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sábado, 6 de setembro de 2014

Ditadura econômica, o grande tabu das eleições?

Ditadura econômica, o grande tabu das eleições?

POR GUILHERME BOULOS

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Sem reverter políticas que submetem sociedade às finanças, Brasil permanecerá paralisado. Mas tema não entra em debate, por estranhas razões
Por Guilherme Boulos Imagem: Rubem GrilloGula (1981)
Quem diria! Mal se passaram seis anos da crise em que as políticas neoliberais afundaram o mundo e eles já estão aí com todo o vigor. A aposta na mão invisível do mercado e na desregulamentação das finanças quase levou a maior economia do mundo ao colapso em 2008. Os Estados Unidos, a Europa e a economia mundial pagam o preço até hoje.
Não demorou, porém, para que os intelectuais da banca superassem a vergonha e o descrédito, saíssem do armário e recuperassem a autoconfiança para defender a mesma rota do fracasso. Abstraíram 2008 e reaparecem de cara lavada para apresentar as mudanças necessárias na economia brasileira.
Já foi dito que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. Neste caso até os personagens são os mesmos. Vejam vocês, Armínio Fraga! As últimas três campanhas presidenciais do PSDB o esconderam a sete chaves, assim como a FHC. Dizem que há lugares do país que quando seu nome é citado as pessoas correm para bater três vezes na madeira. Dá azar. Incrível, mas Aécio Neves teve a coragem de reabilitá-lo.
Aquele que quando foi presidente do Banco Central elevou a taxa de juros de 25% para 45%! O homem do arrocho e dos banqueiros. Que foi diretor do fundo de investimento de George Soros, símbolo da especulação financeira mundial.
E é o mesmo velho Armínio. Diz agora que os salários subiram muito ultimamente e que a redução de juros nos anos anteriores foi “preocupante”. Em entrevista à Folha de S.Paulo, esta semana, deixou claro que gostaria de rever as regras do seguro-desemprego, aumentar a idade mínima para aposentadoria e dificultar a concessão de pensões.
Tudo em nome do combate à inflação. Só deixa de dizer que ao fim de sua gestão no Banco Central, no governo FHC, a inflação era de 12,5% ao ano, quase o dobro da atual, que ele julga fora de controle. E isso com juros estrondosos.
Sorte tem o país que o candidato que o anunciou como futuro ministro da Fazenda está praticamente fora do páreo eleitoral.
Mas, como diz o povo mais acostumado a sofrer, desgraça pouca é bobagem. A queda de Aécio foi acompanhada da subida meteórica de Marina Silva. E Marina, talvez no afã de atrair o mercado para seu projeto, tinha já erigido como conselheiro econômico ninguém menos que Eduardo Giannetti da Fonseca. Economista da nata do neoliberalismo brasileiro.
Giannetti tem distribuído por aí a mesma cantilena que arruinou os trabalhadores no Brasil, produzindo desemprego, arrocho salarial e recessão econômica na década de 90. O discurso de Marina é da nova política, mas começa mal ao recorrer à velha economia.
Também em entrevista à Folha, no ano passado, Gianetti sistematizou sua listinha de desejos: autonomia do Banco Central, readequar a Petrobrás e os bancos públicos nos “critérios de mercado”, desatrelar o reajuste das aposentarias ao salário mínimo e por aí vai. O modelo de seus sonhos, disse ele, é o segundo mandato de FHC e o primeiro de Lula (o mandato mais conservador dos governos petistas). Cita como referência as “heroicas” privatizações e a desregulamentação de capitais por FHC.
Sua obsessão – agora repetida por Marina – é fortalecer o dito tripé macroeconômico. Austeridade fiscal, aumento do superávit primário e livre câmbio. Não é preciso ser economista nem ter sobrenome europeu para saber que isso implica cortes de investimentos e de gastos sociais do Estado. Austeridade fiscal é um nome elegante para dizer corte no orçamento público. Superávit primário é um termo técnico para se referir à reserva de recursos para pagar juros da dívida aos banqueiros – o que, por sua vez, implica cortes orçamentários.
Marina terá que se decidir. Ou quer manter e ampliar políticas sociais e investimentos públicos, ou quer fazer cortes. Do ponto de vista lógico, tentar conciliar os dois é tão impossível quanto empenhar-se em desenhar um círculo quadrado. Simplesmente não dá. Marina deve a todos esta resposta. Ou está com Giannetti ou está com Chico Mendes.
A reabilitação dos neoliberais, ao que parece, não foi apenas um apelo desesperado do PSDB, mas uma tendência do debate econômico nestas eleições. Não deixa de ser, de algum modo, a volta dos que não foram. Já que os governos petistas – Dilma inclusive – conservaram importantes aspectos neoliberais em sua política econômica. Não por acaso os lucros bancários foram recordes. O pré-sal foi concedido à exploração privada, assim como aeroportos e rodovias.
Mas tragicamente o discurso da mudança entre os principais candidatos não critica esse conservadorismo. Ao contrário, diz que ele foi insuficiente e volta-se contra as limitadas iniciativas de enfrentá-lo. A titubeante redução dos juros básicos, o uso de bancos públicos para baratear o crédito, a atuação das estatais na indução de investimentos e os gastos com assistência social, que não chegam a 4% do orçamento Federal.
A crítica é feita pelo viés conservador. E deixa claro que o debate econômico no Brasil ainda é pautado pelo interesse do mercado financeiro. Enquanto for assim teremos de conviver com o eterno retorno dos neoliberais.
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domingo, 19 de janeiro de 2014

Manual para resistir ao machismo em 2014: Como encarar, sin perder la ternura jamás, um ano muito traiçoeiro?

