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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Oi?? A Band, que agora exibe o Pânico, quer discutir o tema humilhação

A Band, que agora exibe o Pânico, quer discutir o tema humilhação

Oi?? A Band, que agora exibe o Pânico, quer discutir o tema humilhação


A careca da panicat Babi Rossi (gente, como dói escrever panicat) é o assunto do momento, embora carecas em geral não despertem grandes emoções. A dela desperta, vai ver é porque ela é gostosa. A novidade é que a Band não está nada satisfeita. De acordo com o F5, rolou um climão na emissora depois do programa exibido no último domingo. Um diretor do canal disse que o alto escalão viu a brincadeira como humilhação, e isso pegou mal etc. e tal. Claro, porque todo o resto das coisas que o Pânico faz não tem nada a ver com humilhação. Aquilo tudo é a mais pura finesse, a maior expressão de amor ao próximo que a televisão brasileira já transmitiu. Pensem aí sobre esse mundo louco.
Pra você que não acompanhou a “polêmica”, o fato é que rasparam o cabelo dela ao vivo, em mais uma dessas brincadeiras hilárias feitas no programa. Babi topou “por amor à profissão e por consideração aos companheiros do Pânico“, segundo sua própria mãe, a dona Margarete Rossi. Ela também deixou claro que Babi “foi a única panicat que eles levaram da RedeTV! para a Band”. Ah, agora tá explicado. Gente! Isso tudo é medo de perder o emprego. Quem nunca? #forçanaperucababi LITERALMENTE
Mas a careca acabou sendo uma coisa boa pra Babi, que ficou mais conhecida. Ou não. Houve rumores de que ela foi oferecida pelo Pânico para posar para a Playboy  de novo, mas a revista não topou. Pode ser que ela encontre outros meios de aparecer. Dona Margarete acha, inclusive, que ela pode ajudar as pessoas que tiveram de raspar os cabelos por causa “de doença”. E nada mais inspirador para as pessoas que estão sofrendo verdadeiramente do que uma panicat que ficou careca em troca de fama e dinheiro, não é mesmo?
Fotos: reprodução Twitter

No Jezebel

terça-feira, 10 de abril de 2012

CEF é condenada a indenizar bancária humilhada no trabalho

CEF é condenada a indenizar bancária humilhada no trabalho


Uma empregada, que prestou serviços à Caixa Econômica Federal por trinta anos, os últimos deles em função de destaque, como gerente, procurou a Justiça do Trabalho alegando ter sido discriminada e perseguida no ambiente de trabalho. Isto porque, o gerente geral, em alto e bom som, informou a ela que deveria escolher entre ser transferida de agência ou rebaixada de função. O motivo apontado pelo chefe foi o fato de ninguém na agência gostar da reclamante, nem mesmo os clientes. Abalada, pressionada e recebendo telefonemas do supervisor da região, acabou aderindo ao PDV Programa de Demissão Voluntária. Sentindo-se humilhada, pediu a condenação da ex-empregadora ao pagamento de indenização por danos morais.
E a juíza Paula Borlido Haddad, titular da Vara do Trabalho de Três Corações, deu razão à trabalhadora. Ela considerou que os fatos narrados pela ex-bancária foram claramente comprovados no processo. A empregada ocupou, por anos seguidos, cargo de destaque no banco e, de uma hora para outra, foram-lhe dadas duas opções. Ou deveria concordar com sua transferência, ou seria rebaixada de cargo. "Desse modo, ficou a reclamante exposta ao isolamento que essa condição provoca de forma natural ou automática, com evidente prejuízo emocional, pois ficou desacreditada e envergonhada perante os colegas" , ressaltou.
A magistrada esclareceu que não se está discutindo o direito que o banco tem de remanejar seus gerentes. A questão é outra e refere-se à forma pela qual essas alterações são realizadas. Na visão da juíza, faz toda a diferença, nesse momento, o modo como o empregador usa sua autoridade. Princípios morais devem ser observados. No entanto, no caso analisado, não foi o que aconteceu. A testemunha ouvida assegurou que, o gerente geral disse para a reclamante que ela seria transferida porque ninguém gostava dela, incluindo os clientes. "Ora, o empregado pode ser destituído do cargo de confiança a qualquer momento, mas sua dignidade deve ser antes de tudo preservada" , frisou.
O banco, por meio de seu gerente, deveria ter agido com mais cuidado, respeitando a profissional como pessoa humana. A intenção inicial pode até não ter sido punir a empregada, mas foi o que acabou ocorrendo, de forma sutil e não menos violenta, por desprezo à honra da bancária. A julgadora lembrou que a literatura médica é rica em exemplos das consequências trágicas à saúde que os sentimentos de inutilidade e fracasso provocam em casos como os do processo. Levando em conta a conduta ilícita do réu, o sofrimento psíquico da reclamante e o nexo entre um e outro, a magistrada condenou a CEF ao pagamento de indenização por danos morais, no valor de R$30.000,00. A Caixa apresentou recurso, mas a condenação foi mantida pelo Tribunal da 3ª Região, sendo apenas reduzido o valor da indenização, para R$10.000,00.
0000032-60.2011.5.03.0147 ED )

