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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Marco Nanini diz que se assumiu por causa da violência contra LGBTs

Marco Nanini diz que se assumiu por causa da violência contra LGBTs

Ator diz que não saiu do armário pois nunca entrou nele.
Marco Nanini - muito fôlego para A Grande Família (Foto: Divulgação/TV Globo)Marco Nanini - muito fôlego para A Grande Família (Foto: Divulgação/TV Globo)
Marco Nanini acaba de estrear a 12ª temporada do seriado A Grande Família e mostra que o programa continua com fôlego para muitos anos no ar. “Não penso em me aposentar tão cedo do Lineu, meu papel continua me estimulando bastante. Demos uma mexida porque estávamos caindo na rotina: entraram três personagens novos e no episódio que vai ao ar dia 12, por exemplo, finalmente Lineu e a Nenê (Marieta Severo) realizam o sonho de ir para Buenos Aires. Foi ótimo, pela primeira vez, gravar fora do Projac”, diz o ator.


Seis meses depois da entrevista em que revelou ser gay, Nanini não demonstra arrependimento. “Foi no momento certo. Não sou militante, mas me senti pressionado por mim mesmo a fazer alguma coisa diante da crescente onda de violência contra os gays. Foi, digamos, um ato político”, afirma. “Não considero que saí do armário porque nunca entrei nele e, além disso, só falei uma coisa que todo mundo já sabia”.


No Gay1

sábado, 31 de março de 2012

Governo assina compromisso sul-americano para LGBT, mas ninguém soube!

Governo assina compromisso sul-americano para LGBT, mas ninguém soube!



Foi aprovada nesta quinta-feira (29), durante a 21ª Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul e Estados Associados (Raadh), em Buenos Aires, uma declaração conjunta de repúdio a todos os atos de violência contra a população LGBT. A proposta foi feita pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).
Na declaração, os Estados assumem a responsabilidade de adotar, dentro dos parâmetros das instituições jurídicas de cada país, “políticas públicas contra a discriminação de pessoas em razão de sua orientação sexual e identidade de gênero”. O texto sugere ainda a criação, no âmbito da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, de uma Unidade para os Direitos LGTB. Leia abaixo a íntegra da declaração:
Declaração da RAADH sobre os direitos da População LGBT
Visto
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticosm, o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, a Convenção Americana de Direitos Humanos, o Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (San Salvador); A Declaração sobre a Orientação Sexual e Identidade de Gênero das Nações Unidas de 2008, a Declaração do Mercosul sobre os Direitos das Minorias Sexuais, 2007 ;
Considerando-se

Que os atos de violência e outras violações dos direitos humanos contra pessoas por causa da orientação sexual e identidade de gênero, são de grande preocupação;
Que o direito de viver livre de violência inclui, entre outros, o direito de estar livre de todas as formas de discriminação;
Só a erradicação da discriminação garante uma vida decente, o gozo e exercício pleno de todos os direitos, e a vigência do Estado Democrático de Direito;
O estabelecimento, pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Unidade para os Direitos das lésbicas, gays e transexuais, bissexuais e intersexuais (LGBTI);
Declara
Seu compromisso com a adoção, dentro dos parâmetros das instituições jurídicas de direito interno, de políticas públicas contra a discriminação contra as pessoas por causa da orientação sexual e identidade de gênero.
Sua condenação quanto à discriminação contra pessoas em razão da orientação sexual e identidade de gênero e insta os Estados a eliminar as barreiras enfrentadas lésbicas, gays, bisexuais, travestis, transexuais e intersexuais no acesso aos direitos;
Sua rejeição à violência e violações dos direitos humanos contra as pessoas LGBTI e insta os Estados a prevenir, investigar e garantir que as vítimas recebam a proteção judicial devida em condições de igualdade;

21ª Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul e Estados Associados (Raadh)


