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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Divulgação de conversas entre editor da Veja e Carlinhos Cachoeira apontam que a falta de ética pode ser o menor dos problemas

Divulgação de conversas entre editor da Veja e Carlinhos Cachoeira apontam que a falta de ética pode ser o menor dos problemas


A queda da paladina da informação

Foto: José Cruz/Agência Brasil

A divulgação de conversas telefônicas entre o diretor da sucursal de Brasília da revistaVeja, Policarpo Junior, e o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, reacendeu o debate sobre a ética no jornalismo. O caso da Veja, porém, pode ir além do julgamento sobre o bom ou mau exercício da profissão. Revelações mais recentes de diálogos indicam um grau de intimidade tão forte entre os envolvidos que colocam a publicação sob suspeita.
Mais de 200 telefonemas interceptados pela Polícia Federal mostram a proximidade entre Policarpo e pessoas ligadas a Cachoeira. Nas conversas, questões que vão além da relação convencional e da troca de informações entre fonte e jornalista.
E não foram só conversas por telefone. Um levantamento realizado pela Agência Carta Maior, baseado no inquérito 3430, resultado da Operação Monte Carlo, evidencia pelo menos dez encontros entre o editor da Veja em Brasília e integrantes do esquema de Cachoeira. Com o próprio bicheiro foram quatro encontros.
Suspeito
O jornalista e professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), Venício Artur de Lima, é cauteloso ao lembrar que as gravações divulgadas até o momento são apenas fragmentos de todo um conjunto de informações. Entretanto, ele afirma que, pelos diálogos já tornados públicos, é possível supor algo além de relações “normais” entre Veja e Cachoeira.
Ele sustenta que, no jornalismo, o objetivo da fonte é passar ao jornalista informações que sejam relevantes ao interesse da sociedade. Diferente do que ocorreu neste caso, as informações transmitidas a Policarpo Junior eram utilizadas em benefício do próprio Cachoeira.
Outro fator que causa estranheza, segundo Lima, é o fato de Cachoeira assumir o comando da revista em algumas situações. Em uma das gravações, Policarpo pede ao bicheiro onde publicar uma nota. Seu interlocutor responde que poderia ser no “Radar” (uma das seções da semanal) ou na página da revista na internet. Para o professor, trata-se de uma “relação desvirtuada”.
“Se você tem a fonte construindo a pauta do jornalista, em nível de detalhe de indicar inclusive onde ele, de acordo com seus interesses de fonte, julga que é mais conveniente que a informação seja publicada, naturalmente há uma inversão que coloca [a relação] sob suspeita”, afirma.
Falta de ética, no mínimo
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schroeder, também condena a relação entre o editor da semanal e Cachoeira, que visa, segundo ele, a objetivos que passam longe do interesse público.
“Infelizmente isso não é de agora, a Veja já vem há algum tempo abandonando o jornalismo e exercendo uma atividade que beira, muitas vezes, a atividade político-partidária e, nesse caso, a contravenção”, diz.
Para o presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, o caso vai muito além de um problema ético da revista.
“Se você é pautado pelo corrupto, você é corrupto também. A Veja não é só um problema ético, é um problema criminal. O Roberto Civita não devia estar sendo chamado, se é que os parlamentares vão ter coragem, só pra depor na CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito]. Devia ser chamado pra depor na delegacia”, afirma.
Nosso Murdoch
O caso da Veja tem sido comparado ao episódio do tablóide inglês News of the World. Investigações apontaram que o jornal, pertencente ao conglomerado de Rupert Murdoch, valia-se de escutas ilegais, obtidas junto à Scotland Yard, para obter informações exclusivas de personalidades do mundo político e artístico. As denúncias levaram à perda sucessiva de anunciantes, que culminou no fechamento da publicação.
Para Borges, as comparações não só são válidas como deixam a semanal brasileira em uma situação pior do que a inglesa.
“No caso Murdoch, provou-se até agora que os órgãos de imprensa corrompiam autoridades, mantinham relações muito íntimas com os governantes do Reino Unido, promoviam escutas ilegais e clandestinas. No caso do Civita, é mais do que isso. É relação com o crime organizado”, acusa.
Silêncio e defesa
As denúncias envolvendo o tablóide de Murdoch vieram à tona por meio do jornal The Guardian, um dos mais tradicionais da Inglaterra. Por aqui, a postura da imprensa é bem diferente. A divulgação das informações que colocam em xeque a credibilidade da revista de maior circulação no Brasil tem ficado restrita, até agora, à Rede Record, à revista Carta Capital e à internet. Em vez de censuras ou condenações por parte da mídia corporativa, aVeja tem recebido apoio explícito ou, no mínimo, um silêncio aliado.
A principal defesa, até agora, partiu de um editorial do jornal O Globo. Além de defender o diretor do Grupo Abril, Roberto Civita, das comparações com Murdoch, o texto diz, entre outras coisas, que “blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista Veja”.
Blindagem
O presidente da Fenaj critica a defesa incondicional em favor da Veja. Para ele, é dever da categoria apoiar toda investigação que leve à elucidação dos fatos.
“Eu tenho visto alguns colegas temerosos de que isso se reverta em uma cruzada contra a imprensa. Ao contrário, é nossa obrigação como jornalistas e como entidade depurar e indicar para a sociedade o que achamos que é bom jornalismo e mau jornalismo”, afirma.
Para o integrante do Coletivo Intervozes João Brant, é igualmente lamentável que os veículos utilizem o argumento da defesa da liberdade de imprensa para proteger a Veja e seus profissionais.
“A liberdade de imprensa é uma garantia constitucional para se defender a liberdade de expressão e o direito à informação. Liberdade de imprensa não é um direito, é uma garantia”, diz.
Diante da blindagem nos meios tradicionais, Altamiro Borges destaca a importância da internet para manter o assunto em pauta.
“Essa nova mídia é que tem cumprido um papel fundamental na denúncia, a blogosfera e as redes sociais é que têm cutucado o tema. No geral, a grande mídia está cúmplice, houve um pacto mafioso em defesa da Veja”, afirma.
Manifestações
Em 8 de maio, a União da Juventude Socialista (UJS) realizou um ato de protesto contra a relação da revista Veja com Cachoeira. O ato foi realizado em frente ao prédio da editora Abril, em São Paulo (SP) e pediu a convocação de Civita na CPMI.
No mesmo dia, o assunto foi um dos mais comentados no microblog twitter, com a tag “#CivitanaCPI”.