Manual para resistir ao machismo em 2014: Como encarar, sin perder la ternura jamás, um ano muito traiçoeiro?

Outras Palavras

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Big Brother, Carnaval, Copa, eleições. Como encarar, sin perder la ternura jamás, um ano muito traiçoeiro?
Por Marília Moschkovich, na coluna Mulher Alternativa | Imagem: Alice Soares
Para muita gente o ano engrena de verdade esta semana. Quem volta ao trabalho sente a rotina de novo, quem voltou na semana passada já começa a acostumar. O número de piadas sobre a quantidade de eventos públicos e políticos importantes neste ano revela que brasileiros e brasileiras já perceberam algo diferente. Além disso, as manifestações políticas de meados de 2013 não deixam dúvida: a resposta da população a esses eventos também pode ser outra. Diante de tanto auê, é preciso também um olhar atento. Temos pela frente um ano cheio de oportunidades para fortes e nojentos machismos, assim como a chance de combatê-los.
Em 14 de janeiro, começou o Big Brother Brasil. Claro, isso ocorre todo ano, há 14 anos. E todo ano é um show de machismo. No programa, obviamente, mas sobretudo nos comentários cotidianos sobre as participantes mulheres. É também no cotidiano que podemos agir contra esse machismo. Questionar as opiniões senso-comum sobre “aquela periguete”, recusar a graça de certas piadinhas ou simplesmente emitir opiniões não-machistas sobre o programa e os participantes são algumas estratégias para lidar com a situação.
Em seguida, vem o carnaval. É muito comum que as pessoas confundam “liberdade sexual”, no carnaval, com “liberdade de exercer poder sobre as mulheres”. Liberdade sexual pressupõe consentimento, exercício de poder não. Os comentários típicos são mais ou menos aqueles que ouvimos no BBB, mas na vida real. “Estava pedindo”, “ninguém mandou ir no bloco”, etecétera, etecétera, etecétera. Combater a cultura do estupro é também recusar, no dia-a-dia, essa mentalidade que subjuga mulheres de todos os grupos sociais e raciais todos os dias (mesmo que nem sempre da mesma forma).
O machismo desenfreado que veremos este ano não se limita, obviamente ao BBB e ao carnaval. Convencidos de que os homens são todos heterossexuais, machistas e máquinas biológicas irracionais guiadas por imagens de mulheres nuas, os grandes portais de notícias certamente produzirão enxurradas de pseudo-matérias sobre as “gatas da arquibancada” ou “musas da torcida” durante a Copa do Mundo. As páginas desses sites serão forradas de fotos de torcedoras, funcionárias de estádios, vendedoras ambulantes, gringas, não-gringas, familiares e amigas de jogadores, modelos reivindicando posição de “musa” e, enfim, toda e qualquer mulher que julgarem “bonita” em padrões extremamente racistas, cissexistas e machistas de beleza. Caso você não seja diretamente envolvido na produção dessas pérolas do jornalismo punheteiro, resta recusar-se a endossar essa babaquice, e questionar as pessoas próximas que repassam links, comentam “as gatas” e coisas afins. Não é uma revolução, mas é um começo.
A Copa ainda trará de bandeja a lembrança de que a seleção feminina de futebol é absolutamente ignorada, de que quase não há mulheres arbitrando, narrando, comentando, treinando, e muito menos na posição de técnico. Nosso país não apenas se curvará aos interesses de grandes empresas e da máfia da FIFA (como já vem fazendo nos últimos anos), mas também a uma ideologia estupidamente machista. O país simplesmente para, se reforma, se adapta, para que um bando de homens possam, entre homens, fazer uma coisa considerada culturalmente “de homem”. Desculpa, não consigo não ter nojo.
Além desses casos mais óbvios, neste ano veremos também – muito provavelmente – um espetáculo de opiniões machistas na época das eleições. Já falei sobre isso aqui, e é importante lembrar e manter na cabeça a seguinte pergunta: “eu faria o mesmo comentário ou me incomodaria com a mesma coisa sobre um candidato homem?”. Sempre que a resposta for “não”, pare e repense, pois você provavelmente está sendo machista. Questionar as próprias opiniões e atitudes é o passo número zero de qualquer transformação real na sociedade.
Para terminar, é importante lembrar que, seja qual for a situação em 2014, o questionamento do machismo precisa ser estrutural. É importante criticar as ideias, posicionamentos e atitudes das pessoas, e não os indivíduos em si. Cada pessoa é mais do que suas atitudes machistas, racistas, elitistas, e é importante não levar a discussão para o lado pessoal. Ainda há gente disposta a dialogar, de fato, se questionar, aprender, se transformar. Quando ficar evidente, porém, que quem está diante de você não é uma dessas pessoas, o melhor conselho que eu posso dar é: fuja. Ignore. Não leve a sério. Não vale a pena gastar sua energia com essa gente. Melhor se poupar, porque este ano você definitivamente vai precisar dela.

