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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Collor acusa Gurgel de chantagear Demóstenes

Collor acusa Gurgel de chantagear Demóstenes

Viomundo

Collor pede convocação de procurador-geral e de jornalista da revista Veja


O senador Fernando Collor (PTB-AL) acusou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de ter chantageado durante dois anos o então senador Demóstenes Torres (GO), um dos principais acusados de envolvimento no esquema do contraventor Carlos Cachoeira, cassado pelo Senado. Segundo ele, Gurgel “segurou” o inquérito da Operação Vegas para poder influenciar Demóstenes.
Collor afirmou também que Gurgel e a revista Veja davam cobertura ao esquema de Cachoeira.
O senador insistiu que a comissão precisa ouvir o procurador Roberto Gurgel e também o jornalista Policarpo Júnior, da revista Veja em Brasília, além do dono da editora Abril, Roberto Civita, “e outros quetais”.
Policarpo Júnior foi apontado como autor de dossiê utilizado na tentativa de chantagem ao juiz federal Alderico Rocha Santos, de Goiânia. O jornalista também aparece nas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal.
O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) lembrou a defesa do procurador Roberto Gurgel, afirmando que ele tem sido vítima de insistentes tentativas de intimidação. “Começo a desconfiar de que essa comissão esteja sendo vítima de uma conturbação para não chegar a lugar algum”, disse.
A reunião da CPMI prossegue na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Entenda por que Demóstenes continua a estrebuchar

Entenda por que Demóstenes continua a estrebuchar


O ex-senador e o advogado da tese da desproporcionalidade da  cassação


Neste espaço informamos, há mais de mês, que o então senador Demóstenes Torres tinha um Plano B, diante da cassação quase certa do seu mandato.
 
O Plano B seria a sua volta ao Ministério Público de Goiás. Assim, continuaria na vida pública, embora com direitos políticos suspensos até 2027. 
 
Demóstenes é procurador de Justiça do estado de Goiás e licenciou-se em 1998. O seu irmão, que está sendo investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público por suspeita de  ligação com Carlinhos Cachoeira, é o chefe do Ministério Público goiano, ou seja, é o procurador-geral do estado de Goiás.
 
A propósito, Goiás virou o estado-federado em evidência na mídia. Além de Demóstenes, o governador Marconi Perillo ainda não convenceu a nenhum cidadão isento sobre a venda da casa que se tornou domicílio de Cachoeira. Mais ainda, o suplente de Demóstenes, de nome Wilder Morais, foi colocado na chapa eleitoral por indicação de Cachoeira. Por coincidência, e cada um tem escolha livre da vida amorosa, a ex-esposa de Wilder o trocou por Cachoeira.
 
Ontem, após a cassação, o Plano B do ex-senador Demóstenes começou a fazer água.
 
Tão logo publicada no Diário Oficial da União a cassação, o Conselho Nacional do Ministério Público vai iniciar um processo administrativo disciplinar por infração ética contra Demóstenes.
 
Como se sabe, um membro do Ministério Público, estadual ou federal, tem o dever, ainda que licenciado e fora de função, de manter conduta social irrepreensível. Em outras palavras e no popular, não dá para ser pau-mandado de bandido de alto coturno, do tipo Carlinhos Cachoeira.
 
A corregedoria do Ministério Público de Goiás, que não tomou nenhuma providência com relação ao procurador-geral (irmão de Demóstenes),  já anunciou o início de procedimento disciplinar contra o senador cassado, mas o caso deverá ser avocado pelo Conselho Nacional do Ministério Público.
 
Atenção. Caso Demóstenes seja punido administrativamente no Conselho Nacional do Ministério Público “ganhará”, como acontece também com magistrados do Poder Judiciário, uma “aposentadoria compulsória”. Tudo com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. No caso dele, a remuneração é integral, pois conta com tempo para se aposentar voluntariamente.
 
A informação sobre a ruína no Plano B levou Demóstenes a mudar de posição e voltar a estrebuchar. Vai usar e abusar do chamado “jus sperniandi”, o direito de espernear e estrebuchar.
 
Demóstenes havia afirmado que não iria recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) no caso de cassação.
 
O ex-senador, no entanto, mudou de ideia ao saber do iminente processo administrativo-disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público. Ele vai bater à porta do STF para tentar anular a cassação imposta no Senado da República. Com isso, tenta suspender, até decisão do STF, o referido processo administrativo disciplinar.
 
