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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Prêmio Cara de Pau: Cachoeira pede indenização por danos morais por ter sido acusado de crime de corrupção em 2005 e perde no STJ



Prêmio Cara de Pau: Cachoeira pede indenização por danos morais por ter sido acusado de crime de corrupção em 2005 e perde no STJ

O ministro Castro Meira rejeitou agravo em recurso especial apresentado por Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, em ação de indenização movida por ele contra o Estado de Goiás e seu então procurador-geral de Justiça. A decisão individual do ministro impede que o mérito do recurso seja levado a julgamento na Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na ação, Cachoeira buscava indenização contra o então procurador-geral de Justiça de Goiás, Saulo de Castro Bezerra, e o Estado de Goiás, por declarações veiculadas pela imprensa em dezembro de 2005.
Segundo a petição, Cachoeira foi surpreendido por notícia cujo conteúdo atacava-lhe cruelmente a honra, e de forma terrível, acusando-o da prática do crime de corrupção, atribuindo a sua pessoa a compra de sentença judicial, contrariando as convenções morais do requerente, maculando sua honra em âmbito nacional.
Ainda conforme os advogados do autor, o procurador-geral teria se baseado em conversa de ex-casal que enfrentava na Justiça ação penal por tentativa de homicídio. A denúncia de compra de sentença seria completamente vazia e sem fundamento. A ação do procurador que motivou o pedido de indenização foi a concessão de entrevista coletiva sobre o caso.
Sentença
A sentença julgou o pedido improcedente. Conforme o juiz da causa, o ex-procurador-geral teria apenas desengavetado uma notícia-crime antiga, de 2003, amparada em fita de videocassete. Não haveria, para o julgador, prova de abuso ou ilicitude na concessão da entrevista coletiva.
Cachoeira apelou ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) alegando que o juiz podou o contraditório ao negar a produção de provas requeridas pelo autor. A sentença, porém, foi mantida. Para os desembargadores, a notícia dos fatos supostamente delituosos só poderia ser abusiva caso de demonstrasse que o procurador agiu com dolo.
Rescisória
O caso chegou ao STJ em sede de ação rescisória. O acórdão do TJGO transitou em julgado em maio de 2008, e a ação rescisória foi proposta em abril de 2010. Para o autor, o juiz violou dispositivo literal de lei ao afirmar que pode até ser que a forma utilizada para divulgar tenha sido atabalhoada, mas não há uma prova sequer nesse sentido.
Segundo o pedido rescisório, não seria função do Ministério Público reunir a imprensa e dar entrevista coletiva. O então procurador-geral teria ainda violado segredo de Justiça para denegrir a imagem de Cachoeira e das autoridades supostamente envolvidas.
O requerido procurador-geral de Justiça, maledicente, ao associar indevidamente a imagem e o nome do requerente com prática criminosa, violou seu direito à imagem e à honra, sem qualquer razão aparente, sem provas, pois emitiu parecer sem qualquer investigação ou instauração de procedimento judicial, não existindo nenhuma dúvida de que os fatos consubstanciam-se em ato ilícito, afirma a petição. Tal ato afrontaria disposição constitucional expressa, ensejando a rescisória.
A decisão também teria violado dispositivos da lei civil e contrariado sentença de outro juiz, sobre os mesmos fatos, mas movida pelo magistrado apontado como corrompido por Cachoeira. Nessa sentença, o juiz entendeu que o procurador não teria praticado atos típicos da função e fixou em R$ 300 mil o dano moral devido pelo membro do MP e pelo Estado de Goiás ao magistrado acusado. Segundo Cachoeira, essa decisão constituiria fato novo a ser considerado em seu processo.
Para ele, o acórdão do TJGO que manteve a improcedência de seu pedido e acrescentou que o procurador teria agido no exercício de sua função teria legislado, incorrendo em erro de fato e de julgamento.
Vinculação e erro
O TJGO rejeitou a pretensão do autor. O tribunal, além de afastar o procurador do polo passivo da rescisória, já que isso também ocorrera na ação original, entendeu que a sentença judicial em outro processo não pode servir como documento novo para fins de justificar rescisória. Tal sentença, ressaltou o TJGO, nem mesmo transitara ainda em julgado (o caso se encontra no STJ atualmente).
Sobre o erro de fato, o TJGO afirmou que ele não foi demonstrado, tendo o autor apenas evidenciado seu inconformismo com a conclusão do juiz a partir das provas dos autos. O tribunal também negou a ocorrência de violação a dispositivo literal de lei, porque os advogados apenas listaram os artigos supostamente contrariados, sem fundamentar em que constituiriam tais violações.
Recurso especial
No recurso especial, Cachoeira alegou que o TJGO negou vigência aos artigos do Código de Processo Civil relativos à ação rescisória. O TJGO não admitiu o recurso, apontando que o autor apenas discordava da interpretação dada aos fatos pelo julgador.
Para o TJGO, não se poderia admitir a exceção à segurança jurídica configurada pela rescisória pela mera discordância do autor com a decisão. A ação rescisória não poderia servir como via recursal. Além disso, eventual análise do recurso especial pelo STJ incidiria em reexame de provas, o que não é permitido. Ainda, o recorrente não teria apontado a divergência com outros julgados, nos moldes exigidos pelo STJ.
Agravo
Com a decisão do TJGO, Cachoeira apresentou agravo em recurso especial, retomando as argumentações anteriores. Ao decidir, o relator, ministro Castro Meira, apontou que o agravante não atacou devidamente os principais fundamentos do acórdão local, quanto à não vinculação de um juiz à sentença de outro.
Para o relator, o STJ também não poderia analisar as matérias constitucionais suscitadas nem os dispositivos legais tidos pelo agravante como violados, mas que não foram objeto da decisão do TJGO.
Quanto às questões restantes, o ministro apontou que, efetivamente, incorreria em violação à Súmula 7 do STJ a análise das alegações do agravante, por exigir reavaliação de fatos e provas.
Com base nessas razões, em decisão individual, o relator negou provimento ao agravo no recurso especial.
Autor: Coordenadoria de Editoria e Imprensa