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Ex-ministro Haddad ofereceu ajuda federal para São Paulo e seus governantes reagiram fazendo cara de paisagem

Ex-ministro Haddad ofereceu ajuda federal para São Paulo e seus governantes reagiram fazendo cara de paisagem


Autor(es): Raymundo Costa
Valor Econômico

Tem muita lenha para queimar nas eleições

Algo novo chamou a atenção da campanha de Fernando Haddad na convenção tucana que sacramentou o nome de José Serra como candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, no domingo: em vez de atacar Lula, como repetidas vezes fez na pré-campanha, Serra foi direto na jugular de Haddad.
"Experiência é virtude. Não estou aqui para brincar ou experimentar: estou aqui para governar", disse o tucano, em seu discurso aos convencionais. A pancadaria em Lula ficou para outros tucanos credenciados como os senadores Aloysio Nunes Ferreira e Alvaro Dias. Mesmo nas críticas ao ex-presidente da República, os tucanos não perderam Haddad de foco.
A assessoria de Haddad tem suas suspeitas para o comportamento tucano. Uma delas: o PSDB detectou algum crescimento no desempenho do ex-ministro nas pesquisas e decidiu atacar antes de ser atacado. Essa é a segunda suspeita: o consórcio PSDB-PSD teme que a campanha de Haddad revele os casos e as vezes em que o ex-ministro ofereceu ajuda federal para São Paulo e seus governantes reagiram fazendo cara de paisagem.
Campanha de Haddad já dá sinais de divisão
Pode ser tudo isso e também o fato de que a eleição, muito provavelmente, será definida entre José Serra e Fernando Haddad e não entre Serra e Lula. Em algum momento da campanha, talvez não demore muito, Haddad terá de andar com as próprias pernas, assim como Dilma Rousseff teve de fazer nas eleições de 2010. Nesse aspecto, sim, algo novo parece pairar sobre a campanha do ex-ministro.
Já é evidente que há descontentamentos na campanha com sua assessoria política. Haddad certamente não considera a aliança com o PP de Paulo Maluf um erro, mas deu-se conta de que foi barbeiragem ir à feijoada de Maluf para uma fotografia dos três - o anfitrião Maluf, seu padrinho político Lula e ele próprio, o candidato que Aloysio Nunes Ferreira chamou de "urso amestrado", ao discursar na convenção.
Um dos principais articuladores da aliança com Paulo Maluf foi o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho. Há quem diga, na campanha de Haddad, que ele também foi um dos arquitetos da visita à casa de Maluf. O problema, na campanha petista, não é a aliança ou a foto com Maluf. O problema é Lula e Haddad terem ido até a casa de Maluf, um "erro" que se preferiria atribuir ao "bom astral" da campanha num momento em que as coisas começavam a dar certo: Haddad subira cinco pontos na pesquisa Datafolha e fora acertado o apoio do PP.
Entre "haddadistas" teme-se pelo isolamento de Lula. Não isolamento político, é claro, mas do recolhimento inevitável de uma pessoa com os problemas de saúde pelos quais passou o ex-presidente. Aliados do candidato do PT a prefeito de São Paulo, sem dúvida, prefeririam que Lula estivesse em contato político com um maior número de pessoas, do PT e fora dele, e não apenas acessível a A, B ou C.
São Paulo ainda conhece pouco um dos candidatos com chances efetivas de disputar o segundo turno da eleição para prefeito de cidade. O episódio Paulo Maluf serve para dar alguma pista sobre quem é este professor de 51 anos, noviço em eleições e que jogou suas fichas na novidade (sem esquecer de Lula) para se eleger prefeito da maior capital do país.
O pior de tudo, para Haddad, teria sido perder Luiza Erundina (PSB) como companheira de chapa na eleição de outubro. Conta-se, entre seus aliados próximos, que ele já queria Erundina como companheira de chapa desde que se configurou a hipótese de o então ministro da Educação deixar o cargo para disputar as eleições. Seus amigos de empreitada dizem que Haddad "não é um socialista petista, ele é um socialista".
Acredita-se no universo de Haddad que o episódio Maluf não desgastou o ex-ministro, desgastou Lula. "O Fernando", como é chamado entre os mais próximos, "não vai negociar com o PP nem com ninguém, como não negociou com o PT enquanto era ministro da Educação". O PT queria o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) mas não levou, cita-se como exemplo. Outro: Fernando Haddad manteve o reitor pro tempore da Universidade do ABC, apesar de sofrer pressões do PT para mudar.
São fatos a ser esmiuçados e conferidos na campanha, assim como a acusação segundo a qual o Ministério da Educação ofereceu projetos com financiamento federal, como a construção de uma creche, e o governo tucano de São Paulo simplesmente ignorou, num primeiro momento, e depois culpou a burocracia federal. Negociações dessa natureza costumam ser documentadas por meio da troca de ofícios. O eleitor terá como desfazer suas dúvidas para votar.
Haddad e seus aliados dizem que querem mesmo é discutir um projeto de administração para a cidade. O ex-ministro insiste que os últimos projetos com reordenamento urbano foram consumados nos governos de Faria Lima (1965-1969) e de Prestes Maia (1938-1945). Após um período de estabilidade, São Paulo seria hoje uma cidade com extensas áreas degradadas necessitada de um novo projeto.
OPT entra nas eleições municipais com duas setas disparadas em sua direção: os processos do mensalão e o dos aloprados. Como pano de fundo desta eleição, integrantes do Democratas e tucanos registram que o caso dos aloprados foi aceito pelo Judiciário logo após o entrevero entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Gilmar Mendes, ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. Nesse meio tempo, o Banco Central interveio no Banco Cruzeiro do Sul, da família de Índio da Costa, ex-candidato a vice-presidente de José Serra, depois de os tucanos acionarem a Justiça contra o PT, por crime eleitoral, devido a entrevista que Lula e Haddad deram ao "Programa do Ratinho", exibido pelo SBT, rede de Silvio Santos, o antigo dono do banco Panamericano. Enquanto isso, a "CPI do Cachoeira" ainda tem muita lenha para queimar. Só depende de vontade política.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Religião e eleições

