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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Jornalistas ou carniceiros?

Jornalistas ou carniceiros?

Por Marcos Antonio Improta Sampaio no Observatório da Imprensa


Mensalão já virou show há muito tempo. Já tem gente cobrando ingresso para assistir ao maior clássico da política nacional: governo (PT) x oposição (todos os outros partidos políticos que não fazem coligação com o PT). Digo clássico porque é jogo de futebol. Tem juiz, jogadores, e torcida! O Supremo Tribunal é o Maracanã. A única coisa que falta, como no esporte, é craque. E as coincidências não param por aí.
Lendo a edição de terça-feira (7/8) do jornal Folha de S.Paulo, percebi um fato inusitado: todos os colunistas da página 2, seção Opinião, dedicaram suas colunas ao mensalão: Hélio Schwartsman, Eliane Cantanhêde, Carlos Heitor Cony e Vladimir Safatle. Até aí, tudo bem. O que me chamou atenção foi a repetição das opiniões dos colunistas. Todos dividiam as mesmas perspectivas; ninguém ousou abordar o mensalão de uma forma diferente. Sequer trouxeram algum fato novo. Ou, pelo menos, um detalhe que nós, leitores, não tenhamos visto, uma fala, um furo na roupa, uma metáfora bem elaborada, qualquer coisa que tirasse as colunas da sua imobilidade diante dos fatos, e justificasse ter comprado esse jornal, e não outro, mais barato, escrito por estagiários inexperientes, que custam quatro vezes menos. É opinião, perspectiva subjetiva, necessita de uma dose de criatividade. Um dos colunistas é escritor renomado. Mas, não. Eles preferiram mais do mesmo.
A página 2 da Folha de S.Paulo, hoje, bem poderia se chamar “Pleonasmos de uma elite preguiçosa”. Ou, mais poético: “Ecos do vazio”. Deu na televisão, ele abusam dos eufemismos e publicam, ou são publicados (tanto faz).
Outros casos
Mais ridículo ainda é ver jornalistas experientes caírem em armadilhas tão óbvias, que a força da experiência na profissão já deveria tê-los ensinado a fugir. A opinião pública (se é que ela existe, pois acho que é outra paranoia dos meios de comunicação – aqui – para justificarem outra paranoia: a sua) e a mídia oficial julgam o “mensalão” como o maior caso de corrupção da história do Brasil. Vladimir Safatle afirmou isso hoje em sua coluna no Folha.
Após sete anos de investigação e mais de 50 mil páginas de processo com inquirição de cerca de 600 testemunhas, peritos oficiais conseguiram mapear o tamanho do mensalão, esquema político de pagamento de propina a parlamentares da base do governo Lula. O chamado valerioduto, que o Ministério Público diz ter sido comandado pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, desviou pelo menos R$ 101,6 milhões. O número foi apurado por investigadores da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU) (O Globo, publicado por Fábio Góes, em 29/07/2012).
Brasileiro não tem memória.
Só para citar dois casos: O “caso Jorgina de Freitas”, uma ex-advogada brasileira, procuradora previdenciária, que organizou um esquema de desvio de verbas de aposentadorias em 1992. A ex-procuradora do INSS foi condenada em 1992 por comandar uma quadrilha que desviou 310 milhões do referido órgão (dos quais apenas 82 milhões foram reavidos). Podemos citar também o “esquema PC”, que movimentou mais de US$ 1 bilhão dos cofres públicos, também na década de 90. Comparando os casos de desvio de verba, o mensalão não chega nem no chulé desses outros dois.
O problema do esquecimento
Para mim, ficou claro: os abutres encontraram uma carniça mais rechonchuda. Lembrem-se que a carniça que mais se comia era o caso “Cachoeira”, que julgo ser mais podre. Mas, que a essa altura, nem fede mais. Afinal, brasileiro não tem memória!
Obs.: O caso PC causou até o primeiro processo de impeachment da América Latina, em 1992. Um mensalão está sendo explorado por uma mídia raquítica, que vive sua crise, e atingiu seu paroxismo atávico.
Sugiro que os cursos de História integrem Comunicação – com especialização em jornalismo como matéria. Ia me esquecendo: o caso não é de conhecimento, é de memória. Então que inventem nos cursos de Jornalismo uma nova matéria: Memoração da História política do Brasil. Assim, ameniza o problema do esquecimento e a maioria dos alunos continua sem precisar aprender! Não é assim desde o ensino fundamental?
***
[Marcos Antonio Improta Sampaio é blogueiro, estudante de Jornalismo e poeta, Mogi das Cruzes, SP]

