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sábado, 26 de janeiro de 2013

Alô, Secretaria de Políticas para as Mulheres: Mulher que sofreu estupro coletivo não foi atendida pela Delegacia da Mulher de Curitiba

Alô, Secretaria de Políticas para as Mulheres: Mulher que sofreu estupro coletivo não foi atendida pela Delegacia da Mulher de Curitiba

Estupro coletivo em Curitiba demonstra crueldade de uns e insensibilidade de outros

Vanessa Fogaça Prateano - Blog Mulherio



 / Assim como na Índia, no Brasil a vítima de estupro tem pouco suporte do EstadoAssim como na Índia, no Brasil a vítima de estupro tem pouco suporte do Estado
Tão grave quanto os números sobre estupro no Brasil - 5.312 casos apenas no primeiro semestre de 2012, aumento de157% em relação ao mesmo período de 2009 - e em Curitiba -76 estupros e 21 tentativas de estupro em 2012 - é o tratamento dado às mulheres que sofrem este tipo de crime.
Falta de estatísticas, rede de atendimento falha ou inexistente, preconceito e falta de preparo por parte dos profissionais que atendem os casos e um sistema de educação que alimenta uma moral dupla em relação a homens e mulheres são alguns dos problemas encontrados em todo o país pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquéritoda Violência contra a Mulher, que encerrou diligências em dezembro e deve apresentar relatório em março.
O caso de estupro coletivo vivido por uma mulher de Curitiba e divulgado ontem, dia 24, é o cúmulo do absurdo, uma história que choca não apenas pela barbaridade - seis homens a estupraram a mando do marido, 
"inconformado" com o fim do casamento -, mas pelo atendimento precário e desrespeitoso à vítima, assim como o andamento das investigações - uma situação que parece de mentira, de tão absurda.
Durante a apresentação do caso, a vítima disse aos jornalistas que cobriam o crime que - pasme-se - ela não foi atendida pela Delegacia da Mulher de Curitiba. No local onde deveria ser atendida com respeito, privacidade, onde deveria haver mulheres que, supunha-se, teriam solidariedade pelo caso e estariam mais aptas a ajudá-la, ela ouviu que deveria ir a outra delegacia.
Finalmente, a vítima encontrou guarida na Delegacia de Furtos e Roubos, e fez o boletim de ocorrência. Como pode, em um país que tem uma das três melhores leis de gênero do mundo, uma mulher que foi estuprada por seis homens ser mandada embora de uma delegacia especializada, e disputar a atenção de um delegado que investiga furtos e roubos?
Quando questionada pelo repórter Diego Ribeiro, a mulher à frente da delegacia, Maritza Haisi, disse que não sabia do caso. Por acaso as delegacias não se conversam e vivem cada uma no seu mundo, em prejuízo do cidadão? A informatização do sistema existe apenas no papel e no discurso de policiais e da Secretaria de Estado de Segurança Pública?
Por fim, após ser informada pela reportagem a delegada afirmou que, por se tratar de estupro com roubo, o caso deveria ficar a cargo da Furto e Roubos. Neste caso, ao colocar numa balança um crime contra o patrimônio e outra contra a vida (houve tentativa de homicídio) e contra a dignidade sexual, o patrimônio falou mais alto? Qual é o bem jurídico mais importante que foi subtraído e ofendido? Se, de fato, a delegada estiver certa, a lei não serviu para nada. Se não estiver, deveria rever os posicionamentos que vem tomando à frente da unidade policial mais importante da capital quando o assunto é a defesa da mulher.
Quem pode atender?
Este caso pontual mostrou a insensibilidade do poder público, mas todos os dias, mulheres que são agredidas se deparam com uma infraestrutura que desanimaria até o mais renhido dos seres humanos. A falta de uma rede articulada e atuante de assistência, que una prevenção, educação, atendimento e repressão, hoje desestimula milhares de mulheres a procurar uma delegacia e registar o fato, alimentando um ciclo vicioso em que o criminoso continua a atuar por entender que este é um crime pouco passível de punição. “Se houvesse aplicação da lei e punição de fato, os homens não fariam isso”, disse à Gazeta do Povo a senadora Ana Rita (PT-ES), relatora da CPMI.

