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terça-feira, 24 de abril de 2012

A Igreja Detesta Os Pobres

A Igreja Detesta Os Pobres

Paulo Nogueira

A irmã Simone Campbell

Ao lado de quem a Igreja Católica fica, dos ricos ou dos pobres?
Dos ricos, todos sabemos. Desde sempre.
Na Inglaterra medieval, um líder popular conhecido como Longbeard por sua barba enorme angariou mais de 50 000 seguidores em Londres. Ele advogava em defesa dos pobres e desvalidos.
Claro que ele terminou morto. Quem comandou o complô para matá-lo foi a principal autoridade católica da Inglaterra de então – o arcebispo da Cantuária. Longbeard se refugiou numa igreja, na esperança de que ela fosse respeitada. Por ordens do arcebispo, puseram fogo nela. Longbeard foi capturado e esquartejado, ao lado de um grupo de seguidores que não o abandonaram em momento nenhum. Um historiador inglês do passado escreveu as seguintes palavras: “Ele morreu unicamente por defender os pobres e a verdade. Se a causa é determinante para fazer um mártir, ele merece ser considerado um mártir.”
Na Inglaterra contemporânea, os responsáveis pela Catedral de São Paulo pareceram ter ficado com asco quando viram gente pobre montar barracas na frente do templo favorito da realeza, no movimento Ocupe Londres.
Ao longo da história apenas no papado de João 23 a Igreja Católica optou pelos pobres. Num grande romance de Graham Greene, O Cônsul Honorário, ambientado num país da América Latina na época das ditaduras militares, um padre adere à guerrilha. Ele explica a um amigo: “É que eu não conseguiria esperar um novo João 23.”
Vejo agora nos Estados Unidos que freiras progressistas, lideradas pela irmã Simone Campbell, foram objeto de recriminação pública do Vaticano. Elas estariam desafiando tabus como o aborto, segundo o Vaticano.
“Nossa missão é viver o evangelho ao lado daqueles que estão às margens da sociedade”, respondeu Simone quando soube da atitude do Vaticano. “Isso é tudo que fazemos.”
Vale a pena conhecer o site da organização que congrega as freiras progressistas americanas. Elas avisam, por exemplo, que fazem parte dos 99% — a imensa maioria da sociedade que nos últimos 30 anos foi legalmente roubada por legislações que permitiram à microelite do 1% pagar cada vez menos impostos.
Clap, clap, clap para as freiras americanas, e em especial para a irmã Simone.
De pé.

Diário do Centro do Mundo

segunda-feira, 12 de março de 2012

Padre é afastado por negar a comunhão a uma lésbica: Por bullying com membros da paróquia, diz Arquidiocese de Washington

Padre é afastado por negar a comunhão a uma lésbica: Por bullying com membros da paróquia, diz  Arquidiocese de Washington


El reverendo Marcel Guarnizo.

El reverendo Marcel Guarnizo.REAL CLEAR RELIGION

A Arquidiocese de Washington (Distrito de Columbia, EUA) suspendeu o reverendo Marcel Guarnizo por negar a comunhão a uma lésbica durante o funeral de sua mãe.


"Eu não posso dar essa comunhão, porque você vive com uma mulher e isso é um pecado para a Igreja", falou Guarnizo para Barbara Johnson, filha da falecida, que recebeu o pedido de desculpas depois da Arquidiocese.


Agora, de acordo com The Washington Post, o reverendo foi removido de suas funções clericais por desenvolver um "comportamento bullying com membros da paróquia" que é "incompatível com o ministério sacerdotal adequado."



É o que diz a arquidiocese, através de uma carta publicada pela Real Clear Religion, ao anunciar sua demissão, mas deixou a porta aberta para seu retorno. "Padre Guarnizo foi proibido de exercer qualquer atividade do ministério sacerdotal na Arquidiocese de Washington até que tenha resolvido todos os problemas, esperando que ele possa voltar para o sacerdócio", disse o comunicado.




No Público e.s

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Amai-vos uns aos outros como eu vos amei: Projeto estabelece que não é crime templo religioso impedir presença de homossexual

"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei": Projeto estabelece que não é crime templo religioso impedir presença de homossexual



Arquivo/ Diogo Xavier
Washington Reis
Washington Reis: há que se observar o direito das minorias sem infringir outros direitos constitucionais.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 1411/11, do deputado Washington Reis (PMDB-RJ), que estabelece que não é crime a recusa, por parte de clérigos de templos religiosos, de efetuar casamento em desacordo com suas crenças. A proposta também deixa claro que não cometem crime organizações religiosas que não aceitarem, em cultos, a permanência de cidadãos que violem seus valores, doutrinas, crenças e liturgias.

O autor ressalta que a prática homossexual é descrita, em muitas doutrinas religiosas, como uma conduta em desacordo com as suas crenças. O objetivo da proposta, segundo o deputado, é garantir às organizações religiosas "o direito de liberdade de manifestação”.
“Não obstante o direito que assiste às minorias, na legítima promoção do combate a toda e qualquer forma de discriminação, há que se fazê-lo sem infringir outros direitos e garantias constitucionais e sem prejudicar princípios igualmente constitucionais”, argumenta o autor do projeto.
A proposta acrescenta dispositivo à Lei 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito. Atualmente, a lei estabelece que praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional é crime, sujeito à pena de reclusão de um a três anos e multa.
Tramitação 
A proposta, de caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.





