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sábado, 29 de setembro de 2012

Celso Russomanno e José Serra: Duas vertentes da direita paulista igualmente prejudiciais à democracia, à inclusão e à cidadania

Russomanno e Serra: Duas vertentes da direita paulista igualmente prejudiciais à democracia, à inclusão e à cidadania

Marilena Chaui: Russomanno e Serra representam o populismo e a barbárie

Rede Brasil Atual

Em debate sobre conservadorismo em São Paulo, filósofa também diz que a maneira como o STF julga o 'mensalão' coloca em questão a República

Marilena Chaui: Russomanno e Serra representam o populismo e a barbárie
Para Marilena Chaui, é preciso derrotar as forças que impedem o avanço da cidadania (Foto: Ivone Perez)
São Paulo – Os candidatos Celso Russomanno (PRB) e José Serra (PSDB) representam duas vertentes da direita paulista igualmente prejudiciais à democracia, à inclusão e à cidadania, segundo definiu a filósofa Marilena Chaui em debate realizado ontem (28) à noite para discutir "A Política Conservadora na Cidade de São Paulo”. O debate ocorreu no comitê da educadora Selma Rocha, candidata a vereadora pelo PT. Russomanno e Serra são os principais adversários do petista Fernando Haddad na disputa pela prefeitura.
Segundo Chaui, Russomanno simboliza “a forma mais deletéria do populismo, porque é o populismo de extrema direita” de uma cidade “conservadora, excludente e violenta”, enquanto Serra encarnaria “um dos elementos de selvageria e barbárie do estado e da cidade de São Paulo”. 
Ela define o candidato do PRB como herdeiro do populismo tradicional de São Paulo, na linhagem de Ademar de Barros e Jânio Quadros. O primeiro foi governador de 1947 a 1951 e de 1963 a 1966. O segundo, governador de 1955 a 1959 e prefeito da capital duas vezes (1953 a 1955 e 1986 a 1989), além de presidente da República por sete meses (de janeiro a agosto de 1961).
Por outro lado, diz Chaui, o candidato tucano representa o que ela chama de projeto hegemônico de PMDB e PSDB, há 30 anos dominando o estado. 
“Começou com Montoro, depois Quércia, Fleury, o Covas e o Alckmin. É muito tempo. É curioso que se trata de um partido que chama o PT de totalitário. Eles estão há 30 anos no poder. Se isso é totalitarismo, totalitários são eles”, diz a professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. 
Para ela, quem se compromete com a cidadania deve entender a gravidade do momento político: “Não podemos admitir nem a conservação no poder dos responsáveis pela barbárie, nem a retomada do processo característico também desta cidade protofascista, que é ter à sua frente figuras do populismo de extrema-direita. É nossa tarefa política, enquanto cidadãos, fazer com que cada um, ao nosso lado, compreenda isso”.
Marilena Chaui considera “uma tarefa libertária” a superação do entrave à cidadania representado pelas duas forças políticas que dominam uma “cidade na qual a violência, seja real, seja imaginada, é a forma da relação social e das relações entre as pessoas – para que a cidade se reconheça numa possibilidade nova”. 

Candidatos "novos"

Na sua fala, ela disse ser preciso desfazer a confusão provocada pela ideia de que Russomanno e Fernando Haddad (PT) são os dois candidatos novos na eleição paulistana. 
“Tenho insistido em mostrar que, em primeiro lugar, não se pode confundir um rosto que não está identificado ao universo da política com o novo. Mas em segundo lugar, é preciso localizar Russomanno nessa vertente antiga enraizada na cidade de São Paulo, que é a posição política conservadora, autoritária, do populismo de extrema direita”. 
Para Marilena, o ex-governador Paulo Maluf, cujo partido (PP) está aliado ao PT não eleições paulistanas, não se enquadra na tradição política representada por Russomanno, mas na do “grande administrador”, que ela identifica com Prestes Maia (prefeito de São Paulo de maio de 1938 a novembro de 1945) e Faria Lima (prefeito de 1965 a 1969). “Afinal, Maluf sempre se apresentou como um engenheiro.”
Para a filósofa, as forças políticas conservadoras transformaram São Paulo em uma cidade que “opera um processo contínuo de expulsão da classe trabalhadora, das classes populares, de qualquer centro no qual o poder público tenha feito intervenção de melhorias urbanas. Se tiver asfalto, luz, água, esgoto, semáforo, você pode contar que a exclusão já está a caminho. E no lugar dela [classe popular] você tem os espigões, essa verticalização absolutamente desgovernada. Nós estamos aqui para propor a ruptura com essas tradições, com essas políticas conservadoras, com o que está sedimentado e nos sufoca, dia a dia”. 
Sobre a realidade eleitoral caracterizada hoje pela fuga dos votos tradicionais do PT, das zonas leste e sul da capital, para Celso Russomanno, Marilena Chaui disse à RBA que acha “possível virar isso”. Para ela, é preciso “mostrar à periferia o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e todas as políticas sociais que não foram implantadas e que deixam a periferia ao deus-dará”. Em outras palavras, politizar a campanha de Fernando Haddad, o que “acontecerá no segundo turno”, acredita.

Julgamento do mensalão “coloca em questão a República”

No debate, Marilena Chaui falou também sobre o “mensalão”. “Não há dúvida de que ao lado de todas essas questões estruturais, históricas, há um dado de conjuntura que opera na rejeição popular (ao PT). Não na classe média, mas no nível popular, foi a grande operação em torno do ‘mensalão’ que produziu esse resultado [rejeição popular]”, acredita. 
Ela criticou o imprensa na cobertura do caso. “Se a gente pega a mídia brasileira, em particular a mídia paulista, houve dois grandes crimes contra a humanidade: Auschwitz e o ‘mensalão’”, afirmou, em referência ao campo de concentração localizado no sul da Polônia que foi um dos maiores símbolos do nazismo. Para ela, o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) na atual conjuntura foi “uma armação para coincidir com as eleições”.
De acordo com ela, se a República é constituída de três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, a atuação do STF ultrapassou o limite: “o fato de que o poder Judiciário faça isso coloca em questão o que é a República. Alguém tem que erguer a voz e dizer que o Judiciário está fazendo com que a gente ponha em questão se este país é ou não uma República”.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Já no desespero, Serra apela de novo à baixaria

