Mostrando postagens com marcador cracolândia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cracolândia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Promotores querem condenação de Alckmin por ação policial na 'cracolândia'

Promotores querem condenação de Alckmin por ação policial na 'cracolândia'

Homem é preso durante operação realizada pela
Polícia Militar  - Foto: Nelson Antoine/Folhapress
O Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE) apresentou nesta terça-feira (12) ação civil pública contra o governo do estado de São Paulo por causa da ação policial realizada no bairro da Luz, no centro da capital paulista, na região também conhecida como “cracolândia”. A intenção é obter a condenação do Estado por dano moral coletivo em favor dos dependentes químicos e da sociedade devido ao que consideram um "fracasso total".
Na ação, o MPE pede que o governo pague indenização de R$ 40 milhões e a proibição por liminar das "procissões do crack", em referência à ação de policiais militares que obrigam dependentes químicos a se movimentarem sem destino na região. De acordo com os promotores, as procissões só causam humilhação, sem solucionar o problema. Eles opinaram que a indenização servirá para construir e firmar os direitos humanos. Cópia do processo também será enviada à Procuradoria Geral de Justiça que pode decidir apurar, inclusive, a responsabilidade do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na ação.
Os promotores de Habitação e Urbanismo, de Infância e Juventude, de Saúde Pública e de Direitos Humanos concluíram a apuração iniciada em janeiro, quando a chamada Operação Sufoco, conduzida em parceria pelo governo estadual e pela prefeitura, deteve dezenas de moradores de rua e de dependentes químicos da região, que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) pretende vender à iniciativa privada para dar lugar à Nova Luz.

Inútil
A conclusão do inquérito civil reforçou pontos que haviam sido citados em janeiro. Na visão dos promotores Maurício Ribeiro Lopes, Luciana Bergamo Tchorbadjian, Arthur Pinto Filho e Eduardo Ferreira Valério, a operação policial apenas serviu para promover ações violentas, com graves violações de direitos humanos.
Além disso, a operação se mostrou inútil para quebrar a logística do tráfico, apresentada como o argumento central para a atuação, e ampliou a atividade de traficantes em outras ruas ao simplesmente espalhar o problema. A apuração concluiu também que a população não se sente mais segura para circular pela região, outro índice de fracasso do trabalho, e os dependentes químicos não tiveram acesso a tratamento médico eficaz.
A atuação do governo do estado também criou dificuldades para atuação de agentes sociais e sanitários, devido à quebra de vínculo de confiança entre os agentes e os dependentes químicos. Segundo os promotores, a operação também violou o princípio constitucional da eficiência da administração pública e despendeu "vultosa importância de recursos públicos".
Questionado de onde partiram as ordens para a operação Sufoco, Valério citou a realização de reuniões no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado. Mas, conforme o promotor, não foi possível saber de onde partiu o comando.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Perdeu, Kassab: TJ concede direito de ir e vir a morador de rua da Cracolândia


Perdeu, Kassab: TJ concede direito de ir e vir a morador de rua da Cracolândia





O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) assegurou o direito constitucional de ir, vir e permanecer em via pública a um dependente químico, morador de rua na região da Cracolândia. O autor do pedido, mesmo sem antecedentes criminais, relatou ser vítima de humilhações, agressões diárias e constrangimentos por parte das polícias civil e militar que atuaram na região, dispersando grupos de usuários de crack. Não cabe recurso dessa decisão.

De acordo com o processo, durante a Operação Sufoco, deflagrada na região no início de 2012, o homem foi abordado em três ocasiões diferentes, no prazo de sete dias, tendo sido humilhado e ameaçado pelos policiais sem qualquer justificativa para a abordagem.
Os defensores públicos, Daniela Skromov e Bruno Shmizu, que representaram o morador de rua na Justiça, destacam que o homem não possuía antecedentes criminais, nem mandado de prisão expedido em seu nome.

A Defensoria Pública de São Paulo trabalhou na região colhendo denúncias sobre a truculência policial e o abuso de poder demonstrado durante as abordagens feitas aos usuários de drogas e moradores de rua.
A ação foi proposta contra o Comando Geral da Polícia Militar do Estado e pedia a garantia de “circular e permanecer em locais públicos de uso comum do povo a qualquer hora do dia, não podendo ser removido contra a sua vontade, salvo se em flagrante de delito ou por ordem judicial”. Além disso, pedia também a garantia do direito à todos os cidadãos que se encontrassem em situação semelhante.