sábado, 23 de junho de 2012

Cachoeira prestes a abandonar a estratégia do silêncio

Cachoeira prestes a abandonar a estratégia do silêncio
Cachoeira, diante das derrotas judiciárias, pode abrir a boca
Cachorreira diante das derrotas judiciárias, pode abrir a boca

Nesta semana, a sorte de Carlinhos Cachoeira mudou. O jogo virou pro lado dele  e deu zebra. E Cachoeira está nervoso a ponto de ter acabado de desacatar um agente penitenciário.
 
Cachoeira, a propósito, estava animadíssimo com o voto equivocado do desembargador federal  Tourinho Filho. No momento, e segundo avaliam policiais federais consultados por este articulista, Cachoeira, que está a perder fichas no jogo jogado, poderá “quebrar o silêncio e detonar”.
 
 Como todos lembram, –até porque assustador em termos de insegurança social–, o desembargador, Torunho Neto, havia, em voto, concedido a Cachoeira ordem de habeas-corpus. Isto para  colocá-lo em liberdade. E, também, para anular todas as interceptações telefônicas realizadas, –com autorização judicial e aval do Ministério Público–, na chamada operação Monte Carlo, conduzida pela Polícia Federal.
 
Mais animado Cachoeira ficou quando, em outro e diverso feito, o precipitado Tourinho Neto deu efeito extensivo ao habeas corpus concedido em favor de um tal Careca. Com o efeito extensivo, a ordem de soltura de Careca beneficiava Cachoeira.
 
Mas, a festa judiciária promovida por Tourinho Neto virou, ontem e para Cachoeira, uma tragédia.
 
Como já informado e comentado neste espaço, por 2×1,  o voto de Tourinho Neto foi rejeitado pelos seus colegas togados do Tribunal Regional Federal (1ª.Região), na segunda-feira passada.
 
Ontem, o ministro Gilson Dip, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu liminar para cassar o efeito extensivo, concedido por Torurinho Neto,  para colocação de Cachoeira em liberdade, junto com o referido Careca.
 
Para rematar e ainda ontem, uma nova zebra apareceu para Cachoeira.
 
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal denegou ordem de habeas-corpus em favor de Cachoeira. Ele pretendia cair fora da cadeia em face de prisão preventiva imposta nos autos do inquérito iniciado pela operação Sain Michel. A operação Sain Michel refere-se a fraudes em licitações de bilhete eletrônico de transporte público em Brasília.
 
Resta a Cachoeira bater à porta do Supremo Tribunal Federal (STF). E as suas esperanças voltariam num STF que conta com um ministro Marco Aurélio, que soltou Salvatore Cacciola (fugiu para a Itália e só foi recapturado quando foi passear em Monte Carlo) e um Gilmar Mendes que, contrariando jurisprudência do STF, pulou instâncias para conceder liminar e soltar o banqueiro Daniel Dantas. Fora isso, Gilmar Mendes soltou o médico Roger Abdelmassih, que estaria no Líbano, como lhe convém espalhar para tirar a polícia do seu encalço em território brasileiro.
 
Pelo que circula, Cachoeira, — que de tolo não tem nada–, já analisa se “jogou certo” ao optar pelo silêncio.
 