No STF, Demóstenes partirá para uma temerária ação voltada a anular a decisão do Senado sobre a cassação do seu mandato. Ele vai voltar com a ladainha de que não teve ampla defesa, e teria direito a prova pericial. 
 
Sobre o mérito da cassação (falta de decoro), Demóstenes sabe se tratar de decisão soberana do Senado. Portanto, vai tentar, no STF, pescar uma nulidade, que não é matéria referente ao mérito.
 
Por outro lado, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não denunciou, em tempo oportuno, o então senador. Com a cassação, Gurgel não é mais competente, pois Demóstenes perdeu o foro privilegiado do STF. À época que tinha competência-atribuição, Gurgel preferiu refazer a investigação ao invés de ajuizar ação criminal contra ele.
 
Importante recordar que Demóstenes, como avisou em telefonema a Cachoeira, era contrário à recondução de Gurgel ao cargo de procurador-geral.
 
Segundo dizia a Cachoeira (a interceptação telefônica foi realizada com autorização judicial), ele precisava manter Gurgel pressionado “para que não atrapalhasse”. Em outras palavras, pressionar para Gurgel manter na gaveta — como fez por mais de dois anos — o inquérito sobre a Operação Vegas. Essa operação foi anterior à Monte Carlo e já incriminava Cachoeira, a construtora Delta e, por tabela, Demóstenes.
 
Depois de pressionar e se manifestar inúmeras vezes contra a recondução de Gurgel, o então senador Demóstenes, a gerar perplexidade, votou a favor da recondução de Gurgel e rasgou-lhe desbragados elogios na sessão.
 
Pano rápido. Demóstenes estrebucha e esperneia para não deixar a vida pública. Ele bem sabe que só perderá o cargo no Ministério Público no caso de ser condenado pesada e definitivamente na Justiça criminal. Se não for, tem garantida a aposentadoria com vencimentos integrais. Viva o Brasil.
 
Wálter Fanganiello Maierovitch  

No último ato Demóstenes clama tolerância que jamais teve com os outros

No último ato Demóstenes clama  tolerância que jamais teve com os outros



Nem tudo que se diz se faz

Rudolfo Lago


O último discurso do ex-senador Demóstenes Torres no Senado foi um discurso para o senador Demóstenes Torres. Para aquele Demóstenes Torres que existia antes que fossem desnudadas as suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. No seu último apelo, Demóstenes pedia aos demais senadores que não o medissem pela régua que ele sempre usara para medir os outros. Era Demóstenes pedindo aos demais senadores que tivessem com ele um grau de tolerância com comportamentos que ele, antes, jamais demonstrara com ninguém.
Não por acaso, uma das principais vítimas do Demóstenes de outrora – o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) – fez questão de assistir ao seu discurso de pé, encarando-o, sem esconder um sorriso de vez em quando. Da presidência, outro desafeto, o senador José Sarney (PMDB-AP), mantinha seu estilo mais discreto e contido. Mas ficou a impressão de que, para alguns, a sessão de cassação de Demóstenes era também uma sessão particular de vingança.
Demóstenes disse que jamais dará o mesmo crédito às ações movidas pelos procuradores. Essa é a categoria profissional de origem de Demóstenes. Que jamais concederá outra vez a mesma credibilidade aos jornais e jornalistas. De quem foi fonte permanente durante anos, sempre disponível para opinar sobre comportamentos de outros que, como ele agora, se desviassem da conduta ética recomendável. Ou seja: a derradeira tentativa de defesa de Demóstenes foi negar o que sempre pregara ao longo da sua vida política. Era Demóstenes livrando-se definitivamente do senador Demóstenes, o personagem político que criara.
O resumo final da carreira política de Demóstenes parece mesmo ser a frase que ele pinçou do samba de Ismael Silva: “Nem tudo que se diz se faz”. Não como algo que o absolva, como ele pretendia, mas para designar exatamente a forma como Demóstenes se comportava na vida pública, e que ele explicitou em seu último discurso. O que Demóstenes dizia, não era o que Demóstenes fazia. Seu discurso derradeiro foi uma tentativa de atribuir a todos comportamento semelhante. Procuradores, pela sua lógica, fariam diferente do que dizem. Jornalistas idem. E mesmo o relator que recomendou seu processo de cassação, Humberto Costa (PT-PE).
Ao final da votação, o senador Jorge Viana (PT-AC) parecia um pouco perplexo e perturbado. “Não cassamos apenas um senador, cassamos aquele que parecia ser o melhor senador da República”, dizia ele. Imensa inteligência, enorme conhecimento jurídico, grande capacidade de articulação, talento incomparável para o discurso. “É impossível considerar que o resultado, tendo sido a cassação, deixa bem a imagem do Senado. Não deixa”, completava Jorge Viana. Seu raciocínio era o seguinte: se tudo o que se pensava sobre Demóstenes era a composição de um personagem, de alguém que dizia uma coisa e fazia outra – como entendeu a grande maioria dos senadores –, como escapar da impressão de que os demais senadores – menos brilhantes e capazes na comparação – não façam também a mesma coisa?
O personagem do samba de Ismael Silva usava a frase que Demóstenes tornou famosa para comentar que, embora declarasse que ia largar a orgia, na verdade ele não conseguiria. Eis o dilema do Senado.