Fonte: Secretária de Direitos Humanos

Vi no PlanetaG

segunda-feira, 26 de março de 2012

Empregada discriminada por sua orientação sexual será indenizada

 Empregada discriminada por sua orientação sexual será indenizada


A Justiça do Trabalho de Minas reconheceu a uma trabalhadora o direito a receber indenização por danos morais, em razão da discriminação e humilhação sofridas no ambiente de trabalho, unicamente por causa de sua opção sexual. Os empregadores negaram os fatos e não se conformaram com a condenação imposta na sentença. No entanto, a 10ª Turma do TRT-MG constatou que houve, sim, a exposição da empregada a constrangimentos, causada pelo chefe dela, o maitre do hotel, que não aceitava a condição de homossexual da reclamante.
Segundo a juíza convocada Ana Maria Amorim Rebouças, os depoimentos das testemunhas não deixaram dúvidas quanto ao tratamento hostil e diferenciado do chefe do setor em relação à trabalhadora. A discriminação era tamanha que ele chegava a perguntar às outras empregadas se as suas mães sabiam que elas pernoitariam com a autora, nos dias em tinham que cumprir horário noturno. O próprio preposto admitiu que teve conhecimento dos desentendimentos entre a trabalhadora e o superior hierárquico e que a empregada lhe comunicou que estava sendo assediada pelo chefe.
A magistrada entendeu comprovada a conduta discriminatória e também de exposição da reclamante a constrangimento e vexame perante seus colegas: "Tudo em virtude de se tratar ela de homossexual, condição que pertine tão-somente ao âmbito individual e íntimo da empregada", acrescentou. E os empregadores, mesmo cientes das ofensas praticadas contra a empregada, demoram a tomar providências. A limitação do horário de trabalho dela, que passou a cumprir apenas a jornada normal, sem realizar horas extras, de forma a evitar contato com o maitre, somente ocorreu em 2011, depois de mais de um ano de constrangimentos.
Entendendo presentes os requisitos para a imposição do dever de indenizar, no caso, a conduta do maitre, a violação dos direitos da personalidade da empregada e ainda a omissão dos reclamados por longo período, a relatora manteve a condenação dos réus ao pagamento de indenização por danos morais. Contudo, foi dado provimento ao recurso da empregada, para aumentar o valor da indenização.
A magistrada lembrou que em casos de assédio moral, a indenização deve visar, além da compensação do dano, à repreensão do ato, para que o ofensor não volte a praticá-lo. É o caráter pedagógico da reparação. Assim, se o valor da indenização for irrisório, o ofensor paga o preço e mostra-se indiferente ao ocorrido, acarretando um grande prejuízo não só para o lesado, mas para toda a sociedade. "Trazendo esse raciocínio para o caso concreto, tem-se que o arbitramento judicial de primeiro grau, data venia, deixou de considerar a função pedagógico-punitiva da reparação civil, limitando-se ao caráter reparatório, tão-somente", frisou a juíza, aumentando o valor da indenização de 2 mil para 8 mil reais.
0000780-86.2011.5.03.0149 ED )
No JusBrasil

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

LGBT: A Piada Mata Tanto Quanto a Bala

LGBT: A Piada Mata Tanto Quanto a Bala 


Novo texto de Marta Suplicy traz retrocesso em relação a anterior
Por Rodrigo Cruz na Caros Amigos
 
Não é novidade pra ninguém que a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) sofre diariamente com as mais variadas agressões físicas e morais. São ofensas verbais, piadas vexatórias, assassinatos, espancamentos, demissões, exclusão no ambiente escolar e universitário e até impedimento do acesso aos serviços públicos. Essa dinâmica é produto de uma sociedade machista que impõe a norma heterossexual a todos os seus indivíduos, inclusive por meio de seus dispositivos legais (o não reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como unidade familiar, até pouco tempo atrás, é um bom exemplo disso). Nesse sentido, é quase óbvio reafirmar aqui a necessidade da inclusão da homofobia (em todos os seus aspectos) entre as formas de discriminação puníveis pela Constituição Brasileira. A discussão que pretendo fazer aqui, portanto, é outra.
Recordista
O Brasil, um dos países recordistas em número de assassinatos de LGBT, embora não possua uma lei para criminalizar a homofobia, parece saber que está na hora de prevenir e punir esse tipo de descriminação para dar um passo adiante no que diz respeito ao direito à diversidade sexual. Se por um lado, houve um evidente recrudescimento da violência homofóbica nos últimos anos, houve também um aumento significativo da visibilidade desse tema na sociedade, resultado que deve ser atribuído, é claro, aos esforços constantes do movimento LGBT. Interessante notar, no entanto, que esses dois elementos se retroalimentam. Impossível dizer com certeza se a violência aumentou porque há mais visibilidade ou se há mais a visibilidade por conta da violência. O fato é que a homofobia ganhou espaço na agenda política brasileira e o tema hoje é debatido em todos os lugares: na imprensa, na fila da padaria, nas escolas, na mesa de bar e finalmente, no Congresso Nacional.