Pelas informações que circulam, Cachoeira já está a achar que  o silêncio não foi suficiente para ganhar a liberdade e reduzir a pó as operações Monte Carlo e Vegas (a que ficou anos na gaveta do procurador-geral Roberto Gurgel, apesar do prazo de 30 dias estabelecido pela lei processual  para se manifestar). E pouco valeu a defesa técnica entregue ao influente advogado Márcio Thomaz Bastos, contrato a peso de ouro.
 
Por isso, Cachoeira já estaria a imaginar numa outra cartada, pois insatisfeito com o poder de pressão dos seus amigos poderosos e potentes. E até o seu fâmulo, senador Demóstenes Torres, caiu no desespero pela não prevalência do voto de Tourinho Neto e manutenção das conversas telefônicas gravadas. Demóstenes estava pronto para afirmar a inexistência de provas lícitas das suas ligações com Cachoeira. 
 
 Num pano rápido. Cachoeira pode mudar e virar uma metralhadora giratória. Para tanto, bastará abrir a boca e deixar o silêncio de lado. Essa cartada é desaconselhada pelos seus defensores, certamente.
 

Cachoeira passará por avaliação psiquiátrica, diz advogada


Cachoeira passará por avaliação psiquiátrica, diz advogada


A advogada Dora Cavalcanti, que defende o bicheiro Carlinhos Cachoeira, afirmou nesta sexta-feira (22) que seu cliente passará por avaliação psiquiátrica após a briga com um agente penitenciário da Penitenciária da Papuda, em Brasília, na quinta (21).
"Ele não passou bem. O psiquiatra vai avaliar o que aconteceu. A briga foi por conta de um canal de televisão, uma questão irrelevante. A questão é que ele não estaria bem do ponto de vista psicológico, como uma descompensação", afirmou ao G1 .

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Cachoeira perde a cabeça e se complica ainda mais



Cachoeira perde a cabeça e se complica ainda mais


A vida do bicheiro Carinhos Cachoeira está se complicando cada vez mais.
Um agente prisional do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) decidiu prestar queixa contra o contraventor.
Ele alega ter sido agredido verbalmente por Cachoeira durante realização de exames de corpo delito no Instituto Médico Legal do presídio da Papuda, em Brasília. Os exames aconteceram para que o bicheiro fosse transferido para uma cela do do sistema prisional do Distrito Federal.
Cachoeira está preso desde o dia 29 de fevereiro, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Monte Carlo, que investigou jogos ilegais no Goiás.

No Poder Online

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cachoeira quer ser solto e "reduzir a pó" todas provas contra ele