Congresso em Foco

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Demóstenes, de heroi a enganador: Revista tenta, mas não consegue se livrar de ligações com o senador

Demóstenes, de heroi a enganador: Revista tenta, mas não consegue se livrar de ligações com o senador 


Em sua defesa desde a eclosão de denúncias sobre o esquema de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Veja tem sustentado que não sabia das relações entre o bicheiro e o senador Demóstenes Torres (sem partido).
Senador Demóstenes Torres - Foto: José Cruz/Agência Brasil
Em sua edição de 9 de maio, a revista chegou a publicar uma matéria intitulada “Os dois senadores”, onde supostamente mostra como “Demóstenes enganou tantos por tanto tempo”. Uma das enganadas seria a própria publicação, que chegou a classificar o senador como um incansável “mosqueteiro da ética”.
A inocência da revista, porém, não encontra muitos pilares. Em 10 de maio, o delegado federal Matheus Mela Rodrigues, que coordena a Operação Monte Carlo, prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os elos entre Cachoeira e agentes públicos e privados. A imprensa não teve acesso à oitiva, mas segundo o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o delegado afirmou que Policarpo sabia das relações entre Demóstenes e o bicheiro.
“O que se espera é que as investigações da CPMI, tanto do ponto de vista judicial quanto político, esclareçam isso para benefício do interesse público”, afirma o jornalista e professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), Venício Artur de Lima.

No Brasil de Fato

sábado, 28 de abril de 2012

Demóstenes: Despachante de luxo

Demóstenes: Despachante de luxo



 


As gravações feitas pela Polícia Federal, na Operação Monte Carlo, das conversas telefônicas entre o senador Demóstenes Torres (GO) e Carlos Cachoeira, revelam que o parlamentar era um faz tudo do contraventor. Elas revelam a intimidade e a parceria de ambos. Mostram ainda que o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) é mais articulado com o contraventor do que admitiu até agora. 






Ilimar Franco

Como começou e onde chegou: A deliciosa história sobre a invenção do jogo do bicho

Como começou e onde chegou: A deliciosa história sobre a invenção do jogo do bicho