Em Curitiba, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), deveria haver cinco delegacias e dois Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (JVDFM) na capital, mas há apenas um órgão de cada tipo. O resultado são delegacias cheias, com profissionais estressados e despreparados para atender casos como esse, muito mais complexos e assustadores do que um assalto ou um roubo de carro. E juizados que não conseguem processar a imensa quantidade de casos que chegam às mãos dos juízes.

 / A mudança da mentalidade machista começa na infânciaA mudança da mentalidade machista começa na infância
Em agosto passado, a CPMI descobriu que, das 2.222 denúncias por estupro que aguardavam decisão do Judiciário até aquele momento, apenas 10 haviam tido julgamento e, destes, apenas dois resultaram em condenação. A CPMI pediu explicações ao Tribunal de Justiça do Paraná, mas durante uma reunião com os parlamentares, uma desembargadora disse não ter conhecimento dos números. Como imaginar que, diante desta situação de impunidade, a vítima terá forças para denunciar e ir adiante?
Há outros problemas gritantes de infraestrutura: a inexistência de umCentro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça (CAOP)dentro do Ministério Público Estadual que atenda especificamente a mulher - hoje há um Núcleo de Gênero dentro doCAOP de Direitos Humanos, o que é um avanço, mas numa cidade onde se lavram mais de mil Boletins de Ocorrência por mês, e onde há uma defasagem de três delegacias da mulher, certamente há demanda para que o MP crie um CAOP próprio para atender a mulher e fiscalizar esses órgãos - tanto os da capital quanto os do interior, onde a situação é mais lastimável.
Além disso, onde estão as casas-abrigo (previstas na Lei Maria da Penha)? Onde uma mulher ameaçada pelo marido irá para resguardar a própria vida e a de seus filhos? Neste crime em questão, a mulher ficou escondida por meses, e hoje mora de favor com uma irmã. Teve de sair do emprego em dois hospitais para se esconder.

A lei preconiza que a mulher que está sendo ameaçada deve ir para uma casa-abrigo, e durante este tempo, será afastada do trabalho, sem prejuízo de seu posto e salário, e será, durante este tempo, auxiliada financeiramente pelo Estado. Onde é que estavam os profissionais que deveriam atender esta mulher e dizer a ela no que a lei poderia ajudá-la? Agora, além de transtornada psicologicamente e ferida fisicamente, é uma pessoa sem teto e sem emprego. É o famoso caso da pessoa que paga pelo crime do qual foi... a vítima.
Por fim, mas mais importante do que tudo nesta história, há ainda o preconceito de gênero e o machismo que alimentam o ciclo de violência que ainda deverá vitimar mais mulheres. Que impede a denúncia, por medo e culpa. Que faz a sociedade, o policial, o advogado duvidarem da palavra da mulher. Que exigem dela detalhes pavorosos do crime, e que relativiza o ocorrido.
“Ainda há uma ideia de que o homem é o proprietário do corpo da mulher. Quando ela se recusa a aceitar isso, ele comete crimes tão bárbaros como esse, uma tentativa de reafirmar seu poder”, diz a advogada Leila Linhares Barted, coordenadora-executiva da ONG carioca Cepia, que trabalha com vítimas de estupro.
Não custa lembrar
O caso em questão choca - pela crueldade do marido que encomendou o crime, pela quantidade de homens envolvidos, pela violência dos bandidos, que deram marteladas na cabeça da vítima. Mas não devemos nos esquecer que há casos que passam despercebidos, que acontecem nas ruas ou dentro de casa, e que não chamam a atenção da mídia e, muitas vezes, são desacreditados.
Como lembra Leila, é comum que se culpe a vítima pelo estupro – uma roupa mais justa, uma atitude liberal em relação à sexualidade e o transitar por certos locais e em determinados horários explicariam o ataque, impondo à vítima um novo sofrimento – o de ser responsabilizada indiretamente pelo crime.
Quem não se lembra da educação recebida na infância, em que o pai deve prender suas filhas porque há homens à solta? Que culpa a mulher que, bêbada e impossibilitada de se defender, foi estuprada? Que diz que ela "colaborou"? Que lança mão de uma moral dupla - homens, por natureza, não conseguem controlar seus instintos, e as mulheres precisam aprender a se defender e não provocar - que minimiza a responsabilidade do agressor?
O fato de estupros ocorrerem em qualquer local, em qualquer cultura, com mulheres jovens e idosas, com roupa curta ou comprida, mostra que estupro não tem nada a ver com a roupa ou a aparência da vítima, mas com uma relação desigual de poder que é estrutural, uma tentativa de dominar a mulher tirando-lhe seu bem mais precioso: o seu corpo e seu domínio sobre ele, impondo-lhe sofrimento, dor, vergonha, doenças e até um gravidez.
Por isso, mais do que punir, é preciso educar. Mostrar que "não" é "não". Que todo mundo tem direito de andar na rua e não ser assediado ou atacado. Que devemos ensinar os meninos a respeitar, e não as mulheres a se defender. Que o desejo de terminar um casamento deve ser respeitado.
Do contrário, enquanto acharmos que isso é exagero de feministas ou que "é assim e não vai mudar", de nada adianta se indignar. Para a vítima vai ser muito tarde. E, no nosso caso, um dia poderemos ser os próximos a procurar uma delegacia e, pior, dar com a porta na cara. 