Já no desespero, Serra apela de novo à baixaria

Balaio do Kotscho


Serra1 Já no desespero, Serra apela de novo à baixaria
Foto: Luciano Bergamaschi/AE



A natureza humana pode tardar, mas não falha. E a história se repete como farsa. Ao chegar a malufianos 46% de rejeição, o candidato tucano José Serra jogou os escrúpulos à favas, rasgou a fantasia e, como costuma fazer quando se vê acuado, partiu de novo para a baixaria eleitoral.
Nem a presidente Dilma Rousseff escapou dos seus ataques de ira diante dos novos números negativos da pesquisa Datafolha divulgados na quarta-feira, que reforçam a possibilidade dele  ficar fora do segundo turno.
"Ela vem meter o bico em São Paulo, vem dizer aos paulistanos como é que eles devem votar. Ela que mal conhece São Paulo vem aqui dar o seu palpite", disparou Serra, num dos seus melhores momentos de Serra.
Ela, no caso, é a presidente Dilma, que apóia, vejam só!, o candidato do seu partido, Fernando Haddad. Por sua reação, Serra deve achar que só tucanos podem meter seu bico grande nas eleições paulistanas, como fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para apoiar o candidato do PSDB, com toda pompa e circunstância, como se estivesse falando numa rede nacional de rádio e televisão.
Parece não ter dado muito certo o único "fato novo" criado pela campanha de Serra nos dias anteriores à pesquisa. A rejeição do tucano aumentou mais quatro pontos e a intenção de votos caiu mais um. O "saldo negativo" do candidato do PSDB na pesquisa, comparando a rejeição com o índice de intenção de votos, que caiu para 20%, já é de 26 pontos.
Em entrevistas raivosas e ensandecidos comerciais de televisão, o tucano foi à guerra, atirando para todo lado. Como já era de se esperar, colocou o julgamento do mensalão na roda.
"Sabe o que acontece quando você vota no PT? Você vota, ele volta. Fique esperto. É o velho PT em nova embalagem", atacou Serra por meio de um narrador terceirizado nos comerciais em que o candidato petista aparece ao lado de José Dirceu e Delúbio Soares, réus no processo.
A nova ofensiva tucana fez Fernando Haddad também subir o tom, deixando de lado o modo cordato como vinha conduzindo sua campanha até aqui, sem ataques aos adversários. O petista também pegou pesado:
"Ele está batendo recordes atrás de recordes de rejeição. Daqui a pouco não vai poder circular pela cidade. A baixeza de Serra é conhecida, e ele está pagando por isso. A população repudia o estilo dele de fazer política. Não é só questão de decadência política. É um problema de estilo. Ele é useiro e vezeiro em baixar o nível. É da genética dele".
Na guerra deflagrada entre PT e PSDB por uma vaga no segundo turno, quem acabou ganhando com o novo confronto foi o líder nas pesquisas, Celso Russomanno, do PRB, que só ficou assistindo ao tiroteio e continua nadando de braçada.
Os marqueteiros-estrategistas dos dois partidos repetem assim o mesmo erro cometido desde o início da campanha de 2012: ficam batendo no adversário histórico e se esquecem da autonomia do eleitor que, até aqui, escolheu uma terceira via fora da polarização entre tucanos e petistas, tirando votos dos dois lados.
Também neste campo os números do Datafolha não são nada animadores para José Serra. Dos eleitores de Russomanno que podem mudar de voto, 27% escolheriam Haddad; 20%, José Serra. Na pesquisa anterior, a situação era inversa: 26% optavam por Serra; 19% por Haddad.
Indagados sobre em qual candidato não votariam de jeito nenhum, 63% dos eleitores de Russomanno responderam Serra, e 19%, Haddad.
Ou seja, para onde olha, Serra só vê nuvens negras do horizonte. Agora, só falta o candidato tucano pedir para os eleitores pegarem em armas, eliminarem os adversários a bala e lhe assegurarem a vitória por aclamação. Alguns blogueiros celerados que o apoiam já estão chegando a este ponto.
Muita calma nesta hora.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Serra e a democracia de duas orelhas



Serra e a democracia de duas orelhas 


Jornal do BrasilMauro Santayana 

A verdade, diz um provérbio berbere, é como o camelo: tem duas orelhas. Você pode agarrá-la como lhe for mais conveniente, pela direita ou pela esquerda. Essa parece ser a postura do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, que prefere a direita. Para quem conheceu o jovem Serra de há quase 50 anos, é um desconsolo descobrir o que o tempo faz aos homens. Não só, como no poema de Drummond, ao abater com sua mão pesada, cobra os anos com “rugas, dentes, calva”, mas também costuma sulcar erosões nas ideias.
José Serra quer calar os blogueiros sujos, e usou o seu partido para isso. Dois nomes são mencionados, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. Não preciso expressar a minha solidariedade aos atingidos. O que está em questão — e os dois estarão de acordo com o raciocínio  —  é muito maior do que eles mesmos  e todos os outros franco-atiradores da internet. O problema real são os limites que querem impor à democracia.
Ao que parece, há uma liberdade de imprensa para uns, e outra para os demais. Os grandes veículos de comunicação combatem o governo e recebem dele vultosas verbas de publicidade, como é do conhecimento geral. Alguns poucos blogs, por convicção, defendem o governo federal, mas, conforme o PSDB,  estão impedidos de receber verbas publicitárias das empresas estatais.
Nenhum jornalista brasileiro pode se dar o luxo de não contar, em sua remuneração, qualquer que ela seja, com parcelas, ainda que pequenas, de dinheiro público. O poder público é a base de toda a economia nacional. Ele contrata as empreiteiras, compra das grandes empresas industriais, além de subsidiá-las com incentivos fiscais,  financia as atividades agropecuárias,  paga pelos serviços,  participa do custeio das grandes organizações patronais, entre elas a Fiesp, para ficar apenas em São Paulo. Assim, indiretamente, participa de todos os gastos com publicidade.
E mais ainda: quem paga tudo, afinal, é a sociedade e, nela, os que realmente produzem, ou seja, os trabalhadores. E são os trabalhadores, com parcela de seu suor, que mantêm o enganoso Fundo de Amparo ao Trabalhador que, administrado pelo Estado, por intermédio do BNDES, financiou as privatizações e continua a financiar empresas estrangeiras, como é o caso notório das companhias telefônicas, a começar pela controlada pelos espanhóis.  Em suma, o trabalhador paga pela corda que o sufoca.