No Brasil de Fato

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A ética da Veja: ensinamentos de jornalismo ou de hipocrisia

A ética da Veja: ensinamentos de jornalismo ou de hipocrisia


No O Ornitorrinco


Jorge Gregory*

Na condição de ex-professor de jornalismo, mais especificamente da disciplina de Planejamento Editorial, tive a paciência de ler por diversas vezes o artigo do diretor de redação da revista VEJA, Eurípedes Alcântara, intitulado “Ética jornalistica: uma reflexão permanente”, onde procura justificar a relação do veículo com Carlinhos Cachoeira. Poderiamos escrever uma tese para demonstrar que longe de nos oferecer ensinamentos de jornalismo e ética, o referido diretor nos agracia com uma verdadeira aula de hipocrisia.  



Nos basta, porém, analisar exclusivamente o argumento principal de Alcântara para confirmamos esta hipótese.

Para justificar a relação do veículo com o referido personagem, o senhor Eurípedes usa como alicerce para o seu texto a afirmação de que “o ensinamento para o bom jornalismo é claro: maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações”. Para sustentar a sua tese, o mesmo faz uma analogia de tal situação com a de um conhecido intrumento judicial, afirmando que “um assassino que revela na cadeia um plano para assassinar o presidente da República é possuidor de uma informação de interesse público – e pelo mecanismo da delação premiada ele pode ter sua pena atenuada ao dar uma informação que impeça um crime ainda pior do que o cometido por ele. Portanto, temos aqui uma situação em que a informação é de qualidade e o informante não, por ser um assassino”. Desta forma, o diretor da Veja procura nos convencer de que o relacionamento do veículo com Cachoeira foi ético e que a revista visava exclusivamente o interesse público.