sexta-feira, 30 de março de 2012

E os pobres no meio do caminho?

E os pobres no meio do caminho?

Cerco policial, repressão e especulação imobiliária em Curitiba são exemplos de um processo em curso no país sob o pretexto dos megaeventos

Pedro Carrano
450 integrantes das polícias de Curitiba participaram da
operação no bairro Uberaba - Foto: Felipe Rosa/Folhapress

Nas 12 comunidades e vilas do bairro do Uberaba, na periferia de Curitiba, trabalhadores e habitantes do local conheceram a experiência de uma “ocupação” de cerca de 450 policiais, um operativo denominado Unidade do Paraná Seguro (UPS), projeto piloto cuja comparação é inevitável com o modelo da contraditória Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), do Rio de Janeiro. Ao longo de uma semana de cerco policial no bairro – que prossegue até o momento – foram presas 17 pessoas, três delas no dia da invasão da PM, com o pretexto de combate ao tráfico e à violência. Mais de 2.500 abordagens foram feitas, para apenas 34 mandados de busca e apreensão cumpridos. Ao final, não houve apreensão de drogas e armas. Cerca de 300 policiais permanecem na área para a instalação da UPS.
Há suspeitas, por parte de pesquisadores do tema, de que esses fatos tenham relação com possíveis remoções futuras em áreas de ocupação irregular, tendo como foco a “higienização social” e o terreno limpo para a vinda de turistas durante a Copa do Mundo, uma vez que o bairro está no corredor entre o aeroporto e o centro da capital. Há locais em Curitiba com maior índice de violência, uma vez que Uberaba é a região considerada a terceira mais violenta de Curitiba. É certo que outras experiências como essa estão no horizonte do governo do Paraná. Até o final de 2012, Curitiba deve contar com 10 UPSs. No interior do estado, entre 20 e 25 cidades devem receber a experiência até 2014, de acordo com declarações do secretário de Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César.
 Abusos
Entidades de direitos humanos repercutiram a denúncia de que o servente de pedreiro Ismael Ferreira da Conceição, jovem afrodescendente de 19 anos, foi preso sem motivo e torturado por policiais militares. O poder, por sua vez, esquiva- se e classifica que o caso não repercute na totalidade da UPS. Embora a divulgação tenha sido de uma suposta tranquilidade do operativo, como expressaram os veículos de mídia corporativa, entusiastas da ação, caso da RPC (filial da Rede Globo), as fotografias de fuzis apontados para moradores, em casas extremamente simples, deixam no ar a desconfiança sobre o método da ação. Denúncias de pessoas que realizam trabalho social no Uberaba apontam que moradores são usados para que a polícia chegue aos pontos de tráfico. “Na primeira semana, eles mostraram terror, apontando a metralhadora para todo mundo, intimidando no ônibus, inclusive o meu filho foi tratado como se fosse suspeito. Essa semana já houve um assassinato. Partem do princípio de que todos são bandidos”, descreve uma professora, moradora da região.
Ainda este ano serão implantadas mais 10 UPSs
em Curitiba - Foto: Giovani Santos/Polícia Civil/SESP
“Nossa leitura é de que há uma ‘policização’ das relações sociais e de polícia, relação social que não apresenta para a comunidade educação, saúde, não leva creches para a população. As políticas de assistência social não precisam de polícia, mas o discurso é como se fosse necessário primeiro esse tipo de ação”, reflete André Giamberardino, pesquisador do núcleo de práticas jurídicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Na análise dele, a criação de um contexto de medo interessa ao capital privado. “O medo do crime se tornou uma matéria- prima que dá origem a vários produtos, um deles é o voto. Apela para a emoção da pessoa e produz muito lucro, por meio do mercado da segurança privada, que representou o segundo maior lucro dos últimos anos de empresas privadas no Brasil”, afirma.
É preciso levar em conta nesses casos de repressão direta, ou então em ações de militarização de territórios comandados pelo Estado, como é o caso das UPPs, o fato de serem levadas a cabo principalmente por governos declaradamente direitistas, como é o caso de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, governados pelo PSDB ou por governadores da base conservadora do governo, como acontece no Rio. Outro fator decisivo, os interesses das imobiliárias financeirizadas têm peso grande em ações de despejo como a que foi feita na Cracolândia, em São Paulo, na mesma semana da repressão contra os moradores do Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos, cujo terreno, pertencente ao mega-especulador Naji Nahas já está cotado em R$ 500 milhões após o despejo. “(...) tem-se em grande medida aumentado o espraiamento urbano, com consequências para o meio ambiente, os transportes e a infraestrutura, além da especulação imobiliária em curso, sem controle estatal algum. Os instrumentos do Estatuto da Cidade não têm sido quase utilizados, de modo que não há freios para a renda da terra crescer.
O mercado imobiliário tem uma particularidade, quanto mais se produz mais caro fica o produto, ao contrário da produção industrial de bens de consumo. Isso porque há escassez de terras. Se não houver uma regulação pública, a máquina de crescimento imobiliário vai se travar ou vai voltar a concentrar seu mercado. O que estamos assistindo é uma verdadeira anti-reforma urbana e a privatização da política habitacional”, afirma o arquiteto e urbanista Pedro Arantes, ao analisar o quadro atual dos programas de moradia e do acesso do povo a eles.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Mãe de estudante da Uniban preso por racismo já havia denunciado filho por agressão

