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terça-feira, 7 de maio de 2013

"Violência e intolerância são efeitos colaterais da ligação entre fé e política"

"Violência e intolerância são efeitos colaterais da ligação entre fé e política"

Aliança entre fé e política leva à intolerância religiosa, diz escritora britânica - Entrevista Karen Armstrong

folha de são paulo


REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A violência e a intolerância não são elementos inevitáveis no "DNA cultural" das religiões, mas sim efeitos colaterais da aliança entre fé e política, para os quais as tradições religiosas são capazes de desenvolver antídotos pacifistas.

É o que afirma a escritora britânica Karen Armstrong, 68, que participa do ciclo Fronteiras do Pensamento amanhã, em São Paulo.


Britânica Karen Armstrong diz que violência e intolerância são efeitos colaterais da ligação entre fé e política
Britânica Karen Armstrong diz que violência e intolerância são efeitos colaterais da ligação entre fé e política

Ex-freira, Armstrong estudou literatura na Universidade de Oxford e passou as últimas décadas produzindo documentários e escrevendo livros que investigam a história das grandes tradições religiosas. "A ética da compaixão é o centro de todas essas grandes tradições, e é preciso retomá-la", argumenta.
Por email, ela diz à Folha que o ateísmo radical é produto do fundamentalismo e que está "encorajada" com os sinais de humildade do papa Francisco, embora não espere grandes mudanças.
*

Folha - É comum ouvir dizer que, ao longo da história, o monoteísmo deu impulso à violência e à intolerância porque ele tende a ser exclusivista. A sra. concorda?
Karen Armstrong - Não. Existem fundamentalistas entre os hindus e budistas.
A história mostra que nenhuma fé consegue se transformar numa "religião mundial" se não for adotada por um Estado ou império dinâmico e em expansão.
Como os Estados são inerentemente violentos (nenhum pode se dar ao luxo de acabar com seus exércitos), as religiões acabam adquirindo uma ideologia "imperial".
Mas os monoteísmos também desenvolveram uma alternativa contracultural não violenta. As pessoas é que são violentas, e não as abstrações que chamamos de "religiões".

O que significa ser uma monoteísta "freelance", como a sra. se definiu certa vez? É possível transcender as raízes históricas do judaísmo, do cristianismo e do islamismo e ainda se considerar monoteísta?
Esse é um termo que usei de forma casual e que tem me perseguido desde então. Eu quis dizer que era capaz de obter sustento espiritual das três fés abraâmicas [referência a Abraão, que seria ancestral de judeus e árabes], e que não conseguia ver nenhuma delas como superior.
Depois que afirmei isso, estudei as religiões orientais não teístas, e sou capaz de encontrar igual inspiração nelas.
O termo que aplico a mim mesma hoje em dia é o de "convalescente". Estou em "fase de recuperação" depois de ter uma experiência religiosa ruim quando era moça [Armstrong tornou-se noviça aos 17 e sofreu com a disciplina e as penitências físicas].

Ao ler seus livros, a impressão é que a sra. fala de Deus como um conceito importante, mas que não necessariamente teria base real "lá fora". Se Deus não tem existência objetiva, por que se importar com Ele?
Nossas mentes possuem uma predisposição natural para a transcendência, ou seja, temos ideias e experiências que estão além do alcance de nossa compreensão. Todos nós buscamos momentos de "êxtase", nos quais "ficamos de fora" do nosso eu. Se não encontrarmos isso na religião, vamos buscar tal sensação na arte, na música, na natureza, até no esporte.
Nesses momentos, sentimos que habitamos nossa humanidade de um jeito mais pleno. "Deus" é um símbolo que, se usado de forma apropriada, traz essa experiência.

Como a sra. enxerga o movimento dos Novos Ateus, que defende que os não crentes combatam de forma mais ativa a religião? É o sinal de um futuro cada vez mais secular?
O Novo Ateísmo é, em grande medida, um produto do fundamentalismo religioso, o qual tentou domesticar a transcendência de "Deus" e acabou por transformá-lo em algo inacreditável.
Mas, ao longo da história, os monoteístas, por exemplo, insistiram que "Deus" não é um outro ser e que não podemos dizer que "ele" existe, porque nossa noção do que é a existência é limitada demais.
Na verdade, as pessoas estão ficando enjoadas com [Richard] Dawkins [zoólogo britânico], [Sam] Harris [neurocientista americano; ambos são expoentes dos Novos Ateus] etc. porque eles são agressivos e intolerantes demais. Acho que a Europa está de fato destinada a seguir o caminho do secularismo, mas os EUA continuam sendo um país muito religioso.

Quais são suas impressões sobre o papa Francisco?
Achei muito encorajador quando fiquei sabendo que ele abandonou seu palácio e adotou um estilo de vida mais simples. Mas ele ainda é conservador do ponto de vista teológico e ético, então não espere muitas mudanças!

Vários papas, diante da pressão pelo sacerdócio de mulheres, afirmaram que teologicamente isso seria impossível, já que Jesus escolheu como apóstolos apenas homens. Como vê esse raciocínio?
Eu acho que Jesus ficaria surpreso ao ver qualquer tipo de sacerdócio no "cristianismo". Os primeiros cristãos achavam que os sacerdotes só existiam no paganismo e no judaísmo; o modelo deles era mais igualitário.


RAIO-X KAREN ARMSTRONG
NASCIMENTO
14 de novembro de 1944, em Wildmoor, Reino Unido
FORMAÇÃO
Aos 17 anos, tornou-se noviça e assumiu o nome de irmã Marta. Deixou o convento quatro anos depois. Estudou literatura inglesa na Universidade de Oxford
PRINCIPAIS LIVROS
"Jerusalém - Uma Cidade, Três Religiões" (2000), "Maomé - Uma Biografia do Profeta" (2002)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo


Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo

Maria Inês Nassif

A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou. 

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.

Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.

A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.

A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.

A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores. 

A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.

No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.

(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Regulação da mídia terá de ocorrer, diz Franklin

Este assunto ainda vai dar pano prá manga,mas tem que se enfrentado.

A blogsfera deve acompanhar e divulgar todas as informações sobre este tema, pois se deixarmos para a mídia hegêmonica, seremos manipulados, como sempre.

Franklin Martins tem peito!


Regulação da mídia terá de ocorrer, diz Franklin


BRASÍLIA - Em tom beligerante, o ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo federal, Franklin Martins, afirmou ontem que a regulação do setor de mídias no Brasil vai ocorrer nem que para isso seja preciso enfrentar os adversários. "Nenhum grupo tem o poder de interditar a discussão. A discussão está na mesa. Terá de ser feita. Pode ser num clima de enfrentamento ou de entendimento."