De imediato, não podemos prosseguir sem deixar claro que a concessão do benefício da delação premiada compete exclusivamente ao poder judiciário, e não a quaquer policial e muito menos a um jornalista ou veículo de imprensa. Faz-se necessário esclarecermos também que tal benefício só pode ser concedido a indivíduo que não só se dispõe a delatar, mas que também demonstre arrempendimento de seus crimes e que ofereça garantias de abandono da atividade criminosa. A mesma é firmada por escrito e na forma de contrato.


Fica claro, portanto, para qualquer pessoa com um mínimo de inteligência, que a analogia proposta por Eurípedes Alcântara é absolutamente descabida. Mas uma vez que a mesma foi feita, podemos utilizá-la para aprofundar a demonstração de o quanto é hipócrita a argumentação do referido diretor.


Suponhamos que um determinado criminoso procure um juiz ou promotor e se disponha a delatar um rival, oferendo provas da atividade criminosa. A condição da delação proposta é a de que, caso venha a ocupar a atividade criminosa deste rival, não será denunciado ou perseguido por este juiz ou promotor. Convenhamos, não é preciso ser jurista para afirmar categoricamente que tal juiz ou promotor que aceite referida proposta estará se associando ao crime, tornando-se criminoso tanto quanto o delator ou delatado. Não há a menor margem para que os mesmos afirmem que agiram na defesa do interesse público aceitando tal pacto.

Sobre a figura de Carlinhos Cachoeira, a quem a grande imprensa rotula de “contraventor”, há muito é de conhecimento público que suas atividades vão da operação de jogos de azar (contravenção propriamente dita) ao aliciamento de agentes públicos para fraudes licitatórias (crime), passando por todos os tipos de atividades ilegais entre estes dois extremos. Em resumo, fosse “The Godfather” uma obra brasileira e recente, não seria exagero afirmar que Mario Puzo se inspirou no Cachoeira para criar os personagens Vito e Michael Corleone. 


Desde a reportagem em 2005, que desencadeou a crise do mensalão, é de conhecimento público que o flagra no Maurício Marinho foi armado e fornecido à Veja por funcionários de Cachoeira e que o objetivo dos mesmos foi o de retomar o espaço que haviam perdido nos correios para fraudes e outros crimes. Também fica claro hoje, a partir do vazamento dos telefonemas entre Cachoeira e jornalistas da revista, que praticamente todas as reportagens publicadas pela Veja envolvendo corrupção no governo federal tiveram por fonte o “contraventor”. Mais, que todas as informações fornecidas pelo “contraventor” ao semanário tinham por objetivo remover obstáculos ou rivais de posições públicas para ocupar espaços para suas atividades criminosas. As gravações mostram que Cachoeira inclusive influenciava a revista sobre a melhor ocasião e forma de publicar as suas denúncias. 


Alguém deve estar se perguntando se os editores da revista são tão ingênuos, ou até mesmo imbecis, a ponto de não perceberem que foram instrumento da atividade criminosa do senhor Carlinhos Cachoeira nestes últimos sete ou oito anos. Obviamente que não. Tinham plena e total consciência de que estavam se associando a atividade criminosa. 


Estaria eu afirmando que a revista Veja operava também com ações de fraudes em parceria com o Cachoeira?


Não, pois não acredito nesta hipótese. 


Como é possível então explicar esta associação ao crime por parte da revista?


Carlinhos Cachoeira não tem cor política, partidária ou ideológia. Entre outras atividades criminosas, atua em todos os níveis dos poderes públicos, independente de que quem esteja no poder seja vermelho, amarelo, laranja, verde, roxo ou preto. Quando queria detonar algum esquema rival que atuava em um governo de uma cor, usava um determinado meio, quando queria detonar um rival que atuava em um governo de outra cor, usava a revista Veja.


Para a Veja, pouco importava se o esquema de Carlinhos Cachoeira iria roubar mais, menos ou igual àqueles a quem a revista estava detonando no interesse do “contraventor”. O que interessava é que sua associação ao criminoso lhe fornecia artilharia contra os inimigos de seus aliados políticos. Em síntese, esta é a lógica da associação promiscua e criminosa entre as partes.