Mãe de estudante da Uniban preso por racismo já havia denunciado filho por agressão

Marcelo-ValleEla apanhou por não concordar com a mudança da TV para o quarto dele
O brasiliense e ex- estudante da Uniban Marcelo Silveira já tinha três queixas registradas contra ele na polícia, no ano passado. Duas delas, de difamação e ameaça, aconteceu depois de ele publicar mensagens racistas em um site de relacionamentos na internet. A outra denúncia foi feita por ele atacar a própria mãe com socos e pontapés. A agressão teria acontecido porque a vítima não concordou com a mudança da TV para o quarto dele.
Silveira e Emerson Rodrigues foram detidos, na última quinta-feira (22), durante uma operação da Polícia Federal em Curitiba (PR). Eles são suspeitos de manter uma página na internet com mensagens de ódio contra negros, nordestinos, judeus, mulheres e homossexuais. Eles também estimulam o sexo com menores de idade.
De acordo com a polícia, a dupla planejava ataques a estudantes de Ciências Sociais da UnB (Universidade Federal de Brasília). Eles ainda são suspeitos de fazerem parte de uma seita que seria a mesma seguida pelo assassinado de Realengo.
Em conversa com o R7, uma denunciante do caso, que não quis se identificar, disse que conheceu Rodrigues e ele sempre foi um homem muito violento. Segundo a mulher, ele afirmava constantemente que não gostava de negros, homossexuais e judeus.
- Ele é um homem extremamente inteligente, porém muito violento, descontrolado, agressivo e racista.
Nos perfis de Rodrigues nas redes sociais, ele se descrevia como engenheiro que já havia atuado em diversos países do mundo, mas afirmava que não tinha diploma.
Ele dizia também que queria ir embora do Brasil e conseguir a cidadania italiana, onde a maioria das pessoas é loira e as mulheres "não tomam o espaço de trabalho dos homens". Segundo suas publicações, as mulheres que tivessem relação sexual com negros deveriam morrer. Assista ao vídeo:


Fonte: R7

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

10 covardes, 10 bandidos: Morador de rua é espancado no Centro de Curitiba

10 covardes, 10 bandidos: Morador de rua é espancado no Centro de Curitiba

morador d e rua ESPANCADO NA PRACA TIRADENTESAgressão aconteceu na madrugada deste sábado. Segundo testemunhas, um grupo de 10 pessoas teria espancado à vítima
Um morador de rua, de 33 anos, ficou gravemente ferido após ser espancado por cerca de dez homens na madrugada deste sábado (4) na esquina das ruas Barão do Cerro Azul e Prefeito João Garcez, na Praça Tiradentes, em Curitiba. Segundo testemunhas, os agressores eram jovens e vestiam-se com correntes e adereços semelhantes aos usados por punks.
De acordo com o jovem que auxiliou a vítima e acionou a polícia, o agredido tinha o supercílio ferido e um corte profundo na mão esquerda. Segundo o jovem, os agressores teriam utilizado uma garrafa para espancar a vítima.
O 12º Batalhão, que atendeu a ocorrência, não conseguiu apurar a motivação do espancamento. Segundo o Cabo Roberto,a vítima tem aparência franzina e ficou bastante ferido após a agressão. "A gente não tem o o motivo. Parece uma pessoa humilde, um morador de rua. Ficou muito ferido na cabeça e tem um corte profundo na mão", disse à reportagem da Rádio Banda B. A vítima foi encaminhada ao Hospital Evangélico.
Fonte: Bem Paraná

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Diário de bordo: Minha experiência com a droga da Crackolândia



Diário de bordo: Minha experiência com a droga da Crackolândia

No início da semana prometemos apresentar uma série de artigos com o diário de bordo das minhas férias. O primeiro segue na íntegra com a abordagem da nossa triste realidade envolvendo as drogas.
Quando deixei Mossoró no dia 2 de novembro, Dia de Finados, a cidade contabilizava cerca de 170 homicídios, em sua maioria, motivados por alguma ligação com o uso ou tráfico de drogas. Distante de Mossoró, seria inevitável querer buscar parâmetros de comparação além dos nossos limites. Pelo noticiário regional e nacional a impressão que fica é a de que a difusão de drogas como o crack se configura como algo irreversível, mas infelizmente estamos bem à frente de muitas cidades situadas no Centro-Sul do país. Em Mossoró, nos deparamos com a figura do drogado como peça comum no nosso cenário urbano.
crack-nem-pensarNo "subúrbio do país", eles circulam livremente nos mais diversificados ambientes travestidos de figuras bem familiares do nosso dia a dia. Sem limites, sem barreiras, sem distinções socioculturais. No Rio de Janeiro tive passagens diversificadas pelas zonas leste e sul.
Na zona sul é praticamente impossível localizar algum suspeito do uso de drogas. A estrutura dos metrôs conta com meios específicos para controle de pedintes e suspeitos. Nos pontos turísticos e imediações, o policiamento ostensivo e as equipes de ação social realizam varreduras que impedem a formação de qualquer cenário de maior risco. No Rio, os únicos sinais de vício e tráfico foram identificados na periferia. Em Turiaçu, me deparei com uma cena explícita de comercialização em plena via pública.
Assustado, indaguei a minha anfitriã se a cena era comum. Com ar de tranquilidade ela destacou ser algo atípico, apontou para o morro e destacou. "O mundo das drogas no Rio é sinônimo de morro. Eles não costumam "invadir" as comunidades. Apesar de não parecer, existem regras e elas são cumpridas". As regras destacadas por Vaninha, negra de origem e residente na comunidade de Turiaçu há mais de 40 anos, se voltam para as leis impostas pelos chefes do tráfico. Roubar para consumir drogas é permitido desde que não quebre a tranquilidade das comunidades. Este cenário desperta a atenção da polícia que se configura como tormento nas duas ocasiões possíveis: combater o crime ou cobrar propina.
Para impedir este desencadeamento, os chefes do tráfico são rigorosos com as regras. A lei para quem gera problemas no morro ou comunidades vizinhas determina que o preço a ser pago pelo erro é a própria vida. É evidente que nem todos seguem à risca, mas os poucos que desobedecem movidos pela insana busca do prazer, assinam uma sentença de morte de fácil execução. Em meio a este cenário a população encontra-se dividida e muito desconfiada.
Durante minha passagem pelo Rio a polícia localizou o chefe do tráfico na Rocinha, o traficante Nem. As opiniões eram uníssonas na condenação do traficante. Nem mesmo a história de que entrou no crime para garantir um transplante de órgãos para o filho sensibilizou os cariocas. Em meio a uma desconfiança sem tamanho, sobravam críticas as seguidas exposições de policiais que reforçavam a tese de que a PM trabalhava com seriedade e não afeita ao suborno do tráfico.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Curitiba: Homem agride idosa que é a segunda vítima de agressão do mesmo homem