A declaração do ministro foi feita na presença de autoridades estrangeiras da área, na abertura do seminário internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, organizado por ele. O ministro convidou autoridades de outros países para debater o tema entre ontem e hoje.

Ele quer entregar até o fim do ano um anteprojeto de regulação do setor à presidente eleita, Dilma Rousseff. A atuação do ministro tem sido vista por entidades da área, entre elas a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), como um movimento do atual governo para regular o conteúdo produzido pelos meios de comunicação, embora ele negue isso enfaticamente.

Em seu discurso, Franklin classificou de "fantasmas" as críticas que tem recebido. O maior "fantasma", segundo ele, é a tese de que o governo quer ameaçar a liberdade de imprensa ao levantar o debate sobre o tema. "Essa história de que a liberdade de imprensa está ameaçada é bobagem, fantasma, é um truque. Isso não está em jogo", disse.

O ministro subiu o tom e afirmou que as reclamações são fruto de "fúrias mesquinhas". "Os fantasmas passeiam por aí arrastando correntes", ressaltou. "Os fantasmas, quando dominam nossas vidas, nos impedem de olhar de frente a realidade. Os fantasmas não podem comandar esse processo. Se comandarem, perderemos uma grande oportunidade."

Segundo ele, a intenção do governo é dar uma atenção especial ao setor de radiodifusão em detrimento da telecomunicação. "O governo federal tem consciência de que nesse processo de convergência de mídia é necessário dar proteção especial à radiodifusão", afirmou.

Ressalvas

O discurso de Franklin foi recebido com ressalvas pela Abert."Enxergamos de modo diferente. Não estamos vendo fantasmas. São coisas que estão acontecendo", disse Luis Roberto Antonik, diretor-geral da entidade, sobre os movimentos do governo de controle de conteúdo.

Segundo ele, é preciso discutir, entre outras coisas, a atividade jornalística na internet. Franklin aproveitou o evento para alfinetar a imprensa. "Não haverá qualquer tipo de restrição. Mas vamos com calma. Isso não significa que não pode ter regulação. Liberdade de imprensa não quer dizer que a imprensa não pode ser criticada, observada", afirmou o ministro. "Liberdade de imprensa quer dizer que a imprensa é livre, não necessariamente boa. A imprensa erra."

Políticos

Em entrevista coletiva após o discurso, Franklin defendeu um controle de conteúdo sobre temas ligados, segundo palavras dele, ao respeito à privacidade, a campanhas discriminatórias, cultura regional, entre outras coisas. "No mundo inteiro isso é feito", justificou. O ministro criticou ainda a propriedade de canais de televisão por políticos.

"Todos nós sabemos que deputados e senadores não podem ter televisão", observou, baseado no dispositivo da Constituição que proíbe que parlamentares mantenham concessões de comunicação. De acordo com Franklin, o setor virou "terra de ninguém" e os parlamentares usam "subterfúgios" para comandar emissoras. "A discussão foi sendo evitada e agora é oportunidade para que se discuta tudo isso", defendeu o ministro.




quinta-feira, 8 de abril de 2010

Quem não sai aos seus, degenera



O senador Arthur Virgílio Neto é um bom discípulo de Fernando Henrique Cardoso.
O ex-presidente, como se sabe, é filho e sobrinho de dois generais nacionalistas, Leônidas e Felicíssimo Cardoso, líderes da campanha do “O petróleo é nosso”, que levou à criação da Petrobras e à nacionalização do petróleo brasileiro. Quarenta anos depois, FHC iria abri-lo às multinacionais.

Arthur Virgilio Neto é filho de Arthur Virgílio, senador pelo PTB amazonense. O velho Arthur defendia a realização de uma ampla reforma agrária. Considerava importante o papel do Estado como propulsor do desenvolvimento da economia, cabendo-lhe atuação corretiva e supletiva da iniciativa privada. Defendia o monopólio estatal do petróleo, inclusive o da distribuição, e também o das telecomunicações.
Olhem as posições que seu filho defende e as comparem.

Assim, o atual senador pelo Amazonas não tem autoridade moral para questionar a participação de Dilma Rousseff na luta contra a ditadura. As perseguições que seu pai, injustamente, sofreu se deveram às idéias que defendia. Foi por elas cassado pelo AI-5. Se seu filho defende valores diametralmente opostos – e tem o direito de fazer isso – é natural que não sinta nojo cívico dos perseguidores de seu pai.
Dizer que os que mataram pessoas depois de seviciarem pessoas devem ficar anônimos e que basta encontrar e sepultar os restos mortais de suas vítimas não é grandeza, é covardia. Ninguém quer fazer com eles o que fizeram a suas vitimas. nem mesmo prendê-los, queremos. Queremos apenas que respondam perante a Nação pelos atos que praticaram.

Não duvido do respeito e do amor filial de Arthur Virgilio Neto. Politicamente, porém, defende o contrário do que eram as causas de seu pai.
Quem viveu a ditadura resistiu como pôde e como soube. Erros e acertos de quem está ameaçado de prisão, tortura e morte são absolutamente relativos. O que não é relativo é a adesão dos perseguidos às idéias dos perseguidores.
Fonte: Tijolaço

quarta-feira, 31 de março de 2010

O Estado autoritário



Muitos já lembraram que a forma do governador José Serra agir contra movimentos reivindicatórios expressa a sua incapacidade de diálogo. Sua atuação contra os direitos democráticos, porém, é mais ampla. É atestada pela criminalização dos protestos das várias categorias de servidores públicos, no cerco a jornalistas que denunciam tais abusos, na violência verbal com que atinge seus desafetos, na falta de participação popular nas decisões administrativas, na quebra de contratos firmados por seus antecessores. E por aí vai.

A infiltração de agentes policiais nos atos dos professores em greve ilustra que tipo de governo o país terá se Serra for o próximo presidente da República.
O arrocho salarial do funcionalismo é outro bom exemplo do seu estilo.
As acusações de que toda e qualquer crítica não passa de "tró-ló-ló petista" (é impressionante como os tucanos gostam de uma onomatopéia...) também mostram que tipo de caráter tem o político paulista.

Quem hoje, irresponsavelmente, acusa o governo Lula de "arroubos autoritários" deveria refletir um pouco sobre o que se passou no Estado de São Paulo nesses poucos anos de gestão serrista.
Crônicas do Motta

terça-feira, 30 de março de 2010

Lula, Galileu e a elite que não digeriu o sapo barbudo



Eu cresci numa época em que era muito difícil perceber onde estava a direita brasileira. Tirando os personagens folclóricos, todo mundo se dizia centro-esquerda. Vejam vocês, até o PSDB tinha esta “Social-Democracia” no nome.

Tudo se diluía na “geléia” da modernidade. Os tempos eram outros, “a história tinha terminado”, na frase célebre daquele tal Francis Fukuyama, a quem a história, felizmente, já esqueceu.

