavra “social” foi substituída por uma vaga idéia de “inclusão”, que viria, com o tempo, do “politicamente correto”, da “responsabilidade social” e da “eficiência” e dos “ganhos de produtividade”.

A resistência ao império destas idéias era, além de antiquada, tachada de obtusa, quase uma cegueira ideológica: chata, ranzinza, desinteressante.
Os políticos que as defendiam tinham dois caminhos: ceder à ideologia dominante ou verem, progressivamente, suas lideranças definharem.

Para sobreviver, era preciso mostrar-se “adaptado” e “respeitoso” com as “leis do mercado”, que substituíam o ser humano como valor supremo.
A Carta aos Brasileiros de Lula não foi um pouco isso?

Nos tempos da Inquisição, o matemático e astrônomo Galileu Galilei para evitar a morte na fogueira teve de proclamar a um tribunal que a Terra, e não o Sol, era o centro do Universo conhecido e era fixa no espaço, tal – como dizia a Igreja – Deus a teria criado. Mas diz a lenda que, ao sair do julgamento, teria sussurrado: contudo, ela se move.

E a Terra se moveu. Aceito pelas elites, Lula pôde chegar ao Governo, embora para chegar – e para ficar – tivesse de fazer muitas concessões e- por que não confessar? – decepcionado muitos de nós que esperávamos mudanças mais radicais e velozes.

Porém se, de um lado, Lula tinha certa razão ao pretender “comer o mingau pelas beiradas”, de outro isso lhe custou um certo desgaste político. Teve, para fugir do dilúvio, como Noé e Getúlio, de embarcar uma fauna heterogênea e até bizarra na arca de sua aliança.

Mas hoje algo diferente do que costuma acontecer. Lula refinou-se, é verdade. Ele próprio o reconhece, brincando, numa fala muito engraçada:
“Gente, eu estou aqui falando da nova era que tem início hoje, falando de uma transcendência incomensurável”. “Vocês estão acreditando que estou dizendo isso? Nem eu estou crendo em mim mesmo. Agora pouco falei concomitantemente, daqui a pouco vou falar en passant e ainda nem usei o sine qua non. Para quem tomou posse falando menas laranja tá bom demais”
A própria brincadeira mostra que esse refinamento não lhe deformou as origens e a ligação atávica com o povo brasileiro.


Como naquela frase que Brizola disse antes de dar seu apoio a Lula em 1989, não foi “uma maravilha ver nossas elites tendo que engolir um sapo barbudo?”
Sim, engoliram-no. Mas não o digeriram no suco gástrico de seus salões como fizeram a Fernando Henrique, que se acreditou príncipe.
Ontem à noite eu fiquei escrevendo e pensando nisso.

Quando falei do tal “Comando Marrom”, estava pensando não especificamente nesta ou naquela pessoa. Mas no traço comum do discurso virulento que vem assumindo, totalmente desprovido de laços com a realidade.
A toda hora estou lendo nos jornais frases sobre “cubanização” do Brasil, “chavismo” de Lula, atentados à “liberdade de expressão”, às instituições e à democracia. Pelo simples de receber o presidente do Irã, quase que o associam a um “terrorismo islâmico”.

Faça a si mesmo uma pergunta: em que você está sendo coagido? Você conhece alguém que esteja sendo coagido em sua liberdade pelo Governo? Alguém foi demitido, perseguido, preso? Evidente que não.

Mas nossos jornais – e logo as televisões, escreva – assumem um discurso furibundo, falando em ameaças, em perigos à democracia. Porque democracia, para eles, é o seu governo, o governo dos seus grupos, não um governo que, se ainda não é do povo, está do lado do povo. Como na histórica frase de Getúlio, em 50: “hoje estais com o Governo, amanhã sereis governo”, o Governo Lula, por ser uma mudança de rumos, é o início de um novo caminho.

Nada os deixa mais apavorados do que a possibilidade de Lula ser sucedido por Dilma, que domina as ferramentas ideológicas e a compreensão histórica das lutas sociais do povo brasileiro, embora não tenha o carisma e a identidade carnal que Lula mantém com elas. Temem que, por isso, ela possa aprofundar as mudanças que Lula, no seu empirismo e sensibilidade política, soube encaminhar e iniciar.

É esta a idéia que deixa a direita em polvorosa. Na verdade, essa é a razão da histeria que origina estes espasmos que se assemelham ao discurso das forças que prepararam a derrubada de João Goulart no pré-64. Embora ele não fosse, pessoalmente, acusado de “comunista”, seu governo era “comunizante”. Ele, “populista”, “demagogo”.
Jango era, dizem-me todos, um homem avesso a conflitos, mas impregnado do espírito de justiça que marca o trabalhismo. O que assistimos hoje, em boa parte da mídia conservadora, assemelha-se ao discurso moralista – e falso – da UDN e ao fundamentalismo moralista e religioso da TFP (Tradição, Família e Propriedade). Hoje ela teria outra sigla, onde só a propriedade ficaria, trocando a tradição e a família pela “modernidade” e o “capital”.
Substituindo Deus pelo Mercado, quem sabe não estarão logo organizando uma Marcha?
Fonte:Brizola Neto
Tijolaço

segunda-feira, 29 de março de 2010

Amor com amor se paga - Lição de um aprendiz esperto



De fato. Não se pode maltratar ou discordar de quem nos ajuda - seria falta de respeito, consideração, estima, bom senso; seria perder a noção do perigo etc..

