Paulo Nogueira
terça-feira, 24 de abril de 2012
A Igreja Detesta Os Pobres
Paulo Nogueira
segunda-feira, 12 de março de 2012
Padre é afastado por negar a comunhão a uma lésbica: Por bullying com membros da paróquia, diz Arquidiocese de Washington

El reverendo Marcel Guarnizo.REAL CLEAR RELIGION
"Eu não posso dar essa comunhão, porque você vive com uma mulher e isso é um pecado para a Igreja", falou Guarnizo para Barbara Johnson, filha da falecida, que recebeu o pedido de desculpas depois da Arquidiocese.
Agora, de acordo com The Washington Post, o reverendo foi removido de suas funções clericais por desenvolver um "comportamento bullying com membros da paróquia" que é "incompatível com o ministério sacerdotal adequado."
No Público e.s
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Amai-vos uns aos outros como eu vos amei: Projeto estabelece que não é crime templo religioso impedir presença de homossexual
Arquivo/ Diogo Xavier

O autor ressalta que a prática homossexual é descrita, em muitas doutrinas religiosas, como uma conduta em desacordo com as suas crenças. O objetivo da proposta, segundo o deputado, é garantir às organizações religiosas "o direito de liberdade de manifestação”.
A proposta, de caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Agência Câmara
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Poema para um deputado esquecido (o deputado "pedófilo" do Pará)

Era uma vez uma renúncia.
Um renúncia forçada, escandalosa.
Era uma vez um preso.
Um preso libertado pela força do dinheiro e do tráfico de influência.
sábado, 9 de outubro de 2010
Por Deus! Não estamos elegendo um pastor ou uma freira
Discutir projetos para o Brasil é possível, os tucanos querem discutir valores e nós queremos discutir como se acaba com a fome, escola pública, saúde...
O nível da eleição está baixando tanto que, como disse alguém no Twitter, deve ter atingido as placas tectônicas, provocando o terremoto sentido no Centro-Oeste. Não quero fazer aqui uma discussão sobre cultura política, mas apenas pedir, encarecidamente, a todos que acabam adotando uma posição cética neste momento, achando que não faz diferença discutir propostas e candidatos, que tudo se resume a um toma-lá-da-cá, que faça um esforço e entre na discussão. Se mais pessoas com boa vontade quiserem entender quem são os candidatos e o que eles propõem, talvez possamos chegar no que realmente importa. Por exemplo, a visão de país que os dois lados defendem.
Infelizmente, a cordialidade brasileira (entendida no seu sentido sociológico) contribui para que debates e trocas de idéias sejam travados logo no seu nascedouro. Por aqui, é feio, deselegante, até imoral, discutir. Bonito é manter os preconceitos enraizados e bem alimentados dentro do peito. Como conseguir se reconhecer no outro e entender seus sofrimentos (processo fundamental para estender ao outro o direito à dignidade que queremos para nós), se nos fechamos para o mundo nesse momento?
(Desculpe, mas poesia é a melhor forma de trabalhar em um sábado de manhã sem se estressar.) Sempre gostei dos textos que tratam da indiferença, sobre o não fazer nada diante da injustiça, até que, enfim, o observador passivo se torna a vítima. Como o conhecido de Maiakovski:
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim / E não dizemos nada / Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão / E não dizemos nada / Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta / E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
Ou o mais conhecido ainda de Niemöller:
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu / Como não sou judeu, não me incomodei / No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista / Como não sou comunista, não me incomodei / No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico / Como não sou católico, não me incomodei / No quarto dia, vieram e me levaram / já não havia mais ninguém para reclamar…
Imaginei que chegaríamos ao século 21 tendo consolidado direitos civis e políticos e no caminho de consolidar direitos sociais e econômicos. O que vemos é uma onda contrária, de direitos que vêm sendo deglutidos com a velocidade do crescimento econômico. Por enquanto, são as minorias que se lascam com isso – indígenas, comunidades tradicionais, camponeses, homossexuais. Mas os demais não se reconhecem neles, portanto, hoje, não é comigo, que se danem os outros. E quando chegar o amanhã e vierem bater à sua porta?
Não importa em que vocês votam ou o que defendem para o Brasil, participem do debate, exijam de seus candidatos que mostrem as suas propostas políticas, econômicas, sociais sem tergiversar. Nem só de pão vive o homem – mas nem por isso ele deixa de ser importante. Afinal de contas, isso não é um conclave e sim uma eleição presidencial! Não estamos elegendo um pastor ou uma freira e sim um(a) chefe do Poder Executivo para os próximos quatro anos. Que, uma vez eleitos, terão que fazer mais do que ir a culto ou uma missa. E uma boa forma de entender como enxergam essa democracia que terão que defender é ver, por exemplo, como tratam essas minorias.
Lembrando John Donne, poeta inglês, citado em “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway:
Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado / Todo homem é um pedaço de um continente, uma parte da terra / Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa de teus amigos ou a tua própria / A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. / E por isso não perguntes por quem os sinos dobram: eles dobram por ti.
No momento em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 62 anos, sem que a humanidade tenha conseguido colocá-la em prática como desejado, isso vale uma reflexão. A culpa por esse fracasso é sempre dos outros?