Vivíamos o mundo do neoliberalismo. Defender a importância do Estado era antiquado, “jurássico”.

Não havia mais diferença entre nacional ou estrangeiro, público ou privado, e a palavra “social” foi substituída por uma vaga idéia de “inclusão”, que viria, com o tempo, do “politicamente correto”, da “responsabilidade social” e da “eficiência” e dos “ganhos de produtividade”.

A resistência ao império destas idéias era, além de antiquada, tachada de obtusa, quase uma cegueira ideológica: chata, ranzinza, desinteressante.
Os políticos que as defendiam tinham dois caminhos: ceder à ideologia dominante ou verem, progressivamente, suas lideranças definharem.

Para sobreviver, era preciso mostrar-se “adaptado” e “respeitoso” com as “leis do mercado”, que substituíam o ser humano como valor supremo.
A Carta aos Brasileiros de Lula não foi um pouco isso?

Nos tempos da Inquisição, o matemático e astrônomo Galileu Galilei para evitar a morte na fogueira teve de proclamar a um tribunal que a Terra, e não o Sol, era o centro do Universo conhecido e era fixa no espaço, tal – como dizia a Igreja – Deus a teria criado. Mas diz a lenda que, ao sair do julgamento, teria sussurrado: contudo, ela se move.

E a Terra se moveu. Aceito pelas elites, Lula pôde chegar ao Governo, embora para chegar – e para ficar – tivesse de fazer muitas concessões e- por que não confessar? – decepcionado muitos de nós que esperávamos mudanças mais radicais e velozes.

Porém se, de um lado, Lula tinha certa razão ao pretender “comer o mingau pelas beiradas”, de outro isso lhe custou um certo desgaste político. Teve, para fugir do dilúvio, como Noé e Getúlio, de embarcar uma fauna heterogênea e até bizarra na arca de sua aliança.

Mas hoje algo diferente do que costuma acontecer. Lula refinou-se, é verdade. Ele próprio o reconhece, brincando, numa fala muito engraçada:
“Gente, eu estou aqui falando da nova era que tem início hoje, falando de uma transcendência incomensurável”. “Vocês estão acreditando que estou dizendo isso? Nem eu estou crendo em mim mesmo. Agora pouco falei concomitantemente, daqui a pouco vou falar en passant e ainda nem usei o sine qua non. Para quem tomou posse falando menas laranja tá bom demais”
A própria brincadeira mostra que esse refinamento não lhe deformou as origens e a ligação atávica com o povo brasileiro.


Como naquela frase que Brizola disse antes de dar seu apoio a Lula em 1989, não foi “uma maravilha ver nossas elites tendo que engolir um sapo barbudo?”
Sim, engoliram-no. Mas não o digeriram no suco gástrico de seus salões como fizeram a Fernando Henrique, que se acreditou príncipe.
Ontem à noite eu fiquei escrevendo e pensando nisso.

Quando falei do tal “Comando Marrom”, estava pensando não especificamente nesta ou naquela pessoa. Mas no traço comum do discurso virulento que vem assumindo, totalmente desprovido de laços com a realidade.
A toda hora estou lendo nos jornais frases sobre “cubanização” do Brasil, “chavismo” de Lula, atentados à “liberdade de expressão”, às instituições e à democracia. Pelo simples de receber o presidente do Irã, quase que o associam a um “terrorismo islâmico”.

Faça a si mesmo uma pergunta: em que você está sendo coagido? Você conhece alguém que esteja sendo coagido em sua liberdade pelo Governo? Alguém foi demitido, perseguido, preso? Evidente que não.

Mas nossos jornais – e logo as televisões, escreva – assumem um discurso furibundo, falando em ameaças, em perigos à democracia. Porque democracia, para eles, é o seu governo, o governo dos seus grupos, não um governo que, se ainda não é do povo, está do lado do povo. Como na histórica frase de Getúlio, em 50: “hoje estais com o Governo, amanhã sereis governo”, o Governo Lula, por ser uma mudança de rumos, é o início de um novo caminho.

Nada os deixa mais apavorados do que a possibilidade de Lula ser sucedido por Dilma, que domina as ferramentas ideológicas e a compreensão histórica das lutas sociais do povo brasileiro, embora não tenha o carisma e a identidade carnal que Lula mantém com elas. Temem que, por isso, ela possa aprofundar as mudanças que Lula, no seu empirismo e sensibilidade política, soube encaminhar e iniciar.

É esta a idéia que deixa a direita em polvorosa. Na verdade, essa é a razão da histeria que origina estes espasmos que se assemelham ao discurso das forças que prepararam a derrubada de João Goulart no pré-64. Embora ele não fosse, pessoalmente, acusado de “comunista”, seu governo era “comunizante”. Ele, “populista”, “demagogo”.
Jango era, dizem-me todos, um homem avesso a conflitos, mas impregnado do espírito de justiça que marca o trabalhismo. O que assistimos hoje, em boa parte da mídia conservadora, assemelha-se ao discurso moralista – e falso – da UDN e ao fundamentalismo moralista e religioso da TFP (Tradição, Família e Propriedade). Hoje ela teria outra sigla, onde só a propriedade ficaria, trocando a tradição e a família pela “modernidade” e o “capital”.
Substituindo Deus pelo Mercado, quem sabe não estarão logo organizando uma Marcha?
Fonte:Brizola Neto
Tijolaço

A roupa faz o homem


O governador José Serra deixa o cargo amanhã para se dedicar integralmente à campanha presidencial. No seu lugar entra o vice, Alberto Goldman, que foi seu colega de ministério nos tempos nada saudosos de FHC.
Os tucanos têm a mania de se dizer de esquerda. Gostam de ser chamados de sociais-democratas.

Serra, na sua juventude, flertou com ideias socialistas, mas saiu do país quando soaram os primeiros toques dos clarins da Gloriosa. Lá fora, viu desabrochar todo o seu amor ao mercado.

Já Goldman, que era marxista de carteirinha - foi um dos quadros mais disciplinados do Partidão, o PCB - ficou por aqui.

Lembro uma vez meu pai chegando em casa, lá na Jundiaí do início dos anos 70, com um papelzinho dobrado nas mãos:
- São os candidatos a deputado do partido, disse o capitão Accioly. Alberto Goldman para estadual e Marcelo Gato para federal.

Bem, é preciso esclarecer: Goldman e Gato eram quadros do PCB que atuavam sob o manto do MDB, a oposição consentida pelos militares.
Goldman fez carreira sob as asas do Partidão, como tantos outros que estão por aí em vários cargos importantes.

Hoje já não tem nada de socialista, comunista, marxista ou qualquer coisa que lembre a velha e boa esquerda. Fez carreira com a ajuda dos bons amigos, entrou no esquema conhecido da política tradicional, virou um burguesão, aquela figura que tanta ojeriza causava nos combativos quadros do Partidão.