Serra e os que pensam como ele tentam, como Josué em Jericó, segurar o sol com as mãos ou, melhor, impedir que a Terra continue rodando em torno de seu eixo e em torno da nossa estrela. A internet é indomável. E, apesar de suas terríveis distorções, como veículo que serve à difamação, à calúnia, à contrainformação, à difusão de atos de insânia  —  ampliando o que a televisão vinha fazendo  —  não há, no horizonte das ideias plausíveis, como amordaçar os bytes, imobilizar os elétrons, apagar as telas. Tudo isso poderá ocorrer com uma tempestade solar, mas nunca pela ação dos estados  —  a menos que, como tantos sonham, um governo fascista mundial destrua o sistema.
O candidato José Serra e seus correligionários se encontram alheios ao mundo que os cerca. Estão como um francês distraído que, em 10 de agosto de 1792, em um dos muitos cafés do Jardim das Tuileries, tomava placidamente uma baravoise  —  para os curiosos, mistura de café, conhaque e uma gema de ovo, segundo a receita do libertino Casanova. Enquanto isso, a multidão invadiu o Palácio Real  —  de onde, por pouco,  escaparam Luis XVI e Maria Antonieta  —  e o saqueou. O desconhecido continuou a beber. Todos os que o cercavam fugiram esbaforidos. Na defesa do palácio, morreram seiscentos guardas suíços. O francês distraído estava alheio a tudo, em sua manhã de agosto. Cinco meses depois, o rei e a rainha encontrariam a lâmina da guilhotina.
José Serra e os seus estão pensando em seu outubro, embora estejamos, no mundo inteiro, em tempos semelhantes aos do francês sans souci. Como sempre, o que está em jogo é a mesma reivindicação dos sans culotte: igualdade, liberdade, fraternidade  —  ou, seja, a democracia real. 

terça-feira, 24 de julho de 2012

A BLOGOFOBIA DE SERRA


A BLOGOFOBIA DE SERRA


Leandro Fortes  no Facebook

A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora. Na campanha eleitoral de 2010, o tucano experimentou, pela primeira vez, o gosto amargo da quebra da hegemonia da mídia que o apóia – toda a velha mídia, incluindo os jornalões, as Organizações Globo e afins. O marco zero desse processo foi a desconstrução imediata, on line, da farsa da bolinha de papel na careca do tucano, naquele mesmo ano, talvez a ação mais vexatória da relação imprensa/política desde a edição do debate Collor x Lula, em 1989, pela TV Globo. Aliás, não houvesse a internet, o que restaria do episódio do “atentado” ao candidato tucano seria a versão risível e jornalisticamente degradante do ataque do rolo de fita crepe montado às pressas pelo Jornal Nacional, à custa da inesquecível performance do perito Ricardo Molina. 

A repercussão desse desmonte midiático na rede mundial de computadores acendeu o sinal amarelo nas campanhas de marketing do PSDB, mas não o suficiente para se bolar uma solução competente nas hostes tucanas. Desmascarado em 2010, Serra reagiu mal, chamou os blogueiros que lhe faziam oposição de “sujos”, o que, como tudo o mais na internet, virou motivo de piada e gerou um efeito reverso. Ser “sujo” passou a ser um mérito na blogosfera em contraposição aos blogueiros “limpinhos” instalados nos conglomerados de mídia, a replicar como papagaios o discurso e as diatribes dos patrões, todos, aliás, alinhados à campanha de Serra. 

Ainda em 2010, Serra tentou montar uma tropa de trolls na internet comandada pelo tucano Eduardo Graeff, ex-secretário-geral do governo Fernando Henrique Cardoso. Este exército de brucutus, organizado de forma primária na rede, foi facilmente desarticulado, primeiro, por uma reportagem de CartaCapital, depois, por uma investigação do “Tijolaço.com”, blog noticioso, atualmente desativado, do ministro Brizola Neto, do Trabalho. 

Desde então, a única estratégia possível para José Serra foi a de desqualificar a atuação da blogosfera a partir da acusação, iniciada por alguns acólitos ainda mantidos por ele nas redações, de que os blogueiros “sujos” são financiados pelo governo do PT para injuriá-lo. Tenta, assim, generalizar para todo o movimento de blogs uma realidade de poucos, pouquíssimos blogueiros que conseguiram montar um esquema comercial minimamente viável e, é preciso que se diga, absolutamente legítimo. 

Nos encontros nacionais e regionais de blogueiros dos quais participo, há pelo menos três anos, costumo dar boas risadas com a rapaziada da blogosfera que enfrenta sozinha coronéis da política e o Poder Judiciário sobre essa acusação de financiamento estatal. Como 99% dos chamados blogueiros progressistas (de esquerda, os “sujos”) se bancam pelo próprio bolso, e com muita dificuldade, essa discussão soa não somente surreal, mas intelectualmente desonesta. Isso porque nada é mais financiado por propaganda governamental e estatal do que a velha mídia nacional, esta mesma que perfila incondicionalmente com Serra e para ele produz, não raramente, óbvias reportagens manipuladas. Sem a propaganda oficial do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobrás, todos esses gigantes que se unem para defender a liberdade de imprensa e expressão nos convescotes do Instituto Millenium estariam mendigando patrocínio de açougues e padarias de bairro para sobreviver. 

Como nunca conseguiu quebrar a espinha dorsal da blogosfera e é um fiasco quando atua nas redes sociais, a turma de Serra tenta emplacar, agora, a pecha de “nazista” naqueles que antes chamou de “sujo”. É uma estratégia tão primária que às vezes duvido que tenha sido bolada por adultos. 

Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto.



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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Se um "blog limpinho" acha isso, quem sou eu para discordar?: Serra: RIDÍCULO

Se um "blog limpinho" acha isso, quem sou eu para discordar?: Serra: RIDÍCULO
ridiculo


Há limites para o marketing 

O candidato não precisa passear de barco no Tietê para falar da contribuição que a municipalidade pode dar para a limpeza do rio.

Também não precisa andar de bicicleta para dizer que apoia esse tipo de transporte.

Não há a menor necessidade de o candidato subir num skate para apresentar trechos de seu programa para a recreação de jovens “radicais”. Nem andar de patins, nem fazer evoluções em bykes ou coisa que o valha.

Duvidamos de que essas “demonstrações” tragam um único voto a mais. O que ganha eleitores é o rol de propostas (também de prestação de contas do passado) e a confiabilidade que o candidato transmite ao apresentá-las.