É precisamente sobre o debate legislativo que pretendo falar. Na última quinta-feira (8/12), a senadora Marta Suplicy (PT/SP) apresentou para votação na Comissão de Direitos Humanos e Minorias do Senado (CDH) um substitutivo ao PLC 122/2006, projeto de lei que criminaliza a homofobia. A iniciativa de retomar o debate sobre o tema no Congresso Nacional por si só é louvável, entretanto, as alterações apresentadas pela senadora descaracterizam seriamente o PLC 122. Em primeiro lugar, é necessário considerar que a senadora Marta Suplicy, apesar do histórico de ações a favor da cidadania LGBT em seus incontáveis mandatos no Executivo e no Legislativo, dessa vez, agiu de forma unilateral ao propor mudanças tão importantes no PLC 122 sem realizar uma consulta ampla ao movimento. Com o apoio da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (ABGLT), Marta realizou no primeiro semestre deste ano uma reunião com os senadores fundamentalistas Marcelo Crivella (PRB) e Demóstenes Torres (DEM) e negociou elementos fundamentais do PLC 122, entre eles, a punição ao discurso de ódio. O movimento LGBT paulista e outras entidades Brasil afora já haviam se posicionado contra as mudanças, mas nada disso impediu que a senadora insistisse em apresentá-las.
Esta semana, durante a reunião da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT, os representantes do mandato da senadora Marta Suplicy informaram que as mudanças propostas não têm como objetivo conseguir o voto dos parlamentares fundamentalistas, e sim angariar mais apoios na própria bancada do PT. Como era de se esperar, hoje, durante a sessão no Senado, mesmo com as concessões apresentadas por Marta, os senadores Magno Malta e Marcelo Crivella se mantiveram contrários a aprovação da lei. A senadora Marinor Brito (PSOL/PA), coordenadora da Frente no Senado Federal e uma das grandes aliadas do movimento LGBT no parlamento, declarou que faria um voto favorável em separado e apresentaria uma emenda para tentar recuperar o status anterior do projeto. Diante do impasse, Marta solicitou o reexame do texto e o consequentemente adiamento da votação para tentar um acordo com os demais parlamentares. Fez um belo discurso contra a patologização da homossexualidade, contra a vinculação do tema à pedofilia e ressaltou que ser gay não é uma opção. Nada disso, no entanto, deve mascarar as deficiências de sua inciativa.
As Limitações do Novo PLC 122
Para as lideranças evangélicas que se opõem a criminalização da homofobia, o problema do projeto seria um falso cerceamento da liberdade de expressão e de culto (como se em nome da fé tudo fosse permitido). Entretanto, qualquer pessoa bem intencionada que tenha acesso ao texto do PLC 122 pode concluir que, assim como na lei do racismo, o objetivo aqui é evitar que a injúria, o discurso de ódio e a agressão verbal coloquem em risco a vida e a dignidade da pessoa LGBT. Isso não é cercear a liberdade de expressão de ninguém. Isso é garantir que as liberdades individuais, inclusive de expressão, sejam exercidas com responsabilidade e sem violência ou intolerância (o que inclusive já acontece com a criminalização do preconceito em virtude de crença ou religião). Ora, de que adianta uma lei que criminaliza a homofobia, mas não torna punível uma de suas expressões mais perigosas, que é o discurso homofóbico? De que adianta punir o agressor ou o assassino se o discurso discriminatório continuará formando constantemente novos agressores e assassinos em potencial?
Tratamento
Outro problema do substitutivo apresentado por Marta Suplicy é o tratamento legislativo proposto para a homofobia, que não receberia a mesma pena destinada a outras formas de descriminação presentes na Lei 7716/1989, que trata dos crimes decorrentes do preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Do ponto de vista jurídico, aparentemente, não há nada que justifique essa “hierarquização das opressões” (existe uma forma de discriminação mais grave que outra?). Em que consiste, então, essa distinção feita pelos autores do substitutivo? E mais ainda, qual o impacto desse tipo de medida na vida real de alguém que sofre preconceito homofóbico?
Para o jurista gaúcho Roger Raupp Rios, juiz federal e autor de diversas publicações sobre direitos sexuais, essa espécie de separação jurídica promovida pela nova redação do PLC 122 “prejudica o desenvolvimento e a efetividade do direito antidiscriminatório brasileiro, não trazendo nem segurança jurídica, nem coerência ao sistema jurídico e à aplicação da lei”, razão que compromete inclusive, a constitucionalidade desse substitutivo. Roger, que escreveu um artigo específico sobre o novo texto proposto por Marta Suplicy, conclui ainda que, em vez de retirar os LGBT da condição de cidadãos de segunda classe, o novo projeto “aponta para uma desvalorização da proteção jurídica quando o assunto é homofobia”, o que na prática reafirma a condição marginal da pessoa LGBT.