O capitão Accioly referia-se a esses tipos que trocam seus ideais pela comodidade material de maneira simples e direta: "trânsfugas".
Desertores. É impressionante como uma palavra pode explicar tantas coisas.

Fonte: Crônicas do Motta

Dilma bate pesado nos tucanos e chama para polarização na campanha




Dilma terminou o discurso aplaudida. Em um de seus últimos momentos como ministra, Dilma Rousseff fez o discurso mais duro contra a oposição desde que foi alçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à condição de pré-candidata do PT. Sua apresentação na segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) foi longa e recheada de tecnicidades, como de costume. Mas nos cinco minutos finais de exposição encarnou a candidata dos próximos meses.

A dois dias de se despedir da Casa Civil e lançar-se à primeira disputa eleitoral de sua vida, Dilma bateu forte no PSDB e insinuou convite a um duelo entre modelos de Estado: quer o "nós", o "Estado indutor", contra o "eles", o "Estado do não".

– (No modelo antigo) não tinha planejamento estratégico, não fortalecia as empresas públicas, não promovia alianças com o setor privado, não atuava protegendo nosso setor privado diante das crises, não incrementou o investimento público e não financiou o investimento privado – provocou.

Dilma entra em combate contra o governador paulista e pré-candidato do PSDB, José Serra, forçando um acerto de contas entre passado e presente. Mais quer a vantagem de comparação entre um governo popular, o de Lula, contra outro – de Fernando Henrique Cardoso – que terminou com índices baixos de aprovação. Nem mesmo o lançamento de sua pré-candidatura, em fevereiro, teve a mensagem ácida desta tarde.

– Acho que foi o discurso mais duro dela. Hoje, ela assumiu a posição de chamar (o adversário) para a polarização – disse o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ao sair do evento.

Nesta segunda-feira, a derradeira como gerente da Esplanada, Dilma sintetizou sua disposição para a disputa plebiscitária. Falou para a militância de esquerda ao criticar o que chamou de "neoliberalismo" do governo anterior; fez um aceno ao empresariado ao defender parceria e investimentos no setor; e ratificou a presença do "Estado regulador".

– Hoje nós podemos dizer que antes de ser um Estado mínimo (no período FHC), ele foi um Estado omisso – bateu.

A pré-candidata – que nas pesquisas eleitorais aparece em segundo lugar, atrás de Serra – também lembrou do mercado:

– (Este é) um Estado que entende e respeita o mercado, mas não se omite diante dele. Deixamos para trás décadas e décadas de improvisação. O Estado voltou a ajudar, a planejar, e o país voltou a ter rumo.

Serra, assim como a ministra, segue a linha desenvolvimentista da economia, mas precisará escapar do plano governista de comparar oito anos de Lula com os dois mandatos de Fernando Henrique, de quem o tucano foi ministro. Desvencilhar-se disso será um de seus principais desafios.

A ministra também aproveitou para fazer uma menção, ainda que indireta, ao que Lula chamou sempre de "herança maldita" deixada pela gestão anterior na economia. "O PAC é uma herança bendita que vamos deixar para quem venha suceder o nosso governo.”

– Em suas palavras, Dilma demarcou território. Foi um divisor de águas do que está em jogo nestas eleições – afirmou a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), ao deixar a solenidade.

Antes de descer do púlpito e concluir seus cerca de 45 minutos de fala, Dilma despediu-se emocionada da platéia. Com voz embargada, afirmou que os brasileiros não deixarão escapar das mãos as conquistas do governo.
CORREIO DO BRASIL
JUSSARA SEIXAS

segunda-feira, 29 de março de 2010

Amor com amor se paga - Lição de um aprendiz esperto



De fato. Não se pode maltratar ou discordar de quem nos ajuda - seria falta de respeito, consideração, estima, bom senso; seria perder a noção do perigo etc..

Deve ser por isto que o nobre jornalista Gilberto Dimenstein, da Associação Cidade Escola Aprendiz (CNPJ/MF 03.074.383/0001-30) escreveu Professores dão aula de baderna e Uma greve contra os pobres e também Vocês desrespeitam os professores, da qual citamos o brilhante trecho:

Até que ponto o sindicato dos professores não está chamando uma manifestação para amanhã, na frente do Palácio dos Bandeirantes, à espera de um conflito e uma foto na imprensa? Nada contra a manifestação em si. Mas a suspeita é inevitável. Os dirigentes do sindicato são filiados ao PT, interessado em desgastar a imagem de José Serra, que está deixando o governo estadual para se candidatar à Presidência. Também sabemos que na cúpula do sindicato existem os setores mais radicais da esquerda como PSOL e PSTU.
Como se sabe, ali é área de segurança e se alguém passar da linha a polícia é obrigada, por lei, a intervir.
Seria mais um desrespeito à imagem do professor se fosse apresentado à sociedade como gente que não obedece a lei.
Você, que tem ao menos dois neurônios sadios, entendeu a mensagem, né não? Então nem vamos ousar explicar.

Por outro lado, por sermos adeptos de outras lições, resolvemos atender aos instintos mais viscerais e mostramos que a teoria é verdadeira na prática: não se pode morder a mão que nos afaga. Assim que, só por alto, mostraremos a palma carinhosa que só tem feito bondades ao importantíssimo educador de São Paulo.

“Planilha do balanço e prestação de contas do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente” (FUMCAD)
Organização: Associação Cidade Escola Aprendiz
(ano – nome projeto – validade – atendidos – idade – valor)


2006

Escola na Praça (de 02/05/06 a 01/05/07) – 170 – 04 a 16 anos – R$264.446,00
Trilhas Urbanas (de 02/05/06 a 01/05/07) – 95 – 15 a 17 anos – R$144.510,00
2007

Projeto Trilhas na Vida (de 01/03/07 a 01/03/08) – 160 – 14 a 17 anos R$776.566,30
Aprendiz das Letras (de 01/07/07 a 29/02/08) – 60 – 04 a 15 anos – R$87.594,72
Percurso Formativo (de 01/07/07 a 29/02/08) – 70 – 12 a 18 anos – R$222.300,00

2008

Trilhas na Vida (de 01/04/08 a 31/03/09) – 120 – 14 a 17 anos/11 meses – R$848.744,39
Aprendiz das Letras (de 01/05/08 31/12/08) – 60 – 04 a 15 anos – R$85.610,00
Percurso Formativo (de 01/05/08 31/12/08) – 115 – 11 a 18 anos – R$369.840,60
(DO da Cidade de SP 5/fevereiro/2009 - e páginas seguintes)


Àquilo tudo acrescente as renovações que assim se iniciam:

CONSIDERANDO: - o artigo 7º, da Lei 11.123, de 22 de novembro de 1991, segundo o qual o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente é órgão de decisão autônomo e de representação paritária entre o governo municipal e a sociedade civil; - que em 19 de abril de 2008, foi publicado no veículo oficial de comunicação desta cidade o Edital FUMCAD 2008, cujo objeto é estabelecer procedimento e realizar processo de analise e seleção de projetos que poderão ser financiados pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - FUMCAD/SP/2008 que estejam em consonância com as políticas públicas da Criança e do Adolescente da Cidade de São Paulo e que sejam inovadores e/ou complementares, conforme reunião realizada no dia 17 de abril de 2008, que aprovou o texto final deste Edital; - que a Comissão Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, no uso das suas atribuições, aprovou o projeto...