Cachoeira quer ser solto e "reduzir a pó" todas provas contra ele


Semana decisiva para Cachoeira na Justiça


Casal Cachoeira


O notório Carlinhos Cachoeira não quer apenas ser solto e voltar ao convívio social, à morada que já foi do governador Marconi Perillo e à sua jovem companheira e ex-esposa do suplente do senador Demóstenes Torres. Aliás, suplente por interferência, empenho e determinação de Cachoeira.
Cachoeira quer, além da soltura, reduzir a pó toda a prova-provada da sua atuação criminosa.
O seu fâmulo Demóstenes Torres, que está com a água nas narinas e quer adiar hoje o voto do relator no Conselho de Ética, torce para Cachoeira anular as provas na Justiça. Assim, Demóstenes imagina poder tirar proveito e permanecer na cadeira de senador da República. 
Para ser solto e aniquilar com a prova reveladora da sua conduta delinquencial, Cachoeira aposta todas as fichas no trabalho do seu defensor Márcio Thomaz Bastos.
A propósito, o advogado Thomaz Bastos alertou, sem corar a face,  que o seu cliente Cachoeira não se opõe, depois da anulação, ao prosseguimento dos inquéritos. A propósito, um destemor comovente.
Cachoeira está esperançoso e vibra com a possibilidade, nesta semana, de sair da cadeia com todas as interceptações telefônicas, colhidas nas operações Vegas e Monte Carlo, reduzidas a pó de traque, para usar uma expressão popular.
A esperança deriva do fato de, nesta semana, prosseguir a votação do habeas corpus liberatório e anulatório interposto em  seu favor.
Nesse habeas corpus que tramita no Tribunal Federal da 1ª Região, o desembargador-relator, Tourinho Neto,  já deu voto  concedendo a ordem de soltura e anulação dos “grampos” telefônicos.
Convém lembrar, ainda, que o desembargador Tourinho Neto determinou a soltura de um tal Careca e estendeu a ordem de colocação em liberdade para Cachoeira. O desembargador Tourinho Neto equiparou o tal Careca, do segundo escalão, ao chefão Cachoeira.
Numa outra frente judiciária, Cachoeira vai tentar, junto ao Tribunal de Justiça, derrubar a prisão preventiva imposta na operação Saint Michel, referente a fraudes em licitações sobre confecção de bilhetes para uso de transporte público. É fácil notar que a organização de Cachoeira é, como a Máfia, parasitária, pois suga o Estado em todas as áreas.
Nas operações Vegas (aquela que o procurador-geral da República Roberto Gurgel engavetou e só deu andamento quando pressionado por parlamentares e pela mídia) e Monte Carlo, o trabalho da Polícia Federal foi eficiente e dentro da legalidade.
Por seu turno, a decisão judicial autorizando as escutas telefônicas foi acertada. Ela foi lançada por um juiz substituto, estranhamente já retirado da Vara Criminal. Estranhamente, porque a Vara está sem juiz titular e sem substituto, ou seja, às moscas. A decisão judicial que autorizou os grampos contou com parecer favorável do Ministério Público.
Atenção, muita atenção. A investigação referente à Operação Vegas teve início ao tempo em que Thomaz Bastos era, como ministro da Justiça, o chefe da Polícia Federal.
Naquele tempo de ministro da Justiça, Thomaz Bastos silenciava quando a Polícia Federal invadia, ilegalmente,  escritórios de advocacia em busca de provas.
No voto que concluiu pela concessão de ordem de habeas corpus em favor do paciente Cachoeira, o desembargador-relator, Tourinho Neto, entendeu desnecessária a permanência de Cachoeira na prisão.
Tourinho disse que as máquinas de jogos de azar já tinham sido apreendidas e tudo restou desbaratado.
O desembargador Tourinho Neto esqueceu que a organização de Cachoeira tem fôlego e já sobreviveu ao caso Waldomiro Diniz e à CPI dos Bingos. Ela, frise-se mais uma vez, é parasitária e sugou o Estado em parceria com a Delta, cujo sócio-proprietário vem sendo blindado  vergonhosamente pela CPMI.
Tourinho Neto argumentou, também, que as razões que levaram o juiz a autorizar as escutas telefônicas eram insuficientes. Pelos resultados conseguidos com as escutas, as razões eram mais do que suficientes.
O relator  Tourinho Neto destacou, como a caracterizar ilegalidade e abuso, que a autorização de escuta telefônica estava baseada unicamente, tão somente e só, em denúncia anônima.
No particular, não está com a razão o relator Tourinho Neto, pois a Polícia Federal já cansou de mostrar que, antes de pedir o grampo judicial, ouviu pessoas e até um promotor de Justiça.
Portanto, não se tratava de uso de denúncia anônima, mas de existência de relatos que indicavam atuação de uma organização criminosa infiltrada no poder do Estado: senador Demóstenes, dois deputados e três governadores suspeitos.
Fora isso, o relator Tourinho Neto esquece uma regra elementar sobre as provas judiciais: aquilo que é  público e notório independe de comprovação.
A atuação da organização comandada por Cachoeira era de conhecimento público, exceção feita ao governador Marconi Perillo (considerava Cachoeira apenas um empresário e não um delinquente) e Demóstenes Torres, este esquecido, talvez, pelos efeitos dos caríssimos vinhos franceses pagos com o cartão de crédito de Cachoeira.
Uma matéria publicada pelo jornal Folha de S.Paulo mostrou um município do estado de Goiás com a economia paralisada, pois ele era dependente da jogatina promovida pelo Cachoeira. 
Pano rápido. A conduta criminosa da organização comandada por Cachoeira era pública e notória. Cachoeira precisa ficar preso por ser socialmente perigoso. Em liberdade, vai continuar a delinquir, chantagear e mostrar a sua força de chefão de potente e poderosa organização criminosa.
Wálter Fanganiello Maierovitch