Assim, seria mais produtivo ao senhor Eurípedes Alcântara, ao invés de tentar nos dar uma aula de boas práticas jornalísticas para justificar a relação da Veja com Cachoeira, simplesmente afirmar que a ética da revista é a mesma de Franklin Roosevelt. Certa feita um assessor do ex-presidente norte-americano o questionou sobre sua aliança com o saguinário ditador nicaraguense Anastácio Somoza, afirmando que o mesmo não passava de um “son of a bitch”. 



Roosevelt respondeu de bate-pronto que “he´s a son of a bitch, but he's our son of a bitch”.

No mínimo seria menos hipócrita.


*Jornalista, consultor em gestão de educação superior, foi professor de jornalismo.



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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ministra Eliana Calmon: Qual ética é ensinada nas faculdades de direito...

Ministra Eliana Calmon: "Qual ética é ensinada nas faculdades de direito..."






Vi no ComTextoLivre

sábado, 26 de novembro de 2011

A ética deles e a nossa

A ética deles e a nossa


Onde você se reconhece: lançando um olhar crítico sobre a sociedade oudisputando a tapas um pacote de waffles?
Hoje é sexta-feira negra (Black Friday) nos Estados Unidos. Ela acontece todos os anos, um dia depois do feriado de Ação de Graças e abre a temporada de compras do Natal. Neste dia, milhares (milhões?) de produtos são vendidos com grandes descontos pelos principais revendedores do país que chegam a abrir suas lojas às 4 da manhã. Para garantir a aquisição destes bens, os americanos fazem grandes filas. Chegam a acampar em frente às lojas, na noite anterior. Disputas e violência física também acontecem com frequência, quando as portas são finalmente abertas e as pessoas têm acesso aos artigos em promoção.
A sequência acima ironiza este movimento. Mostra que o poder quer proibir a crítica doOccupy, mas aceita — e estimula — os acampamentos montados para consumir. E trata como mob (conjunto desordeiro de pessoas, normalmente se comportando de forma ameaçadora) quem reivindica um mundo mais justo, mas vê como normais os que se acotovelam em supermercados ou se estapeiam (veja vídeo) por um pacote de biscoitos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Setores conservadores se apropriam de forma oportunista e distorcida do debate sobre o combate à corrupção



Setores conservadores se apropriam de forma oportunista e distorcida do debate sobre o combate à corrupção

Por Lúcia Rodrigues na Caros Amigos


A corrupção virou tema recorrente nos noticiários da dita grande mídia nos últimos meses. Todos os veículos se esforçam para fazer crer que realmente combatem essa chaga que se espalhou pela sociedade e que são os verdadeiros paladinos da ética. Seria cômico se não fosse trágico. 

Assim como os corruptos e os corruptores, o quarto poder é uma das peças dessa engrenagem que movimentam a corrupção em nosso país. A corrupção é endêmica ao capitalismo, um não vive sem o outro. E como os donos da grande mídia não propõem uma ruptura com o sistema, conclui-se que o discurso propagandeado em defesa da ética é falso, oco, vazio. 

Por isso, o discurso dos comentaristas e o noticiário em geral têm sempre um enfoque moralista, conservador e não revela o que, de fato, está por trás e motiva a corrupção. 

Caros Amigos sai da vala comum e leva ao leitor uma visão que realmente explique qual é o elemento causal e irradiador da corrupção que se alastra na sociedade brasileira. Para isso, entrevistou o cientista político Francisco Fonseca, professor do curso de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, o juiz José Henrique Rodrigues Torres, presidente do Conselho Executivo da Associação dos Juízes para a Democracia (AJD), o historiador Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), e o dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, Valter Pomar. 

Qual deve ser a postura da esquerda em relação aos casos de corrupção no sistema capitalista? 

Francisco Fonseca - A esquerda necessita olhar o tema da corrupção sob dois ângulos: a luta pelo caráter republicano do Estado e ter clareza quanto à opacidade do Estado brasileiro, o que permite a apropriação dos recursos pelas diversas elites. Nesse sentido, a agenda da esquerda deve ser, ao meu ver: máxima transparência do Estado, por meios diversos, e apoio à participação da sociedade organizada no Estado. 