Comunidade Educativa - Escola na Praça: Despacho Processo nº 2008-0.311.233-1 - por 12 meses a partir de 02/04/2009 (para 75 adolescentes) = R$439.474,17 (DO Cidade 26/março/2009)


Formação - Agência de Notícias: Despacho Processo nº 2008-0.315.519-712 - por 12 meses a partir do dia 01/04/2009 (para 20 estudantes de 14 a 18 anos) = R$108.302,00 (DO Cidade 31/março/2009)

Trilhas: Despacho Processo nº 2008-0.315.522-7 - por 12 meses a partir de 02/04/2009 (para 60 adolescentes) = R$317.834,56 (DO Cidade 2/abril/2009)
Com a Secretaria de Cultura do Estado, firmou singelo contrato (Processo SC 001653 /2009 - Contrato 457 /2009) de 36 meses em referência ao projeto Escola da Rua, relativo ao Edital: Pontos de Cultura do Estado de São Paulo. Valor praticamente simbólico de R$60.000,00 (DO 25/dezembro/2009).

Total geral (parcial) daquele aprendiz que trata com amor aqueles que o amam: R$3.725.222,74.

Em breve teremos mais do mesmo parceiro da Microsoft, SEE-SP, Prefeitura de SP, Revista Nova Escola, Editora e Fundação Abril, Colégio Bandeirantes, COC, Fundação Vanzolini, Uninove, Universia, Camargo Correa, UOL... Aguarde neste aracno blog.

PS-
Informamos que o cachorro apenas fez pose para a foto e não deve nada a ninguém.


Fonte:NaMariaNews

sábado, 27 de março de 2010

O mundo bizarro de José Serra





Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.
Inesquecível, Serra, inesquecível.

Fonte: Brasília, eu vi – Blog de Leandro Fortes

quinta-feira, 18 de março de 2010

O boato é um vírus político


Zillah Branco *
O boato é um vírus político

Para a direita mais retrógrada, os que lutaram contra a ditadura e os desmandos da elite histórica no Brasil, são condenáveis e merecedores de campanha caluniosa. É o que hoje a indústria midiática está fazendo contra a candidata Dilma Rousseff, com todos os recursos da tecnologia alternativa - da internet, aflorando na mídia, às cartas escritas à mão, além das fofocas espalhadas pelo vento.

O famoso “boato”, arma utilizada fartamente durante a Inquisição ou o fascismo, é um veneno corrosivo que afeta os mal informados deseducando-os socialmente, deformando as consciências. Deveria ser considerado um crime contra a sociedade.

As calúnias criadas para transformar em monstro uma jovem militante que enfrentou corajosamente a opressão política e policial em defesa da liberdade no Brasil sob a ditadura revelam o ódio neurótico dos que inspiraram os torturadores mais boçais na implantação do terror naqueles negros anos que mancharam a história brasileira. Babam sangue, destilam veneno, poluem o ambiente mental da população que agora se levanta consciente da sua cidadania.

É o “macartismo” tupiniquim animado durante a ditadura e que hoje ocupa destacados postos de “formadores de consciência” a partir das aulas recebidas no famigerado CCC. Na ausência de uma oposição política de centro-direita com capacidade para empanar o brilho da Presidência de Lula, admirada em todo o mundo, a mídia assumiu a função de liderança como se fosse um partido político em véspera de eleição. Denigre o passado de Dilma e despreza o de Lula, com o estafado modelo da velha elite que não suporta qualquer conteúdo democrático e sonha com um Brasil dependente e de cabeça baixa.

Alguns “âncoras” da Globo emitem a sua posição pessoal, agora atribuída à “opinião pública mundial”, para censurar a amizade de Lula por Cuba e o respeito que demonstra pelos direitos do Irã. Inventam cientistas políticos e conhecedores do mundo para fazerem coro com o estribilho dos bate-orelhas do imperialismo. De um momento para outro a boataria da mídia recriou o ambiente desenhado pela ditadura há mais de meio século. E, tudo isso, cercado de frases bombásticas sobre a liberdade de pensamento e de informação. O publico vai sendo enrolado por repetidas notícias sobre crimes de sangue ou de corrupção política que envolve os eleitos do DEMO que a burocracia do sistema judiciário consegue manter em um eterno banho-maria. O nível da mídia, de fato, tornou-se rasteiro e enfadonho, talvez querendo levar as consciências dos eleitores a apagarem as conquistas dos últimos 8 anos em compasso de inanição mental. Visivelmente houve uma orquestração estratégica dessa defasada inspiração “macartista” para servir de pano de fundo à campanha eleitoral impedindo que nela sejam discutidos a sério os conteúdos do novo Brasil independente.

Em causa estará a escolha de um governo que dê seguimento ao que foi criado pelo Governo Lula, ou que retorne às ações neoliberais baseadas na priorização absoluta do mercado e no desprezo pelo papel do Estado como fez FHC nos seus dois mandatos. Ninguém esqueceu que os neoliberais desconstruíram o Estado em suas áreas fundamentais, o que resultou na estagnação da economia e na paralisia ou retrocesso em projetos de inclusão social. Prosseguir a orientação do governo de Lula e Dilma que consideram haver ainda muito a fazer para poder liquidar totalmente a miséria no país dará caráter de plebiscito à próxima eleição.

Para que não haja discussões salutares sobre como aproveitar o prestígio alcançado pelo Brasil a nível internacional pelo grande exemplo que deu na superação da crise que atingiu todo o planeta e pela capacidade de estadista de Lula que se fez respeitar como interlocutor entre países discordantes, para que a população não continue a participar nos programas de desenvolvimento social que hoje entusiasmam profissionais e humanistas de todas as nações, a mídia brasileira baixou o nível dos temas de informação para que o povo pense que voltou a chafurdar na lama anterior quando a elite dominava impondo o seu programa de vida como o único possível em um país subdesenvolvido e dominado.