Religião e eleições


Barack Hussein Obama teve seu pensamento moldado pelos sermões racistas e incendiários do reverendo negro Jeremiah Wright e Mitt Romney, que já foi bispo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, simplesmente não é cristão. Os radicais estão a postos, mas serão ouvidos em 6 de novembro próximo? Cada detalhe da preferência do eleitorado norte-americano está sendo esmiuçado, à medida em que mais e mais se aproximam as eleições. Os candidatos estão definidos, com Barack Obama buscando a reeleição pelo Partido Democrata e Mitt Romney na condição de seu opositor pelo Partido Republicano. Há pesquisas para todos os gostos e é preciso ficar atento para cada tendência, considerando que a vantagem geral de Obama tem variado entre dois e sete pontos percentuais, ou seja, ainda não garante nada. Entre os brancos norte-americanos, Romney mantém uma vantagem de 54% contra 37%, com 9% indecisos, mas 90% dos negros, 68% dos hispânicos e 57% dos demais grupos étnicos onde predominam os asiáticos votarão contra ele.
A situação é mais preocupante para os dois concorrentes quando se trata de convencer alguém a mudar seu voto em função da religião, que tem sido um tema tradicionalmente de grande peso nos pleitos nacionais e locais dos Estados Unidos e agora não há de ser diferente. De acordo com o Instituto Gallup, quanto mais religioso, mais republicano e conservador é o eleitor. Os estudos dividem os votantes, por exemplo, em muito, moderadamente e pouco religiosos, segundo a importância que tem o culto na vida diária de cada um. Os dois primeiros grupos têm comportamento exatamente inverso, pois 54% dos muito religiosos (são quatro de cada dez) elegerão Romney, enquanto o mesmo percentual favorecerá Obama entre os moderados. Já os pouco ou não religiosos (três de cada dez eleitores) apoiam maciçamente o candidato democrata.
Durante o largo período das primárias republicanas, os crentes mais radicais se congregaram em torno de Rick Santorum, mas tão logo ele perdeu a disputa, não tiveram dúvidas em se unirem a Romney. Protestantes, que constituem pouco mais da metade dos votantes, favorecem os republicanos numa relação de 48% contra 43%. Já os católicos devem repetir o padrão das duas últimas eleições, favorecendo predominantemente aos democratas, graças ao forte apoio proporcionado pelos hispânicos. É interessante observar que entre os que declaram não possuir uma identidade religiosa formal, 67% elegerão Obama.
Há os que mostram uma resistência contra o mórmon Romney com base na longa história que a religião tem de discriminação contra pessoas negras. Muitos outros pensam como o reverendo Philip Roberts de Kansas, autor do livro "Mormonism unmasked (desmascarado)" e o consideram um não-cristão por não aceitarem o que chamam de seita criada em 1820 por Joseph Smith, seu primeiro profeta que, entre outras coisas, afirmou que Jesus Cristo ao voltar à terra passou uns dias em Missouri. No outro lado estão os adeptos do rico empresário Joe Ricketts com seu plano para "derrotar definitivamente" a Obama, ligando-o à Teologia de Liberação Negra de Jeremiah Wright. Pretendem fazer exatamente o que John McCain, o candidato republicano derrotado em 2008, disse para não fazer quando bloqueou essa mesma estratégia que em sua essência é fundamentalista e racista. "Foi por isso que perdeu", dizem. Até aqui, tanto Romney quanto Obama repudiam os radicais.
No Brasil o quadro é bem distinto, a começar pelo grau de dedicação religiosa de cada um. A afirmativa de que este é um país católico continua sendo verdadeira, com base no Censo de 2010 no qual 75% das pessoas assim se declararam, uma proporção oito pontos inferior à constatada vinte anos antes. Esta, no entanto, não é uma verdade absoluta, pois muitos dos "católicos" costumam frequentar terreiros de umbanda ou de candomblé e no seu dia-a-dia não dispensam uma reza e um despacho para afastar os maus espíritos. Os protestantes multiplicaram-se nos últimos vinte anos, passando de 9% para 14,6% dos brasileiros, enquanto os que se declaram "sem religião" subiram de 5,1% para 7,5%.
Já se foram os tempos em que uma suposta declaração de Fernando Henrique de que seria ateu levou-o a perder a prefeitura de São Paulo, em 1985, para o esperto Jânio Quadros. Ainda assim, o voto religioso concedido a Marina Silva impediu dona Dilma de vencer no primeiro turno em 2010. As diferenças entre crentes, indiferentes e não-crentes, embora os primeiros sejam fundamentalmente eleitores dos partidos de direita, não costumam influenciar de maneira decisiva os pleitos brasileiros. Os temas em discussão são, habitualmente, de interesse mais restrito. As bancadas evangélicas (32 deputados e 3 senadores) e católica batalham por vantagens como a concessão de canais de rádio e televisão ou se mobilizam para bloquear lei como a do silêncio (música e cânticos que interferem com a vizinhança). O ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão e o ministro do STJ Marco Aurélio de Mello sofreram cerrado bombardeio, o primeiro por ter sugerido um plebiscito sobre a legalização do aborto e o segundo por ter revelado seu voto descriminalizando o aborto em casos de fetos com anencefalia. A questão dos casamentos entre gays, que divide democratas (em geral a favor) e republicanos (contrários), não tem eco ideológico claro entre os candidatos tupiniquins. Tanto lá como aqui, já não é admissível o voto apenas em função das crenças próprias ou do candidato, mas em boa parte do mundo atual guerras e revoluções causadas por diferenças religiosas continuam separando os homens.
Vitor Gomes Pinto é escritor. Analista internacional