O jogo do bicho surgiu no Rio de Janeiro em 1893. A criação da loteria popular mais famosa do Brasil se deve ao complicado contexto político daqueles tempos. A República, recentemente proclamada, tentava sepultar os resquícios da Monarquia derrubada — e desse quiproquó entre os adeptos dos regimes surgiu o jogo. Explico.
Nos tempos da Monarquia, o Barão de Drummond, eminência política do Império e amigo da família real, era fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro — que então funcionava em Vila Isabel.
A manutenção da bicharada era feita, evidentemente, com uma generosa subvenção mensal do governo, suficiente, diziam as línguas ferinas dos inimigos do Barão, para alimentar toda a fauna amazônica por pelo menos dez anos.
Quando a República foi proclamada, o velho Barão perdeu o prestígio que tinha. Perdeu, também, a mamata que lhe permitia, segundo o peculiar humor carioca, alimentar o elefante com caviar, dar champanhe francesa ao macaco e contratar manicure para o pavão.
Sem o auxílio do governo, o nosso Barão cogitou, em protesto, soltar os bichos na Rua do Ouvidor — o que, admitamos, seria espetacular — e fechar em definitivo o zoológico do Rio.
Foi aí que um mexicano, Manuel Ismael Zevada, que morava no Rio e era fã do zoológico, sugeriu a criação de uma loteria que permitisse a manutenção do estabelecimento. O Barão ficou entusiasmado com a ideia.
O frequentador que comprasse um ingresso de mil réis para o Zoo ganharia vinte mil réis se o animal desenhado no bilhete de entrada fosse o mesmo que seria exibido em um quadro horas depois. O Barão mandou pintar vinte e cinco animais e, a cada dia, um quadro subia com a imagem do bicho vitorioso.
Caríssimos, se bobear essa foi a ideia mais bem-sucedida da história do Brasil. Multidões iam ao zoológico com a única finalidade de comprar os ingressos e aguardar o sorteio do fim de tarde.
Em pouco tempo, o jogo do bicho tornou-se um hábito da cidade, como os passeios na Rua do Ouvidor, a parada no botequim, as regatas na Lagoa e o fim de semana em Paquetá. Coisa séria.
A República, que detestava o Barão, proibiu, depois de algum tempo, o jogo no zoológico. Era tarde demais.
Popularizado, o jogo espalhou-se pelas ruas, com centenas de apontadores vendendo ao povo os bilhetes com animais dadivosos. Daí para tornar-se uma mania nacional, foi um pulo. O jogo do bicho deu samba — com trocadilho.
Contei rapidamente a história da criação do jogo para constatar o seguinte: a situação atual do zoológico do Rio de Janeiro não parece ser muito diferente daqueles tempos bicudos do velho Barão de Drummond.
Dia destes, o próprio O Globo veio com uma reportagem chamando atenção para o desleixo a que o jardim está entregue em tempos recentes. Enquanto a loteria popular prosperou e virou uma espécie de instituição nacional, o zoológico não teve a mesma sorte.
O jogo, que a rigor foi criado apenas para tirar o zoológico da situação de abandono e com uma inocência digna das histórias de Polyana, a moça, chegou longe demais. Vejam, por exemplo, as atuais peripécias republicanas do bicheiro Carlinhos Cachoeira (curiosamente chamado por alguns da mídia de “empresário da contravenção”).
A inocente loteria popular ganhou asas e se transformou em uma complexa organização criminosa, com tentáculos inimagináveis que envolvem até mesmo cândidas vestais de ternos e togas do moralismo tupiniquim.
Deixo aqui a minha sugestão: já que o poder público aparentemente não dá pelota para a bicharada, confisquem as fortunas que o crime organizado amealhou em aparente conluio com os bacanas e poderosos da República.
Separem um pouquinho da grana tungada e, por justiça histórica, destinem o tutu ao carente Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.
Uma parte do dinheiro do mafioso Cachoeira deve servir ao nobre destino de alimentar cobras, leões, passarinhos e macacos que, afinal de contas, fazem a alegria da criançada carioca em fins de semana.
A César o que é de César. Ou alguém aí sugere a criação de uma loteriazinha inocente que pode salvar o zoológico carioca desse abandono? Não recomendo.

No ComTextoLivre 

Parece que o esgoto não tem fim: Demóstenes 'trabalhou' com Gilmar Mendes para levar ao STF ação da Celg, diz PF

Parece que o esgoto não tem fim: Demóstenes 'trabalhou' com Gilmar Mendes para levar ao STF ação da Celg, diz PF

No diálogo que ocorreu no dia 16 de agosto de 2011, Demóstenes demonstra intimidade com o ministro