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Divulgação de conversas entre editor da Veja e Carlinhos Cachoeira apontam que a falta de ética pode ser o menor dos problemas

Divulgação de conversas entre editor da Veja e Carlinhos Cachoeira apontam que a falta de ética pode ser o menor dos problemas


A queda da paladina da informação

Foto: José Cruz/Agência Brasil

A divulgação de conversas telefônicas entre o diretor da sucursal de Brasília da revistaVeja, Policarpo Junior, e o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, reacendeu o debate sobre a ética no jornalismo. O caso da Veja, porém, pode ir além do julgamento sobre o bom ou mau exercício da profissão. Revelações mais recentes de diálogos indicam um grau de intimidade tão forte entre os envolvidos que colocam a publicação sob suspeita.
Mais de 200 telefonemas interceptados pela Polícia Federal mostram a proximidade entre Policarpo e pessoas ligadas a Cachoeira. Nas conversas, questões que vão além da relação convencional e da troca de informações entre fonte e jornalista.
E não foram só conversas por telefone. Um levantamento realizado pela Agência Carta Maior, baseado no inquérito 3430, resultado da Operação Monte Carlo, evidencia pelo menos dez encontros entre o editor da Veja em Brasília e integrantes do esquema de Cachoeira. Com o próprio bicheiro foram quatro encontros.
Suspeito
O jornalista e professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), Venício Artur de Lima, é cauteloso ao lembrar que as gravações divulgadas até o momento são apenas fragmentos de todo um conjunto de informações. Entretanto, ele afirma que, pelos diálogos já tornados públicos, é possível supor algo além de relações “normais” entre Veja e Cachoeira.
Ele sustenta que, no jornalismo, o objetivo da fonte é passar ao jornalista informações que sejam relevantes ao interesse da sociedade. Diferente do que ocorreu neste caso, as informações transmitidas a Policarpo Junior eram utilizadas em benefício do próprio Cachoeira.
Outro fator que causa estranheza, segundo Lima, é o fato de Cachoeira assumir o comando da revista em algumas situações. Em uma das gravações, Policarpo pede ao bicheiro onde publicar uma nota. Seu interlocutor responde que poderia ser no “Radar” (uma das seções da semanal) ou na página da revista na internet. Para o professor, trata-se de uma “relação desvirtuada”.
“Se você tem a fonte construindo a pauta do jornalista, em nível de detalhe de indicar inclusive onde ele, de acordo com seus interesses de fonte, julga que é mais conveniente que a informação seja publicada, naturalmente há uma inversão que coloca [a relação] sob suspeita”, afirma.
Falta de ética, no mínimo
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schroeder, também condena a relação entre o editor da semanal e Cachoeira, que visa, segundo ele, a objetivos que passam longe do interesse público.
“Infelizmente isso não é de agora, a Veja já vem há algum tempo abandonando o jornalismo e exercendo uma atividade que beira, muitas vezes, a atividade político-partidária e, nesse caso, a contravenção”, diz.
Para o presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, o caso vai muito além de um problema ético da revista.
“Se você é pautado pelo corrupto, você é corrupto também. A Veja não é só um problema ético, é um problema criminal. O Roberto Civita não devia estar sendo chamado, se é que os parlamentares vão ter coragem, só pra depor na CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito]. Devia ser chamado pra depor na delegacia”, afirma.
Nosso Murdoch
O caso da Veja tem sido comparado ao episódio do tablóide inglês News of the World. Investigações apontaram que o jornal, pertencente ao conglomerado de Rupert Murdoch, valia-se de escutas ilegais, obtidas junto à Scotland Yard, para obter informações exclusivas de personalidades do mundo político e artístico. As denúncias levaram à perda sucessiva de anunciantes, que culminou no fechamento da publicação.
Para Borges, as comparações não só são válidas como deixam a semanal brasileira em uma situação pior do que a inglesa.
“No caso Murdoch, provou-se até agora que os órgãos de imprensa corrompiam autoridades, mantinham relações muito íntimas com os governantes do Reino Unido, promoviam escutas ilegais e clandestinas. No caso do Civita, é mais do que isso. É relação com o crime organizado”, acusa.
Silêncio e defesa
As denúncias envolvendo o tablóide de Murdoch vieram à tona por meio do jornal The Guardian, um dos mais tradicionais da Inglaterra. Por aqui, a postura da imprensa é bem diferente. A divulgação das informações que colocam em xeque a credibilidade da revista de maior circulação no Brasil tem ficado restrita, até agora, à Rede Record, à revista Carta Capital e à internet. Em vez de censuras ou condenações por parte da mídia corporativa, aVeja tem recebido apoio explícito ou, no mínimo, um silêncio aliado.
A principal defesa, até agora, partiu de um editorial do jornal O Globo. Além de defender o diretor do Grupo Abril, Roberto Civita, das comparações com Murdoch, o texto diz, entre outras coisas, que “blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista Veja”.
Blindagem
O presidente da Fenaj critica a defesa incondicional em favor da Veja. Para ele, é dever da categoria apoiar toda investigação que leve à elucidação dos fatos.
“Eu tenho visto alguns colegas temerosos de que isso se reverta em uma cruzada contra a imprensa. Ao contrário, é nossa obrigação como jornalistas e como entidade depurar e indicar para a sociedade o que achamos que é bom jornalismo e mau jornalismo”, afirma.
Para o integrante do Coletivo Intervozes João Brant, é igualmente lamentável que os veículos utilizem o argumento da defesa da liberdade de imprensa para proteger a Veja e seus profissionais.
“A liberdade de imprensa é uma garantia constitucional para se defender a liberdade de expressão e o direito à informação. Liberdade de imprensa não é um direito, é uma garantia”, diz.
Diante da blindagem nos meios tradicionais, Altamiro Borges destaca a importância da internet para manter o assunto em pauta.
“Essa nova mídia é que tem cumprido um papel fundamental na denúncia, a blogosfera e as redes sociais é que têm cutucado o tema. No geral, a grande mídia está cúmplice, houve um pacto mafioso em defesa da Veja”, afirma.
Manifestações
Em 8 de maio, a União da Juventude Socialista (UJS) realizou um ato de protesto contra a relação da revista Veja com Cachoeira. O ato foi realizado em frente ao prédio da editora Abril, em São Paulo (SP) e pediu a convocação de Civita na CPMI.
No mesmo dia, o assunto foi um dos mais comentados no microblog twitter, com a tag “#CivitanaCPI”.