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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Veja e suas capas eleitorais - 1994/2010

Taí uma curiosidade que eu sempre tive, ver as capas e uma análise sobre elas.

Veja e suas capas eleitorais - 1994/2010

Veja e suas capas eleitorais - 1994/2010

Há algum tempo nutri a curiosidade de saber como Veja – a revista semanal de informação com maior circulação no país – produziu suas capas nas duas últimas semanas dos pleitos presidenciais de 1994, 1998, 2006 e este mais recente de 2010. Parece que o baú de Veja não guarda truques novos. Apostar no medo, no pânico da população está sempre ao alcance de suas mãos. Também soa extemporâneo declarar o óbvio sobre quem “dividiu o país” e quem “fará o país funcionar”. O artigo é de Washington Araújo.

Vez por outra sinto-me inclinado a observar como a história do Brasil é contada através do cotejo de capas e manchetes dos principais jornais e revistas do país em momentos singulares de nossa história política e social. Há algum tempo nutri a curiosidade de saber como Veja – a revista semanal de informação com maior circulação no país – produziu suas capas nas duas últimas semanas dos pleitos presidenciais de 1994, 1998, 2006 e este mais recente de 2010.

A edição de Veja n° 1389, de 28/9/1994, trazia um macaco na capa e a manchete “O elo perdido” e o educativo subtítulo “pesquisadores descobrem na África o ancestral do homem mais próximo dos macacos”. O sucesso do Plano Real era de tal magnitude que a revista se abstinha de tratar do assunto mais impactante (e palpitante!) do ano, do mês e da quinzena: a eleição presidencial. Mas, faltando apenas uma semana para o dia da eleição, a revista da Abril não conseguiu controlar sua ansiedade e resolveu transformar em panfleto sua última edição antes de os votos serem lançados na urna. É emblemática a capa da Veja (1360, de 5/10/1994) trazendo a ilustração de uma mão colocando o voto em uma urna e a manchete “O que o eleitor quer: Ordem, Continuidade e Prudência – O que o eleitor não quer: Salvador da Pátria, Pacotes e Escândalos”.

Todo o palavreado poderia ser descrito em apenas nove letras: Vote em FHC.

Quatro anos depois, novo pleito presidencial. A grande novidade dessas eleições – e também o maior escândalo político-financeiro do ano – foi a introdução na política brasileira do instituto da reeleição. A penúltima capa de Veja antes das eleições (1566, de 30/9/1998) trazia a imagem de um executivo engravatado e com a cabeça de madeira. Ou sejam, óleo de peroba é bom quando é para lustrar a cara-de-pau dos outros. A manchete colocava todos os políticos no mesmo balaio de gatos: “Por que o Brasil desconfia dos políticos” e o subtítulo “Os melhores e os piores deputados e senadores às vésperas das eleições”. Desnecessário dizer qual o critério de valoração utilizado pela revista. Se a capa anterior tratava de fincar o prego, na semana das eleições a revista tratava de lhe entortar a ponta.