Demóstenes Torres - André Dusek/AE
André Dusek/AE
Demóstenes Torres
Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, o parlamentar afirma a Cachoeira que ter trabalhado junto com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes para levar à máxima corte do país uma ação bilionária envolvendo a Companhia Energética de Goiás (Celg). No diálogo, que durou pouco menos de quatro minutos e ocorreu no dia 16 de agosto de 2011, Demóstenes demonstra intimidade com o ministro ao tratá-lo apenas como "Gilmar".  
"Conseguimos puxar para o Supremo uma ação da Celg aí, viu? O Gilmar mandou buscar. Deu repercussão geral pro trem aí", contou o senador, referindo-se a um instrumento processual que permite aos ministros escolherem os recursos que vão julgar de acordo com a relevância jurídica, política, econômica ou social.
Considerada por muitos políticos goianos má "caixa preta" do governo do Estado, a Celg estava imersa em dívidas que somavam cerca de R$ 6 bilhões. Demóstenes avaliou a Cachoeira que Gilmar Mendes conseguiria abater cerca de metade do valor com uma decisão judicial. "Dependendo da decisão dele, pode ser que essa Celg... essa Celg se salva (sic), viu?", disse. "Eu acho que esse trem pode dar certo, viu?ele que consegue tirar uns dois... três bilhões das costas da Celg. Aí dá uma levantada, viu?"
Ao que Cachoeira responde: "Nossa senhora! Bom pra caceta, hein?"
Demóstenes e Gilmar Mendes foram motivo de polêmica quando, em 2008, a revista Veja publicou uma reportagem com uma suposta conversa entre ambos que teria sido grampeada ilegalmente. Os dois confirmaram a existência da conversa, mas a revista nunca publicou o áudio do diálogo.
A Celg foi motivo de m embate no Estado de Goiás quando, no fim de 2010, o então governador eleito Marconi Perillo (PSDB) anunciou, durante o período de transição, que não cumpriria um acordo costurado entre a gestão Alcides Rodrigues (PP) e o governo federal, que previa empréstimos da Caixa Econômica Federal (CEF) ao Estado de Goiás para tirar a companhia energética do atoleiro. A justificativa da equipe marconista era que o acordo continha cláusulas prejudiciais ao Estado. O governo Alcides viu motivação política na decisão da equipe de transição. Um ano depois, no fim de 2011, Marconi fechou um acordo com o governo federal para transferir à União o controle acionário da Celg, que foi federalizada.
O 'Estado' não conseguiu encontrar o senador e o ministro do STF para comentarem a gravação.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Leia transcrição dos grampos da PF sobre nomeação de prima de Cachoeira

Leia transcrição dos grampos da PF sobre nomeação de prima de Cachoeira 


Demóstenes recorreu ao colega e ex-governador Aécio Neves para emplacar Mônica Vieira 

1) 13 de maio de 2011, Carlinhos Cachoeira liga para o senador Demóstenes Torres às 18h18:42.
Cachoeira: Ô doutor.
Demóstenes: Fala professor.
Cachoeira: Aquele currículo que eu te falei lá de Uberaba, da minha prima pô. O Manuel não te entregou, não?
Demóstenes: Não, deixa eu ligar prá ele aqui… tá dentro do carro. Esse rapaz ele é difícil, ele é muito burro, sabe? Eu vou olhar aqui.
Cachoeira: Não esquece de levar isso. É importantíssimo prá mim. Que tá tendo vaga lá, senão… você consegue por ela lá com Aécio… em Uberaba, pô, a mãe dela morreu. É irmã da minha mãe.
Demóstenes: Não, tranquilo. Deixa eu só ligar pro rapaz lá. Deixa eu ligar prá ele e te ligo aí.

2) 16 de maio de 201, Demóstenes fala com Cachoeira às 20h51:31
Demóstenes: Tá tudo certo, tá lá, amanhã cedo eu pego. Amanhã antes de eu falar com ele eu te ligo e você me explica direito, falou?
Cachoeira: Tá excelente, brigado doutor.

3) 17 de maio de 2011, às 7h19:45.
Demóstenes: Fala professor, só tô vendo currículo aqui. Tá assim, cargo, qualificação profissional, diretoria CEDECI, o que é CEDECI?
Cachoeira: Ele sabe lá. É Estadual lá, um cargo.
Demóstenes: Precisa decifrar, eu vou encontrar com o Aécio lá pelas 10 horas, só o que é CEDECI, prá perguntar direito, pra pedir direito.
Cachoeira: Tá, eu vou decifrar aqui e te falo aí.
Três minutos depois, às 7h21, Cachoeira liga para Demóstenes e o informa que a repartição chama-se Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.

4) 18 de maio de 2011, às 11h52:05, Demóstenes liga para o bicheiro.
Demóstenes: Fala professor. A mulher trabalha no Estado?, ela é funcionária do Estado? O Aécio quer saber.
Cachoeira: Não, ela trabalha na Prefeitura Municipal de Uberaba.