No Brasil de Fato

quinta-feira, 24 de maio de 2012

CPMI: Silêncio foi arma de assassino e chefe do tráfico

CPMI: Silêncio foi arma de assassino e chefe do tráfico



Carlinhos Cachoeira não foi o primeiro acusado de crimes graves e de grande repercussão na sociedade a utilizar-se do direito de ficar calado para esvaziar os processos em que foram denunciados. 
Um dos casos mais famosos é o do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Assim como Cachoeira, o chefão da facção criminosa que controlava a favela da Rocinha era considerado um arquivo vivo de informações sobre a corrupção de policiais e políticos com quem se relacionava. No entanto, em janeiro deste ano, ele optou por se calar ao ser ouvido, via videoconferência, pelo juiz responsável por seu processo.
Outro notório criminoso que utilizou do mesmo precedente foi Lindemberg Alves, que manteve em cárcere privado a namorada, Eloá Cristina Pimentel, de apenas 15 anos, e um grupo de amigos da jovem durante cerca de 100 horas. Lindemberg, que respondeu por 11 crimes, entre eles o assassinato de Eloá, também escolheu ficar em silêncio no seu depoimento à Polícia Civil de São Paulo e na primeira audiência do caso, na qual foi interrogado.
Como diria o sábio, "não há roubo com barulho. O ladrão rouba em silêncio"

terça-feira, 22 de maio de 2012

Depois de rir na CPI: STJ decide manter Carlinhos Cachoeira na prisão

Agora quem ri sou eu: STJ decide manter Carlinhos Cachoeira na prisão

Na CPI o contraventor riu, zombou de todos e todas, agora, querido quem sou eu.