E assim, sem qualquer melindre, sem ninguém para lhe chamar de governista ou para denunciar seu jornalismo como típico daquele produzido em comitê de campanha, a capa de Veja (1567, de 7/10/1998) trazia a foto de um sorridente Fernando Henrique Cardoso, fazendo o sinal de positivo com o polegar e a manchete “Agora é guerra”. Dificilmente uma imagem contraria tanto a mensagem escrita quanto esta. É que ninguém vai para a guerra sorrindo de orelha a orelha e cheio de otimismo. Mas foi essa a imagem escolhida pelo carro-chefe das revistas da Abril. A opção preferencial da revista ficava bem em alto relevo nos subtítulos: “O desafio de FHC reeleito é impedir que a crise afunde o Brasil do Real – A mexida secreta na Previdência – As outras medidas que vêm por aí – Em maio ele pensou em desistir da reeleição”. Bem no estilo Jean-Paul Sartre para quem “o inferno são os outros”, Veja acenava com o paraíso a ser conquistado com a reeleição de seu presidente e carregava na cores do medo ao pintar um cenário em que o Plano Real afundaria e com este o país como um todo.

Nada como a constatação do filósofo contemporâneo Cazuza (1958-1990) de que realmente “o tempo não para”. Novo pleito presidencial. Estamos em 2002. Na semana em que se realizaria o primeiro turno a capa de Veja (1773, de 16/10/2002) trazia fotomontagem de dinossauros com cabeças de políticos simbolizando Quércia, Newton Cardoso, Brizola, Collor e Maluf. A manchete foi “O parque dos dinossauros” e uma tabuleta com o subtítulo “Estas espécies foram tiradas de circulação”. Como aprendiz de clarividente a revista não foi aprovada como os anos seguintes iriam mostrar: Quércia sempre manteve seu poder político em São Paulo (e em 2010 estava em vias de se eleger senador caso não tivesse enfrentado grave problema de saúde na reta final da campanha); Newton Cardoso foi eleito Deputado Federal em 2010; Brizola morreu; Collor foi absolvido pela Supremo Tribunal Federal dos vários episódios que culminaram com seu impeachment em 1992 e em 2006 foi eleito senador por Alagoas; Paulo Maluf foi eleito Deputado Federal em 2006 com a maior votação proporcional do país e reeleito em 2010 com a terceira maior votação de São Paulo.

Na semana em que se realizou o segundo turno para presidente da República em 2002, a capa da revista Veja (1774, de 23/10/2002) trazia ilustração e fotomontagem de cachorro na coleira com três cabeças – Marx, Trotsky e Lênin. A manchete: “O que querem os radicais do PT?”. Na lateral superior esquerda o alerta “Brasil – o risco de um calote na dívida”. Como subtítulo: “Entre os petistas, 30% são de alas revolucionárias. Ficaram silenciosos durante a campanha. Se Lula ganhar, vão cobrar a fatura. O PT diz que não paga”. Ainda assim, é comum que a revista se apresente ao país como revista independente, sem qualquer vínculo político-partidário, plural etc., etc., etc.

Chega 2006 e com ele mais um pleito presidencial. Deixemos de lado as capas nas duas semanas dos primeiro turno. A capa de Veja (1979, de 25/10/2006) trazia a foto (um tanto assustado) do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e como a lhe fazer sombra a imagem em tons fantasmagórica do pai presidente. A manchete: “O ´Ronaldinho´ de Lula” e o subtítulo “O presidente comparou o filho empresário ao craque de futebol. Mas os dons fenomenais de Fábio Luís, o Lulinha, só apareceram depois que o pai chegou ao Planalto”. As matérias internas eram compostos de livres exercícios de desconstrução da imagem do presidente candidato à reeleição.

Tudo o que podia existir de errado no país ao longo dos últimos quatro anos era creditado na conta de Luiz Inácio Lula da Silva. E o que, porventura, dera certo, estava creditado na conta de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, agora representado pelo candidato tucano Geraldo Alckmin. Este raciocínio, compartilhado não apenas pela revista da Abril, -- mas também pelos principais jornais e emissoras de rádio e tevê do país -- continua vigente até este ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na semana das eleições a capa de Veja (1980, de 01/11/2006) trazia duas cabeças de perfil – Alckmin e Lula, olhando em direções opostas. A manchete “Dois Brasis depois do voto?” Mais o subtítulo alarmista: “Os desafios do presidente eleito para unir um país dividido e fazer o Brasil funcionar”.

Parece que o baú de Veja não guarda truques novos. Apostar no medo, no pânico da população está sempre ao alcance de suas mãos. Também soa extemporâneo declarar o óbvio sobre quem “dividiu o país” e quem “fará o país funcionar”. Isso fica claro nas reportagens internas dessa edição.

Mudemos agora um pouco o padrão de análise a que me incumbi. Em relação ao pleito recém-concluído optei por destacar quatro capas de Veja, em sequência. Elas dizem à larga como a revista tomou partido ao longo dos últimos anos, como explicitou suas preferências partidárias e como encontrou fôlego para manter o discurso que é ‘politicamente independente e sem nenhum compromisso, a não ser perante ela própria e os seus leitores, e que não se identifica com nenhum partido ou grupo social’.