5) 20 de maio de 2011, às 20h48:28, numa ligação de 39 segundos,Demóstenes diz ao contraventor que Aécio conseguiu o emprego para a prima.
Demóstenes: Seguinte, o Aécio arrumou o trem lá, e vão dar pro deputado um outro cargo. Agora, ele perdeu o currículo da mulher, então na hora que eu chegar aí você me dá o nome inteiro dela e o telefone prá eles ligarem, falou?
Cachoeira: Então tá. Qual cargo que é, você sabe?
Demóstenes: O que você pediu, ué.

6) 21 de maio de 2011, às 12h05, Cachoeira liga para Mônica Beatriz, sua prima.
Cachoeira: Eles vão te ligar aí, tá? O governador deu o OK aí no seu emprego aí de chefia.
Mônica: Hum.
Cachoeira: O Aécio acabou de ligar pro senador aqui, viu.
Mônica: Então tá.
Cachoeira: Já pegou seu telefone, mas fica com o telefone ligado que eles vão te ligar. Alguém do governo vai te ligar.
Mônica: Tá ok, pode deixar, tá bom.
Cachoeira: Então tá, tchau, me ajuda por lá.

7) 26 de maio de 2011, às 22 horas, Cachoeira e Mônica conversam durante 3 minutos e 47 segundos.
Cachoeira: A pessoa te ligou?
Mônica: Ligou, ligou no sábado de manhã.
Cachoeira: Quem foi?
Mônica: O Danilo de Castro.
Cachoeira: Ele é forte ali.
Mônica: Secretário de Governo, isso, daí me fez umas perguntas. Daí na segunda eu já me reuni com o Marcos Montes, né? Ele falou: ‘Mônica, a sua nomeação deve sair na próxima semana’. Ele ficou de…ele iria prá Brasília e retornava amanhã e assim que ele chegasse ele me ligaria prá gente sentar e conversar.
Cachoeira: Sim, mas qual cargo?
Mônica: Diretor regional do Sedese.
Cachoeira: Uai, bom demais. Melhor ainda do que você queria.
Mônica: Nossa, eu fiquei feliz demais, inclusive tenho que agradecer muito, Carlinhos.
Cachoeira: A pessoa que vai sair do cargo é que não vai gostar, né?
Mônica: Eu falei isso com o Danilo, Falei: ‘Danilo, eu não queria que prejudicasse a pessoa, ainda mais se for pai de família’. Ele falou: ‘Você não se preocupe com isso porque nós já arrumamos um cargo, me parece que ele vai ficar até lá mesmo’.
Cachoeira: É o Aécio, viu: Direto com Demóstenes, viu?
Mônica: Isso, ele falou que era uma solicitação do Aécio, ele enfatizou isso bem. ‘É uma solicitação do senador Aécio, através do senador Demóstenes, e com o aval do governo Anastasi, bem claro, né? Mas eu te agradeço muito, muito mesmo.
Cachoeira: O salário lá é bom, né?
Mônica: Eu não sei o que que é, eu tentei pesquisar, mas não sai. Esses cargos comissionados não sai o salário.
Cachoeira: Aqui (em Goiás) no mïnimo um cargo desses aí é uns 10 mil reais.
Mônica: Aqui eu não sei, eu tentei pesquisar.
Cachoeira: É um c argo de superintendente aqui, dessa forma, diretor, aí deve ser uns 10 mil.
Mônica: Então, é uma superintendência que eu tô assumindo, é a Superintendência de Desenvolvimento Social.
Cachoeira: A que você estava era qual?
Mônica: Eu estava na diretoria de qualificação profissional.
Cachoeira: Municipal?
Mônica: É municipal, até briguei, falei ‘se for menos eu tô perdida’.
Cachoeira: Quanto você ganhava lá?
Mônica: 5.
Cachoeira: deve ser uns 10, você vai ver, você me liga o dia que você assumir, tá?

O Estado de S. Paulo

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Mídia, Demóstenes & Cachoeira: A nova temporada de caça