A imagem de “novo” e de “antenado” que Serra deve transmitir é fruto de seu programa para as áreas da juventude e pelo que fez nos cargos públicos que ocupou. E também por sua prática nas redes sociais, de vanguarda entre os políticos de todos os quadrantes. E que não é de hoje, na beira de campanhas. Simples, assim.

O marketing do candidato - e ele próprio - deu uma bela pisada na bola, ou melhor, uma ridícula escorregada no skate.




Pitacos/Pitacadas: Política em foco.


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Entidades realizam panfletagem contra a privataria tucana


Entidades realizam panfletagem contra a privataria tucana


Brasil de Fato


Ato será nesta segunda-feira (23), às 16h, na Praça Ramos, no centro de São Paulo

Movimentos e organizações sociais realizarão nesta segunda-feira (23), a partir das 16h, uma grande panfletagem contra a privataria tucana na Praça Ramos, no centro de São Paulo (SP).
O objetivo da ação é dar visibilidade às denúncias do livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., com a distribuição de uma edição especial feita pelo jornal Brasil de Fato. Confira a edição do Privataria Tucana aqui: http://www.brasildefato.com.br/node/9722.
Conforme denunciam as organizações sociais, “nos dois governos Fernando Henrique Cardoso, o PSDB comandou o maior processo de privatização e entrega do patrimônio nacional na história do país. Foram mais de vinte e cinco empresas públicas vendidas a preço de banana, em benefício dos setores privados e do capital internacional”.
Ainda, segundo o jurista Fábio Konder Comparato, os responsáveis por este processo deveriam ser "condenados à indignidade nacional" por crime de lesa-pátria.
Os movimentos alertam que nas eleições municipais deste ano em São Paulo, “este projeto neoliberal está representado na candidatura Serra”. “Na época Ministro de FHC, Serra chefiou pessoalmente o Plano Nacional de Desestatização. É necessário derrotar o PSDB e acabar com a dominação política dos tucanos em São Paulo!”, defendem as organizações sociais.
Participam da organização da panfletagem o jornal Brasil de Fato, a Consulta Popular, o Levante Popular da Juventude, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).


Panfletagem contra a Privataria Tucana e de José Serra
Data: segunda (23), das 16h às 20h
Concentração: Praça Ramos
Compareça! Traga suas bandeiras! Vamos dar um basta ao PSDB e a Serra!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Está chegando, chegando...: Empreiteiro do DF aproxima Serra da CPI

Está chegando, chegando...: Empreiteiro do DF aproxima Serra da CPI


Empreiteiro do DF aproxima Serra da CPI



No dia 7 de maio de 2011, a revista Veja publicou uma reportagem chamada “O segredo do sucesso”, atribuindo a José Dirceu as peripécias da Delta no País. Graças à suposta influência do ex-ministro da Casa Civil, a empreiteira de Fernando Cavendish estaria se tornando uma das maiores do País (leia mais aqui).
Agora, novos grampos da Polícia Federal, colocam em xeque essa versão. São conversas entre Carlos Cachoeira e Claudio Abreu, em que tratam dessa reportagem. No diálogo 19, dos 73 que foram vazados pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, do site Conversa Afiada(leia mais aqui), Cachoeira e Abreu deixam claro que Dirceu não tem qualquer relação com os negócios da Delta. Dizem ainda que o responsável pela entrada da empreiteita no governo do Distrito Federal foi um construtor local: o empresário José Celso Gontijo, da JC Gontijo, que é uma das maiores incorporadoras de Brasília.
A conexão entre Gontijo e Serra é uma doação de R$ 8,2 milhões feita pela esposa do empreiteiro, Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, à campanha presidencial do tucano, em 2010. Um valor muito estranho pessoas físicas, uma vez que a lei eleitoral permite apenas que se doe 10% do valor ganho num determinado ano. Para piorar, José Celso Gontijo aparece num dos vídeos do policial Durval Barbosa pagando uma propina para manter seus contratos de tecnologia no Distrito Federal.
Assista, abaixo, ao vídeo, que capta o momento da entrega do dinheiro:

terça-feira, 3 de julho de 2012

Serra, afirmou ter “frase espirituosa” para responder ao Lula: "Eu sempre tenho ideias espirituosas mas não deixam falar"

Serra, afirmou ter “frase espirituosa” para responder ao Lula: "Eu sempre tenho ideias espirituosas mas não deixam falar"












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Tóim: Haddad disse que vice de Serra sofreu “dificuldade de tecnologia da informação”

Tóim: Haddad disse que vice de Serra sofreu “dificuldade de tecnologia da informação”

 O petista Fernando Haddad rebateu no início da tarde desta terça-feira as declarações de Alexandre Schneider (PSD).
O vice de Serra afirmou ontem que problemas com burocracia foram os entraves para que a Prefeitura da Capital paulista obtivesse o crédito necessário para a ampliação da rede de creches na cidade.
Segundo Haddad, cidades menores não tiveram problemas em preencher o formulário eletrônico para formalizar o pedido do dinheiro, ao contrário de São Paulo.
O pestista disse ainda que Schneider sofreu de uma “dificuldade de tecnologia da informação”, mas que o problema é simples de ser resolvido com “um curso de capacitação”.
Assista:


No Poder Online

domingo, 1 de julho de 2012

Serra e seus vices

Serra e seus vices


Depois de Indio da Costa e Gilberto Kassab, Alexandre Schneider.
Está certo que vice é vice, mas de vez em quando eles assumem, caso de José Sarney, Itamar Franco e do próprio Kassab.
E quando isso acontece...
Com José Serra, porém, esse negócio de vice, como se vê, não tem a menor importância.
Pode ser qualquer um, desde que não atrapalhe seus planos.
Quanto mais medíocre, quanto mais insignificante, melhor.
O importante para Serra sempre foi e sempre será o próprio Serra. 
Vices como os que teve são os ideais.
Não acrescentam nada à campanha eleitoral.
São nulos intelectualmente, não conseguem votos, mas também não atrapalham a trajetória do candidato que sobrevive graças à benevolência dos jornalões que o acham o homem certo para tirar o Brasil das mãos da gentalha.
Isso, para Serra, é o que basta: não ter ninguém que lhe faça sombra, que lhe tire o "brilho", que possa servir de comparação com a sua "genialidade", mesmo que ela se aproxime muito dos conhecimentos tirados das páginas do Almanaque Capivarol.
O vice, para Serra, tem de ser isso: pequeno, desconhecido, um quase anônimo.
Tem de ser eternamente um vice. 
Porque Serra é Serra, um predestinado, como ele mesmo já se definiu.
Acima de tudo e de todos. 
E pessoas como ele são únicas, não precisam de mais ninguém, apenas delas próprias.
O vice, para Serra, é só um nome e um sobrenome.
Qualquer um.
Não importa.