No Lixo
O texto substitutivo também joga no lixo anos de acúmulo do movimento LGBT e dos estudos de gênero ao adotar uma compreensão limitada dos conceitos de “sexo”, “orientação sexual” e “identidade de gênero”, indo na contramão dos recentes tratados internacionais de direitos humanos e da própria constituição. Tenho certeza que na condição de sexóloga, a senadora Marta Suplicy sabe perfeitamente que não existem somente as três orientações sexuais apontadas no texto (homossexualidade, heterossexualidade e bissexualidade), e que cada uma dessas orientações pode vir a ser motivo de escárnio mesmo que um determinado sujeito não se identifique com nenhuma delas; que todos nós temos uma identidade de gênero (e não apenas as travestis e transexuais); e que o preconceito em relação às representações culturais da masculinidade e da feminilidade tem mais a ver com o gênero do que com o sexo biológico em si. Estranhamente, o substitutivo por ela apresentado incorre nas seguintes simplificações:
Art. 2º - Para efeito desta Lei, o termo sexo refere-se à distinção entre homens e mulheres; orientação sexual, à heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade; e identidade de gênero, à transexualidade e à travestilidade.
Seria uma tentativa rasa e equivocada de didatismo jurídico ou uma afronta a todos aqueles que, ao longo de décadas, lutaram por outra compreensão das noções de gênero e sexualidade? Fica o questionamento.
Se não bastasse tudo isso, o substitutivo ainda limita, e muito, a proteção penal a pessoal LGBT, garantindo punição apenas aos atos discriminatórios referentes às esferas do mercado de trabalho e das relações de consumo. Não é necessário ser gay para saber que a homofobia vai muito além, assim como não precisa ser especialista em direito para saber que as leis antidiscriminatórias já existentes garantem proteção em muitas outras esferas da vida, como na prestação de serviços públicos, nos meios de comunicação, nas forças armadas, nas relações familiares e nos diferentes espaços de convívio social.
Pacto de Mediocridade
Para compreender as razões por trás desse novo texto apresentado pela senadora Marta Suplicy, é necessário lançar um olhar mais amplo sobre a conjuntura política brasileira. O Governo Dilma, constituído sob enormes contradições, entre elas, uma base governista que vai dos ruralistas aos fundamentalistas, precisa eliminar, o mais depressa possível, as chamadas “pautas sensíveis”, aquelas que de alguma forma, colocam em risco os acordos políticos firmados com os setores conservadores que dão sustentação ao governo. Essas pautas, em sua maioria, dizem respeito aos direitos humanos. O fato de Dilma ter tido esses direitos violados quando presa e torturada pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar só acentua as pressões (internas e externas ao seu partido, o PT) para que temas referentes ao direito à verdade, violência contra a mulher e direitos sexuais e reprodutivos ganhem espaço em seu governo.
Para Dilma, a única maneira de superar essas questões sem comprometer a chamada “governabilidade” é aprovar projetos de lei que esvaziam de substância o objetivo ao qual eles se propõem. Foi assim com a recente aprovação da Comissão da Verdade no Senado, que irá contar com a participação de representantes das forças armadas como forma de impedir a punição dos torturadores (muitos deles, ainda hoje, encontram-se em cargos privilegiados do poder público) e ao que tudo indica, será assim com o PLC 122, que irá criminalizar a homofobia sem punir o discurso homofóbico. Um tremendo “cala boca” no movimento LGBT e uma enorme vitória para os fundamentalistas religiosos. Dilma Rousseff, que precisa melhorar sua imagem com a população LGBT (prejudicada depois do vergonhoso episódio do veto ao Kit Escola Sem Homofobia), certamente irá sancionar o PLC 122 como proposto por Marta Suplicy (se ele assim chegar ao Palácio do Planalto). E ambas, certamente, saberão capitalizar essa ação como uma vitória de seus mandatos.
Falta de Respeito
Sabemos que deixar a homofobia fora da lista de discriminações que o código penal sanciona é um verdadeiro atentado a democracia, a liberdade e a dignidade de milhares de brasileiros. Mas aprovar um projeto de lei que não inibe de fato o discurso discriminatório é uma falta de respeito sem precedentes. É permitir que as piadas cotidianas sobre a o “veado”, a “sapatão” e o “traveco” continuem matando pouco a pouco uma parcela significativa da nossa sociedade. E por falar em piada, fica como reflexão uma frase muito oportuna que estampa uma camiseta produzida pelos companheiros do Grupo Identidade de Campinas: “A piada mata tanto quanto a bala”. Pensem nisso.