Mídia, Demóstenes & Cachoeira: A nova temporada de caça 


Por Luciano Martins Costa



Começa a se aquecer mais uma temporada de notícias no departamento em que a imprensa brasileira parece mais vivaz: o dos escândalos. Nos jornais de sexta-feira (20/4), as manchetes já nascem com o propósito de desacreditar os personagens que assumem o papel do “bem”. Nas páginas internas, estendem-se os relatos sobre detalhes do esquema revelado, desta vez centralizado por um representante do negócio das máquinas viciadas de apostas.
O primeiro olhar dá ao leitor a sensação de que, desta vez, os jornais estão dispostos a destrinchar o enredo e expor ao julgamento informal e institucional os culpados e seus crimes.
No Estado de S. Paulo, a manchete informa que a Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar as ligações de políticos e empresas com o contraventor Carlos Cachoeira foi criada, mas a bancada governista ainda não havia definido quem seria o relator.
Sabe o leitor que da disposição do relator sai a peça mais ou menos condenatória ao final da CPI. O jornal insinua que o cuidado na escolha desse personagem se deve a uma preocupação com a seletividade dos dados que serão oficialmente incluídos no documento final. Então, na abertura do processo o jornal já planta a hipótese de que, seja qual for o resultado da investigação, haverá suspeitas sobre os investigadores.
Como funciona
O Globotambém noticia a abertura da CPI, mas avança em novas denúncias envolvendo o governador de Goiás, Marconi Perillo, em relações mais íntimas com Cachoeira, tendo contratado para seu governo uma cunhada do contraventor.
Também estende a malha de corrupção até a capital de Minas Gerais, afirmando que o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, contratou a empresa Delta – apontada como beneficiária de licitações fraudadas com o objetivo de lavar dinheiro da corrupção – para uma obra orçada em R$ 170 milhões, ainda antes de ser oficializado o consórcio a ser contratado.
Nesta fase do escândalo, a tática da imprensa parece ser disparar na direção de todas as sombras. AFolha de S.Paulo, porém, avançou uns passos na estratégia de noticiar a iniciativa do Congresso de investigar as acusações, mas ao mesmo tempo criar no público a convicção de que o resultado ficará aquém das expectativas.
A tática consiste em observar, na manchete, que entre os 32 membros da Comissão Parlamentar de Inquérito indicados por seus respectivos partidos, nada menos do que 17 têm pendências com a Justiça. A informação é relevante e cria realmente uma dúvida fundamentada sobre as verdadeiras intenções dos criadores da CPI.
O jornal paulista cita, entre esses personagens de antigos escândalos de corrupção, os senadores Fernando Collor, que sofreu processo de impeachment quando presidente da República, Romero Jucá, alvo de processo criminal, e Cássio Cunha Lima, condenado por crime eleitoral e que só escapou da inelegibilidade pela nova Lei da Ficha Limpa quando o Supremo Tribunal Federal adiou a aplicação da nova norma.
Folha de S.Paulo também apresenta, em suas páginas internas, um infográfico de página inteira, fartamente ilustrado, que “explica” o funcionamento do esquema, conforme os dados já disponíveis e publicados pelos jornais.
Dois olhares sobre a notícia
Do ponto de vista de uma leitura superficial, a coleção de reportagens seria suficiente para criar a convicção de que a imprensa está cumprindo bravamente seu papel.
Embora ainda não tenham aparecido os resultados de uma investigação jornalística, pode-se dizer que o leitor mais ou menos atento já tem uma noção bastante clara de como funciona a transferências de dinheiro dos cofres públicos para bolsos privados por meio do esquema aparentemente organizado pelo contraventor Carlos Cachoeira e o senador goiano Demóstenes Torres.
Também deve se consolidar no leitor a sensação de que tal esquema, por suas características primárias, revela a fragilidade dos sistemas de controle do Estado.
Aqui começa uma leitura subliminar que deve merecer a atenção do observador. Se os próprios investigadores são suspeitos, por já haverem ocupado em algum momento o banco que agora é esquentado pelo senador Demóstenes Torres, quem assegura o equilíbrio e a lisura do julgamento?
Sem deixar de considerar que a imprensa cumpre com empenho seu papel de fiscalizar os poderes institucionais, é preciso atentar para o direcionamento de reportagens e artigos que, muito além de apontar culpados, se concentram em demonizar e marginalizar o próprio Estado.
Portanto, é preciso acompanhar a cobertura do presente escândalo com dois olhares: aquele olhar sobre os fatos objetivos, compostos pelos indícios que revelam as culpabilidades, e o olhar sobre intenções subjetivas, de ordem ideológica, que procuram consolidar na sociedade a sensação de que a instituição pública não funciona – mesmo quando se sabe que o ato de corromper quase sempre nasce na iniciativa privada.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Demóstenes aparece no Senado e faz exigências