No Crônicas do Motta

terça-feira, 26 de junho de 2012

Ex-ministro Haddad ofereceu ajuda federal para São Paulo e seus governantes reagiram fazendo cara de paisagem

Ex-ministro Haddad ofereceu ajuda federal para São Paulo e seus governantes reagiram fazendo cara de paisagem


Autor(es): Raymundo Costa
Valor Econômico

Tem muita lenha para queimar nas eleições

Algo novo chamou a atenção da campanha de Fernando Haddad na convenção tucana que sacramentou o nome de José Serra como candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, no domingo: em vez de atacar Lula, como repetidas vezes fez na pré-campanha, Serra foi direto na jugular de Haddad.
"Experiência é virtude. Não estou aqui para brincar ou experimentar: estou aqui para governar", disse o tucano, em seu discurso aos convencionais. A pancadaria em Lula ficou para outros tucanos credenciados como os senadores Aloysio Nunes Ferreira e Alvaro Dias. Mesmo nas críticas ao ex-presidente da República, os tucanos não perderam Haddad de foco.
A assessoria de Haddad tem suas suspeitas para o comportamento tucano. Uma delas: o PSDB detectou algum crescimento no desempenho do ex-ministro nas pesquisas e decidiu atacar antes de ser atacado. Essa é a segunda suspeita: o consórcio PSDB-PSD teme que a campanha de Haddad revele os casos e as vezes em que o ex-ministro ofereceu ajuda federal para São Paulo e seus governantes reagiram fazendo cara de paisagem.
Campanha de Haddad já dá sinais de divisão
Pode ser tudo isso e também o fato de que a eleição, muito provavelmente, será definida entre José Serra e Fernando Haddad e não entre Serra e Lula. Em algum momento da campanha, talvez não demore muito, Haddad terá de andar com as próprias pernas, assim como Dilma Rousseff teve de fazer nas eleições de 2010. Nesse aspecto, sim, algo novo parece pairar sobre a campanha do ex-ministro.
Já é evidente que há descontentamentos na campanha com sua assessoria política. Haddad certamente não considera a aliança com o PP de Paulo Maluf um erro, mas deu-se conta de que foi barbeiragem ir à feijoada de Maluf para uma fotografia dos três - o anfitrião Maluf, seu padrinho político Lula e ele próprio, o candidato que Aloysio Nunes Ferreira chamou de "urso amestrado", ao discursar na convenção.
Um dos principais articuladores da aliança com Paulo Maluf foi o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho. Há quem diga, na campanha de Haddad, que ele também foi um dos arquitetos da visita à casa de Maluf. O problema, na campanha petista, não é a aliança ou a foto com Maluf. O problema é Lula e Haddad terem ido até a casa de Maluf, um "erro" que se preferiria atribuir ao "bom astral" da campanha num momento em que as coisas começavam a dar certo: Haddad subira cinco pontos na pesquisa Datafolha e fora acertado o apoio do PP.
Entre "haddadistas" teme-se pelo isolamento de Lula. Não isolamento político, é claro, mas do recolhimento inevitável de uma pessoa com os problemas de saúde pelos quais passou o ex-presidente. Aliados do candidato do PT a prefeito de São Paulo, sem dúvida, prefeririam que Lula estivesse em contato político com um maior número de pessoas, do PT e fora dele, e não apenas acessível a A, B ou C.
São Paulo ainda conhece pouco um dos candidatos com chances efetivas de disputar o segundo turno da eleição para prefeito de cidade. O episódio Paulo Maluf serve para dar alguma pista sobre quem é este professor de 51 anos, noviço em eleições e que jogou suas fichas na novidade (sem esquecer de Lula) para se eleger prefeito da maior capital do país.
O pior de tudo, para Haddad, teria sido perder Luiza Erundina (PSB) como companheira de chapa na eleição de outubro. Conta-se, entre seus aliados próximos, que ele já queria Erundina como companheira de chapa desde que se configurou a hipótese de o então ministro da Educação deixar o cargo para disputar as eleições. Seus amigos de empreitada dizem que Haddad "não é um socialista petista, ele é um socialista".
Acredita-se no universo de Haddad que o episódio Maluf não desgastou o ex-ministro, desgastou Lula. "O Fernando", como é chamado entre os mais próximos, "não vai negociar com o PP nem com ninguém, como não negociou com o PT enquanto era ministro da Educação". O PT queria o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) mas não levou, cita-se como exemplo. Outro: Fernando Haddad manteve o reitor pro tempore da Universidade do ABC, apesar de sofrer pressões do PT para mudar.
São fatos a ser esmiuçados e conferidos na campanha, assim como a acusação segundo a qual o Ministério da Educação ofereceu projetos com financiamento federal, como a construção de uma creche, e o governo tucano de São Paulo simplesmente ignorou, num primeiro momento, e depois culpou a burocracia federal. Negociações dessa natureza costumam ser documentadas por meio da troca de ofícios. O eleitor terá como desfazer suas dúvidas para votar.
Haddad e seus aliados dizem que querem mesmo é discutir um projeto de administração para a cidade. O ex-ministro insiste que os últimos projetos com reordenamento urbano foram consumados nos governos de Faria Lima (1965-1969) e de Prestes Maia (1938-1945). Após um período de estabilidade, São Paulo seria hoje uma cidade com extensas áreas degradadas necessitada de um novo projeto.
OPT entra nas eleições municipais com duas setas disparadas em sua direção: os processos do mensalão e o dos aloprados. Como pano de fundo desta eleição, integrantes do Democratas e tucanos registram que o caso dos aloprados foi aceito pelo Judiciário logo após o entrevero entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Gilmar Mendes, ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. Nesse meio tempo, o Banco Central interveio no Banco Cruzeiro do Sul, da família de Índio da Costa, ex-candidato a vice-presidente de José Serra, depois de os tucanos acionarem a Justiça contra o PT, por crime eleitoral, devido a entrevista que Lula e Haddad deram ao "Programa do Ratinho", exibido pelo SBT, rede de Silvio Santos, o antigo dono do banco Panamericano. Enquanto isso, a "CPI do Cachoeira" ainda tem muita lenha para queimar. Só depende de vontade política.