Agência Câmara

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poema para um deputado esquecido (o deputado "pedófilo" do Pará)

Poema para um deputado esquecido (o deputado "pedófilo" do Pará)



I 

Era uma vez um deputado.

Um deputado estadual do Pará.

Era uma vez um pedófilo.

Um pedófilo eleito deputado.

Era uma vez uma justiça.

Uma justiça paraense.

Era uma vez uma justiça, um foragido, um preso.

Era uma vez uma renúncia.

Um renúncia forçada, escandalosa.

Era uma vez um preso.

Um preso libertado pela força do dinheiro e do tráfico de influência.

II

Era uma vez uma menina do interior.

Uma menina assediada, bolinada, aliciada, comprada, explorada e violentada.

Era uma vez uma justiça.

Uma justiça errada, comprada, viciada.

Era uma vez uma absolvição de um crime.

Um crime com provas, relatos, indignações e dinheiro.

Era uma vez uma farsa.

Uma farsa onde ricos, políticos e pedófilos não vão pra cadeia.

III

Era uma vez um silêncio.

Um silêncio dos deputados, ministério público, igreja, governo.

Era uma vez a vergonha.

A vergonha da política e da justiça paraense.

Fim.


No BelémDebate

sábado, 9 de outubro de 2010

Por Deus! Não estamos elegendo um pastor ou uma freira

Discutir projetos para o Brasil é possível, os tucanos querem discutir valores e nós queremos discutir como se acaba com a fome, escola pública, saúde...


Do Blog do Sakamoto

O nível da eleição está baixando tanto que, como disse alguém no Twitter, deve ter atingido as placas tectônicas, provocando o terremoto sentido no Centro-Oeste. Não quero fazer aqui uma discussão sobre cultura política, mas apenas pedir, encarecidamente, a todos que acabam adotando uma posição cética neste momento, achando que não faz diferença discutir propostas e candidatos, que tudo se resume a um toma-lá-da-cá, que faça um esforço e entre na discussão. Se mais pessoas com boa vontade quiserem entender quem são os candidatos e o que eles propõem, talvez possamos chegar no que realmente importa. Por exemplo, a visão de país que os dois lados defendem.

Infelizmente, a cordialidade brasileira (entendida no seu sentido sociológico) contribui para que debates e trocas de idéias sejam travados logo no seu nascedouro. Por aqui, é feio, deselegante, até imoral, discutir. Bonito é manter os preconceitos enraizados e bem alimentados dentro do peito. Como conseguir se reconhecer no outro e entender seus sofrimentos (processo fundamental para estender ao outro o direito à dignidade que queremos para nós), se nos fechamos para o mundo nesse momento?






(Desculpe, mas poesia é a melhor forma de trabalhar em um sábado de manhã sem se estressar.) Sempre gostei dos textos que tratam da indiferença, sobre o não fazer nada diante da injustiça, até que, enfim, o observador passivo se torna a vítima. Como o conhecido de Maiakovski:

Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim / E não dizemos nada / Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão / E não dizemos nada / Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta / E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

Ou o mais conhecido ainda de Niemöller:

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu / Como não sou judeu, não me incomodei / No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista / Como não sou comunista, não me incomodei / No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico / Como não sou católico, não me incomodei / No quarto dia, vieram e me levaram / já não havia mais ninguém para reclamar…

Imaginei que chegaríamos ao século 21 tendo consolidado direitos civis e políticos e no caminho de consolidar direitos sociais e econômicos. O que vemos é uma onda contrária, de direitos que vêm sendo deglutidos com a velocidade do crescimento econômico. Por enquanto, são as minorias que se lascam com isso – indígenas, comunidades tradicionais, camponeses, homossexuais. Mas os demais não se reconhecem neles, portanto, hoje, não é comigo, que se danem os outros. E quando chegar o amanhã e vierem bater à sua porta?

Não importa em que vocês votam ou o que defendem para o Brasil, participem do debate, exijam de seus candidatos que mostrem as suas propostas políticas, econômicas, sociais sem tergiversar. Nem só de pão vive o homem – mas nem por isso ele deixa de ser importante. Afinal de contas, isso não é um conclave e sim uma eleição presidencial! Não estamos elegendo um pastor ou uma freira e sim um(a) chefe do Poder Executivo para os próximos quatro anos. Que, uma vez eleitos, terão que fazer mais do que ir a culto ou uma missa. E uma boa forma de entender como enxergam essa democracia que terão que defender é ver, por exemplo, como tratam essas minorias.

Lembrando John Donne, poeta inglês, citado em “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway:

Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado / Todo homem é um pedaço de um continente, uma parte da terra / Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa de teus amigos ou a tua própria / A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. / E por isso não perguntes por quem os sinos dobram: eles dobram por ti.

No momento em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 62 anos, sem que a humanidade tenha conseguido colocá-la em prática como desejado, isso vale uma reflexão. A culpa por esse fracasso é sempre dos outros?