Dilma foi preparada por Lula na primeira fila do Governo brasileiro e sempre agüentou corajosamente e com competência a ferocidade da oposição, incluindo a da mídia. Não é Lula, claro, é mulher, do sul, com uma experiência própria na luta. Somos a favor da diversidade quando complementa uma boa escolha anterior. Assim cresce a força do povo brasileiro, derrotando os preconceitos e o ranço oligarca do subdesenvolvimento.

* Cientista Social, consultora do Cebrapaz. Tem experiência de vida e trabalho no Chile, Portugal e Cabo Verde.
Fonte:
Portal Vermelho

O blogueiro da Veja e a greve dos professores em São Paulo


PETISTAS JÁ DEFLAGRARAM A TENTATIVA DE BAGUNCISMO EM SP DE OLHO NAS URNAS. GREVISTAS DA APEOESP FERRAM AS CRIANÇAS E GRITAM: “DIL-MA; DIL-MA”!!!
quinta-feira, 18 de março de 2010

Escrevi um post ontem sobre um despacho da Reuters, publicado na Folha Online, que dava destaque a um ovo jogado por militante da Apeoesp na direção do governador José Serra. O Estadão Online pôs no ar a foto. O criminoso certamente se sentiu recompensado. E o crime agradece. Um crime que não se resume a esse ataque de boçalidade. O sindicato da rede oficial de ensino está mobilizado, neste momento, contra os pobres. Tenta tirar daqueles que já não têm muito o pouco que têm: o direito à educação. Sua pauta è obscurantista, atrasada, própria de gente que se reúne para queimar livros.

A Apeoesp é uma espécie de MST urbano: é virulento, odeia o mundo moderno, vende fantasias e falsidades e é contra a eficiência. Tem, na comparação com o movimento dos sem-terra, uma pequena diferença — a favor, acreditem, do MST: o movimento de João Pedro Stedile consegue, às vezes, demonstrar alguma independência em relação ao PT , sempre pela esquerda, claro!, mas consegue. A Apeoesp se limita a ser um esbirro partidário. Neste momento, sua tarefa é fazer campanha eleitoral. E usa os estudantes pobres como bucha de canhão de sua luta ensandecida.
Assim como o MST tenta convencer o Brasil de que o país precisa fazer uma reforma agrária nos moldes de 50 anos atrás — o que levaria o Brasil à fome e à miséria —, a Apeoesp tem uma luta que despreza as necessidades reais da educação. E o lastimável é que a imprensa, que faz profissão de fé na eficiência, reproduz de forma mecânica as suas mentiras.

O salário
Já bastava para qualificar a “luta” o pedido delirante de reajuste de 34%! Se me perguntam se professor ganha bem ou mal, diria que merece ganhar mais. Só que o salário inicial de um professor, num regime de 40 horas semanais (que é a média de qualquer trabalhador — a minha é mais do que o dobro..), é de R$ 1.835. É maior do que a de muitas profissões. Pode chegar a R$ 6.270 no fim da carreira. Por mim, ganhariam cinco vezes mais. A questão é saber se isso é realista e se há dinheiro para tanto. Não é, e não há. Ora, pesquisem para saber qual é o rendimento médio do trabalhador brasileiro e dos próprios professores em outros estados. A Apeoesp espalha por aí uma conta vigarista com média salário de 24 horas semanais. Quem, no Brasil, trabalha 24 horas por semana? Nem o Lula! Esse é tempo que ele passa discursando.

A grande mentira
De todas as mentiras, a mais escandalosa é a que assegura que os professores estão sem reajuste desde 2005. Daquele ano até 2009, a folha de pagamentos da Secretaria de Educação saltou de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões. São dados oficiais, sim, mas verificáveis, em números públicos.

Mérito
Pedir muito, mentir para tentar ganhar adesões, tudo isso, dirá alguém, é próprio do sindicalismo etc. Ocorre que a pauta da Apeoesp é bem maior. O sindicato quer acabar com Programa de Valorização pelo Mérito. Ele permite que parte da categoria, a cada ano, receba 25% de reajuste — para tanto, os professores têm de se submeter a avaliações e programas de qualificação. Que idéia criminosa esta, não é mesmo???

Faltas
Os obscurantistas não param por aí! Exigem o fim da Lei 1041, que limitou as faltas justificáveis a seis por ano. Isto mesmo companheiro: na prática, cada professor já pode faltar seis vezes por ano sem ter um centavo descontado. A Apeoesp pretende voltar ao padrão antigo, e os pais dos alunos pobres sabem bem o que isso significa: escolas sem professor. De novo: os dados disponíveis indicam que, depois da 1041, houve uma redução de 60% no número de faltas.

Escola de formação
A Apeoesp luta para revogar a lei 1094, que criou a Escola Paulista de Formação de Professores e instituiu novas regras para ingresso na carreira. Com base nela, o estado abriu concurso para 10 mil professores — há mais de 261 mil inscritos. Os aprovados passam por um curso de preparação de quatro meses. A única conseqüência dessa lei é aumentar o preparo dos professores em sala de aula. Também quer extinguir as provas para professores temporários.

Ler e Escrever
Os iluminados também são contra o programa Ler e Escrever, que compreende a distribuição de material didático ao aluno e do Guia do Professor. Segundo esses libertários, isso tira o espaço para a criatividade, sabem? Vocês certamente sabem o que isso significa.

Bônus por resultado
A Apeoesp não gosta, acreditem, do programa Bônus por Resultados, que pode pagar até 2,9 salários aos professores e funcionários que superarem as metas de qualidade definidas para as escolas. No ano passado, 49% dos professores e 48% dos funcionários tiveram essa compensação. Os valentes acham que isso divide a categoria.

A pauta é essa
O sindicato se mobiliza, consegue paralisar uma parte pequena do professorado, mas em número suficiente para atrapalhar o trânsito na Paulista, e ganha notícia de jornal. Aí um delinqüente se desloca até uma solenidade em que se está inaugurando uma escola, tenta agredir autoridades com um ovo e se candidata, vamos ver, a ganhar primeira página de jornal. NESSA HORA, A FRANJA SINDICAL DO PT SE ENCONTRA COM A FRANJA PETISTA DO JORNALISMO. E o resultado é o que se vê.

Ação criminosa
Um crime contra a educação está sendo cometido em São Paulo. Só não é maior porque, felizmente, a esmagadora maioria dos professores percebeu que poderia se tornar massa de manobra do PT e da Apeosp e resolveu não aderir a essa greve doidivanas.
O que é um pouco espantoso é que a imprensa, que tanto diz zelar pela qualidade na educação, espalhe a mentira sobre a suposta falta de reajuste desde 2005 — o governo sempre aparece negando, como se fosse mera questão de opinião de um lado e de outro —, concentre-se no pedido de reajuste e ignore o restante da pauta, que pretende simplesmente desmontar um programa que está sendo bem-sucedido.