O Bolsa Família e seus inimigos



O Bolsa Família e seus inimigos


Marcos Coimbra - Carta Capital



O pensamento conservador brasileiro – na política, na mídia, no meio acadêmico, na sociedade – tem horror ao Bolsa Família. É só colocar dois conservadores para conversar que, mais cedo ou mais tarde, acabam falando mal do programa.
Não é apenas no Brasil que conservadores abominam iniciativas desse tipo. No mundo inteiro, a expansão da cidadania social e a consolidação do chamado “Estado do Bem-Estar” aconteceu, apesar de sua reação.
Costumamos nos esquecer dos “sólidos argumentos” que se opunham contra políticas que hoje em dia são vistas como naturais e se tornaram rotina. Quem discutiria, atualmente, a necessidade da Previdência Social, da ação do Estado na saúde pública, na assistência médica e na educação continuada?
Mas todas já foram consideradas áreas interditas ao Estado. Que melhor funcionariam se permanecessem regidas, exclusivamente, pela “dinâmica do mercado”. Tem quem pode, paga quem consegue. Mesmo se bem-intencionado, o “estatismo” terminaria por desencorajar o esforço individual e provocar o agravamento – em vez da solução – do problema original.
O axioma do pensamento conservador é simples: a cada vez que se “ajuda” um pobre, fabricam-se mais pobres.
Passaram-se os tempos e ninguém mais diz essas barbaridades, ainda que muitos continuem a acreditar nelas. Hoje, o alvo principal das críticas conservadoras são os programas de transferência direta de renda. Naturalmente, os que crescem e se consolidam. Se permanecerem pequenos, são vistos até com simpatia, uma espécie de aceno que sinaliza a “preocupação social” de seus formuladores.
Mas é uma relação ambígua: ao mesmo tempo que criticam os programas de larga escala, dizem-se seus mentores. Da versão “correta”. Veja-se a polêmica a respeito de quem inventou o Bolsa Família: irrelevante para a opinião pública, mas central para as oposições. À medida que o programa avançou e se expandiu ao longo do primeiro governo Lula, tornando-se sua marca mais conhecida e aprovada, sua paternidade começou a ser reivindicada pelo PSDB. Argumentavam que sua origem era um programa instituído pelo prefeito tucano de Campinas, José Roberto Magalhães Teixeira, em 1994.
Ele criou de fato o Programa de Renda Mínima, que complementava a receita de pessoas em situação de miséria. Por razões evidentes, limitava-se à cidade e beneficiava apenas 2,5 mil famílias, com uma administração tão complexa que era impossível expandi-lo com os recursos da prefeitura.
Tem sentido dizer que o Bolsa Família nasceu assim? Que esse pequeno experimento local é a matriz do que temos hoje? O maior e mais bem avaliado programa do gênero existente no mundo e que serve de modelo para países ricos e pobres?
O que a discussão sobre o Renda Mínima de Campinas levanta é uma pergunta: se o PSDB estava convencido da necessidade de elaborar um programa nacional baseado nele, por que não o fez?
Não foi Fernando Henrique Cardoso quem venceu a eleição de 1994? O novo presidente não era amigo e correligionário do prefeito? Ou será que FHC não levou o programa do companheiro para o nível federal por ignorá-lo?
Quem sabe conhecesse a iniciativa e até a aplaudisse, mas não fazia parte do arsenal de medidas que achava adequadas para enfrentar o problema da pobreza. Não eram “coisas desse tipo” que o Brasil precisava.
Goste-se ou não de Lula, o fato é que o Bolsa Família só nasceu quando ele chegou à Presidência. E é muito provável que não existisse se José Serra tivesse vencido aquela eleição.
Fazer a arqueologia do programa é bizantino. Para as pessoas comuns não quer dizer nada. Como se vê nas pesquisas, acham até engraçado sustentar que o Bolsa Família não tem a cara de Lula.
Não é isso, no entanto, o que pensam os conservadores. Para eles, continua a ser necessário evitar que essa bandeira permaneça nas mãos do ex-presidente. O curioso é que não gostam do programa. E que, toda vez que o discutem, só conseguem pensar no que fazer para excluir beneficiários: são obcecados pela ideia de “porta de saída”.
Outro dia, tudo isso estava em um editorial de O Globo intitulado “Efeitos colaterais do Bolsa Família”: a tese da ancestralidade tucana, a depreciação do programa – apresentado como reunião de “linhas de sustentação social (?) já existentes” –, a opinião de que teria ficado “grande demais”, a crítica de que causaria escassez de mão de obra no Nordeste, e por aí vai (em momento revelador, escreveu “Era FHC” e “período Lula” – como se somente o primeiro merecesse a maiúscula).
Para a oposição – especialmente a menos informada –, o Bolsa Família é o grande culpado pela reeleição de Lula e a vitória de Dilma Rousseff. Não admira que o deteste.
Para os políticos, as coisas são, porém, mais complicadas. Como hostilizar um programa que a população apoia?
Por isso, quando vão à rua disputar eleições, se apresentam como seus defensores. Como na inesquecível campanha de Serra em 2010: “Eu sou o Zé que vai continuar a obra do Lula!”.
Alguém acredita?

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Vixe! Eca!: Paulo Maluf fecha com Haddad em São Paulo e Serra culpa Alckmin por perder aliado

Vixe! Eca!: Paulo Maluf fecha com Haddad em São Paulo e Serra culpa Alckmin por perder aliado


José Serra Foto:Agência Brasil. Foto:Agência Brasil

Marina Dias


O presidente estadual do PP em São Paulo, deputado federal Paulo Maluf, anunciou no início da tarde desta segunda-feira (18) o apoio oficial de seu partido à candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura da capital paulista. Enquanto petistas comemoram a aliança, que trará 1 minuto e 35 segundos a mais ao programa eleitoral gratuito do PT, o tucano José Serra culpa Geraldo Alckmin por ter, nas palavras de interlocutores, "deixado Maluf escapar".
 