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Professor universitário humilhado diante de colegas será indenizado

Professor universitário humilhado diante de colegas será indenizado



A Universidade de Passo Fundo (UPF) deve indenizar em R$ 30 mil um professor humilhado e ameaçado pelo diretor da unidade em que trabalhava. O fato ocorreu durante reunião com aproximadamente 50 professores, todos colegas do reclamante. A decisão é da 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul. Eles aumentaram o valor da indenização arbitrado em R$ 5 mil pela juíza Ana Luíza Barros de Oliveira, da 1ª Vara do Trabalho de Passo Fundo. 
O trabalhador foi admitido pela universidade em março de 1986 e demitido em janeiro de 2008. De acordo com os autos, a reunião ocorreu entre abril e maio de 2007. Na ocasião, conforme as testemunhas ouvidas no processo, discutia-se o ingresso do professor no plano de carreira da universidade.
Segundo os relatos, o diretor da unidade, dizendo-se preposto da reitoria, discorreu efusiva e agressivamente sobre a incompetência do funcionário, utilizando-se de expressões ‘‘grotescas e pejorativas’’, afirmando que ele seria mau professor e que os alunos não gostavam dele. Os depoentes disseram que esse tipo de tratamento não era comum nas reuniões, sendo que a situação gerou perplexidade. Alguns dos presentes fizeram uma manifestação em favor do professor, que não reagiu no momento.
Na sentença, a juíza de Passo Fundo destacou que a discussão sobre o desempenho acadêmico do professor era compreensível, pois um bom histórico era pré-requisito para ingresso na carreira. Entretanto, para a julgadora, a condução da reunião foi desproporcional e extrapolou os limites da razoabilidade.
Universidade e trabalhador recorreram. Os desembargadores mantiveram a sentença, alterando apenas o valor indenizatório. O relator do acórdão na 7ª Turma, desembargador Flavio Portinho Sirangelo, ressaltou que a agressão serviu como ameaça para que o professor desistisse de concorrer ao cargo que o agressor ocupava (diretor da unidade).
"Tal conduta violou direito de personalidade do empregado, atingindo a sua dignidade e causando inegável humilhação perante os seus colegas professores. Tem-se que plenamente caracterizado o ato ilícito, nos exatos termos do artigo 186 do Código Civil, ensejador do dever da ré de reparar os danos morais daí resultantes", concluiu. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRT-RS.
Clique aqui para ler o acórdão. 
No Conjur

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O caso Rômulo Lemos e a cultura do macho-pegador