Segundo informa a Secretaria de Educação, “os resultados do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) e do Saresp (Sistema de Avaliação e Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) de 2009 mostraram uma melhora generalizada nos níveis de aprendizado dos cerca de cinco milhões de alunos da rede estadual. O conjunto das cinco mil escolas estaduais superou amplamente a meta estabelecida pelo Idesp, que era 2,58 para o ano de 2009, com o índice chegando a 2,79 - um crescimento de 9,4% em relação aos 2,55 de 2008″.
Isso é só conversa oficial? Não! São números verificáveis, que saíram de exames efetivamente aplicados.

Dil-ma, Dil-ma
A manifestação dos funcionários ideológicos da Apeoesp e do PT não poderia ter sido mais clara ontem. No “protesto” organizado contra Serra, gritavam: “Dil-ma/ Dil-ma”. Há dias, a Justiça Eleitoral mandou tirar do ar uma propaganda eleitoral ilegal em que Lula asseverava todo o amor que a candidata do PT tem por São Paulo. Ontem, Marta Suplicy também falava da importância da Educação.
O amor dos petistas pelos paulistas e pela qualidade na educação está provado pelo comportamento da tropa de choque da Apeoesp. A Apeoesp, comos seus cabos eleitorais deixaram claro, é a face de Dilma na educação de São Paulo.
Blog Reinado Azevedo


Breve comentário

Postei o artigo acima na íntegra para que não haja sonegação de nenhum ponto de vista do blogueiro sobre a greve dos professores do estado de São Paulo tamanha minha indignação com tanta distorção,virulência e falta de vivência da profissão de educador.
Além disso, a forma peçonhenta,ardilosa,rasteira em que tenta atingir a ministra Dilma.Reparem na grafia que reproduz os gritos dos professores:DIL-MA,DIL-MA.


Ora, faça-me o favor!
O blogueiro pensa que está se dirigindo a incautos?
Ora senhor blogueiro: é fácil falar de fora ainda mais quando sabemos de que lado e a quem o senhor serve!
O senhor fala em ação criminosa dos grevistas em relação à educação em São Paulo?
Depende de qual perspectiva se olha a questão.Do ponto de vista dos grevistas a ação criminosa é do tucanato instalado no poder do estado há 16 anos.

Educador merece respeito!
Mulher educadora também!
Não menospreze nossa capacidade!
Quem ainda mantém o sistema educacional funcionando somos nós!


Abaixo a "Lei da Mordaça"!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Oposição prepara batalha virtual. Blogs tem importância fundamental.

De olho em 44 milhões de “conectados”, PSDB municia simpatizantes para tentar frear 518 mil militantes petistas

Daniela Lima

Tucanato organiza infantaria virtual De olho em 44 milhões de “conectados”, PSDB municia simpatizantes para tentar frear 518 mil militantes petistas
Daniela Lima
No laptop aberto sobre a mesa da sala de reuniões, a tela do computador revela uma infinidade de endereços eletrônicos organizados para consulta diária. De portais de grandes veículos de comunicação a pequenos blogs, tudo é minuciosamente avaliado. O homem que passa o pente-fino no enorme capital de informações virtuais é um dos mais importantes dentro da estratégia do PSDB para as próximas eleições. Eduardo Graeff, cientista político que foi secretário-geral da Presidência durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, e amigo de José Serra desde 1978, é um dos comandantes da guerra que os tucanos travarão na internet, de olho num universo de pelo menos 44 milhões de eleitores.

Graeff coordena ao lado de outros nomes de destaque dentro do partido a estratégia que o PSDB começou a traçar desde o ano passado, pensando no potencial eleitoral da internet. Ele não trabalha com a possibilidade de ganhar votos com o debate virtual. É categórico ao afirmar que o eleitor que procura informações sobre políticos neste ou naquele espaço, geralmente, já tem predileção por algum candidato. Graeff trabalha para conseguir o que chama de “infantaria”.

A internet será a principal arma do PSDB para angariar aquilo que ainda é uma herança poderosa e invejada do Partido dos Trabalhadores: a militância. “Somos ruins de organização da base. O PSDB é um clube parlamentar. Para competir com os outros partidos, tudo bem. Mas para competir com o PT, não dá. O PT tem infantaria, a militância”, explicou.

A intenção dos tucanos é abastecer com informações — ou munição — os simpatizantes da candidatura de José Serra à Presidência. Desde números comparativos entre a gestão de FHC e a do presidente Lula até ataques pessoais à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata petista.

O PSDB hoje conta com pelo menos cinco blogs direcionados aos militantes. O Gente que Mente, no ar desde o ano passado, aposta na ironia. A fotografia de um caminhão atolado em uma rodovia ilustrava o site na última quinta, acompanhado da legenda: “Dilma dirigindo o Programa de Aceleração do Crescimento na Cuiabá-Santaré”. “A sátira funciona com nosso pessoal”, diz Graeff.

Mas há sob a batuta dos tucanos espaços que não ousam tanto. O blog Brasil com S dá a senha para aqueles que querem travar um debate qualificado. Artigos, números, textos repletos de informações técnicas e políticas. “O que a gente quer é que as pessoas vejam, divulguem e debatam. A internet é, em si mesma, um meio de organização”, acentua Graeff.

O PSDB investiu pesado para montar toda essa estrutura — que ainda não está pronta. A página oficial do partido será reformulada. Dará destaque às notícias produzidas pela Agência Tucana. Um time de peso foi escalado para coordenar o trabalho. Um grupo de jovens da Loops Mobilização Social, que trabalhou na campanha de Fernando Gabeira à prefeitura do Rio em 2008, integra a equipe. A jornalista Cila Schulman, titular na campanha de Gilberto Kassab à prefeitura da capital paulista, também foi escalada. O responsável por montar a plataforma de doações para o Teleton — programa que arrecada dinheiro para crianças atendidas pela Associação de Assistência à Criança Deficiente no SBT —vai viabilizar a arrecadação de fundos pela internet.
Matéria publicada no Correio Braziliense.

terça-feira, 16 de março de 2010

Publicidade européia detona Brasil e mulher brasileira

Filme racista e machista, de agência de viagens européia, ofende e achincalha a mulher brasileira, além de promover o turismo sexual no Brasil. http://www.youtube.com/watch?v=Jn9IS0QQO3o
O que a empresa fala, é: "O que você faz nas suas viagens, não é da nossa conta". Veja aqui o que os ministérios do Turismo e Relações Exteriores, presume-se, ainda não tenham visto.

É um comercial de uma Agência de Viagem Européia sobre brasileiras...