Sérgio Lima/Folhapress



 Agência Brasil
Brasília – Os ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram, por 3 votos a 1, manter preso o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. Ele foi preso em fevereiro, como resultado da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que investigou a exploração ilegal de jogos em Goiás e constatou a atuação de uma rede criminosa envolvendo autoridades públicas e empresários.
O julgamento do habeas corpus de Cachoeira começou na semana passada, mas foi interrompido por um pedido de vista do desembargador convocado Adilson Macabu, que alegou estar com “inquietações jurídicas”. Na ocasião, o placar já estava em 3 votos a 0 pela manutenção da prisão de Cachoeira e havia poucas chances de algum ministro mudar de posição.
Na retomada do julgamento nesta tarde, Macabu disse que não há motivo para manter Cachoeira preso neste momento do processo. “A prisão é última medida a ser tomada antes da sentença final. Medidas alternativas não representam impunidade”, disse o desembargador.
Em vez da prisão, Macabu propôs que Cachoeira fosse proibido de sair de Goiânia, onde mora, se apresentasse periodicamente a um juiz e que entregasse o passaporte à Justiça, para não poder deixar o país.
Na semana passada, Macabu criticou a "espetacularizaçao das prisões" e disse que há uma preocupação “em prender todo mundo, desde que a notícia dê Ibope [audiência]". Ele também sinalizou nesta tarde que o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que responde a inquérito em liberdade, pode ter mais influência que Cachoeira no suposto esquema criminoso.
A maioria a favor da prisão de Cachoeira começou com o voto do relator do processo, ministro Gilson Dipp, para quem o Estado “não pode ser ameaçado pelo envolvimento de seus agentes de segurança na organização criminosa”, da qual Cachoeira é "membro essencial". O ministro também disse que medidas alternativas à prisão não impediriam as atividades combatidas.
Os ministros Jorge Mussi e Marco Aurélio Bellizze também afirmaram que Cachoeira não pode ser solto no momento em que as provas do inquérito ainda estão sendo colhidas. “A liberdade prejudicará muito a instrução [do processo] e a ordem pública”, justificou Bellizze.
A ministra Laurita Vaz, relatora original do pedido de habeas corpus, se declarou impedida de participar do julgamento porque mantém relacionamento social com pessoas ligadas a Cachoeira.
Inicialmente, Cachoeira foi para um presídio federal em Mossoró (RN) e, depois, transferido para o Presídio da Papuda, em Brasília, onde está desde abril. Na tarde de hoje (22), o empresário goiano deixou a prisão temporariamente para depor na comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que leva o nome dele.

domingo, 6 de maio de 2012

Cachoeira chegou ao governo Serra

Cachoeira chegou ao governo Serra


Além de Marconi Perillo, governador de Goiás, outro tucano ilustre parece ter se envolvido com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e os seus esquemas ilegais e imorais. Quando governou São Paulo, José Serra fez alguns negócios esquisitos.

A revelação está na revista IstoÉ que chegou às bancas, em reportagem de Pedro Marcondes de Moura.

Os desdobramentos da Operação Monte Carlo, que investiga as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com governos estaduais e municipais, chegaram ao principal bunker da oposição: o Estado de São Paulo. Em Brasília, parlamentares que compõem a “CPI do Cachoeira” já tiveram acesso a conversas telefônicas gravadas com autorização judicial entre junho do ano passado e janeiro deste ano. Elas apontam que a construtora Delta, braço operacional e financeiro do grupo do contraventor, foi favorecida nas gestões de José Serra (PSDB) e de seu afilhado político Gilberto Kassab (PSD) na prefeitura e também quando o tucano ocupou o governo do Estado. Em 31 de janeiro deste ano, por exemplo, Carlinhos Cachoeira telefona para Cláudio Abreu, o representante da empreiteira na região Centro-Oeste, atualmente preso sob a acusação de fraudar licitações e superfaturar obras. Na ligação, o bicheiro pergunta se Abreu teria conversado com Fernando Cavendish, oficialmente o dono da construtora, sobre “o negócio do Kassab”. Em seguida, diz a Abreu que o prefeito de São Paulo “triplicou o contrato”. Essa conversa, segundo membros da CPI e do Ministério Público de São Paulo, é um dos indícios de que a organização de Cachoeira também teria atuado com os tucanos e seus aliados em São Paulo. “Os depoimentos de Cachoeira e Abreu serão fundamentais para que se descubra o alcance das relações entre a empreiteira e políticos”, diz o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). 


Cliquem aqui e leiam a íntegra da reportagem.

domingo, 29 de abril de 2012

Na política brasileira, Carlinhos Cachoeira tem hoje força incomparável; está muito além da PF

Na política brasileira, Carlinhos Cachoeira tem hoje força incomparável; está muito além da PF 


Coisa de profissional - Janio de Freitas

CPI mista de Senado e Câmara, Conselho de Ética do Senado e a agitação pré-campanha eleitoral das eleições municipais -é uma salada experimental bastante criativa, embora de sabor incerto, que será preparada em maio para servir-se em junho, quando as pré-candidaturas e as já candidaturas estarão fumegando.

Tal entrelaçamento, por si só, torna possíveis dois rumos: a CPI ou o conselho ou ambos se esvaziam em poucas semanas, ou, em direção oposta, se entrelaçam em um processo capaz de efeitos muito além dos presumidos.

Dentre os fatores que decidirão entre um sentido e outro, Carlos Augusto Ramos, ou Carlinhos Cachoeira, tem a primazia absoluta.