De acordo com o desembargador Márcio Bártoli, relator do caso, a abordagem e a busca pessoal só podem ser realizadas quando houver suspeitas fundamentadas de que o indivíduo porte arma proibida, objetos ou papéis que constituam corpo de delito. “Se a liberdade de ir e vir não é absoluta, devendo ceder espaço à necessidade da preservação da segurança pública, da mesma forma, não se justifica a atuação desrespeitosa, sem preparo e arbitrária de policiais que estão sob o comando dessa mesma autoridade.”

No entanto, a decisão, da 10º Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, considerou impossível estender os efeitos da decisão a outros cidadãos, dada a sua indeterminação. Para que isso ocorra é necessário que sejam apresentados elementos e informações concretas que demonstrem o mesmo contrangimento ilegal, afirmou o desembargador.

Resultado da Ação

Conhecida também como Operação Sufoco, a operação teve início em 03 de janeiro deste ano, com o objetivo de coibir o tráfico de drogas e resgatar pessoas em estado de vulnerabilidade. De acordo com o último levantamento da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, divulgado em 17 de março, foram realizadas 317 prisões em flagrante, 88 condenados foram recapturados e  as abordagens somam 33.564.
Segundo a Defensoria, foram colhidas 70 denúncias de abusos cometidos durante a operação policial, documentadas através de fotos e identificação das vítimas, para encaminhamento à Secretária de Justiça.

Última Instância

domingo, 22 de abril de 2012

Diário de médico vira reportagem inédita sobre a Cracolândia

Diário de médico vira reportagem inédita sobre a Cracolândia


A equipe de jornalismo da Record trabalhou três meses na produção do documentário especial que mostra o submundo do crack de um jeito jamais visto. Acompanhe na reportagem o relato assustador de quem entrou no quartel general do maior mercado de crack do mundo.

Para ler na íntegra AQUI

sexta-feira, 30 de março de 2012

E os pobres no meio do caminho?

E os pobres no meio do caminho?

Cerco policial, repressão e especulação imobiliária em Curitiba são exemplos de um processo em curso no país sob o pretexto dos megaeventos

Pedro Carrano
450 integrantes das polícias de Curitiba participaram da
operação no bairro Uberaba - Foto: Felipe Rosa/Folhapress