José Henrique Rodrigues Torres – A corrupção tem sido encarada e enfrentada, atualmente, e há muito tempo, no Brasil e, especialmente, no contexto capitalista mundial, sob a égide do neoliberalismo, como um problema de desvio de condutas individuais. E a resposta a essas condutas desviantes, segundo esse discurso dominante, deve ser buscada no âmbito do direito, especialmente do direito penal. Esse é o discurso da direita. Um discurso sedutor, que tem encantado até mesmo a esquerda, que o reproduz. Assim, todas as soluções propostas, tanto pela direita como pela esquerda, são intrassistêmicas e fi cam reduzidas ao âmbito moralista individualizador. Seu objetivo, oculto pela direita e não percebido pela esquerda, é preservar o sistema e, especialmente, sob a ótica neoliberal, transferir o seu controle à iniciativa privada. O corrupto seria, então, um ser imoral ou até mesmo naturalmente amoral, mas o sistema é bom e deve ser preservado. E, como a corrupção seria algo intrínseco ao serviço público, corrupto por natureza, caberia aos setores privados assumir o controle. A direita e a esquerda, assumindo de forma paradoxal um discurso hegemônico, pregam, então, que a corrupção é fruto do desvio moral de condutas individuais e que a impunidade a alimenta. O corrupto é, assim, demonizado em sua individualidade moral e, obviamente, a punição seria a principal solução. Todavia, é preciso lembrar que o direito penal é um forte instrumento de sustentação da estrutura de poder e de controle social. Aliás, é a parte mais repressiva e violenta desse sistema de controle: criminaliza os marginalizados para mantê-los distantes do centro de poder e criminaliza as pessoas dos próprios setores hegemônicos para que sejam mantidos e reafi rmados no seu rol e não realizem condutas prejudiciais aos seus interesses. Tudo é feito, enfi m, com o objetivo de salvar o sistema político e econômico. E o direito penal, no seu processo seletivo de controle social, atinge, primacialmente, os vulneráveis, integrantes dos setores periféricos, ou seja, aqueles que não têm a proteção do sistema, que praticam crimes grotescos e que, por isso, são visibilizados e vulnerabilizados. Mas, há, ainda, aqueles que, posto que integrantes dos setores hegemônicos, praticam também crimes grotescos, o que também os visibiliza e vulnerabiliza. E, fi - nalmente, há aqueles que, por perderem a proteção do sistema, são atingidos também. Aí estão os corruptos. Tem razão Camões: “perdigão que perde a pena, não há mal que não lhe venha”. Enfim, o Sistema Penal, que é essencialmente simbólico e irracional, realiza, na sua atuação pragmática seletiva, um violento controle dos setores marginalizados, possibilita o incremento da faculdade sancionatória arbitrária dos agentes policiais, fomenta a imposição de penas e execuções sem processo e alimenta o conteúdo repressivo e punitivo de ações institucionais que se escondem nos oníricos encantamentos de discursos terapêuticos ou assistenciais. Portanto, é propositadamente falsa a afi rmação de que é possível acabar com a corrupção, adotando-se um sistema punitivo prevencionista, especial ou geral. 

Osvaldo Coggiola - Lutar contra o Estado burguês, cuja estrutura é inseparável da corrupção, assim como o crime é inseparável do capitalismo, sendo inclusive uma fonte de lucros para o capital (indústria do seguro, da segurança, etc.), como mostrou Karl Marx n´ ”O Capital”. Por um Estado-Comuna, pelo governo operário e camponês. Mostrar o vínculo entre corrupção, negócios, e acumulação capitalista. O problema é que 99% da esquerda renunciou a essa luta, porque renunciou à luta contra o Estado burguês, considerada “utópica”. 

Valter Pomar - Denunciar, combater os efeitos e eliminar as causas. Para o quê se faz necessário entender as raízes da corrupção. 


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Jornalista, exonerada por ser ética, combativa e denunciar a bandidagem no Pará

Jornalista, exonerada por ser ética, combativa e denunciar a bandidagem no Pará




Por Fábio Castro.