Na política brasileira, Carlinhos Cachoeira tem hoje força incomparável. As gravações e a investigação (da qual não se tem notícia) feitas pela Polícia Federal são capazes de produzir muitos abalos.
A depender, primeiro, de até onde sejam liberadas; depois, de até onde sejam utilizadas. Nunca se tem certeza de uma coisa nem a influência necessária para a outra (nesta última carência, o caso Renan Calheiros e suas vaquinhas milagrosas é exemplar).

Mas Carlinhos Cachoeira está muito além da Polícia Federal.

Quem se dá ao cuidado de comprar telefones com pretensa proteção contra gravações, e os distribui para uso com seus interlocutores especiais, não é amador. Carlinhos Cachoeira é profissional.
Suas providências para contar com o auxílio da Receita Federal e da Infraero, ao voltar dos Estados Unidos a Brasília, são sugestivas, tratando-se de alguém afeito a telefones protegidos, câmeras, microfones e gravadores imperceptíveis, e outras últimas gerações.

E afeito já experimentado. O vídeo que Carlinhos Cachoeira divulgou no começo do governo Lula, com Waldomiro Diniz lhe pedindo comissão, foi feito bem antes. Tem mais de dez anos. O que indica precauções profissionais muito anteriores ao uso recente de telefones Nextel.

A dedução lógica é a de que esse profissional não deixou, jamais, de registrar, por algum ou por todos os modos possíveis, cada palavra e cada ato capaz de desestimular, se necessário relembrá-lo, uma simples recusa, quanto mais a insensatez de uma hostilidade.

Companheiros, sócios, amigos, muito bem agraciados com favores, presentes e recompensas aos serviços e às boas relações.

Aos contatos novos, a simpática abertura de relacionamento, sempre à disposição. É muita gente, foram muitos serviços e negócios, foram muitas recompensas. Mas profissional sabe o que é a vida e não dispensa as maneiras de acautelar-se contra suas armadilhas.

Ou alguém pensaria que os temores e os medos que mal se disfarçam, em Brasília e em vários Estados, com relação à CPI e em todos os pisos da política e dos negócios sombrios, são uma epidemia de transtornos psicológicos?

Carlinhos Cachoeira nem precisaria mostrar muito. Não é certo nem sequer que mostre alguma coisa porque pode ter ainda a esperança de amparos e saídas que o salvem do futuro amargo. Esperança inútil, tudo indica. E talvez o caminho oposto é que o levasse à solução menos onerosa. Embora a menos desejada por todas as partes da salada de agitações: a delação premiada, ou algo assim.



Vi no ConteúdoLivre

sábado, 28 de abril de 2012

Parece que o esgoto não tem fim: Demóstenes 'trabalhou' com Gilmar Mendes para levar ao STF ação da Celg, diz PF

Parece que o esgoto não tem fim: Demóstenes 'trabalhou' com Gilmar Mendes para levar ao STF ação da Celg, diz PF

No diálogo que ocorreu no dia 16 de agosto de 2011, Demóstenes demonstra intimidade com o ministro


Demóstenes Torres - André Dusek/AE
André Dusek/AE
Demóstenes Torres
Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, o parlamentar afirma a Cachoeira que ter trabalhado junto com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes para levar à máxima corte do país uma ação bilionária envolvendo a Companhia Energética de Goiás (Celg). No diálogo, que durou pouco menos de quatro minutos e ocorreu no dia 16 de agosto de 2011, Demóstenes demonstra intimidade com o ministro ao tratá-lo apenas como "Gilmar".  
"Conseguimos puxar para o Supremo uma ação da Celg aí, viu? O Gilmar mandou buscar. Deu repercussão geral pro trem aí", contou o senador, referindo-se a um instrumento processual que permite aos ministros escolherem os recursos que vão julgar de acordo com a relevância jurídica, política, econômica ou social.
Considerada por muitos políticos goianos má "caixa preta" do governo do Estado, a Celg estava imersa em dívidas que somavam cerca de R$ 6 bilhões. Demóstenes avaliou a Cachoeira que Gilmar Mendes conseguiria abater cerca de metade do valor com uma decisão judicial. "Dependendo da decisão dele, pode ser que essa Celg... essa Celg se salva (sic), viu?", disse. "Eu acho que esse trem pode dar certo, viu?ele que consegue tirar uns dois... três bilhões das costas da Celg. Aí dá uma levantada, viu?"
Ao que Cachoeira responde: "Nossa senhora! Bom pra caceta, hein?"
Demóstenes e Gilmar Mendes foram motivo de polêmica quando, em 2008, a revista Veja publicou uma reportagem com uma suposta conversa entre ambos que teria sido grampeada ilegalmente. Os dois confirmaram a existência da conversa, mas a revista nunca publicou o áudio do diálogo.
A Celg foi motivo de m embate no Estado de Goiás quando, no fim de 2010, o então governador eleito Marconi Perillo (PSDB) anunciou, durante o período de transição, que não cumpriria um acordo costurado entre a gestão Alcides Rodrigues (PP) e o governo federal, que previa empréstimos da Caixa Econômica Federal (CEF) ao Estado de Goiás para tirar a companhia energética do atoleiro. A justificativa da equipe marconista era que o acordo continha cláusulas prejudiciais ao Estado. O governo Alcides viu motivação política na decisão da equipe de transição. Um ano depois, no fim de 2011, Marconi fechou um acordo com o governo federal para transferir à União o controle acionário da Celg, que foi federalizada.
O 'Estado' não conseguiu encontrar o senador e o ministro do STF para comentarem a gravação.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