Nas 12 comunidades e vilas do bairro do Uberaba, na periferia de Curitiba, trabalhadores e habitantes do local conheceram a experiência de uma “ocupação” de cerca de 450 policiais, um operativo denominado Unidade do Paraná Seguro (UPS), projeto piloto cuja comparação é inevitável com o modelo da contraditória Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), do Rio de Janeiro. Ao longo de uma semana de cerco policial no bairro – que prossegue até o momento – foram presas 17 pessoas, três delas no dia da invasão da PM, com o pretexto de combate ao tráfico e à violência. Mais de 2.500 abordagens foram feitas, para apenas 34 mandados de busca e apreensão cumpridos. Ao final, não houve apreensão de drogas e armas. Cerca de 300 policiais permanecem na área para a instalação da UPS.
Há suspeitas, por parte de pesquisadores do tema, de que esses fatos tenham relação com possíveis remoções futuras em áreas de ocupação irregular, tendo como foco a “higienização social” e o terreno limpo para a vinda de turistas durante a Copa do Mundo, uma vez que o bairro está no corredor entre o aeroporto e o centro da capital. Há locais em Curitiba com maior índice de violência, uma vez que Uberaba é a região considerada a terceira mais violenta de Curitiba. É certo que outras experiências como essa estão no horizonte do governo do Paraná. Até o final de 2012, Curitiba deve contar com 10 UPSs. No interior do estado, entre 20 e 25 cidades devem receber a experiência até 2014, de acordo com declarações do secretário de Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César.
 Abusos
Entidades de direitos humanos repercutiram a denúncia de que o servente de pedreiro Ismael Ferreira da Conceição, jovem afrodescendente de 19 anos, foi preso sem motivo e torturado por policiais militares. O poder, por sua vez, esquiva- se e classifica que o caso não repercute na totalidade da UPS. Embora a divulgação tenha sido de uma suposta tranquilidade do operativo, como expressaram os veículos de mídia corporativa, entusiastas da ação, caso da RPC (filial da Rede Globo), as fotografias de fuzis apontados para moradores, em casas extremamente simples, deixam no ar a desconfiança sobre o método da ação. Denúncias de pessoas que realizam trabalho social no Uberaba apontam que moradores são usados para que a polícia chegue aos pontos de tráfico. “Na primeira semana, eles mostraram terror, apontando a metralhadora para todo mundo, intimidando no ônibus, inclusive o meu filho foi tratado como se fosse suspeito. Essa semana já houve um assassinato. Partem do princípio de que todos são bandidos”, descreve uma professora, moradora da região.
Ainda este ano serão implantadas mais 10 UPSs
em Curitiba - Foto: Giovani Santos/Polícia Civil/SESP
“Nossa leitura é de que há uma ‘policização’ das relações sociais e de polícia, relação social que não apresenta para a comunidade educação, saúde, não leva creches para a população. As políticas de assistência social não precisam de polícia, mas o discurso é como se fosse necessário primeiro esse tipo de ação”, reflete André Giamberardino, pesquisador do núcleo de práticas jurídicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Na análise dele, a criação de um contexto de medo interessa ao capital privado. “O medo do crime se tornou uma matéria- prima que dá origem a vários produtos, um deles é o voto. Apela para a emoção da pessoa e produz muito lucro, por meio do mercado da segurança privada, que representou o segundo maior lucro dos últimos anos de empresas privadas no Brasil”, afirma.
É preciso levar em conta nesses casos de repressão direta, ou então em ações de militarização de territórios comandados pelo Estado, como é o caso das UPPs, o fato de serem levadas a cabo principalmente por governos declaradamente direitistas, como é o caso de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, governados pelo PSDB ou por governadores da base conservadora do governo, como acontece no Rio. Outro fator decisivo, os interesses das imobiliárias financeirizadas têm peso grande em ações de despejo como a que foi feita na Cracolândia, em São Paulo, na mesma semana da repressão contra os moradores do Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos, cujo terreno, pertencente ao mega-especulador Naji Nahas já está cotado em R$ 500 milhões após o despejo. “(...) tem-se em grande medida aumentado o espraiamento urbano, com consequências para o meio ambiente, os transportes e a infraestrutura, além da especulação imobiliária em curso, sem controle estatal algum. Os instrumentos do Estatuto da Cidade não têm sido quase utilizados, de modo que não há freios para a renda da terra crescer.
O mercado imobiliário tem uma particularidade, quanto mais se produz mais caro fica o produto, ao contrário da produção industrial de bens de consumo. Isso porque há escassez de terras. Se não houver uma regulação pública, a máquina de crescimento imobiliário vai se travar ou vai voltar a concentrar seu mercado. O que estamos assistindo é uma verdadeira anti-reforma urbana e a privatização da política habitacional”, afirma o arquiteto e urbanista Pedro Arantes, ao analisar o quadro atual dos programas de moradia e do acesso do povo a eles.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Fábio Assunção detona ação na Cracolândia

Fábio Assunção detona ação na Cracolândia


Em seu perfil oficial no Facebook, o ator Fábio Assunção manifestou repúdio à postura de autoridades e de parte da sociedade que defendem a ação policial na região da Cracolândia, no centro de São Paulo.
Assunção, que recentemente foi internado numa clínica para dependentes químicos, escreveu que a discussão em torno do assunto “deixa evidente a dificuldade do homem em assumir e ser honesto frente à questão da dependência”.
Perfil do ator Fábio Assunção no Facebook.



“Quem realmente anda batendo cabeça não me parece ser apenas os dependentes de álcool e drogas”, escreveu o ator.
Sem citar o nome do governador Geraldo Alckmin (PSDB), ele criticou o fato de as autoridades passearem pela Cracolândia “como se estivessem no Simba Safari, olhando os animais do carro, rezando para não serem atacados”.
Assunção lembrou que 14% da população mundial, cerca de 700 milhões de pessoas, convivem com o problema e citou a “hipocrisia” com que os dependentes são tratados pela opinião pública, reduzidos à mera condição de “drogados”.
“Enquanto não nos libertarmos do nosso sentimento equivocado de superioridade aos que vivem num labirinto de desespero e solidão, e enquanto não formos honestos com nossas vidas, essa tristeza vai continuar”, escreveu.
“Um dia seus filhos os farão pensar sobre isso de forma humanitária. Nada como um dia após o outro. Crime é fechar os olhos àquilo que precisa de inteligência e verdade, além, claro, de amor”, completou.
Muito formador de opinião não conseguiu tocar tão perto da ferida.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Entidades fazem protesto contra Operação Cracolândia