– Veja n° 2181, de 8/9/2010 trazia na capa a ilustração em primeiro plano de um polvo se enroscando no brasão da República. A aterrorizante imagem é realçada pelo fundo negro contra o qual é inserida a medonha ilustração. A manchete “O partido do polvo” e o subtítulo “A quebra de sigilo fiscal de filha de José Serra, é sintoma do avanço tentacular de interesses partidários e ideológicos sobre o estado brasileiro”. A revista pode até ter pudores de não dizer na capa quem é o seu candidato à presidência do Brasil mas não guarda nenhum pudor em satanizar quem, definitivamente, não merece seu respaldo.

– Veja n° 2182, de 15/9/2010 repetia na capa a mesma ilustração sendo que agora o polvo enrosca seus tentáculos em maços de dinheiro. Mudou o pano de fundo que agora é avermelhado. Manchete “Exclusivo – O polvo no poder”. Subtítulo “Empresário conta como obteve contratos de 84 milhões de reais no governo graças à intermediação do filho de Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil, que foi o braço direito de Dilma Rousseff”.

– Veja n° 2183, de 22/9/2010 tem novamente na capa o famoso molusco marinho da classe Cephalopoda lançando gigantescos tentáculos dentro do espelho d´água do Palácio do Planalto. Alguns tentáculos já se enroscando nas colunas projetadas por Oscar Niemeyer. A manchete: “A alegria do polvo”, um balão daqueles de revista em quadrinhos e delimitado por raios abarcava a interjeição “Caraca! Que dinheiro é esse?”. Ao lado longo texto explicativo sobre o autor da espantada locução: “Vinícius Castro, ex-funcionário da Casa Civil, ao abrir uma gaveta cheia de pacotes de dinheiro, na reação mais extraordinária do escândalo que derrubou Erenice Guerra”.

– Veja n° 2184, de 29/9/2010 mostra que os dias de celebridade do predador octopoda haviam terminado. Agora a capa reproduz página da Constituição Federal, onde se podia ler excertos do Art. 220 – Da Comunicação Social. Até aí nada demais. O que chama a atenção é uma estrela vermelha apunhalando a página. Coisa de ninja assassino lançando sua mais letal arma. Manchete: “A liberdade sob ataque”. Subtítulo: “A revelação de evidências irrefutáveis de corrupção no Palácio do Planalto renova no presidente Lula e no seu partido o ódio à imprensa livre”. Para uma revista que tanto preza a Constituição do Brasil resta lamenta a falta que fez nessa edição uma boa reportagem sobre a regulamentação dos cinco artigos constitucionais dedicados à Comunicação Social. Especialmente aquele de número 224. Sim, este mesmo!, o que inicia com estas palavras: “Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei.”

A grande imprensa brasileira parece usar dicionário bem diferente daquele usado por cerca de 200 milhões de brasileiros. Palavras como isenção, apartidarismo, independência editorial, adesão à pluralidade de pensamento, parecem completamente divorciadas de seu significado real, aquele mais comezinho, aquele que figura logo no início de cada verbete. E quanto mais parte considerável da imprensa mais vistosa – essa que tem maior circulação, maior carteira de assinantes, maior audiência etc. - afirma ser uma coisa mais demonstra ser exatamente o seu bem acabado oposto. O fenômeno parece com crise de identidade tardia, constante e renitente. Quer ser algo que não é. E a todo custo. Custo que inclui credibilidade, responsabilidade.

E não é por outro motivo que ao longo do mês de setembro de 2010 pululavam no microblog twitter mensagens como esta de 16/9/2010 dizendo o seguinte: “Faltam 18 dias, 2 capas de Veja e 2 manchetes de domingo da Folha para as eleições em que o povo brasileiro mostrará sua força política.”

Pelo jeito como a realidade deu conta de dar seu recado os efeitos das capas foram absolutamente inócuas junto à população. Se eram destinadas a produzir um efeito X, terminaram por produzir um efeito Y. Tanto em 2002 quanto em 2006 e há poucas semanas, também em 2010. Talvez tenha chegado o momento de voltar a dedicar suas capas à busca do elo perdido, aquele que deve nos ligar indissoluvelmente ao macaco ou então direcionar suas energias para encontrar algo mais nobre como o Cálice Sagrado, o Santo Graal. Outra opção poderia ser investir na localização de lugares como Avalon nas cercanias das Ilhas Britânicas. Mas como Veja tem mostrado pendores para eternizar seres marinhos talvez tenha mais proveito se buscar vestígios da Atlântida. Uma pista: boas indicações foram deixadas por Platão (428 a.C. – 348 a.C.) em suas célebres obras "Timeu ou a Natureza" e "Crítias ou a Atlântida".


Carta Maior

sábado, 7 de agosto de 2010

Afinal, o Serra peregrinou ou não?

A imprensa no Brasil não me surpreende mais, é tanta parcialidade e tantas informações diferentes que o leitor já se pergunta qual das informações é a correta ou se todas mentem.