A jornalista Franssinete Florenzano, editora do blog Uruá Tapera e do jornal de mesmo nome foi exonerada do Tribunal de Contas do Estado por motivos políticos.

Franssi é uma jornalista competente, uma profissional honrada e dedicada ao seu trabalho. Há muito tempo vem sendo perseguida pelos poderes sujos do estado do Pará. Em episódios sucessivos, tem tido seu trabalho de jornalista cerceado. Dentre outros, pelo ex-deputado federal Vic Pires Franco (DEM); pelo atual governador Simão Jatene (PSDB), durante a campanha de 2010; pelo vereador Raimundo castro, presidente da Câmara Municipal de Belém e, ainda, pelo vereador Gervásio Morgado (PP). Recentemente, começou a receber ameaças anônimas.

A demissão da jornalista é resultado da pressão do vereador Morgado sobre o TCE.

Gervásio Morgado, por sua vez, não é um vereador competente. É o autor da proposta de mudar o nome da Travessa Apinagés, o autor de inúmeros atos de perdão de dívidas para com a prefeitura e o mesmo que foi fotografado bebendo cerveja em plena Câmara Municipal.

Esse tipo de situação exige que as pessoas se posicionem. Defender a Franssi é defender a sociedade, pois o trabalho dela é exemplo do jornalismo que interessa à sociedade, ao bem público, ao interesse comum. Um exemplo do jornalismo que não pactua com os interesses pessoais e empresariais que tomam a comunicação e a política, traindo, nelas, sua função elementar.

Essa situação é um abuso de poder político e nos leva a perceber o quanto o estado do Pará tem-se tornado refém desses interesses e de seus poderes sujos.

Não temos jornais, rádios ou TVs, mas temos a internet - e justamente é isso que tem incomodado a gente como Gervásio Morgado. Façamos uso dela: de nossos blogs, do Twitter, das redes sociais, enfim, para ajudar a evidenciar a maneira como as elites paraenses, na sua covardia, ganância e arrogância - sim, e na sua ignorância, é claro - têm abusado de prerrogativas públicas e do poder econômico para cometer injustiças e arbitrariedades.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A imprensa que se indigna com os privilégios é a mesma que incensa a área VIP





....área vip: privilégio para mim, ética para você...


Por Marcelo Semer em seu blog

A imprensa que se indigna com os privilégios é a mesma que incensa a área VIP


Não sou um admirador ferrenho do rock, mas embalado pela companhia estimulante dos amigos das redes sociais, acabei acompanhando os embalos de sábado à noite no sofá, assistindo ao Rock in Rio pela televisão dias seguidos.

Entre uma música e outra, e muitas tuitadas, pude acompanhar o incansável espetáculo das prestigiadas entrevistas da área VIP, mantida pela organização do evento.

As apresentadoras da TV incensavam o lugar: vamos pra lá que tem ar condicionado e canapés para todos.

Todos, no caso, é uma coleção de artistas e apresentadores da própria televisão que transmitia o evento –e sabe-se lá quantas autoridades.

Tudo bem, ao final, muitos comentaram o “dia de rock, bebê”, da Cristiane Torloni, ou a expansiva entrevista de Willian Bonner, a quem nos acostumamos a ver taciturno no Jornal Nacional.

Mas o desfile de subcelebridades que tinham pouco a dizer sobre o evento (além de explicar como deixaram seus filhos em casa num dia e o trouxeram em outro) marcou a transmissão com um quê de revista Caras –aquela que leva seus ricos e famosos para ilhas e castelos.

Afinal de contas, a exclusividade é tudo.

Para quem tanto incensa a área VIP, as pessoas “realmente importantes”, ou, no caso a si mesma, quando se dirige aos próprios atores, fica estranho o discurso moralista que se verá nas edições dos telejornais dos dias seguintes: o respeito à ética e aos postulados republicanos, a indignação com os privilégios, o apelo ao fim do patrimonialismo.

As relações de privilégios (leis privadas, em sua concepção etimológica, que servem a poucos) são altamente nocivas na esfera pública, rompendo a noção de igualdade que a lei deve assegurar.