Rodrigo Cruz é jornalista e militante do Coletivo LGBT 28 de Junho

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Estado laico pela ótica dos movimentos LGBT e feminista

Estado laico pela ótica dos movimentos LGBT e feminista



Foto: Blog de Paulo Suess
Vivian Virissimo no Sul21
Não é de hoje que o debate sobre a dificuldade de separação entre Estado e religião rende debates tanto na comunidade LGBT quanto entre mulheres do movimento feminista. Em um ano que registrou avanços na garantia de direitos dos homossexuais, com o reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da união entre pessoas do mesmo sexo, o debate sobre a importância de respeitar o Estado laico ganhou fôlego nas discussões internas dos militantes e principalmente nas redes sociais.
O tema da laicidade tem sido incorporado na agenda das mulheres feministas com relação à legalização do aborto e na pauta de reivindicação dos movimento LGBT com relação ao casamento, adoção de filhos e combate à homofobia. Na avaliação do pesquisador Fernando Seffner do Instituto de Estudos da Religião, os movimentos sociais têm utilizado com cada vez mais frequência este debate para buscar avanços em políticas públicas e na legislação. “Percebo de maneira bem nítida que a discussão que o Estado é laico tomou corpo nos últimos anos. Isto porque as religiões, efetivamente, têm atuado como oposição a esses temas”, falou Seffner.
Diferente de países como o Irã ou o Vaticano, que seguem preceitos religiosos até mesmo na Constituição, o Brasil é um país que se define como laico. Mesmo assim, a forte pressão das instituições religiosas, quando o assunto envolve a sexualidade da comunidade LGBT e do movimento de mulheres, é uma demonstração da dificuldade de entendimento do que significa a laicidade das práticas do Estado.
Pesquisador Fernando Seffner | Foto: arquivo pessoal
A colisão do discurso religioso com as pautas que o movimento LGBT reivindica é um dos principais embates entre liberdade de credo e de orientação sexual. “Essa é a pedra no sapato da igreja. Se uma religião não quer acolher este tipo de comportamento até tem direito de rejeitar as pessoas, mas isso não pode extrapolar para os espaços públicos. É um autoritarismo dizer que não é só na minha igreja que não pode, mas não pode em lugar nenhum”, falou.
O professor também destacou que o debate sobre Estado laico envolve não somente a separação entre estado e religião, como também o respeito à diversidade religiosa. “O Estado laico não vai perseguir as religiões, é justamente o contrário. Uma sociedade profundamente religiosa como é o caso da brasileira deve assegurar a igualdade de direitos para quem é kardecista, católico, neopentecostal, budista, etc. Caso contrário, se volta ao período do Brasil Coroa”, compara Seffner.
“Cortina de fumaça legitima a violência contra os homossexuais”
Célio Golin | Foto: Flickr
Quando se fala em movimento gay, uma das principais bandeiras é a questão da criminalização da homofobia, prevista em projeto de lei que tramita há dez anos no Congresso e com grandes dificuldades de ser sequer votada na Câmara e no Senado. O ativista da ONG Nuances, Célio Golin, atribuiu a dificuldade de separar Estado e religião como obstáculo para avanço de direitos homossexuais. “A questão da sexualidade é muito complicada, pois pessoas com ideologia fundamentalista tentam convencer as outras de seus conceitos e dogmas. Então é uma invasão do direito de ir e vir do outro, associando questões negativas que criam uma espécie de cortina de fumaça no imaginário social legitimando a violência e preconceito contra os homossexuais”, argumentou.