sábado, 16 de junho de 2012

Coisas da justiça: Dois pedidos de Habeas Corpus: Roubou celular, negado. É bicheiro, concedido

Coisas da justiça: Dois pedidos de Habeas Corpus: Roubou celular, negado. É bicheiro, concedido


Dá para entender???????


STJ nega HC a acusada de furtar celular de R$ 80



O Superior Tribunal de Justiça negou Habeas Corpus a uma mulher denunciada pelo furto de um celular no valor de R$ 80, pertencente a uma amiga. Ela conhecia a vítima e é acusada de ter se aproveitado da relação de confiança para consumar o crime. A decisão é da Sexta Tuma do STJ.
O ministro Og Fernandes, relator do caso, julgou que não é possível reconhecer a atipicidade da conduta com base no princípio da insignificância. O ministro levou em conta que a mulher teria agido sozinha, tirando proveito de seu relacionamento e de momento de distração da vítima. “A ação gera lesividade suficiente para justificar uma persecução penal”, afirmou.
Ele também considerou o intuito da mulher de conseguir lucro fácil, uma vez que ela teria vendido o aparelho. “A conduta da paciente, portanto, não deve ser tratada como um indiferente penal, na medida em que a falta de repressão de tais atos representaria verdadeiro incentivo a pequenos delitos que, no conjunto, trariam desordem social”, avaliou o ministro. A Turma negou o pedido de Habeas Corpus de forma unânime. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.
HC 235507
Cachoeira consegue Habeas Corpus, mas segue preso
O desembargador Fernando Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, concedeuHabeas Corpus ao empresário de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Tourinho Neto acolheu pedido feito pela defesa de Cachoeira, comandada pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, de extensão do Habeas Corpus concedido ao empresário José Olímpio Queiroga, investigado junto com Cachoeira e apontado como um dos membros de seu grupo.
Apesar da expedição do alvará de soltura, Cachoeira permanecerá preso, ao menos por enquanto, por conta de outra ordem de prisão. O empresário de jogos ilegais está preso, também, pelas investigações da operação Saint-Michel, feitas pela Polícia Civil do Distrito Federal.
A investigação da Saint-Michel nasceu da operação Monte Carlo e apura a suposta tentativa do grupo de Cachoeira de fraude a licitações no sistema de passagens do transporte público de Brasília.
Os advogados informaram que irão entrar com pedido de Habeas Corpus no Tribunal de Justiça do Distrito Federal ainda no final de semana para tentar cassar a decisão da juíza Ana Claudia Barreto, da 5ª Vara Criminal do DF, que negou a liberdade a Cachoeira.
Na terça-feira (12/6), o desembargador Tourinho Neto votou pela anulação das escutas telefônicas da operação Monte Carlo, que apurou suposto esquema de corrupção articulado por Cachoeira. O voto foi dado em outro pedido de Habeas Corpus, no qual a defesa pede a anulação das interceptações telefônicas por julgá-las ilegais.
Depois do voto de Tourinho Neto, relator do pedido, o desembargador Cândido Ribeiro pediu vista do processo. O julgamento deve ser retomado na semana que vem. O relator entendeu que as interceptações são nulas porque o juiz da 1ª Vara de Valparaíso (GO), que as autorizou, não fundamentou a quebra de sigilo telefônico dos acusados.
Clique aqui para ler a decisão.
No Conjur