Deve ser por isto que o nobre jornalista Gilberto Dimenstein, da Associação Cidade Escola Aprendiz (CNPJ/MF 03.074.383/0001-30) escreveu Professores dão aula de baderna e Uma greve contra os pobres e também Vocês desrespeitam os professores, da qual citamos o brilhante trecho:

Até que ponto o sindicato dos professores não está chamando uma manifestação para amanhã, na frente do Palácio dos Bandeirantes, à espera de um conflito e uma foto na imprensa? Nada contra a manifestação em si. Mas a suspeita é inevitável. Os dirigentes do sindicato são filiados ao PT, interessado em desgastar a imagem de José Serra, que está deixando o governo estadual para se candidatar à Presidência. Também sabemos que na cúpula do sindicato existem os setores mais radicais da esquerda como PSOL e PSTU.
Como se sabe, ali é área de segurança e se alguém passar da linha a polícia é obrigada, por lei, a intervir.
Seria mais um desrespeito à imagem do professor se fosse apresentado à sociedade como gente que não obedece a lei.
Você, que tem ao menos dois neurônios sadios, entendeu a mensagem, né não? Então nem vamos ousar explicar.

Por outro lado, por sermos adeptos de outras lições, resolvemos atender aos instintos mais viscerais e mostramos que a teoria é verdadeira na prática: não se pode morder a mão que nos afaga. Assim que, só por alto, mostraremos a palma carinhosa que só tem feito bondades ao importantíssimo educador de São Paulo.

“Planilha do balanço e prestação de contas do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente” (FUMCAD)
Organização: Associação Cidade Escola Aprendiz
(ano – nome projeto – validade – atendidos – idade – valor)


2006

Escola na Praça (de 02/05/06 a 01/05/07) – 170 – 04 a 16 anos – R$264.446,00
Trilhas Urbanas (de 02/05/06 a 01/05/07) – 95 – 15 a 17 anos – R$144.510,00
2007

Projeto Trilhas na Vida (de 01/03/07 a 01/03/08) – 160 – 14 a 17 anos R$776.566,30
Aprendiz das Letras (de 01/07/07 a 29/02/08) – 60 – 04 a 15 anos – R$87.594,72
Percurso Formativo (de 01/07/07 a 29/02/08) – 70 – 12 a 18 anos – R$222.300,00

2008

Trilhas na Vida (de 01/04/08 a 31/03/09) – 120 – 14 a 17 anos/11 meses – R$848.744,39
Aprendiz das Letras (de 01/05/08 31/12/08) – 60 – 04 a 15 anos – R$85.610,00
Percurso Formativo (de 01/05/08 31/12/08) – 115 – 11 a 18 anos – R$369.840,60
(DO da Cidade de SP 5/fevereiro/2009 - e páginas seguintes)


Àquilo tudo acrescente as renovações que assim se iniciam:

CONSIDERANDO: - o artigo 7º, da Lei 11.123, de 22 de novembro de 1991, segundo o qual o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente é órgão de decisão autônomo e de representação paritária entre o governo municipal e a sociedade civil; - que em 19 de abril de 2008, foi publicado no veículo oficial de comunicação desta cidade o Edital FUMCAD 2008, cujo objeto é estabelecer procedimento e realizar processo de analise e seleção de projetos que poderão ser financiados pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - FUMCAD/SP/2008 que estejam em consonância com as políticas públicas da Criança e do Adolescente da Cidade de São Paulo e que sejam inovadores e/ou complementares, conforme reunião realizada no dia 17 de abril de 2008, que aprovou o texto final deste Edital; - que a Comissão Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, no uso das suas atribuições, aprovou o projeto...

Comunidade Educativa - Escola na Praça: Despacho Processo nº 2008-0.311.233-1 - por 12 meses a partir de 02/04/2009 (para 75 adolescentes) = R$439.474,17 (DO Cidade 26/março/2009)


Formação - Agência de Notícias: Despacho Processo nº 2008-0.315.519-712 - por 12 meses a partir do dia 01/04/2009 (para 20 estudantes de 14 a 18 anos) = R$108.302,00 (DO Cidade 31/março/2009)

Trilhas: Despacho Processo nº 2008-0.315.522-7 - por 12 meses a partir de 02/04/2009 (para 60 adolescentes) = R$317.834,56 (DO Cidade 2/abril/2009)
Com a Secretaria de Cultura do Estado, firmou singelo contrato (Processo SC 001653 /2009 - Contrato 457 /2009) de 36 meses em referência ao projeto Escola da Rua, relativo ao Edital: Pontos de Cultura do Estado de São Paulo. Valor praticamente simbólico de R$60.000,00 (DO 25/dezembro/2009).

Total geral (parcial) daquele aprendiz que trata com amor aqueles que o amam: R$3.725.222,74.

Em breve teremos mais do mesmo parceiro da Microsoft, SEE-SP, Prefeitura de SP, Revista Nova Escola, Editora e Fundação Abril, Colégio Bandeirantes, COC, Fundação Vanzolini, Uninove, Universia, Camargo Correa, UOL... Aguarde neste aracno blog.

PS-
Informamos que o cachorro apenas fez pose para a foto e não deve nada a ninguém.


Fonte:NaMariaNews