Neste sentido, Seffner também defende que o comportamento da igreja em torno dos direitos dos homossexuais acaba legitimando o preconceito que se expressa na homofobia. “A igreja católica passou muitos anos dizendo que os negros não tinham almas, não diz mais porque se configura preconceito. Com relação aos homossexuais ainda não tivemos esse avanço”, comparou Seffner.
Golin também criticou as pressões políticas da bancada evangélica sobre o Executivo. “O movimento político que organizou uma bancada religiosa produziu dois episódios exemplares: a saída do ministro Antonio Palocci por pura pressão da bancada e o caso do kit homofobia. O fato é que nós temos um governo de esquerda que, em nome da governabilidade, faz arranjos que acabam trazendo segmentos fundamentalistas que atuam para barrar conquistas e o kit foi uma demonstração”.
“Estado não tem religião, o Brasil não é um estado confessional”
Já no caso do movimento feminista, o principal ponto de colisão é a legalização do aborto em caso de gravidez indesejada que enfrenta forte restrições de segmentos religiosos. As feministas alegam que a negação desse direito é uma das formas de “controle da religião sobre seus corpos”.
Télia Negrão, da Rede Feminista da Saúde | Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA
Para a feminista Télia Negrão, da Rede Feminista de Saúde, o Brasil todos os dias é desafiado em relação à laicidade de seu Estado. “Qualquer pessoa tem o direito de ter a religião, de não ter também, mas de professar o seu credo, seja qual for. Cada um tem a sua. Agora o Estado não tem religião, o Brasil não é um estado confessional”, criticou a feminista.
Ela analisa que existe uma influência muito pesada dos setores conservadores dentro das próprias estruturas de poder, não só no Legislativo mas também no Executivo e no Judiciário. “Os políticos têm muito medo das igrejas, nós temos um padrão cultural extremamente atrasado e retrógrado em relação à religião e aos corpos das mulheres. Avançar nesta perspectiva, significaria superação de um padrão cultural atrasado: religião é de foro íntimo e individual”, defende Télia.
O pesquisador Fernando Seffner, fez uma retrospectiva dos mitos fundadores da religião para explicar a ideia de controle dos corpos das mulheres. “O aborto é uma causa histórica do feminismo, tem a ver com uma instituição bem antiga de que a mulher, na maioria das sociedades, não é dona de seu corpo. O homem é, mas a mulher não e isso tem um enorme fundo religioso. Os mitos fundantes da religião, como é o caso de Adão e da Eva, colocam a mulher como figura subordinada”, falou.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Claudia Leitte é repudiada em evento LGBT, por frase dita em 2008

Claudia Leitte é repudiada em evento LGBT, por frase dita em 2008



Claudia Leitte não imaginaria que uma frase politicamente incorreta, dita em 2008, causasse tanto barulho ainda hoje. De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, da "Folha de S.Paulo", a cantora foi alvo de uma moção de repúdio aprovada por 98% dos delegados na 2ª Conferência Nacional LGBT, em Brasília, na última segunda-feira (19).
Em entrevista ao "TV Fama", da Rede TV, em 2008, Claudia disse: "Eu adoro os gays, mas prefiro que meu filho seja macho". O marido da cantora, Márcio Pedreira, completou: “Deus me livre! Ele será bem criado”.
Miguel Falabella, por sua vez, foi homenageado na conferência. Ele foi reconhecido e apoiado em razão da novela "Aquele Beijo", que possui o travesti Ana Girafa (Luis Salém).