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Soltar Cachoeira e anular provas é vitória do crime organizado e miopia judicial

Soltar Cachoeira e anular provas é vitória do crime organizado e miopia judicial

Wálter Maierovitch


charge: Bessinha


Ontem, o desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mostrou no seu voto o quanto a Justiça é míope.
Uma Justiça incapaz de notar a força de uma organização criminosa que se infiltra no Estado nacional (não somente Goiás e Distrito Federal), atua parasitariamente para obter fabulosos e ilegais lucros, e promove a cooptação de políticos, como o senador Demóstenes Torres e dois deputados. 
Para o desembargador Tourinho Neto, a decisão judicial do juiz de primeiro grau que deferiu a escuta telefônica estava fundamentada em meros indícios, ou melhor, em indicativos insuficientes.
A respeito, esqueceu-se Torinho Neto do resultado obtido, ou seja, a plena confirmação dos indicativos, com apreensões de máquinas de jogos eletrônicos de azar, comprovação de associação da organização chefiada por Cachoeira à Construtora Delta, condutas criminosas variadas e envolvimento, até a raiz dos pelos da barba, do farsante senador Demóstenes Torres e de deputados.
Em resumo, os resultados confirmaram os indícios que, evidentemente, não podem ser tidos como insuficientes. A insuficiência, no caso e com o devido respeito, está na decisão de Tourinho Neto.
Imagine, prezado leitor deste Portal Terra, falar-se em indícios insuficientes num estado como Goiás, onde é público e notório que Cachoeira explora a jogatina eletrônica de azar. Como mostrou a mídia, a jogatina eletrônica proibida movimenta o “PIB” de várias cidades goianas e as torna dependentes economicamente de Cachoeira.
Que Cachoeira é notório delinquente só não sabia o governador Marconi Perillo. Ontem, perante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, o governador de Goiás afirmou que conhecia Cachoeira como empresário. Além de não corar (avermelhar a face) com a mentira, demostrou Perillo haver esquecido que Cachoeira protagonizou a queda de Waldomiro Diniz, homem da confiança do então ministro José Dirceu com sala no Palácio do Planalto. Fora isso, Perillo esqueceu da CPI dos bingos, que concluiu pelo indiciamento de Cachoeira. Diante de tantos esquecimentos, Perillo telefonou para cumprimentar Cachoeira pelo aniversário e deu-lhe um “puxão de orelha” por Cachoeira não tê-lo convidado para a festa do natalício.
No voto, o desembargador Tourinho Neto destaca, como a repetir o que  já ocorreu na canhestra decisão do Superior Tribunal de Justiça ao enterrar a Operação Castelo de Areia, nulidade decorrente de prova colhida com base em denúncia anônima.
Como mostrou a Polícia Federal, cerca de 20 dias antes de requerer o grampo telefônico, a autoridade de polícia judiciária ouviu pessoas, promoveu diligências e realizou constatações. Só diante desse fartíssimo material de confirmação da denúncia anônima é que foi postulada a interceptação. E a decisão judicial fundamentou-se, diante da suficiência do trazido com o inquérito, na necessidade do grampo para complementação da apuração, comprovação de materialidades, de autorias e participações delinquenciais.
Em que mundo o desembargador Tourinho Neto vive? 
Certamente num mundo anterior a 1941, ou seja, à entrada em vigor do Código de Processo Penal (CPP). Como está escrito na exposição de motivos do CPP, esta legislação (ainda em vigor) “não deixa respiradouro para o frívolo curialismo, que se compraz em espiolhar (catar) nulidades”.
Pano rápido. Os indícios eram suficientes e, no particular, a decisão de Tourinho Neto, pela nulidade das provas e soltura de Cachoeira, foi míope. E basta atentar para o resultado para se verificar que a Operação Monte Carlo não foi uma aventura como imagina o desembargador Tourinho Neto. 
Wálter Fanganiello Maierovitch     