Afinal, o Serra peregrinou ou não?

O Estadão diz que não, Serra foi barrado na peregrinação.

Míriam Hermes / Agência A Tarde

BOM JESUS DA LAPA (BA) – Candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra visitou a cidade de Bom Jesus da Lapa nesta sexta-feira, 6, no dia mais movimentado da romaria que este ano deve reunir cerca de 450 mil pessoas. Acompanhado do candidato a governador da Bahia pelo DEM, Paulo Souto e grande comitiva de políticos, Serra fez uma caminhada por ruas próximas ao santuário, justamente no horário que as pessoas aguardavam a passagem da procissão com a imagem do Bom Jesus, ponto alto dos festejos que tem 319 anos de tradição.

Na sua passagem, alguns romeiros mais radicais gritaram os nomes de Lula (e não de Dilma) e de Marina Silva (PV), deixando claro que não aprovaram a visita do candidato. Porém, ele foi simpático e, para desespero dos seus assessores que estavam contando os minutos para chegar ao santuário, várias vezes deixou a comitiva para falar com pessoas nas calçadas. “Fiquei surpresa, mas achei legal. Eu já tinha estado com eles (a comitiva) em Itabuna”, disse a advogada Ana Maria Muniz. Serra também entrou em uma farmácia, onde perguntou ao balconista Rafael Richard “se vendíamos muito genérico”, revelou o funcionário, que também disse não esperar por esta visita.

Apesar do plano de entrar no santuário de pedra calcária, a comitiva foi barrada pela administração do templo naquele horário, “porque foi dito que viriam às 16h, mas já são 16h45 e a procissão precisa sair”, disse enérgico o padre Casimiro Malolepszy. Serra polidamente acatou e saiu pela lateral, subindo pela escadaria da torre em estilo medieval construída ao lado da gruta, de onde acenou para os romeiros.

‘Agora é momento de oração’

“Acho que ele veio na hora errada, porque agora é um momento de oração e não de campanha política”, afirmou a romeira Maria Helena Pimentel, acrescentando que “um político deveria saber a hora certa de estar em cada lugar e esta não é a hora dele estar aqui porque está atrapalhando um evento que acontece de ano em ano”. Por outro lado, quando percebeu quem causava aquele alvoroço, o romeiro Alfredo Alcântara, se alegrou e fez questão de encostar e levar uma foto de recordação. “Vou levar para meu filho. Acho que ele vai gostar”, disse contente.

Serra que se disse católico, mas de pouca frequência a igreja, afirmou que iria pedir à Santa Rita (que não tem nenhum altar no local), “que me dê forças na presidência, para ajudar a juventude do Brasil”. Ele destacou duas preocupações fundamentais: o combate às drogas e o seu tratamento, “pois existem poucas iniciativas públicas neste sentido”, bem como a profissionalização técnica dos jovens “para que tenham acesso ao mercado de trabalho”.

Parceria

Ao criticar o sistema de escoamento da produção agrícola baiana “que no momento tem de sair pelos portos de Sauípe, Santos e Paranaguá, pois Salvador tem um dos piores portos do Brasil”, o candidato disse que planeja melhorar o sistema, para que a produção estadual seja exportada por um porto no próprio estado. Citou também as estradas e aeroportos, “porque a produção deve ser incentivada, dentre outras coisas, pela sua importância na geração de empregos”.

Também criticou a anunciada Ferrovia Leste Oeste, obra do PAC, que é apontada pelo governo do PT como solução para o escoamento da produção do oeste do estado. “Se falou muito, com excesso de propaganda, mas não houveram avanços. Vamos resolver as pendências ambientais, e fazer acontecer. Minha marca é tirar as coisas do papel”. Os recursos, disse, devem vir de uma parceria entre a União, o estado e a iniciativa privada.

Aproveitando o momento, o presidenciável do PSDB disse que pretende implementar projetos em locais de grandes romarias “como Bom Jesus da lapa, Aparecida do Norte (SP) e Juazeiro do Norte (CE), que precisam de ações para melhorar a estrutura e qualificar os moradores para melhore receber os romeiros. Não existe um programa nacional neste sentido”, alfinetou.


O O Globo dia que sim, Serra peregrinou.




Serra visitaponto de peregrinação na Bahia e defende turismo


religioso


Candidato do PSDB acompanhou romaria em Bom Jesus da Lapa (BA).
Tucano fez campanha ao lado do canddiato ao governo Paulo Souto (DEM)

Do G1, em São Paulo

O candidato à Presidência José Serra (PSDB) e o candidato ao governo da Bahia Paulo Souto (DEM) visitam Bom Jesus da Lapa (BA), na tarde desta sexta-feira (6)O candidato à Presidência José Serra (PSDB) e o candidato ao governo da Bahia Paulo Souto (DEM) visitaram Bom Jesus da Lapa (BA), um dos maiores polos de peregrinação religiosa do país, na tarde desta sexta-feira (6). O tucano defendeu criação de programa específico para incentivar o turismo religioso. (Foto: Valter Pontes/Coperphoto/Divulgação)