No Yahoo

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Contra o preconceito, mães de filhos gays “saem do armário”

Contra o preconceito, mães de filhos gays “saem do armário”



"Não precisamos ter vergonha", diz Marisa, mãe de Alexandre | Foto: Arquivo pessoal
Rachel Duarte no Sul21
“Ele veio ao mundo para me ensinar”, diz Marisa Figueiró, 66 anos, viúva e mãe de Alexandre Boer, 47, homossexual. Ciente da orientação sexual de Alexandre há 32 anos, ela já partilhou com o filho alegrias, conquistas, dores, dificuldade financeiras e outros fatores comuns à vida de qualquer ser humano. Mas, o que ela não admite, é ter que conviver com o preconceito da sociedade. “Temos que aceitar os nossos filhos, não importa a sexualidade deles. Temos que aceitá-los, pois não são criminosos. São pessoas do bem com opções sexuais diferentes, mas que trabalham e lutam na vida. Não precisamos ter vergonha”, afirma.
Em nome da luta contra o preconceito, mães como Marisa estarão em Brasília nesta quinta-feira (28). O lançamento público da campanha “Mães pela Igualdade” antecede o seminário “Famílias pela Igualdade”, promovido pela Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, liderada pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ). No evento, as mães compartilharão suas histórias como forma de alertar parlamentares, governantes e a sociedade para a crescente onda de violência contra o público LGBT.
Segundo secretário da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Márcio Martins, mais de três mil homossexuais foram mortos no Brasil desde a década de 80 até hoje. Por não constar a tipificação de caráter homofóbico nas ocorrências policiais, o país ainda não consegue quantificar o número de gays mortos por preconceito. “Sabemos que foram 198 casos em 2009 e 250 no ano de 2010 porque as entidades têm informações de familiares e fizemos uma estimativa com o que é veiculado na imprensa”, diz Martins.
O major da Polícia Militar do Rio Grande do Sul, Paulo Cesar Franquilin Pereira, confirma a deficiência do sistema nos indicadores de homicídios por homofobia. “Nós registramos os crimes conforme a identidade da carteira de identidade, dizendo se é do sexo feminino ou masculino”, afirma.
Criminalizar a homofobia
O filho de Marisa, o jornalista Alexandre Boer, é sócio-fundador da ONG Somos e avalia que os crimes homofóbicos são sempre motivados por ódio e se caracterizam pela violência exagerada. “Não se mata um gay com um tiro, se mata com 30, enforcado, espancado. Mas a homofobia não está só na agressão física. Tem outras forma de violência que acabam não sendo registradas como tal”, destaca.
Segundo Alexandre, a violência aumentou nos últimos tempos porque os direitos do público LGBT também aumentaram. “Isto é uma reação da sociedade conservadora, que chega a ir para as ruas caminhar contra os direitos de outros seres humanos. Chegamos a este ponto. Isto é preocupante numa sociedade dita democrática”, alerta.
O ato das Mães pela Igualdade será uma forma de voltar a pressionar pela aprovação do projeto de lei 122, que prevê a criminalização de atitudes homofóbicas no Brasil. A legislação que tipifique e regulamente os crimes de ódio cometidos contra LBGTs poderá garantir igualdade no nível de proteção legal aos brasileiros, principal medo das mães em assumir seus filhos. “Eu tive receio das dificuldades que ele teria na vida com o preconceito. Mas acho que ele lida bem com isso hoje porque sempre conversamos”, diz Marisa.
Alexandra Martins
Campanha das "Mães pela Igualdade" vai a Brasília nesta quinta | Foto: Alexandra Martins
“No fundo, a maioria tem preconceito”
Marisa e Alexandre contaram separadamente ao Sul21 a mesma história. “Ela sempre conversou comigo e contei para ela na adolescência”, disse Alexandre. “Ele me falou quando tinha 15 anos. Nós conversávamos. Eu cheguei a propor dele tentar sair com meninas. Mas ele viu que não era isso. Foi um descobrimento conjunto”, contou Marisa.
Filho único e sem o pai desde cedo, Alexandre sempre manteve uma ligação forte com a mãe, o que foi fundamental para fortalecer o filho a encarar a sociedade. “Os familiares são os primeiros a ter preconceito. Eu disse que meu filho era gay só na formatura dele, quando ele tinha já 22 anos”, conta a mãe.
Mãe e filho chegaram a atuar juntos na ONG Somos, onde Marisa se uniu a outras mães de homossexuais. “As mães fazem de conta que não sabem, por medo de encarar a realidade. Temos como perceber que eles têm outra opção sexual”, diz Marisa.
“Ser gay não é uma moda, como a TV e as novelas caricaturizam. Esta imagem é de uma falsa aceitação da sociedade. No fundo, a maioria tem preconceito. O meu filho é um amigo, filho e orgulho para mim. A única coisa que fico triste é não ser avó. Mas temos que amá-los sempre. É na família que podemos dar o amor e prepará-los para as dificuldades da vida lá fora”, completa.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

2ª Conferência Estadual LGBT do Paraná

2ª Conferência Estadual LGBT do Paraná


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2ª Conferência Estadual de Políticas Públicas e Direitos Humanos para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT do Paraná, será realizada no período de 06 a 08 de outubro de 2011, no Centro de Convenções de Curitiba.