Mas não nos enganemos: elas só existem no espaço público, porque são assim tão prestigiadas no privado.

A ânsia de levar vantagem, de ter exclusividade, de se diferenciar dos demais está na raiz dos privilégios que o poder distribui –com regras, cargos e verbas selecionadas a dedo a pessoas que sejam “realmente importantes”.

A corrupção é mais filha da desigualdade do que nossa vã filosofia faz supor.

Ou, como diria, Antoine de Saint-Exupéry: Você se torna responsável por tudo aquilo que cativas...

sábado, 3 de setembro de 2011

Globo manipula ao tentar mostrar que o PT comemorou a absolvição de Jaqueline Roriz

Globo manipula ao tentar mostrar que o PT comemorou a absolvição de Jaqueline Roriz


PRIMEIRO ATO

A ENGANAÇÃO IMPONENTE
SEÇÃO I
OS ATRIBUTOS DA INFORMAÇÃO DE QUALIDADE
Para que o jornalismo produza conhecimento, que princípios deve seguir? O trabalho jornalístico tem de ser feito buscando-se isenção, correção e agilidade.
…….
1) A isenção:
…….
v) Uma pessoa poderá ser apresentada como suspeita de crime ou irregularidade quando investigações jornalísticas, feitas segundo os preceitos deste documento, assim permitirem. A reportagem terá de trazer a versão da pessoa acusada, de forma ampla, se ela se dispuser a falar;
…….
2) A correção:
Correção é aquilo que dá credibilidade ao trabalho jornalístico: nada mais danoso para a reputação de um veículo do que uma reportagem errada ou uma análise feita a partir de dados equivocados.
…….
l) Os erros devem ser corrigidos, sem subterfúgios e com destaque. Não há erro maior do que deixar os que ocorrem sem a devida correção;
…….
SEÇÃO II
COMO O JORNALISTA DEVE PROCEDER DIANTE DAS FONTES, DO PÚBLICO, DOS COLEGAS E DO VEÍCULO PARA O QUAL TRABALHA
…….
2) Diante do público:
…….
c) Nenhum veículo das Organizações Globo fará uso de sensacionalismo, a deformação da realidade de modo a causar escândalo e explorar sentimentos e emoções com o objetivo de atrair uma audiência maior.
…….
SEÇÃO III
OS VALORES CUJA DEFESA É UM IMPERATIVO DO JORNALISMO
As Organizações Globo serão sempre independentes, apartidárias, laicas epraticarão um jornalismo que busque a isenção, a correção e a agilidade, como estabelecido aqui de forma minuciosa. Não serão, portanto, nem a favor nem contra governos, igrejas, clubes, grupos econômicos, partidos.
…….
Não haverá, contudo, apriorismos.
…….
Isso não se confunde com a crença, partilhada por muitos, de que o jornalismo deva ser sempre do contra, deva sempre ter uma postura agressiva, de crítica permanente. Não é isso.
http://g1.globo.com/principios-editoriais-das-organizacoes-globo.html#isencao
NÃO?


SEGUNDO ATO

O ATAQUE CERTEIRO


TERCEIRO ATO


O REFORÇO DO ATAQUE
Ancelmo Gois:
http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2011/08/31/a-coluna-de-hoje-402286.asp


QUARTO ATO

A VERDADE AFINAL APARECE


QUINTO ATO


A VITÓRIA DOS PRINCÍPIOS
Cena 1
O jornal faz um convincente mea-culpa.
Cena 2
Os jornalistas são responsabilizados pelo erro grave.
* * * * *
CORREÇÃO: Ato eliminado pelo diretor da farsa.
Nota do blog Frases da Dilma: Caso você seja cético e não confie no Vacarezza, leia na VEJA que está acima de qualquer suspeita, afinal ela faz de tudo para prejudicar o PT:
Jaqueline Roriz não permaneceu em plenário para assistir ao desfecho da votação. O anúncio do resultado foi acompanhado por vaias de manifestantes que acompanhavam a sessão das galerias da Câmara. 


No Contexto Livre