PF não dá moleza a Carlinhos Cachoeira e fontes da PF afirmam que Cachoeira tem medo de ser assassinado

PF não dá moleza a Carlinhos Cachoeira e fontes da PF afirmam que ele tem medo de ser assassinado


Os delegados da polícia estão pressionando o bicheiro para que faça um acordo de delação premiada e entregue todo o esquema de corrupção que foi montado, informa Leandro Mazzini, da Coluna Esplanada



PF pressiona Cachoeira por delação premiada
Os delegados da Polícia Federal fazem pressão para que o contraventor Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, entre na delação premiada e entregue a quadrilha toda. Para pressioná-lo, não lhe dão vida fácil. Cachoeira foi colocado num camburão e viajou nele por três horas e 50 minutos pela estrada da penitenciária de Mossoró (RN) até Natal. Ali, nada de jatinho: embarcou num avião comercial, com escala, ouvindo ironias dos passageiros. E, no presídio da Papuda, em Brasília, está em cela com 22 detentos. A situação só melhora se ele começar a falar o que sabe.
Jatinho, só o advogadoJá seu advogado, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, foi de jatinho até Mossoró para orientar o cliente. E mandou ele não abrir a boca nem para assoviar.
MedoFontes da PF afirmam que o bicheiro tem medo de ser assassinado. A segurança será reforçada nas suas idas à CPI mista no Congresso.

No Congresso em Foco

quinta-feira, 19 de abril de 2012

CPI em problemas

CPI em problemas

Janio de Freitas


A CPI talvez não ache fatos reais com sensacionalidade proporcional à expectativa criada na opinião pública 

A CPI que se oficializa hoje, para receber as indicações partidárias de seus integrantes, traz consigo um risco incomum. Inúmeras CPIs decepcionaram a opinião pública por refrearem, submetidas a interesses políticos e empresariais, as apurações de fatos e responsabilidades já bem caracterizados pelas denúncias e pelo noticiário.

A nova CPI, antecedida por farto escândalo de comunicação, talvez não encontre, nas atividades de Carlos Cachoeira que lhe cabe investigar, fatos reais com sensacionalidade proporcional à expectativa criada na opinião pública. Seria a frustração por outra via.

A não ser que a Polícia Federal esteja escondendo constatações muito graves, a CPI está diante de um problema difícil.

Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é o assunto oficial da CPI, mas o que deu origem ao caso não foi ele nem foram suas atividades. Foi o pasmo com as relações do senador Demóstenes Torres e Cachoeira. Daí por diante, a própria Polícia Federal, abastecedora e incentivadora do noticiário, em doses de magreza suspeita, estimulou a mistura de fatos, especulações e possíveis iscas no noticiário. Todos com o mesmo tratamento e postos no mesmo nível.

De certo, porém, é que o multiempresário Carlos Augusto Ramos carrega consigo o Carlinhos Cachoeira, controlador de jogos ilegais por caça-níqueis. Como todo contraventor da sua especialidade, tem contato com políticos dos vários níveis, presta-lhes e deles recebe apoio de diferentes gêneros. No país todo, contraventores são íntimos tanto de políticos quanto da polícia. Pelos mesmos motivos.

Notabilizados por filmar e divulgar o pedido de alta propina que lhe fez Waldomiro Diniz, para assegurar-lhe a vitória em licitação na Caixa, Carlos Augusto Ramos e Carlinhos Cachoeira não constam, nos vazamentos da PF, como autores ou mandantes de crimes de morte.

Ou de outros usos da violência criminosa. Corrompem. Em benefício de sua atividade contraventora e em benefício de sua atividade empresarial. São agentes de corrupção nos níveis governamentais de prefeituras, Estados e no federal.

Desse currículo vem uma indagação: por que Carlinhos Cachoeira, preso em Goiás, foi mandado para uma penitenciária de segurança máxima em Mossoró, Rio Grande do Norte, própria para criminosos socialmente perigosos e autores de crimes monstruosos? Onde nem lhe foi permitido ter conversa direta com sua advogada?

Sobretudo se, menos de 24 horas depois, uma juíza considerava inexistir motivo para Carlinhos Cachoeira estar em prisão de segurança máxima, estar impedido de contato direto com a advogada, e estar no Rio Grande do Norte, e não em Goiás e Brasília sob condições normais de prisão.
CPI e Polícia Federal não precisam buscar as respostas. É assunto, grave e urgente, para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e para a corregedoria e o pleno do Conselho Nacional de Justiça.
Tudo indica a repetição de uma brutalidade contra a legislação penal, contra a legislação de direitos humanos, e nostálgica dos modos da ditadura.