A Conferência está sendo organizada pela Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos e a Secretaria de Estado da Saúde, em conjunto com representantes da sociedade civil, e tem o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

O evento contará com a participação de autoridades públicas, delegados do governo (40%) e da sociedade civil (60%) que atuam nas políticas públicas e direitos humanos de LGBT, bem como convidados e observadores, totalizando 550 pessoas diretamente envolvidas.

O Governo do Estado garantirá hospedagem para os delegados que vierem de fora da Região Metropolitana de Curitiba, bem como alimentação para todos durante o evento.

Os delegados governamentais serão indicados pelas respectivas Secretarias de Estado.

Procedimento para inscrição de delegados da sociedade civil:

Para se inscrever, preencha e envie a ficha de pré-inscrição abaixo para o fax (41) 3221-7217, impreterivelmente até o dia 28/09/2011, às 17:00h (prazo máximo). Não nos responsabilizamos pelas fichas de pré-inscrição recebidas fora do prazo.

Para confirmar sua inscrição, deve-se enviar por sedex no máximo até o dia 28/09/2011 a ficha de inscrição original, juntamente com cópias da Ata de posse da atual diretoria e do Estatuto da entidade que representa (ou na ausência destes, cópia da Carta de Princípios), para o seguinte endereço:

Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos
Departamento de Direitos Humanos e Cidadania
Palácio das Araucárias - Rua Jacy Loureiro de Campos S/N - 4o andar - 80530-915 - Curitiba - PR 


A data acima se refere a data de postagem. Não nos responsabilizamos por documentos enviados depois desta data.

Havendo extrapolação do número de inscrições em relação as vagas disponíveis para o evento, a Comissão Organizadora seguirá os seguintes critérios para seleção dos participantes:

1º Organização LGBT
2º Organização que trabalha com LGBT
3º Organização que trabalha com Direitos Humanos
4º Outros

Ficha de Inscrição

Programação

Regulamento

SERVIÇO

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sábado, 24 de setembro de 2011

Estudo diz: SP lidera denúncias de agressão contra gays





Estudo diz: SP lidera denúncias de agressão contra gays

Desconhecidos e vizinhos são os que mais praticam violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), dentre os casos denunciados ao Disque 100, o Disque Direitos Humanos.
A central de atendimento do governo federal foi criada para registrar abusos contra crianças e adolescentes, mas, desde o início do ano, expandiu o serviço para outros grupos, como a população LGBT.
Levantamento da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) - ao qual a reportagem teve acesso e que será divulgado na segunda-feira - aponta que, em 39,2% dos episódios de violação relatados contra a população LGBT, o agressor foi um desconhecido; em 22,9%, vizinhos; e em 10,1%, os próprios amigos.
De janeiro a julho, o Disque 100 recebeu 630 denúncias contra a população LGBT. As vítimas concentram-se na faixa etária de 19 a 24 anos (43%) e de 25 a 30 anos (20%).
Os casos mais comuns de violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais são os de violência psicológica (44,38%), como ameaça, hostilização e humilhação, e de discriminação (30,55%).
Das vítimas, 83,6% são homossexuais, 10,1%, bissexuais e 4,2%, heterossexuais que sofrem algum tipo de violência ao ser confundidos como gays.
No recorte feito por Estado, São Paulo (18,41%), Bahia (10%), Piauí (8,73%) e Minas Gerais (8,57%) lideram as denúncias - o Rio de Janeiro aparece com apenas 6,03% - por já contar com um serviço semelhante oferecido pelo governo estadual.
“Isso demonstra que a violência de caráter homofóbico tem um forte componente cultural, é a mais difícil de ser enfrentada porque é justamente a que não fica comprovada por marcas no corpo”, disse a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.