Entidades fazem protesto contra Operação Cracolândia

churrascao-cracolndia-ae-g-20120114Grupos, entidades e coletivos deram início, na tarde deste sábado (14), a uma manifestação contra a Operação Cracolândia. O "Churrascão da Gente Diferenciada versão Cracolândia" começou por volta das 16h na rua Helvétia, local tradicionalmente ocupado por usuários de droga na região central de São Paulo e um dos principais alvos da operação policial.
O intuito da manifestação, segundo o coletivo Dar (Desentorpecendo a Razão), um dos responsáveis pela mobilização de hoje, é protestar contra o tratamento dado aos dependentes do crack, alvo da operação policial. "Higienismo, preconceito, segregação, violência, intolerância, tortura, abuso de autoridade e mesmo suspeitas de assassinato passaram a ser ainda mais constantes nos dias e principalmente nas madrugadas do bairro", diz o grupo em página sobre o evento divulgado pelo coletivo no Facebook, por meio do qual cerca de 4.000 pessoas confirmaram presença.
O nome do evento faz alusão a uma manifestação realizada no ano passado em Higienópolis, em protesto a moradores do bairro que se declararam contrários à construção de uma estação de metrô na região, uma das mais valorizadas da capital paulista.
O coletivo diz que o "churrascão diferenciado" é um tipo de evento que ficou marcado na cidade como forma de combater, de maneira bem humorada e crítica, o preconceito e o racismo dos políticos e das elites paulistanas. "Na cracolândia todo mundo é gente como a gente", diz.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que soube da manifestação por redes sociais e não tem mais informações.