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ex-procurador de FHC pode ser investigado: Brindeiro recebeu dinheiro do esquema Cachoeira

Ex-procurador de FHC pode ser investigado: Brindeiro recebeu dinheiro do esquema Cachoeira


Jornal do Brasil


Para aprofundar as denúncias feitas ao escritório de advocacia do ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, de envolvimento com o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador Pedro Taques (PDT-MT) cancelou a sua participação nesta sexta-feira, no X Simpósio Nacional de Direito Constitucional, no Teatro Guaíra, em Curitiba (PR), promovido pela Academia Brasileira de Direito Constitucional (ABDConst).  
A quebra de sigilo do contador da quadrilha de Carlinhos Cachoeira mostra que o escritório de Brindeiro recebeu R$ 161,2 mil das contas de Geovani Pereira da Silva, procurador de empresas fantasmas utilizadas para lavar dinheiro do esquema criminoso. 
De acordo com o senador Pedro Taques (PDT-MT), que analisou laudo de perícia financeira constante no inquérito que investiga o contraventor e seus comparsas, o escritório Morais, Castilho e Brindeiro Sociedade de Advogados recebeu o montante em cinco parcelas, a maior delas de R$ 76 mil.   
Brindeiro foi procurador-geral da República durante o governo Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2003. Criticado por não dar sequência a investigações de grande repercussão, ganhou o apelido de "engavetador-geral da República".

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Silêncio de Cachoeira vira piada nas redes sociais



Silêncio de Cachoeira vira piada nas redes sociais


Jornal do Brasil

Os internautas não perdem tempo. Enquanto o depoimento do bicheiro Carlinhos Cachoeira era transmitido em rede nacional, milhares de pessoas usaram o microblog Twitter para ironizarem o fato dele optar ficar em silêncio diante dos parlamentares.
A hashtag #PergunteaoCachoeira foi a mais utilizada na Internet brasileira nesta terça-feira. Outras expressões referentes ao depoimento, como o nome do advogado Márcio Thomaz Bastos também estiveram entre os mais comentados.
A mobilização, ainda que bem humorada, mostra a dimensão que o escândalo tomou entre os brasileiros, especialmente os mais jovens. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Cachoeira não responde perguntas em CPI

Cachoeira não responde perguntas em CPI


Carta Capital


Cachoeira e seu advogado, Márcio Thomaz Bastos, durante depoimento na CPI. Foto: Antônio Cruz / ABr
Cachoeira e seu advogado, Márcio Thomaz Bastos, durante depoimento na CPI. Foto: Antônio Cruz / ABr
O bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, recusou-se, nesta terça-feira 22, a responder perguntas em seu depoimento à CPI que investiga suas relações com políticos e empresários. Cachoeira disse ter “muito a dizer”, mas afirmou que só irá responder às perguntas dos congressistas futuramente.
“Constitucionalmente, fui advertido pelos advogados para não falar nada. Somente depois da audiência que teremos no juiz, se por ventura achar que eu deva contribuir, podem me chamar que eu responderei a qualquer pergunta”, disse Cachoeira no início da sessão. Essa primeira audiência de Cachoeira com a Justiça deve ocorrer apenas no fim de maio ou começo de junho. A estratégia da defesa de Cachoeira é tentar anular toda a investigação que foi realizada contra ele.
Grisalho e sem óculos, Cachoeira chegou ao lado da mulher, Andressa Mendonça, e esteve o tempo todo acompanhado por seu advogado, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.
O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), foi o primeiro a fazer as perguntas. Ele desistiu de inquirir o contraventor após o terceiro questionamento sem respostas. Após o relator, outro deputados e senadores continuaram a fazer perguntas para o bicheiro, apesar da recusa de Cachoeira em dar respostas. Alguns aproveitaram para, com as perguntas, atacar seus adversários políticos.
O depoimento de Cachoeira iria ocorrer originalmente no dia 15 de maio, mas foi adiado devido a uma liminar do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal. A defesa argumentava que Cachoeira não poderia comparecer à CPI antes dele ter acesso aos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo. Após a defesa ter acesso às investigações, Mello reviu sua decisão nesta segunda-feira 21 e o depoimento foi remarcado para esta terça-feira.