O caso Rômulo Lemos e a cultura do macho-pegador


Alyson Freire



A agressão de Rômulo Lemos a estudante Rhanna, que resultou em quatro placas de titânio e dezesseis pinos no braço desta última, foi um dos assuntos mais comentados dos últimos dias. Num primeiro momento, a estupidez e a brutalidade do ato exigem, quase que de forma automática, o repúdio e a cobrança pelas medidas cabíveis de apuração e punição ao agressor. Afinal de contas, diante de tamanha bestialidade, e a fim de evitar outras atitudes e cenas similares, a primeira atitude racional que devemos tomar é a reprovação e demanda de providências imediatas. Porém, passado o choque da notícia e da cena, é o momento de pensar a propósito e dar algum tratamento que a relacione com um contexto e questões mais amplas, e que nos digam respeito como sociedade. A violência ali perpetrada vai mais além de quem exerceu e de quem a sofreu.
É preciso ver nesse episódio mais que a brutalidade do golpe, mais do que a revolta contra a crassa troglodice ou a pressão pela responsabilização penal, mais que os envolvidos e seus estereótipos. Há nisso tudo a atuação de um padrão machista de relações sociais, um modo violento, cruel e sádico pelo qual, muitas vezes, os homens se relacionam com as mulheres.
E não se trata aqui, como se poderia, apressadamente, concluir, de manifestações extremas como estupro e o espancamento regular. Mas de atos sutis, posturas e atitudes cotidianas, presentes e atuantes em gestos, palavras e olhares por meio dos quais os homens se aproximam, “apreciam”, paqueram ou se dirigem às mulheres. Trata-se das passadas de mão em ônibus ou corredores, as frases e provocações grosseiras, as insinuações invasivas, o “comer com os olhos”, as buzinadas, assobios e “psius”. Tudo isso que expressa literalmente um não-reconhecimento da autonomia e integridade moral do outro, da liberdade de seu corpo e de seu desejo. Visto desse ângulo, é fácil entender porque o comediante Rafinha Bastos sente-se tão à vontade em suas “piadas” pretensamente irônicas sobre as mulheres, pois enxerga nestas seres violáveis, ainda que seja por palavras  e tiradas “bem-humoradas”, nem se importa, reconhece ou mede os efeitos de sofrimento e humilhação causado no outro.
A indignação contra o episódio não pode nos fazer perder de vista esse horizonte cultural violento e sádico que norteia o modo de relacionar-se entre homens e mulheres dentro do qual tal episódio está essencialmente inscrito, reduzindo assim a questão à responsabilidade individual do autor da agressão. Desde a tenra infância, os meninos são incentivados a afirmar sua virilidade, educados para ter poder sobre as mulheres e sobre outros homens em detrimento da sensibilidade e reconhecimento dos efeitos perversos sobre o outro de tal afirmação e poder. Trata-se de um processo violento de incorporação de uma masculinidade machista, um processo dramático e doloroso, inclusive, para os próprios, pois devem frequentemente ratificar para si mesmos e aos demais o seu poder viril enquanto prova de sua identidade masculina. Desse modo, a violência tem sido um aspecto constitutivo da educação e da identidade dos homens, o significante em função do qual vêem a si mesmos como homens, o meio para se tornarem homens de verdade.
O caminho para fazerem-se de si mesmos homens, em nossa cultura e sociedade, está intimamente ligado tanto à violência virilizadora quanto à posse de mulheres. Uma educação fortemente centrada no imperativo de se ter poder sobre as mulheres, de subjugá-las à vontade masculina, é o que está na raiz de uma série de práticas comuns, pelas quais os homens gozam de ampla e irresponsável liberdade no trato com às mulheres, inclusive promover, em baladas e carnavais, “ataques” e cercos em bando contra estas, acossá-las e segurá-las pelo braço, pelo cabelo ou cintura quando os recusam ou ignoram.
Infelizmente, tal crença apóia-se num traço – ainda persistente e com alguma força de realidade –  de nossa cultura,  que educa e constrói mulheres e homens para o olhar e o exercício da masculinidade, como que a afirmação da feminilidade das primeiras e da masculinidade dos segundos somente são possíveis mediante esta relação de um sujeito que olha ofensivamente, invade e que fala grosserias e um objeto passivo que somente se realiza se for notado e devassado com virilidade e agressividade. É dessa crença misógina que deriva a ideia que a mulher está provocando quando sai de casa de saia ou shorts curtos, o que é interpretado na cabeça vazia de muitos como sendo um tipo de autorização ao assédio, ou a representação feminina pelos comerciais e pela publicidade em geral da mulher como uma máquina cuja única qualidade e atributo significativos são a sedução e o seu corpo.
Quando adolescentes, pais e amigos estimulam e encorajam a “raparigagem” inconsequente. Quando jovens adultos, a prova da masculinidade toma a forma de uma corrida pela conquista de mulheres-troféus a serem levadas para casa e exibidas em festas. É dessa forma que a cultura do macho-pegador vai desde a infância sendo construída para assegurar uma identidade masculina masculinizada, viril e conquistadora num sentido militar, inclusive com o consentimento e aprovação das mulheres, diga-se.
No caso do “macho-pegador” Rômulo, some-se ainda uma questão de classe; como um bom filho da gorda classe média local, de fato ele deve acreditar que, em razão de seu status, poder econômico e aparência, é um absurdo ele ser recusado por quem quer que fosse. Como tal, ele merece ser bem-sucedido em tudo que faz. Em qualquer investida, ele só concebe o êxito e o sucesso, o fracasso jamais pode ser uma alternativa. Afinal, ele é um homem de sucesso, bonito e invejado socialmente, portanto, irrecusável para qualquer mulher.
O machismo misturado a essa arrogância de classe tornam muitos homens incapazes de lidar com a recusa, com a autonomia e o direito do outro de não se dobrar perante suas vontades e de ver nas mulheres seres éticos e livres.
Cenas e episódios como os que envolveram Rômulo Lemos e a estudante Rhanna, para além da apuração e dos procedimentos legais, devem nos servir para questionar a consagração dessa cultura do macho-pegador. A ferocidade dessa cultura manifesta-se em relações sociais de gênero assimétricas entre homens e mulheres, estabelecidas segundo padrões violentos de sociabilidade e de identidades de gênero pré-definidas para proporcionar o desempenho de papéis que brinda uns como sujeitos e outr@s como objetos de poder e de assujeitamento. Um dos problemas centrais, nesse caso, reside, portanto, em como nossa sociedade naturaliza uma forma de masculinidade na qual a violência e o direito sobre o outro como objeto de seu desejo e vontade são elementos estruturadores da identidade, autoimagem e performance masculinas.
Por último, caberia perguntar também, até que ponto a violência, a agressividade e misoginia masculinas seriam não apenas produtos de um processo de incorporação dessa cultura do macho-pegador, mas também o resultado da repressão dos elementos mais emocionais, uma ocultação das emoções e dos gestos mais afetuosos cujo desdobramento resulta numa quase impossibilidade dos homens de expressar-se de outro modo. Afinal, sobre eles pesa um verdadeiro medo de apresentar uma masculinidade desmasculinizada, desvirilizada. No fundo, a agressividade e a força, talvez, ocultem mais medo e insegurança do que outra coisa. De todo modo, portanto, não nos faltam questões e, infelizmente, exemplos que provam a urgência de repensarmos a consagração dessa cultura do macho-pegador e dos processos de produção da masculinidade centrados na subordinação do feminino.