sábado, 14 de janeiro de 2012

Os valentões donos de São Paulo

Os valentões donos de São Paulo


Janeiro de 2011: o ataque de Alckmin aos estudantes que protestavam contra o aumento abusivo das tarifas de ônibus. Clique na imagem para ver o vídeo
Quando um governador e um prefeito não aprendem nada – mesmo repetindo seus mandatos várias vezes – e apelam para a violência dos limitados mentais a cada situação crítica, acabam contaminando todos os escalões de seu governo com sua inépcia. Por isso o policial que perdeu a cabeça e partiu para agressão ao estudante durante o ataque de Alckmin à USP não é totalmente responsável por seus atos. Tivesse a corporação desse policial o comando de um governador realmente capaz de enfrentar os desafios com a responsabilidade e o bom senso que seu cargo exige, seus subordinados não cometeriam aquele abuso de autoridade (veja o vídeo da agressãoaqui).
Nem é o caso aqui de colocarmos todo o PSDB ou DEM na mesma panela de Serra, Alckmin e Kassab. Mafiosos encravados há vários mandatos no comando de São Paulo, estes três possuem identidade diferenciada no leque da direita brasileira. O limite deles é o mesmo de um estuprador, de um agressor de namorada, esposa ou de um zagueiro pé-de-cabra. Frequentemente apelam para truculência contra o povo que reivindica ou protesta, mesmo que pacificamente. Outro dia, em seu meio-mandato rumo à derrota de 2010, lá estava José Serra dando porrada nos professores da rede pública em plena Avenida Paulista. Em seguida, Kassab que mal havia assumido a prefeitura, foi gravado pelas câmeras de TV insultando, aos berros, um cidadão que reclamava do péssimo atendimento da saúde em São Paulo (veja o vídeo aqui). Ainda no início de seu mandato, seus caminhões pipa dirigiam os jatos de água sobre os catadores de lixo reciclável e suas carroças enquanto dormiam durante a lavagem noturna das ruas do centro. Desde aquela época, sua gestão higienista visa escorraçar gente que “destoa” para a periferia.  —>
Hoje, Alckmin é o valentão que ataca os doentes da Cracolândia, os alunos da USP, o povo que reclama dos aumentos abusivos das passagens de ônibus… Mas em seu mandato anterior, foi ele quem apanhou do PCC e se rendeu aos seus chefes miando fino e fazendo concessões em acordo secreto depois de assistir por duas longas semanas a cidade sendo transformada em praça de guerra e vários de seus policiais sendo assassinados.
Fevereiro de 2010: Kassab distribui porrada no protesto dos alagados da periferia. Clique na imagem para ler a matéria. Imagem Nelson Antoine/Foto Arena/AE
Não é por outro motivo – senão o desprezo e a segregação racial contra a população que mora fora das áreas nobres da cidade e na periferia – que São Paulo vê surgirem repetidas agressões a gays, nordestinos, moradores de rua e outras minorias. Assim como não é por outra razão que brotam nas redes sociais jovens destilando racismo e xenofobia, somando centenas de seguidores. Fascista potencial, escondido em seu anonimato, só precisa de um estímulo para desentocar e “desabrochar” seus instintos. Guardadas as devidas proporções, a metodologia de Serra, Alckmin e Kassab não fica a dever nada a Hitler.
De tão viciados no eterno troca-troca em famíglia, muitos setores dos seus governos andam por conta própria. As empreiteiras – irmãs de sangue de Maluf e amigas íntimas de Kassab e Alckmin – deleitam-se há vários mandatos no baile financeiro blindado das obras inúteis como o Rodoanel, duplicação das marginais ou a ponte estaiada sobre o Rio Tietê. Mesmo privilegiando o transporte individual, não conseguem dar vazão ao trânsito caótico de uma São Paulo que só consegue respirar em feriados prolongados. Para o povão, constroem 1 km/ano de metrô mantendo-os enlatados na ida e volta ao trabalho além de cobrarem as passagens mais caras do Brasil nos ônibus igualmente insuficientes.
Novembro de 2011: quando os chefes não respeitam o cidadão, seus subalternos seguem o exemplo. Aqui, a guarda municipal "higieniza" a praça que, ironicamente, chama-se "Praça da República"... Clique na imagem para ver o vídeo.
A cada desafio que surge, o cacoete é o mesmo: privatizar para livrar-se do fardo de gerenciar ou… porrada! O ataque à Cracolândia – “sua mais perfeita tradução”, parida e crescida em suas gestões – não é sequer uma tentativa de solucionar o problema das drogas. (Mesmo porque, não se atrevem a tocar nas elites que usam cocaína!) A limpeza da área está ligada ao projeto “Nova Luz” – que pretende desapropriar, expulsar moradores e demolir o bairro da Luz, no centro de São Paulo para, entregá-lo à iniciativa privada (veja excelente vídeo a respeito aqui).
Eternamente amparado pela conivência do PiG amigo, o trio vende à opinião pública paulista uma Suíça, mas entrega uma Bagdá. Como nunca aprendem, mesmo depois de anos de “experiência”, Serra, Alckmin e Kassab ainda enxergam a governança por dois prismas: o primeiro é o clássico trampolim nos degraus que levam ao Palácio do Planalto. (E quando não alcançam a meta, têm garantidas de volta as cadeiras do governo e da prefeitura.) O segundo, é o da comunicação. Neste quesito, ainda estão no século passado, onde o que mais importava não era o fato em si, mas a maneira de noticiá-lo ou mesmo omití-lo por completo. Latrocínio, por exemplo, tornava-se “morte por causa desconhecida”, maquiando, assim, os índices de criminalidade. Cortes nas despesas com a varreção das ruas o e recolhimento do lixo (que nos últimos anos transformaram São Paulo na maior cidade-lixeira do Brasil) são resultado, segundo eles, do “paulistano ser porco por natureza” (veja aqui). E não adianta questionar qualquer maracutaia em suas gestões: sua base na Assembléia de São Paulo engaveta até pensamento contrário a eles.
Até hoje, passavam seus mandatos inteiros chutando o traseiro do paulistano que, por sua vez, “desculpava-se nas urnas” por merecer isso. Mas, este ano, há um cheiro diferente no ar desta cidade. Será o “super cabo eleitoral” se preparando para dar “um bote chamado Haddad”? Toc, toc na madeira! Dessa vez nem o PiG vai conseguir dar um jeitinho…

sábado, 7 de janeiro de 2012

Como? Quem governa São Paulo,então? Alckmin, Kassab e comando da PM não sabiam de início de ação na cracolândia

Como? Quem governa São Paulo, então? Alckmin, Kassab e comando da PM não sabiam de início de ação na cracolândia


A Operação Cracolândia foi precipitada por uma decisão do segundo escalão da Polícia Militar (PM) e do governo do Estado. Há dois meses, a ação era planejada em alto nível. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e as cúpulas da Segurança Pública, Assistência Social e Saúde das duas esferas de governo estavam acertando tudo para que o trabalho começasse em fevereiro, depois da abertura de um centro de atendimento com capacidade para 1,2 mil usuários de drogas na Rua Prates, no Bom Retiro.