Segundo aliados, que pedem reserva quanto a seus nomes, Serra está "muito irritado" com o governador, que havia garantido o apoio do PP à candidatura tucana. "Serra acha que Alckmin acertou com Maluf para 2014 e não se esforçou muito, digamos assim, para este ano", explica um dirigente do PSDB paulistano. "Ele (Serra) acredita que Alckmin deixou Maluf escapar, não segurou o PSB, e ainda teve a história do PR… o PR foi Kassab que trouxe", completa. 
 
O grupo paulista do PP estava muito próximo de fechar com Serra, já que integra a base de Alckmin. Essas negociações, porém, começaram a azedar nas últimas semanas, depois que o governador se recusou a ceder a Secretaria de Habitação do Estado ao PP. Por outro lado, Maluf conseguiu emplacar um de seus aliados na Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, cargo negociado com a presidente Dilma pelo ministro da pasta, Aguinaldo Ribeiro (PP), como informou o jornal Folha de S.Paulo.
 
Além disso, Alckmin afirmava aos mais próximos e a Serra, inclusive, que o PSB poderia fechar com o PSDB, já que o presidente estadual do partido, Márcio França, era seu secretário do Turismo. No entanto, não foi isso que aconteceu. O presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, acertou com o ex-presidente Lula o apoio a Haddad, mediante a algumas concessões do PT em importantes cidades do Brasil.
 
Chapão
 
Serra precisará de Alckmin para ajudar a convencer os vereadores do PSDB contrários à ideia do "chapão" de que esta é a melhor opção para o partido nas eleições municipais em São Paulo.
 
Dirigentes do partido já ameaçaram destituir a Executiva Municipal da sigla, caso esta mostre disposição em apoiar o "chapão", em que tucanos teriam que dividir com as siglas aliadas o número de candidatos que podem inscrever na disputa por uma cadeira na Câmara Municipal, o tempo de propaganda eleitoral e os votos de legenda.

Quem atira a primeira pedra?

Quem atira a primeira pedra?


Rodolpho Motta Lima





Sem desmerecer a importância do julgamento pelo Supremo dos políticos envolvidos no “mensalão” – prática inaceitável que,se confirmada, terá mesmo que ser punida - quero, no entanto, chamar a atenção para o açodamento com que setores da mídia – que já têm como certa a condenação dos réus – insistem em vincular a futura decisão do STF aos resultados eleitorais de outubro próximo.
Seria perfeitamente compreensível essa hipotética ligação direta entre os fatos se não estivessem aí disponíveis – na farta mesa de corrupção que envolve o nosso (?) meio político – elementos das mais variadas espécies para nutrir, também do lado dos opositores do PT, vasta gama de falcatruas, tráficos de influência e outros procedimentos que envolvem manipulação fraudulenta de recursos.
Acho que foi João Saldanha quem disse que “se macumba ganhasse jogo de futebol, o campeonato baiano terminaria empatado”. Lamentando sinceramente a paródia que vou construir, a verdade é que,em nosso país, se a corrupção derrotasse candidaturas ou partidos, seria difícil termos poderes políticos estabelecidos no Brasil.
Se um cidadão paulistano, por exemplo, não aceita votar em Haddad por não confiar no seu tino administrativo ou por uma eventual escolha pouco feliz do PT, isso é discutível,mas aceitável. Mas se o faz com base na existência do “mensalão” petista, como poderá justificar seu voto no candidato Serra, por exemplo, sem exigir , no mínimo, esclarecimentos sobre o que se denuncia no livro “Privataria Tucana” do jornalista Amauri Ribeiro Jr.? Como poderá argumentar com posturas éticas se também o PSDB teve o seu “mensalão” (o mineiro) sujeito a um próximo julgamento? Como poderá votar no candidato que tem apoio explícito de ministro afastado do governo Dilma por pretensos malfeitos, com a pressão, então, do próprio tucanato? Alguém já se deu ao trabalho de comparar os valores envolvidos nesses processos, em uma espécie de “ranking” da corrupção?
É claro que o eleitor de Brasília deve estar indignado ou ressabiado por ver o nome do seu governador envolvido na cachoeira (“enxurrada”) de denúncias que assola o país. Pode até querer atribuir tal mal a um DNA petista. Mas pode? Pode fazê-lo na terra de Arruda do DEM, da Roriz do PMN? E, em termos do assunto-Cachoeira, a que partido pertence (ou pertenceu) o Sr. Demóstenes Torres - até meses atrás tido como sustentáculo moral dos princípios éticos na política? E os outros governadores vinculados ao processo?
Em suma: se o assunto é corrupção, qual é o partido – dentre as grandes agremiações políticas do país - que pode atirar a primeira pedra?
Eu entenderia e respeitaria essa postura “moralizadora” da grande mídia nacional se ela, prezando efetivamente os valores maiores do jornalismo, não estivesse nitidamente comprometida com interesses que a fazem amplificar alguns fatos e quase esconder outros, ao sabor de suas conveniências.
É mais do que certo que os níveis da corrupção no país chegam ao ponto do intolerável. É óbvio que a sociedade tem que reagir a isso. Mas é ridículo querer atribuir esse comportamento a uma sigla partidária, satanizando-a, quando a realidade revela que ele é generalizado.
Aquilo de que necessitamos – para minimizar a corrupção endêmica e inerente a um sistema econômico que a estimula mas que, infelizmente, é o que temos - é,sim, de uma reforma das práticas políticas,que envolve o fim de partidos “de aluguel”, a proibição de coligações “espúrias” e fisiológicas, a identificação clara dos matizes ideológicos dos partidos, o fim do voto secreto dos “representantes do povo” , a aplicação rigorosa , pelos juízes eleitorais, dos princípios da ficha limpa, a proibição de financiamentos de campanhas por entidades particulares e tanta outras providências que, se não acabariam com a corrupção conjuntural de alguns indivíduos pessoalmente propensos à fraude, pelo menos derrubariam obstáculos que fazem da corrupção, hoje, um problema estrutural.