Curitiba: Homem agride idosa que é a segunda vítima de agressão do mesmo homem 

Em Curitiba (PR), um homem que aguardava na fila não aceitou que mulher de 66 anos fosse atendida na sua frente e chegou a agredi-la com um empurrão. Essa não foi a primeira vez que o homem agrediu um idoso. 




No R7

domingo, 4 de setembro de 2011

Curitiba: Yes, nós temos arrastões

Curitiba: Yes, nós temos arrastões 




Tem uma coisa que é muito bem feita no Paraná. É a manipulação da opinião pública. O auxílio a esta tarefa pesada vem sendo dado, como de costume, pela nossa dócil imprensa que se nega a falar a verdade, quando ela pode colocar em risco a imagem do governante querido.

E vamos deixar claro. Ela se nega só quando o governante é querido (por ela). Se ele não estiver no rol das pessoas agraciadas com o amor midiático, esqueça. Levará cacete todo santo dia.

Como não somos ingênuos, não precisamos relembrar aos navegantes o que faz esse governante ser querido da mídia. Vamos nos poupar desta perda de tempo.

Pois bem, a notícia trazida pelo dócil jornal Gazeta do Povo mostra um fato, mas tenta desvirtuá-lo de seu real significado.

Quem anda nas ruas de Curitiba e tem amigos, certamente já conversou com alguém que viu, ou foi assaltado dentro de um restaurante, recentemente. É o clássico "arrastão", tão comum em São Paulo e no Rio, que se tornou fácil aqui, considerando a ausência de policiamento adequado e de atitudes preventivas por parte de nossos mandatários.

Aqui, a polícia se desdobra, mas por óbvio, não consegue atender a todos ao mesmo tempo. Sabedores dessa facilidade, os bandidos resolveram praticar a mesma maravilha da ladroagem que eles viram na televisão. Ora, é muito fácil fazer arrastão em restaurante de Curitiba. E realmente, sem atitudes preventivas fica mesmo praticamente impossível antever ou evitar quando isso acontece. Qual o resultado? Yes, nós temos arrastões, sim.

Agora vejam a manchete do jornal. Ela fala que o assaltante foi morto após assaltar. Quem lê assim, enxerga a notícia por um lado, o lado do "final feliz" para a sociedade. Mais um mal elemento tirado de circulação. Ponto para a polícia e para o Governo eficientes. 

Mas a verdade não é essa, porque os arrastões continuamm ocorrendo e finais como esses, normalmente não acontecem. Os bandidos continuam soltos e impunes, prontos para delinquir de novo. Ao ler nosso imprensalão, o desavisado sequer se dá conta que os arrastões aqui são tão comuns quanto nas outras cidades grandes.

A última notícia tratada como relevante pelo imprensalão a respeito da segurança pública foi o anúncio por parte do queridão Beto Richa, de que 2.500 policiais novos serão incorporados à força no Estado. Estamos aqui esperando quando vamos vê-los nas ruas, quando os policiais serão bem remunerados por enfrentarem tiros nas ruas, quando as polícias investigativas vão poder trabalhar decentemente e quando vamos parar de enxugar gelo com essa piada governamental de que no Paraná, o criminoso não se cria.

Se cria sim, porque ladão não é burro, ele sabe que do mesmo jeito que nos outros lugares, o que temos aqui é só discurso.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Comício de Dilma em Curitiba - Ao VIVO