Cachoeira vai usar o silêncio como chefão mafioso

Cachoeira vai usar o silêncio como chefão mafioso


Wálter Fanganiello Maierovitch

Bernardo Provenzano, capo dei capi da Cosa Nostra siciliana
Cachoeira apostava todas as suas ficham no acolhimento do seu pedido de adiamento de comparecimento, para depor como investigado, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
A propósito, a defesa de Cachoeira  invocou, na segunda tentativa de adiamento,  a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF), consagrada no verbete: “Súmula 14.É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.
Como o pedido liminar de Cachoeira não foi acolhido pelo ministro Celso de Mellodeu, o investigado, contraventor e chefão de potente organização criminosa, — diante da  zebra—, vai utilizar o “plano B”. Este, baseado no velho princípio do direito romano “nemo tenetur se detegere”, ou seja, ninguém está obrigado a se auto-acusar: compete à acusação o ônus da prova dos ilicitos imputados. Assim, Cachoeira já avisou, pelo boca do seu advogado Márcio Thomaz Bastos, que permanecerá em silêncio.
Cachoeira, como sabem todos os torcedores do Flamengo e do Corinthians, comanda uma organização criminosa que se infiltrou no Estado nacional e obteve indevidas vantagens econômicas-financeiras. Além de cooptar o senador Demóstenes Torres e deputados, o capo Cachoeira estabeleceu parcerias com a Construtora Delta, detentora da maior fátia de empreitagem de obras e serviços públicos. São suspeitos de participação nos “esquemas delinquenciais” de Cachoeira, os governadores de Goiás, Distrito Federal e Rio de Janeiro.
Cachoeira, ao anunciar que permanecerá em silêncio e dada a sua condição de chefão de organização criminosa potente e poderosa, veste definitivamente panos mafiosos.
Como todo chefão mafioso, Cachoeira, no interrogatório, vai calar sobre os ilícitos. Mas, vai justificar a razão do silêncio (não ter tido tempo para conhecer os documentos e nem para manter interlocução com os advogados).
Na verdade, Cachoeira apenas vai dizer o que lhe interessa e passará mensagens aos seus cúmplices. Trocando em miúdos, será um silêncio interesseiro, não absoluto.
Não vai perder a oportunidade, frise-se, para transmitir recados, como sempre fizeram os grandes chefões da Cosa Nostra, tanto a norte-americana, quanto a siciliana. 
Bernardo Provenzano, — capo dei capi da Cosa Nostra depois da prisão de Totó Riina—, foi interrogado, logo depois da prisão ocorrida em 11 de abril de 2006, pelo procurador nacional Antimáfia, Pietro Grasso. 
Provenzano, logo depois da primeira pergunta (“o senhor quer colaborar com a Justiça?”), olhou firme para Grasso e disse: “o senhor (tem significado pejorativo no jargão mafioso) continue a fazer o seu papel de  esbirro e eu farei o meu de mafioso”. Depois disso, mergulho num profundo silêncio, que dura desde 11 de abril de 2006, data da prisão. A propósito, Provenzano, sem nunca ter tirado o pé da Sicilia e nem deixado de participar da organização mafiosa, permaneceu foragido por 43 anos.
Pano rápido. Cachoeira vai tentar tirar algum proveito da sua aparição na CPMI que, até agora, não apurou nada  que não estivesse nos inquéritos Vegas (engavetado pelo procurador Gurgel durante anos e apesar de o Código de Processo Penal estabelecer a ele o prazo de 15 dias para manifestção) e Monte Carlo. 

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