Uia!!! Demóstenes aparece no Senado e faz exigências

Demóstenes aparece no Senado e faz exigências


Com a presença do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar iniciou às 10h30 a sua reunião. Logo no começo da reunião, Demóstenes disse que vai se defender e provar sua inocência.
Demóstenes questionou a forma como o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) foi escolhido presidente do conselho. Demóstenes argumentou que o senador mais idoso pode substituir o presidente e o vice-presidente do Conselho de Ética em caso de ausência de ambos, mas não em caso de vacância do cargo de presidente, que seria o caso, já que o presidente anterior, senador João Alberto (PMDB-MA), se licenciou do mandato para assumir cargo no governo do Maranhão.
O senador disse ainda que não pretendia alegar nulidade de nenhum ato, mas sugeriu que o conselho formalizasse a eleição do seu presidente.

domingo, 8 de abril de 2012

Demóstenes


Demóstenes

Demóstenes, para ganhar uma cobertura extraordinária de jornais e revistas, seguiu a receita clássica: Falou o que  os outros queriam ouvir

Paulo Nogueira


A imprensa operou uma mágica em Demóstenes Torres: transformou rapidamente um político paroquial e inexpressivo numa personalidade nacional.
Demóstenes, para ganhar uma cobertura extraordinária de jornais e revistas, seguiu a receita clássica: falou o que os outros queriam ouvir. Basicamente, um discurso arquiconservador enfeitado por uma pregação moralista em que o governo era combatido pela ótica da corrupção.
Com isso, Demóstenes se tornou uma presença ubíqua, previsível e maçante na mídia. Ele se juntaria a um coral conservador do qual fazem parte articulistas como Merval Pereira, Ali Kamel, Marco Antonio Villa, Luiz Felipe Condé e Arnaldo Jabor. Todos eles falam, essencialmente, a mesma coisa, frases como que extraídas dos discursos de Ronald Reagan e Margaret Thatcher nos anos 1980. (Curioso que a nenhum deles ocorra fazer, já com a distância que vinte anos permitem, o balanço da obra que Reagan e Thatcher legaram aos Estados Unidos, ele, e ao Reino Unido, ela: declínio econômico acrescentado de uma elevação notável da desigualdade social. Cada um de seu lado do Atlântico, os dois criaram o que um economista americano chamou, num livro recente, de Nanny State ao contrário – Estados-Babás para os ricos.)
É vital que haja microfones para o pensamento conservador. Mas onde o contraponto para ajudar o leitor a formar opinião? Hoje, esse contraponto está praticamente confinado à internet no Brasil. Até por razões econômicas – o consumidor de notícias que não se sente representado é sinônimo de perda de circulação e de audiência – é imperioso para a indústria da mídia brasileira a retomada do equilíbrio perdido. O Deus Mercado, para usar uma expressão cara ao conservadorismo, demanda isso. Os leitores — eu incluído — ficarão felizes.
Demóstenes floresceu exatamente num ambiente de perda de pluralidade de idéias na mídia brasileira. Picaretas aparecem assim, porque a filtragem fica rala. Basta dizer coisas como as que Demóstenes dizia, e seu celular vai tocar, chamado por jornalistas que precisam de frases para preencher textos com idéias preestabelecidas. Das entrevistas telefônicas a convites para participar de programas na Globonews ou escrever colunas é um passo. (Numa rápida pesquisa que fiz, vi que Demóstenes tinha até uma coluna no blog de Ricardo Noblat, das Organizações Globo.)
Demóstenes pertencia claramente à categoria dos conservadores de conveniência. Espertalhões como ele sabem como atrair os holofotes, e se adaptam às circunstâncias. Se para conseguir espaço ele tivesse que adotar uma retórica de esquerda, com certeza Demóstenes andaria com um chaveiro de Marx no bolso e repetiria frases de Lenine. Homens como ele têm uma única ideologia: a do dinheiro.
Demóstenes usou a imprensa, com motivos pecuniários, para se promover. Foi usado por ela, por motivos ideológicos. E quem perdeu nisso foi o Brasil: é nociva para a democracia a crença de que todo político é corrupto. E é difícil fugir dessa conclusão ao ler a história de Demóstenes.
Há uma espécie de justiça poética no fato de que a notícia mais importante da política brasileira em muitos anos tenha nascido não da mídia — mas da Polícia Federal. Para a qual seguem aplausos de pé.
Clap, clap, clap.