Policiais fazem revista na região da cracolândia - Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE
Policiais fazem revista na região da cracolândia
Eles queriam evitar, por exemplo, que os dependentes se espalhassem pela cidade depois do cerco à cracolândia. Outro objetivo era evitar que a operação focasse apenas políticas de segurança pública, ampliando-a para as pastas sociais.
Até que na segunda-feira houve uma reunião de segundo escalão, na qual Luís Alberto Chaves de Oliveira, o Laco, coordenador de Políticas sobre Drogas da Secretaria de Estado da Justiça, disse ao coronel Pedro Borges, comandante da região central de São Paulo, que o governador queria a operação. O coronel disse que poderia fazê-la de imediato, pois tinha acabado de receber 60 homens da escola de soldados.
Assim, na manhã de terça-feira, ele pôs o time em campo sem nem sequer avisar o Comando-Geral da PM, o governador e a Prefeitura. E acabou criando um mal estar entre os dois governos.
No primeiro momento, só a PM participou. A Prefeitura achou que a Segurança Pública queria aparecer sozinha. Kassab conversou com o governo estadual e ouviu as explicações. O próprio coronel teve de se explicar com o Comando. A cúpula da Segurança queria saber por que ele havia feito a operação sem informar ninguém.
Ainda na terça de manhã, quando a operação começou, o governador questionou o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, e o comandante-geral da PM, coronel Álvaro Camilo. Nenhum deles sabia de nada. Já com os policiais na rua, a Prefeitura convocou equipes de limpeza e de assistência social e a PM teve de dar continuidade à operação que só estava prevista para fevereiro.
Reunião. Ontem, o Comando da PM foi convocado para uma reunião de emergência no Palácio dos Bandeirantes. Alckmin queria explicações do comando. Embora estivesse no QG quando todos foram convocados, o coronel Alvaro Camilo não foi ao palácio.
Estiveram na reunião os coronéis Danilo Antão Fernandes (subcomandante-geral) e Marcos Roberto Chaves (comandante do Policiamento da Capital), além do coronel Pedro Borges. A reunião começou tensa, mas terminou sem nenhuma demissão. A história do mal-entendido com Laco prevaleceu.
Entre os coronéis da PM, no entanto, a atuação de Borges tem outra explicação. Muitos acham que sua ação se explica pela mudança obrigatória do Comando-Geral, que ocorrerá em maio. Borges teria antecipado a operação pensando na cadeira de comandante-geral. Só não esperava a reação dos demais envolvidos no caso.
Camilo ficou irritado - viu na atitude do subordinado uma ameaça a seu relacionamento com Kassab - 30 dos 31 subprefeitos de São Paulo são coronéis da PM. O prefeito preferia que a operação fosse deflagrada após 4 de fevereiro, quando planeja inaugurar o galpão que receberia as pessoas que seriam retiradas da cracolândia.
Ao ver a ação da PM, ele considerou que foi como se ela tivesse "resolvido o problema". À Prefeitura, coube então o papel de inoperante. Ontem, novas explicações foram dadas a Kassab para tentar apaziguá-lo. E a ação nas ruas continua em meio a cotoveladas entre os chefes.
Questionado pelo Estado, o governo do Estado negou precipitação. Segundo assessores do governador, Alckmin havia dado chancela para que PM e Coordenadoria de Políticas sobre Drogas escolhessem o momento adequado de pôr a tropa na rua. Mas não negou que ele desconhecia a data de início. Segundo a assessoria, não há mal-estar no governo e na relação com Kassab.
O coronel Borges afirma que tomou a decisão porque no começo de janeiro, quando parte dos paulistanos viaja, caem as taxas de crimes e diminui o trânsito, o que libera o efetivo de policiais para operações de grande vulto. Borges afirma que tomou a decisão "em acordo com as demais pastas da Prefeitura e do Estado". "Mas não sei se a Prefeitura ou o governador foram consultados", disse.
Discurso. O comandante da PM, Álvaro Camilo, que oficialmente estava de férias e só voltaria na próxima semana, confirmou que não sabia da data da ação. E disse que o chefe do centro tinha autonomia para decidir. No governo, há a tentativa de afinar o discurso de que, independentemente do que ocorreu, o que importa é que daqui para frente todos trabalharão juntos. / COLABOROU BRUNO PAES MANSO