No Direto da Redação

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

São Paulo, tremei: Serra está nervoso


São Paulo, tremei: Serra está nervoso

Acumulam-se sinais de que o candidato José Serra mergulhou numa zona de instabilidade e turbulência, distinta daquela que pavimentaria a rota de um nome supostamente favorito à prefeitura de SP. Em poucos dias, o tucano fez quatro disparos ilustrativos de um estado emocional tenso, talvez raivoso. A saber: 


a) Serra decidiu processar o jornalista Amaury Ribeiro Jr pela  documentação revelada no livro ' A Privataria Tucana', dando conta do enriquecimento ilícito do ex-governador e de sua filha, Verônica ; 


b) em solenidade no ABC nesta 2ª feira,  num discurso algo desconexo, Serra acusou o PT e os petistas de 'fascistas;


 c) Serra contratou um autentico exemplar do comando jornalístico de caça ao PT, Fábio Portela, para chefiar a comunicação de sua campanha. Portela foi pinçado diretamente da revista Veja, que dispensa apresentações; 


d) Serra, via manifesto do PSDB de SP, divulgado nesta 3ª feira, decidiu  'denunciar' a decisão do prefeito, seu aliado, Gilberto Kassab, de ceder um terreno público no centro da capital para sede do futuro instituto e museu de Lula. O que teria acidificado adicionalmente o conhecido humor do tucano? 

 Dois eventos mexeram o xadrez político nacional nos últimos dias: na economia o governo Dilma esganou o discurso 'industrialista' de Serra ao vencer uma queda de braço com os bancos, para redução dos juros; na política, foi criada a CPI do Cachoeira; bancada por Lula, envolve diretamente dois aliados do tucano, o governador Marconi Perillo e Demóstenes Torres. A ver.



Na Carta Maior

domingo, 22 de abril de 2012

Julgamento de José Serra está na fila antes do caso ‘mensalão’

Julgamento de José Serra está na fila antes do caso ‘mensalão’


Apesar de as expectativas estarem voltadas a celeridade no julgamento do caso ‘mensalão’ , prometido para breve pelo novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto, outros processos de escândalos de corrupção seguem arquivados.  Entre eles, o processo que se arrasta desde 2003 e envolve o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB) em um desvio de recursos do Banco Econômico.
Em termos de réus ilustres supera o chamado “mensalão”, e em termos de valores também. O rombo no Banco Econômico, socorrido com R$ 3 bilhões no âmbito do PROER, quando Serra era ministro do planejamento envolve praticamente toda a equipe econômica do governo FHC. Estão entre os envolvidos, o ex-ministro Pedro Malan, ex-ministro e banqueiro Ângelo Calmon de Sá e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Loyola e Gustavo Franco.
A juíza Daniele Maranhão Costa, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, acatou a denúncia apontando dano ao erário, enriquecimento ilícito e violação aos princípios administrativos no caso.
Informações da Rede Brasil Atual

No Sul21

segunda-feira, 19 de março de 2012

Em 2004: O Telefonema de Cachoeira



Em 2004: O Telefonema de Cachoeira




Lembrei-me do episódio que narro em seguida depois de ver o nome de Carlinhos Cachoeira de volta ao noticiário, no caso envolvendo o senador Demóstenes Torres.

Partindo de onde partiu, resolvi por as "barbas de molho". Por quê? Explico.

Era 2004. Trabalhava na TV Globo, em São Paulo.

Um deputado estadual do Rio, não me lembro mais quem, havia passado para o Fantástico a gravação que incriminava Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil do primeiro governo Lula.

O "furo" da Revista Época (leia-se Editora Globo), em fevereiro daquele ano, abriu caminho para a CPI dos Bingos, na Câmara Federal e excitou a mídia, que festejava a descoberta do caixa dois da campanha do PT à presidência.

De quebra, enfraquecia o principal artífice do projeto político ora no poder: José Dirceu.

Luiz Carlos Azenha e eu fomos incumbidos, em São Paulo, de produzir uma reportagem especial esmiuçando a gravação entre Cachoeira e Diniz a procura de desdobramentos.

Produzimos um vt de quase 8 minutos. A princípio seria para o JN (duvidávamos, por causa da longa duração), depois passaram para o Fantástico e, por fim, reeditamos para o Jornal da Globo, depois de cortes e mais cortes.

A certa altura da edição, toca o telefone na minha mesa. Pasmo, atendo, do outro lado da linha, Carlos Augusto Ramos, Carlinhos Cachoeira, o próprio. Pergunto aos meus botões: como foi que ele descobriu a produção da nossa reportagem? E mais, quem teria dado o meu ramal a ele?

Conversamos com franqueza e cordialidade. Ele desqualifica a reportagem que estamos fazendo e diz (numa tentativa de barganhar a seu favor) que tem como nos dar com exclusividade o caminho para o caixa dois do PSDB (seria uma isca?).

Digo a ele que não tenho poder para mudar o trabalho em curso, mas sugiro que me explique qual é a denúncia exatamente, para encaminhar à direção.

Ele me conta que o negócio de caça-níqueis, bingos e loterias deixou de ser rentável e que migrou para o ramo de medicamentos genéricos, mais "limpo" e atrativo. Estava disposto a contar "em off" como era o esquema na Anvisa para liberação das fórmulas.

Era denúncia grave. Envolvia o ex-ministro da Saúde e candidato derrotado à presidência, José Serra, e o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que, segundo meu interlocutor, teria até participado de um encontro com ele, Cachoeira, e outros na base aérea de Anápolis, quando de um evento da aeronáutica.

Desligo o telefone, consulto o arquivo e bingo! Temos a imagem do então presidente desembarcando e sendo recebido na pista da base aérea de Anápolis, no dia apontado por Cachoeira. Peço para "descer" a imagem e conto para o Azenha.

Decidimos fazer uma menção discreta dentro da reportagem, para não chamar a atenção da nossa chefia, e que, indo ao ar, poderia servir de pista para repórteres investigativos, cujos veículos fossem mais isentos e independentes.

Diante desta nova bomba, que poderia equilibrar o jogo em favor do governo Lula que, àquela altura, estava imobilizado nas cordas, apanhando sem parar, apresentei um relatório à chefia e fui pessoalmente contar ao chefe de reportagens especiais, Luiz Malavolta, o que tínhamos em mãos.

"Pode esquecer", disse o Mala. "Denúncia contra o Serra a casa não vai dar". Dito e feito. Até hoje ninguém abriu a caixa preta da indústria farmacêutica dos genéricos. Ou será que o Amaury Ribeiro Jr. não desvendará esse mistério para nós em: A Privataria Tucana 2?

Por isso, quando ouço falar de Carlinhos Cachoeira, Revista Época, Globo e congêneres já fico com uma preguiça danada.

Foi o que disse ao meu sobrinho dia desses: "Toda denúncia serve ao interesse de alguém." No caso desta última, envolvendo o senador por Goiás, a quem interessa? 




No DoLadoDeLá