Contraventor, criminoso, ou lá o que seja, em democracia tem que ser tratado em respeito às leis do regime: Mossoró não é Guantánamo.

Oposição e governistas, representadas nas relações de Carlinhos Cachoeira, não querem aprofundar na CPI as investigações de políticos. Mas, se a PF não esconde um arsenal para abri-lo quando lhe convier -sabe-se lá porquê e para quê, a CPI de Carlinhos Cachoeira vai ser mesmo a CPI dos seus políticos. E ninguém sabe quantos, quais são e de que partidos.



No ConteúdoLivre

terça-feira, 17 de abril de 2012

O que o MP e a PF só podem fazer com autorização da Justiça, Carlinhos Cachoeira fazia despudoradamente, e a Veja disso se serviu em banquete

O que o MP e a PF só podem fazer com autorização da Justiça, Carlinhos Cachoeira fazia despudoradamente, e a Veja disso se serviu em banquete

Às favas todos os escrúpulos!


Ernesto Marques




A história registrou a célebre frase do então ministro do trabalho da ditadura, Jarbas Passarinho, no nascimento do AI-5: "Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência." Com a mesma licença reivindicada pela revista Veja e pelos colegas jornalistas que assinam o texto relacionado à capa, qualquer um pode se sentir à vontade para escrever, por exemplo, que a frase de Passarinho fora lembrada entre gargalhadas nas conversas dos editores, no fechamento da edição que está nas bancas. Então, às favas todos os escrúpulos de consciência? Isso pode ser qualquer coisa, menos jornalismo.
Fundamental que a ordem estabelecida garanta a qualquer pessoa a liberdade de pensar, se expressar e se manifestar sem restrições. Mas no que se refere à liberdade de imprensa, em respeito à memória de colegas como Vladimir Herzog, cabe aos jornalistas um zelo especial por um princípio basilar de qualquer democracia que se respeite. O êxito coletivo dos jornalistas no cumprimento de seu papel social depende do uso equilibrado da liberdade de imprensa. Talvez possamos dispensar códigos escritos, mas é fundamental termos alguma clareza sobre padrões de conduta. Os excessos eventualmente cometidos, em última análise se convertem em atentados contra a liberdade de imprensa.
A referência à fatídica reunião que institucionalizou a censura e a repressão política não é mera provocação. Nem toda agressão à imprensa livre vem de governos ou de qualquer agente externo ao meio da comunicação social. Nesse caso o golpe vem de uma das maiores redações do país. Preceitos constitucionais estavam a ser violados pela ação de arapongas contratados por um sujeito acusado de comandar atividades ilegais, e o resultado dessas violações abasteceu páginas e mais páginas da revista. O que o Ministério Público e a Polícia Federal só podem fazer com autorização da Justiça, Carlinhos Cachoeira fazia despudoradamente, e Veja disso se serviu em banquete.
Razoável que a revista do Dr. Roberto Civita defenda seus métodos nada ortodoxos - diria murdochianos - de obter informações. Risível que tente fazer isso e, ao mesmo tempo, negar ao país a verdade inteira sobre a dimensão de um grande e tentacular esquema de corrupção. Veja tenta convencer o Brasil de que é nada mais que uma manobra diversionista do governo, subestimando a inteligência do mais anti-petista de seus leitores.
Defendo até a morte o direito de a revista do Dr. Roberto Civita dizer o que quiser e bem entender, mas tratar "aquilo" como reportagem ofende a profissão. Liberdade de imprensa não é uma panaceia a justificar qualquer coisa.

No Brasil247

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Defesa de Carlinhos Cachoeira pode usar CPI da Privataria a seu favor

Defesa de Carlinhos Cachoeira pode usar CPI da Privataria a seu favor


Os dos principais casos de corrupção deste ano estão prestes a se unir. De acordo com o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), a defesa de Carlinhos Cachoeira pode impedir o começo dos trabalhos da CPI sobre suas fraudes graças à Privataria Tucana. Isso porque o regimento interno da Câmara dos Deputados dita que uma nova comissão de inquérito só pode ser instaurada após o começo da anterior. O problema é que, até agora, a CPI da Privataria ainda está em espera. 
Acordo eleitoral
"Estão segurando a CPI da Privataria porque ela pode beneficiar ou prejudicar o ex-governador José Serra (PSDB-SP) nas eleições municipais de São Paulo. Não querem que ela vire palanque política para nenhum dos dois lados e ela só deve sair depois das eleições. A defesa do Cachoeira pode aproveitar isso para barrar qualquer CPI a respeito dele, já que o regimento interno dita que a Privataria deverá ser investigada primeiro, pois ela já foi protocolada", explicou Protógenes. 
Ainda de acordo com o parlamentar, acordos entre as lideranças da Câmara poderiam alterar a ordem da abertura de CPIs, mas se alguém questioná-la através do regimento interno, as chances de barrá-la são grandes. 
Impunidade
Responsável pelo pedido de abertura das duas comissões de inquérito, Protógenes Queiroz pediu agilidade na Câmara para a apuração das denúncias contra Demóstenes Torres e José Serra. 
"Tanto no caso do Carlinhos Cachoeira quanto no do José Serra, alvo das denúncias do livro 'A Privataria Tucana', estamos diante de esquemas de corrupção que são uma verdadeira afronta à sociedade e aos Três Poderes. A Câmara precisa dar uma satisfação à população e investigar isso o quanto antes", reforçou. 