Fonte:Com Texto Livrehttp://contextolivre.blogspot.com/2010/03/publicidade-europeia-detona-brasil-e.html

Coisificação da mulher,racismo,machismo, desrespeito total à mulher brasileira e ao Brasil como um todo. É o que depreendemos das linhas e entrelinhas do texto do vídeo.

Quem vive acima da Linha do Equador é superior a quem vive abaixo do mesmo? Por que? No que?

"Sempre que uma mulher toma consciência de sua própria dignidade, sempre que se avança um milímetro sequer nesta estrada,movemos a história adiante". Betty Friedan













terça-feira, 2 de março de 2010

Lei Maria da Penha e Empoderamento

Superior Tribunal de Justiça mantém lei Maria da Penha inalterada

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por 6 votos a 3, que a mulher vítima de agressão leve deve prestar e manter a queixa contra o marido ou companheiro para que o processo tenha prosseguimento, caso contrário o processo é arquivado. Defensores da Lei Maria da Penha, que entrou em vigor há quatro anos, esperavam que o STJ dispensasse a obrigatoriedade da representação da vítima à Justiça, permitindo o Ministério Público propor a ação penal contra o agressor.
...
A deputada Cida Diogo (PT-RJ) classificou como "um absurdo" a decisão do STJ. "Com isso, acaba a possibilidade de ação penal pública incondicionada, e somente a mulher pode representar à Justiça contra seu agressor. É um absurdo, porque sabemos que milhares de mulheres que enfrentam a violência doméstica em nosso País são intimidadas, ameaçadas e acabam não tendo condição de representar contra o seu agressor à Justiça. Espero que essa decisão do STJ seja revista", disse.
...
Exigir-se que a mulher vítima de violência doméstica média ou grave, para ver seu agressor punido, tenha que ir a juízo manifestar expressamente esse desejo somente contribui para atrasar ou mesmo inviabilizar a prestação jurisdicional, fragilizando as vítimas e desencorajando-as a processar o agressor", destaca a deputada Dalva Figueiredo no projeto.
...
A decisão do STJ foi motivada por recurso interposto pelo Ministério Público do Distrito Federal com o objetivo de reverter decisão do tribunal local que entendeu que “a natureza da ação desse tipo de crime é condicionada à representação pela vítima”. No STJ, o MP sustentou que o crime de lesão corporal leve sempre se processou mediante ação penal pública incondicionada.
...
Novas correções

No ano passado, o senador Inácio Arruda apresentou emenda ao projeto de lei de reforma do Código de Processo Penal para garantir o procedimento especial para ações penais originadas em leis específicas como a Lei Maria da Penha. Dessa maneira, é possível evitar que a violência doméstica e familiar seja colocada como uma infração de menor potencial ofensivo. No caso da decisão do STJ, a deputada Jô Morais (PCdoB-MG) fez um apelo para que o senador Inácio Arruda apresente nova emenda no Senado a esse projeto de lei para tentar corrigir a interpretação da Lei Maria da Penha pelo tribunal.
Fonte de pesquisa: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=124885&id_secao=1

Breve comentário:

Mesmo com leis, tratados, convenções internacionais ratificadas pelo Brasil e um grande aparato normativo que trata desse assunto, esbarramos numa dificuldade crucial que é a forma como as pessoas que exercem o poder jurídico enxergam a relação homem e mulher.

Além disso, a própria mulher não está preparada para ir adiante com o processo.

O resultado dessa descontinuidade, segundo os operadores da lei, está na fragilidade da mulher, ou mesmo a dependência que ela tem do seu parceiro, o que impede a aplicação da lei. Daí a necessidade do empoderamento por parte da mulher, uma vez que a mesma foi criada num sistema de subjugação econômica e psicológica e que muitas vezes não se percebe como sujeito social único.

Pressupostos do empoderamento:

.O poder não é. O poder se exerce. E se exerce em atos, em
linguagem;
.A capacidade de decidir sobre a própria vida.

Mas poder consiste também na capacidade de decidir sobre a vida do outro.
Quem exerce o poder se arroga o direito ao castigo e a postergar bens materiais e simbólicos. Dessa posição domina, julga, sentencia e perdoa. Ao fazê-lo, acumula e reproduz o poder.

Daí a importância de uma ampla discussão sobre as desigualdades históricas, procurando transformar os valores incrustados na família e na sociedade e em conseqüência a sua transformação. Homens e mulheres são seres que pensam e possuem direitos e deveres semelhantes, devendo ser respeitados e valorizados com suas diferenças e especificidades. Busca-se assim a redução da violência e uma compreensão por inteiro.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Cínica.

Cínica.
"Quem duvidar do vigor da democracia em nosso país que leia, escute ou veja o que dizem livremente as vozes oposicionistas".Sem dúvida, no discurso da candidata Dilma Rousseff, este foi o momento apoteótico de um espetáculo de cinismo. Quem é esta mulher para sugerir, mesmo que de longe, que os corruptos que sustentam a sua candidatura tivessem alguma possibilidade de calar a oposição ou a voz do povo? Quem é esta figura biônica para dizer que o governo Lula foi, de alguma forma, um avalista da democracia e da liberdade de expressão no país? Muito antes pelo contrário. O governo Lula bem que tentou e bem que está tentando calar a voz da oposição, com o PNDH III, com as resoluções da CONFECOM, com as declarações jurássicas pronunciadas entre dentes podres por Marco Aurélio Porquito Top Top Garcia. Ela não tem um pingo de vergonha na cara.
do Blog CORONEL
http://coturnonoturno.blogspot.com


Maria da Penha neles!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ataques a Dilma negam humanidade de ministra e protagonismo das mulheres

O Azenha escreveu recentemente um artigo desafio, em seu blog Viomundo.
Antevendo o que virá pela frente na próxima campanha eleitoral, descreveu o machismo e preconceito arraigado na maioria da população masculina brasileira ( em parte da feminina também) e sugeriu que ,nós mulheres ,montassemos um blog para colecionar os ataques machistas que a candidata Dilma Rousseff sofrerá.
Aceitamos o desafio.
Aqui está o blog.
Mas não iremos apenas colecionar os ataques machistas de "coronéis" e "jagunços" da política brasileira, vamos revidar.
Não aceitaremos ataques machistas e sexistas, como os que fizeram à candidata Marta Suplicy nas eleições municipais passadas em São Paulo.
Dilma Rousseff é a nossa candidata a presidente da República nas próximas eleições, NÓS ENTENDEREMOS COMO ATAQUE E OFENSA A TODAS AS MULHERES BRASILEIRAS, qualquer ataque de cunho sexista e/ou preconceituoso que seja feito a ela e revidaremos com as armas que temos.
Arcaicos políticos machistas, andem com uma trena no bolso para medir suas palavras pois estaremos atentas para convocar as mulheres brasileiras e pedirmos à justiça:
aplique-se a Lei MARIA DA PENHA NELES!