no JB

quarta-feira, 28 de março de 2012

Que maravilha!!! Demóstenes não quer um julgamento político, ele não quer ser cassado.



Que maravilha!!! Demóstenes não quer um julgamento político, ele não quer ser cassado. 

Demóstenes apela a Renan para evitar processo de cassação


Abalada pela revelação de sua intimidade como bicheiro Carlinhos Cachoeira, o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), fez ontem um apelo ao líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Demóstenes pediu apoio de Renan para evitar que seu caso seja julgado de forma política. O democrata quer se defender no âmbito judicial. A explicação é um eufemismo: ao dizer que quer evitar um julgamento político Demóstenes está, na verdade, pedindo para evitar um processo que comece no Conselho de Ética da Casa e desemboque em um pedido de cassação de mandato.




Felipe Patury na Época

quinta-feira, 15 de março de 2012

E os senadores que o defenderam não vão pedir desculpas ao povo brasileiro?: Demóstenes vira vidraça no DEM por ligação sigilosa com Carlinhos Cachoeira

E os senadores que o defenderam não vão pedir desculpas ao povo brasileiro?: Demóstenes vira vidraça no DEM por ligação sigilosa com Carlinhos Cachoeira


Demóstenes
O senador Demóstenes Torres tinha uma 'linha quente' para falar com o bicheiro
A notícia de que o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, habilitou em Miami 15 aparelhos de rádio, da marca Nextel, e os distribuiu entre pessoas de sua mais estrita confiança, sendo uma delas o senadorDemóstenes Torres (DEM-GO), servirá de base para a instalação de um processo disciplinar contra o parlamentar da ultradireita, que poderá terminar expulso da legenda, a exemplo do ex-governador de Brasília José Roberto Arruda, que caiu após o Escândalo dos Panettones. Documento da 11ª Vara da Justiça Federal, em Goiás, vazado para a revista Época, que integra o conjunto de veículos de comunicação da Rede Globo, revela que o propósito deCachoeira, segundo a Polícia Federal, era evitar que escutas telefônicas, legais ou ilegais, captassem suas conversas com os comandantes de uma rede de exploração ilegal de máquinas caça-níqueis em Goiás e na periferia de Brasília.
Nos relatórios da investigação, o grupo contemplado com os rádios é chamado de “14 + 1”. Entre os 14, há foragidos e os que foram presos com Carlinhos Cachoeira durante a Operação Monte Carlo, da PF. O “1” é o senador Demóstenes Torres, diz a revista.
Conversa reservada
A revista também ouviu o senador Demóstenes, em seu gabinete no Senado. “Ele estava acompanhado de seu advogado Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay. Indagado se havia recebido um aparelho de rádio para conversas exclusivas com Cachoeira, Demóstenes pediu licença para ter uma conversa reservada com seu advogado antes de responder à pergunta. Cinco minutos depois, disse à reportagem que, por recomendação do advogado, não faria declarações sobre o assunto. A interlocutores, no entanto, o senador goiano confirmou que recebeu o aparelho de Cachoeira, que foi usado exclusivamente em conversas entre os dois. Segundo Demóstenes, nos quase 300 diálogos com Cachoeira, gravados pela Polícia Federal com ordem judicial, não há nada que o comprometa”, afirma o texto da reportagem.
“São conversas entre amigos, só há trivialidades”, teria dito o parlamentar aos repórteres.
Tais escutas permitiram que os investigadores descobrissem que Cachoeira deu a Demóstenes uma geladeira e um fogão importados como presente de casamento, dos quais o líder do DEM no Senado não pretende abrir mão.
Segundo a investigação, Carlinhos Cachoeira resolveu habilitar os 15 rádios Nextel em Miami porque “arapongas lhe asseguraram que, assim, eles escapariam de grampos telefônicos. Segundo o Ministério Público Federal, Cachoeira seguiu orientação do delegado da Polícia Federal Fernando Byron e do ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, também presos na Operação Monte Carlo”, acrescenta a reportagem.
“Para azar deles e sorte da sociedade, a Polícia Federal conseguiu realizar a interceptação telefônica. E isso mudou todo o rumo da investigação”, afirmou o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, na decisão judicial que autorizou a operação Monte Carlo, na qual Demóstenes foi flagrado.


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